O começo
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capitulo 2
Ouvia o barulho da chuva batendo na janela, minha mala já estava pronta para partir, eu não havia conseguido fazer nada, ninguém havia lido minhas historias, só estava ali por enfeite. È engraçado, como quando olhamos fixamente na gota que escorre pela janela, se torna tão perfeita e se tirarmos os olhos e focarmos nos prédios, quando voltarmos a observar-la, não estará mais lá, terá se perdido no meio de milhares, nunca mais se tornará única e perfeita. Ouso alguém abrir a porta, príncipe William entra no quarto e diz:
–Não deveria ter me exaltado tanto, me desculpe.
–Poderia ter batido na porta.- Continuo olhando pela janela.
–Eu sei, me desculpe, novamente.- O olho, andando lentamente e se sentando na ponta da cama.- As vezes sinto que estou apenas fazendo bobagens, não quero errar, e quanto mais eu quero, mais eu erro. Sei que a pressão que estou passando não justificaria eu ter sido desrespeitoso com você, mas peço desculpas.
–Você já pediu, eu te perdoo, entendo o que passou, e que a futura rainha terá que ser pontual, mesmo tendo quase certeza que não serei uma.- Ele abre um sorriso com minha resposta.
–Acha que não irei me apaixonar por você?
–Não, quer dizer, você não está aqui para se apaixonar e sim para achar alguém digna do trono, eu não sou.
–Vamos ver isso, poderia te levar para sair, para ver se será digna do trono.- Diz em tom de brincadeira, então afirmo com um movimento suave da cabeça.- Está bem, amanhã venho te buscar meio dia, só... Não me deixe esperando com cara de tolo, por favor
–Cara de tolo você já tem vossa alteza.- Aproveito o momento para fazer uma piada.- Mas não terá que esperar.- Ele solta uma risada.
–Então tudo bem, amanhã.- Diz se retirando do quarto.
Não contente Sierra entra no meu quarto com um sorriso no rosto.
–Eu o vi saindo daqui feliz, tu vai ficar Audrey?-Pergunta.
–Sim.- Começo a desfazer a minha mala.
–Não sei como ficaria nesta seleção sem você, não ia aguentar ficar aqui ao lado dessas meninas que tem certeza que nunca vou ganhar, passei minha vida inteira ouvindo que não seria ninguém, mas ousa Audrey, nesta vez não falharei.
–Opa, opa, calma, sei que ira ganhar.
–A meu Deus, me desculpe, eu esqueço que também está competindo.
–Não importo.- Dou ombros.- Não vou ganhar, como já te disse, só estou aqui para promover meu livro.
–As vezes, eu sinto que terei que lutar dez vezes mais para ter está coroa, você com seu rosto lindo, corpo exuberante, e o cabelo perfeito, apenas com um sorriso conseguiria conquistar todos Audrey, esse poder está em você, e se decidir ganhar, tenho certeza que já estarei fora desta competição.
–Mas ouça Sierra, não quero isso, e quem disse que precisa ter o cabeço liso, os olhos azuis, uma pele clara, para conseguir algo, você é tão linda quanto todos nesta competição, a liderança já está impregnada em você, todos sabemos da sua beleza, e segundo não é isso que se faz ganhar, a estética, não é tudo, o importante é sua alma, que eu sei que já passou por muita coisa nesta vida, preconceito, racismo, olhares tortos, não apenas por ser negra, mas por ser mulher, temos que mudar isso, eu sinto que a esperança em você.
–Agora sei o motivo que você é escritora.- Diz limpando as lágrimas.- Obrigado, por tudo, pelo seu apoio e amizade, vamos parar de papo triste, acho que alguém tem um encontro amanhã...
–Sim, estou tentando não criar muita expectativa enquanto a isso.- Rio.
–Isso é praticamente impossível, estou criando expectativa e ele ainda nem me convidou. Preciso ir, até.
–Até Sierra.
Como estava ficando tarde desci e entrei na cozinha com a autorização dos funcionários, pelo menos algo no qual ela havia dito era verdade, apenas com um sorriso e educação, consegue conquistar o que quiser, não sou o tipo de pessoa manipuladora, mas as vezes convém um simples ‘’Por favor.’’ para mudar o mundo.
–A senhorita precisa de ajuda, pode deixar que eu mesma preparo seu lanche.- Diz uma moça um tanto idosa, que me lembrava minha vó.
–Não, obrigado, sei que deve ter muita coisa para fazer, ou já fez e agora prescisa descansar, mas qual é seu nome?- Pergunto procurando um fogão vago.
–Moira, obrigado por perguntar.- Diz com um sorriso.
–Tem algum fogão que posso utilizar?
–O do fundo, ao lado nas prateleiras há o prato e o pão, frescos.- Sorrio e me afasto a caminho.
Pego uma frigideira, o pão e ligo o fogo, não fazia ideia o que estava fazendo, apenas o vi fritar esperando que em um passe de magica, aquilo se transformasse em algo pelo menos comestível.
–O que está fazendo com o pobre pão?!-Pergunta alguém que se aproxima, me viro e dou de cara com o príncipe Max, o mais novo de dezessete anos.
–O que parece que estou fazendo?- Brinco
–Queimando um pão.- Ele retruca no mesmo tom pegando a frigideira e o virando.- Você já tentou colocar manteiga nisso?
–Não, achei que era apenas fritar, esperar e ver no que dá.
–Você precisa de aulas de culinária, urgente.- Diz rindo e colocando os restos mortais do pão em um prato.- Quer que eu faça algo para você comer?
–Não, eu consigo.-Nunca pensei que um príncipe se ofereceria para montar um lanche.
–Não aceito não como resposta, quer dizer, você vai acabar morrendo de comer mais um desses.
–Você é de qual signo.- Não, não sou a maluca dos signos, apenas estava curiosa.
–Touro.- Responde pegando a manteiga e o sal.
–Entendi, por isso a coisa com comidas.
–Pelo seu jeito avoado, e o pão queimado, tenho certeza que é pisciana.
–Acertou, não me considero tão avoada.- Digo, mas sem querer coloco a mão no fogão que ainda estava quente, solto um grito interno, consigo me contradizer mesmo quando não quero.
–Se quiser conquistar meu irmão virginiano, melhor não perder a hora novamente.- Ele tenta dar uma dica.
–Você gosta dessas coisas de signo não é?
–Eu já estudei astrologia, falando nisso qual é a hora e minuto do seu nascimento?- O olho confusa.- Estou brincando, mas se souber.
–Eu já fiz meu mapa, mas só me lembro de poucas coisas, acho que meu ascendente é em libra, não sei, minha memoria é fraca, quando eu não quero.- Rio.
–Pegue o queijo por favor?-Faço o que pede e pego o lindo pedaço amarelo e perfeito.
–Não acredito que está me fazendo um lanche.- Levo minhas mãos a cabeça, isso era loucura.
–Não poderia deixar uma donzela tão linda comer um pão queimado.- Brinca.
–Pode deixar, não sou uma menina em perigo, que se vitimiza e precisa de alguém.
–Disto eu tenho certeza.
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