Lembro como se fosse hoje quando fui diagnosticada de Leucemia Linfóide, as coisas simplesmente mudaram de uma hora pra outra. Eu já não era a mesma, eu já não tinha esperanças, nessa época eu tinha 17 anos, estava prestes a terminar o colegial, quando tive um ataque estranho, comecei emagrecer muito rápido, ate pensei que estava anorexia, mas não, percebi também que vomitava sangue, fiquei em silencio por alguns dias, estava com medo, poderia ser algo pior, e era, meu diagnostico saiu quando eu estava em casa, já sem força para fazer as coisas, minha mãe me ligou chorando dizendo que iria me pegar pra gente ir ao medico, desliguei o telefone e logo percebi, a coisa estava seria. Entramos em uma sala, estava meu pai, meu medico da consulta anterior e uma moça alta com um olhar tenso, sentei e logo meu pai começou chorar, a moça cujo seu nome era Valentina, foi atender meu pai, minha mãe me abraçou, e logo o medico disse ‘’ — Emily, você esta doente, muito doente, você tem Leucemia Linfóide, é um câncer das suas células brancas, essa doença extremamente progressiva, você terá todo o tratamento e se possível ficara bem.’’ No momento eu fiquei assustada, eu já tinha estudado câncer na escola, olhei pra minha mãe, e a primeira coisa que fiz foi chorar, meu pai já estava totalmente destruído. Voltamos pra casa, com o silencio na boca, fui pro meu quarto, fiquei pensando por que isso aconteceu comigo, por que isso tinha que acontecer comigo, meus pais foram me consolar mas não consegui, eu estava totalmente desconsolada. No dia seguinte fui fazer meu primeiro tratamento, quimioterapia, me deixou muito cansada, fiquei super afetada pela quimio, terminei e fomos para casa. Eu ainda estava não acreditando naquilo, foi tudo tão rápido, tão inesperado. Fiquei seis meses fazendo radio e quimio, foram os piores meses da minha vida, eu ficava cansada muito rápido, passava a maior parte do dia dormindo, quando tinha um tempo, eu lia alguns livros, mas era coisa bem rápida pois não agüentava, não ia pra escola, então os diretores e todos fizeram algo que me ajudou muito, me deram uma prova se eu tirasse um A, eu já acabaria meu colegial, então eu passei, minha mãe que me ajudava estudar, todo dia ela chegava do serviço e ia me consolar, me motivar, meu pai era policial na época, então quase não ficava em casa, e por esse motivo largou a profissão para ficar comigo, hoje ele tem um oficina de carros, do lado de casa, meu pai se sacrificou por mim, minha mãe todos os dias dava um por cento de sua vida para mim. Quando fiz dezoito anos, resolvi escrever, comecei escrevendo poesias, mas depois evolui, escrevi um livro, ela fala sobre mim, como foi tudo, acho que ele só terá fim quando eu for embora, ate hoje eu não terminei, cada fim de mês eu escrevo como foi ele, minha mãe gostou da idéia e me ajudou bastante, já que ela é formada em literatura. A leucemia afetou meu corpo todo, hoje tomo vitamina pra ajudar a ganhar peso, quase nem saio de casa, dor na coluna me afeta a todo momento, morfina é a minha salvação, sempre que posso vou dar um volta na frente de casa, mas é bastante cansativo então logo volto. Tenho que confessar que se não fosse meu sistema do cansaço eu ficaria la na frente por horas, só olhando meu vizinho, o Max, ele sempre da um jeito de mostrar seu belo corpo, é comum sair e ver ele la, lavando seu carro ou seu quintal tranquilamente, algumas vezes ele me deu um oi, e claro, todas as vezes eu quase tive um infarto, sei pouco sobre ele, minha amiga, Donna disse que ela mora sozinho, é medico no hospital central de Atlanta, sobrenome é Morgan e só, foi as únicas coisas que ela descobriu. Donna é minha amiga de infância, ela sempre esteve comigo quando eu mais precisava, quando eu fui diagnosticada, Donna estava na Austrália fazendo intercambio, quando soube veio correndo, a mãe dela morreu em um acidente, e o pai ela nunca conheceu, então foi criada pela sua tia, Michelle.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.