O caçador de sombras e a princesa das trevas.
2 Jace Herondale.
Notas iniciais
P.O.V. Clary.
Ele é diferente de todos os outros caras que eu já conheci. Ele é destemido, audaz, feroz e ao mesmo tempo tão calmo, carinhoso, tranquilo e sorridente.
Ele é tudo o que uma garota quer. Mas, será que ele será corajoso o suficiente para lutar por mim?
Eu não sei dizer. Mas, quero muito que a resposta seja sim.
—Princesa?
—Olá. Quem é você?
—Sou Isabelle. Vim tomar o lugar de Jace.
—O que?! O que houve com o Jace? Ele está bem? Ainda está vivo?
—Sim. Jace está bem.
—Ufa. Não me perdoaria se algo lhe acontecesse.
Voltei a me sentar de frente para o espelho da penteadeira. Se querem saber, sim eu tenho um reflexo.
—O que disse?
—Te surpeende eu me importar com as pessoas né? Isso acontece muito.
P.O.V. Isa.
Ela ficou apavorada ao saber que eu tomaria o lugar de Jace. Se desesperou, começou a perguntar se ele estava bem, se estava morto essas coisas. Aquilo com certeza não era indiferença, ela se importava com ele.
—Te surpreende eu me importar com as pessoas né? Isso acontece muito.
Ela estava escovando a mesma mexa de cabelo a mais de vinte minutos e olhava para o nada, ela estava longe e então ela deu um suspiro.
A Princesa não só se importava com Jace, estava apaixonada por ele.
—O que você sabe sobre ele? Você o conhece?
—Crescemos juntos. Me permite?
Estendi minha mão para que ela me desse a escova.
—Sim. Obrigado.
Ela agradeceu?!
—E então, por favor senhorita me fale mais sobre ele.
—Infelizmente meu primo perdeu os pais muito jovem. Ele viu seus pais serem assassinados.
—Pobre Jace.
—Felizmente os demônios não o viram e foram embora.
—E depois?
—Ele veio viver conosco. Eu, meu irmão e os meus pais. Jace é meu irmão também. Eu não faço diferença entre Alec e ele, entretanto como eu e Alec somos gêmeos temos uma conexão que eu jamais terei com Jace. Eu sinto tudo o que o meu irmão sente e visse-versa.
—Deve ser legal. Ter um irmão.
—Ás vezes.
Ela começou a cantar. Uma música triste.
Mas, então a música foi animando e logo ela estava dançando pelo quarto e abriu a janela com força. E o que eu vi lá fora foi pavoroso!
—Gente morta no quintal. Linda vista.
Era um cemitério. Literalmente um cemitério.
—Credo.
—Meus pais acreditam que não tem necessidade de separar os vivos dos mortos. Pra eles essa linha é inexistente.
—Sei.
—Por isso o pântano. Os corpos não são enterrados ai, eles são atirados aos crocodilos do pântano e aos tubarões do fosso.
—Muito tranquilizador.
Ela riu.
—Você se acostuma. Pessoas se acostumam até com vômito de porco se conviverem com ele tempo suficiente.
Aquilo era raiva. Ela foi até a janela e berrou á plenos pulmões:
—Eu odeio a minha família!! Eu odeio a minha casa!! E todos os meus ancestrais mortos e parentes vivos!
A Princesa voltou pra dentro do quarto fechando a janela e se jogou na cama.
—Isso foi libertador.
—Clary!!
Um baita raio veio junto com o grito.
—Pena que felicidade de princesa dura pouco. Com licença.
P.O.V. Clary.
Eu sabia que iria ter que ouvir um sermão de como a família é importante, de como devemos ter orgulho de nossas raízes etc... etc...
—Chamou?
—Você nos deve desculpas.
—Pelo que exatamente?
—Você sabe.
—Ah, é. Dizer a verdade não é permitido.
—O que significa isso?!
—Significa que... Eu odeio você! Odeio esse lugar! Odeio o meu pai! Eu odeio tudo isso! Toda essa merda, esse pântano fedorento, o fato de eu não poder abrir a minha janela por que tem gente morta no quintal! Essa névoa que tem nesse lugar o tempo todo, a chuva constante, a necessidade que vocês tem de matar, torturar e mutilar pessoas inocentes! Tomara que os caçadores de sombras acabem com a raça miserável de vocês!
Eu não disse mais nada só saí.
—E antes que eu me esqueça... EU NÃO VOU MAIS SER TRANCADA! Nunca mais.
Voltei para o meu quarto e maiei a porta.
P.O.V. Jace.
Estava arrumando a cama de uma das Ladys do mal quando ouço os berros de Clary. Vi o céu ficar tão negro, mais tão negro que parecia estar de noite. Raios rebombavam no céu e de repente parou. O céu abriu.
—O céu abriu! Meu Deus,sol!
—Sol!
Todos comemoraram o fato de estar sol.
Ouço o mordomo comentar.
—Ela é especial. Mas, os caçadores de sombras não fazem distinção. Os filhos acabam pagando pelos pecados dos pais e se um deles colocar as mãos na doce Princesa duvido que tenham piedade dela.
Ramsley se benzeu e uma outra criada já idosa comentou:
—Deus queira que isso nunca aconteça. O meu coração não suportaria tanta tristeza. Eu cuidei daquela menina desde que ela saiu da mãe dela e desde o primeiro momento em que eu olhei naqueles olhinhos verdes eu sabia que ela era especial.
Aparentemente os que são leais aos governantes também nos veem como monstros.
Vejo os criados se curvarem e imagino que sejam o Rei e a Rainha, mas felizmente não.
—Jace!
Ela grita ao me ver. Clary se joga encima de mim e nós dois acabamos no chão.
—Faz alguma ideia de como eu tava preocupada!? Devia ter mandado noticias! Pensei que estava encrencado.
Ela levantou e me estendeu a mão. Peguei a mão dela e me levantei.
—Tava preocupada comigo?
Perguntei com um sorriso sacana. Ela não respondeu, abaixou a cabeça e riu. Ela então me empurrou.
—Imbecil.
Disse ela rindo.
—É assim é?
—É.
Eu peguei-a no colo e a girei. Fazendo-a dar um gritinho e rir. Eu continuei girando-a até ela pedir:
—Para Jace.
Eu não parei.
—Para Jace se não vou vomitar!
Daí eu parei. Coloquei ela no chão e ela caiu sentada.
—Clary!
—Tá tudo rodando e eu to vendo tudo dobrado.
Ela deitou no chão e ficou lá por quase três horas até se sentir melhor.
—Pronto. Finalmente! Achei que ia ter que me alimentar pra melhorar.
—Se alimentar?
—Você não sabe?
—Não sei o que?
—Pensei que já tivessem contado. Eu sou... metade vampira graças a um feitiço da minha mãe.
—Metade vampira?!
—É. Me desculpe não ter contado antes... é que... as pessoas ficam com medo quando descobrem, daí elas vão embora e eu volto a ficar sozinha. Me desculpe.
Ela estava chorando.
—Por favor não vá embora. Eu prometo nunca machucar você, mas por favor não me deixe sozinha de novo.
Eu a abracei e ela retribuiu. Fiquei com pena dela, ela não escolheu isso dava pra ver. Não era o que ela queria, Clarisse Fairchild não era a Princesa das Trevas que precisava ser destruída. Ela não passava de uma garotinha assustada e sozinha. Ela só queria ser amada, queria que alguém lhe desse atenção.
Clary chorou até dormir. Ouço a voz de Isa.
—Coitada. Tenho pena dela.
—Eu também. Temos que dar um jeito de acabar logo com essa missão e sair daqui.
—Temos que levá-la conosco. Não podemos abandoná-la, ela não merece isso.
—Eu sei.
—Vamos acabar com isso. No baile.
—É uma ótima oportunidade, mas como saberemos quem são o rei e a rainha?
—Eles se farão notar. Acredite.
—Tem razão.
Depois de tomar banho eu fui dormir. Mas, infelizmente ela acordou antes de mim.

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