O caso da mansão de Oz Marshall

1 Capítulo 1 – Uma chave antiga no Iceberg de emoções


Como transformar uma dor de cabeça em uma bomba relógio superaquecendo na sua cabeça, enquanto ela explode aos poucos? Simples, tenha um dia chato e logo depois descubra que o seu Delegado-Chefe quer que você pegue um caso sobre Oz Marshall. Segundo os jornais, Marshall era um maluco sem noção, todavia, nada foi falado nas redes sociais.

—Isso não é real, né? –Ele me olha com redundância– O senhor Marshall era só um lunático, o caso já foi arquivado, não vejo o por quê de eu ter que investigar.

—Leon, nos te aceitamos aqui no Batalhão, porque você é um garoto que pensa a frente de todos os outros detetives daqui, entretanto, você deve saber que descobriram alguns... –ele faz uma pausa pra tentar achar a palavra correta– assuntos delicados sobre a família dele. Contudo, a Justiça também quer respostas sobre o assunto, por isso enviarei você para a Mansão Marshall para investigar o assunto –a voz do Chefe é voz de Deus...

—Tudo bem –tento não colocar a mão na cabeça para não deixar aberto que eu estou com dor de cabeça– eu irei pegar o caso, afinal, resolver mistérios é o meu trabalho –tento demonstrar um sorriso, mas sinto que acabei demonstrando dor nesse sorriso.

—Aqui está a chave da Mansão –ele põe em cima da mesa uma chave bem ao estilo do século XVIII– Ela abre as portas do fundos, ainda não sabemos o motivo da porta da frente não ter chave, tentamos clonar a chave com base na fechadura, mas por algum motivo, as chaves sempre saem diferentes e nenhuma abre a porta –ele também não parece muito bem– e no final de tudo, a casa parece muito ter inúmeros segredos e compartimentos secretos e... –a justiça quer saber se não há dinheiro escondido para confiscar, típico– há bastante especulações. –ele parece desconcertado com o quê disse– Então você parte para o Estado do Rio de Janeiro amanhã de manhã, por hora, você está dispensado. –que alívio, não tava mais suportando ficar aqui.

Ele me dispensa e saio do escritório dele. Confesso que uma viagem do Rio Grande do Sul, local da qual me encontro agora, para o Rio de Janeiro, não é algo barato. A Justiça deve estar de olho gordo em Marshall, como sempre fazem. Antes de eu partir, um oficial deixa uma pasta com vários arquivos na minha mesa, dentro da pasta há uma passagem aérea para a Capital do Estado do Rio de Janeiro e uma passagem de ônibus para o interior. Realmente, a Justiça está mesmo de olho nos Marshall.

Chego em casa por volta das quatro da tarde. Tomo uma dipirona que é tira em queda pras minhas dores de cabeças, me deito e caio no sono, não consigo nem olhar direito para as folhas do arquivo. Coloco o despertador para as cinco e meia da manhã e me deito. É muito difícil de tentar dormir quando sua cabeça parece que vai explodir de tão quente, mas no final, pego no sono. Acordo antes do despertador tocar (dormi demais), desarmo ele e fico parado na minha cama, olhando para minha janela. Fico pensando em tudo que aconteceu e repetindo baixinho as mesmas frases: "Me chamo Leon, tenho 27 anos de idade, sou Gay, moro no Rio Grande do Sul e eu estou bem". Isso me ajuda a focar nos meus trabalhos sem pirar de vez. Pego meu telefone, dou uma olhada no aplicativo de relacionamentos, nada, nenhuma match, como sempre. Vou preparando o meu café e dou uma olhada nos arquivos, parece que a casa existe desde a época que o açúcar estava em alta no Brasil. Parece que a casa foi feita para fugir da Coroa Portuguesa, mas com o tempo, a família conseguiu se reerguer na sociedade, mesmo tendo se tornado burgueses.

Oz Marshall tem uma multinacional que vende e exporta frutas e tecidos para a Inglaterra e para a França. Em meados do ano passado, Oz desapareceu, conseguiram achar sangue no carpete e nos lápis e canetas do escritório dele, alguns acham que ele fingiu um assassinato para fugir do País ou de alguma divida, no entanto, acredito que ele tava tão fora da realidade que já estava imaginando inimigos. Talvez ele até se drogasse. Termino de tomar o meu café e me preparo para viajar. arrumo minhas malas e pego as chaves do meu carro.

Enquanto dirijo, eu vejo as pessoas andando por aí, dirigindo seus carros, uma verdadeira Capital movimentada. Ainda me orgulho de ter "sumido" da minha cidade natal. Minha irmã também vive na Capital do Rio Grande do Sul, mas a gente não se gosta muito. Quando eu consegui sair da minha cidade natal para vir à Capital, minha mãe fez o maior escândalo, ela nunca gostou da ideia de eu estar seguindo os passos da minha irmã, mas a verdade é que eu compreendo a minha irmã, viver naquela cidade me dava arrepios, como se a própria cidade, como uma entidade, não me quisesse lá, como se eu fosse um intruso, uma bactéria ruim, um vírus num corpo que goza de saúde. Quando peguei o avião para a Capital, me senti tão renovado, me senti livre.

Chego no aeroporto em menos de trinta minutos, pois moro perto do aeroporto; e já conheço algum atalhos também. Depois de entrar para o Embarque, onde todos ficam esperando o avião ficar pronto para viajarmos, os oficiais do batalhão vem me parabenizar pelo meu ótimo trabalho, ultimamente conto mais com eles do que com qualquer familiar meu, e me desejam sorte na resolução desse caso.

—Mas você já sabe, né?

—Do quê? –odeio ter revelações no meio de algo importante, tudo pra mim tem que ter um aviso prévio para mim me preparar.

—Parece que um advogado da Justiça vai estar junto com você nesse caso –diz uma oficial, eu adoro conversar com ela, pois ela é toda desconstruída de padrões.

—E quem seria esse cara? –pergunto já incomodado com alguém querendo se intrometer no meu trabalho, não sou babá e não gosto de ser tratado como criança.

—Ele se chama Daimon Bonapel –não, não– ,ele irá te acompanhar na investigação e tentará solucioná-lo contigo –eu não suporto esse cara.

—A princípio –diz a minha amiga– ele quer ter detalhes para usar no júri –isso é um modo formal de dizermos que ele irá distorcer a história para ficar bem pra Justiça na hora do Processo Judicial.

—Que saco meu –e todos concordam comigo.

Meu avião já chega e eu vou de embarque nele. Nem acredito nisso. Dou o passaporte e passo pelos "exames" sobre porte de metais e tal. Mas tipo, cara, não me caiu a ficha ainda. Já estou dentro do avião e começamos à partir.

Minha história com Daimon é o seguinte. Estamos desde o curso até a faculdade estudando juntos, nós dois fizemos o curso de Direito na Faculdade Federal da minha cidade natal. Eu nunca suportei a cara dele, ele tem um ego tão ruim que me dá vontade de voar no pescoço dele. Eu fico todo desconcertado ao lado del, perco minha compostura, esqueço de todas as minhas aulas de etiqueta e viro uma Fera revoltada ao lado dele. Ele adora aparecer e provavelmente vai estar por dentro de algumas coisas que eu possa não saber sobre o caso, eu ainda acho que ele se deita com homens e mulheres para conseguir certas informações ou talvez eu esteja vendo muita série sobre o curso de Direito no meu aplicativo. Ele adora responder tudo corretamente e sempre gosta de saber tudo antes de todos só pra receber créditos dos outros. Ele gosta de ofuscar os outros para brilhar, eu não o condenaria, pois eu mesmo já fiz muito isso, contudo, no meu caso, ou eu fazia isso ou eu iria ser apagado, e eu não queria isso, pois eu poderia ter minha alma apagada também. Todavia, nada justifica tentar diminuir seus colegas simplesmente porquê você acha engraçado, se você precisa apagar os outros para brilhar, apenas pelo simples ato de ser melhor que os outros, você é um lixo, e essa é a minha opinião. E é por isso que não suporto ele.

Ele sempre tinha as amizades de uma semana dele, no começo ele vinha todo humilde, até achei que ele fosse legal, mas meu instinto dizia o contrário. Quando ele começou a virar "bem vestido", tipo o estilo "boyzinho", e começou a trocar de amigo a cada uma semana e meia, eu comecei a ver quem ele era de verdade. Não que mudar o estilo de roupa seja ruim, só que pareceu que ele mudou de estilo com segundas intenções e não pra aumentar a auto estima dele nem nada do gênero (ele já é magro, não sei o motivo dele querer trocar de estilo, caso fosse pra aumentar a auto estima, eu fiz academia pra aumentar a minha auto estima, mas porque eu nunca gostei de me sentir gordo e fora do peso).

Tento afastar tudo da minha cabeça e pensar no caso, se ele vier me incomodar, eu vou pra cima dele, com toda a certeza. Mas o maior mistério ainda é Oz Marshall, preciso ter toda a verdade nas minhas mãos ou ele vai distorcer o menor detalhe incompleto e eu não posso deixar ele passar na minha frente e me ofuscar, não outra vez. De novo não Daimon, dessa vez a gente vai acertar as coisas, você pode ter certeza disso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.