Há quase dois séculos o cemitério do povoado Sul estava abandonado. A antiga casa dos Sousa, estava intacta, graças a João, o dedicado caseiro. O Casarão dos Sousa como era conhecido, não tinha moradores havia dez anos, quando numa noite chuvosa o único herdeiro legítimo da majestosa família suicidou-se, aparentemente sem motivo algum. A perícia encontrou apenas um espelho quebrado e um bilhete escrito as pressas dizendo: Afastem-se da casa.

Dez longos anos passaram e João ainda zelava pela casa. Esse será um novo ano, pensou, quem diria que a viúva voltaria. Quase sorrio, referia-se a Dona Antonieta, prima de segundo grau do falecido herdeiro, o Sr. Augusto. Ela viveu no povoado com seu marido até este falecer. Depois disso mudou-se. E agora, depois de tantos anos retorna como a nova herdeira dos Sousa. Viraria notícia, ora se não. Continuou pensativo.

As três em ponto da tarde um carro preto seguia pela estrada do velho cemitério. Para em frente ao portão, e uma mulher de preto desce.

— Me deixe aqui, Tom! Falou com o motorista.

— Mas senhora... Protestou

— Eu sigo andando daqui! Deu o basta e sem se incomodar em explicar seguiu em frente. Foi andando até o lado mais antigo, onde as árvores estavam secas e os túmulos escuros pelo tempo, até parar em frente ao sepulcro, onde estava inscrito: Os Sousa.

— Há quanto tempo velha amiga! Exclamou para o vento que começou a uivar.

Uma voz vinda sabe-se lá de onde comenta, baixo mas em bom som:

— Não achei que retornaria tão cedo! Dada as circunstâncias...

—Dane-se. Minha família já fugiu a três gerações! Prefiro lidar com a morte!

— Pois bem, está em minha presença. O que queres?

— Acabar com a maldição. Saia da velha casa.

— O pacto já foi feito. Quer mesmo fazer o sacrifício?

— Eu...

Antonieta havia pensado muito, mas agora parada no cemitério parecia loucura! Juntou toda a sua coragem e disse:

— Leve-me!

Notas finais


:P
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