O casamento CSLDVA
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Meus pais foram conosco pelo caminho da floresta que levaria Quinn e eu de volta ao castelo, onde passaríamos a noite de núpcias.
Quinn teria me levado a qualquer lugar do mundo – Roma, Paris ou alguma ilha particular no meio de lugar nenhum, se eu quisesse –, mas eu queria ir para casa com ela. Na nossa primeira noite juntas, queria estar na cama enorme onde esperava que passássemos muitas noites e onde algum dia de algum modo começaríamos uma família.
– Vocês precisam mesmo voltar logo? – perguntei a mamãe e papai. – Podem ficar mais uns dias com o tio Dorin.
Mas os dois balançaram a cabeça.
– Não – disse mamãe. – Vocês duas estão em lua de mel. E nosso avião parte amanhã cedinho.
– Tudo bem – concordei. Eu sabia que eles não iriam ficar, mas parte de mim continuava agarrada aos dois. – Eu entendo.
Mesmo assim, todos nos demoramos à margem do caminho escuro que Quinn e eu íamos pegar. A maioria dos convidados seguiria por uma trilha mais estreita até uma estrada de terra, onde o transporte esperava para levá-los pelo resto do caminho montanha abaixo. Mas Quinn e eu tínhamos decidido andar sozinhas até o castelo, pegando um atalho pela floresta. A presença de qualquer pessoa a mais, mesmo um motorista, seria dispensável. Estávamos prontas para simplesmente ficarmos juntas.
– Tem certeza de que vocês vão ficar bem? – perguntou papai, olhando para as árvores. – Isso aí parece bem desolado.
Quinn, que estava ao meu lado, passou o braço à minha volta de modo protetor.
– Eu vou mantê-la em segurança, Leroy – disse, tentando tranquilizar papai.– Ando por esses caminhos desde a infância.
Tive a sensação de que Quinn não se referia apenas à trilha que iríamos pegar. Minha mulher, que adorava metáforas, estava falando de tudo o que havia à nossa frente.
– Vocês sabem que eu a protegerei com minha vida – acrescentou.
Meus pais, que um dia tinham temido que Quinn fizesse o oposto, não falaram imediatamente. Então mamãe disse:
– Sabemos que sim, Quinn.
Nós os abraçamos de novo e de repente já era hora de irmos. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, de modo que tive que me agarrar à mão de Quinn. E no instante em que nos viramos para o caminho, ela parou e se virou de novo, chamando:
– Leroy... Shelby?
Meus pais pararam de andar também e se viraram.
– Sim...? – respondeu mamãe, parecendo insegura na escuridão.
Quinn pareceu insegura também – outra situação rara para ela – enquanto perguntava:
– Será que eu poderia... chamar vocês de “meus parentes”?
Houve um silêncio gigantesco e por um segundo – enquanto eu processava minha surpresa – fiquei com medo de que os dois dissessem não. Talvez procurando alguma alternativa que não parecesse tanto uma aceitação.
Não a desapontem, eu quis implorar. Isso destruiria outra parte dela...
Mas quando papai finalmente falou, pude ver que ele só hesitara porque a pergunta havia levado meu pai gentil e sentimental novamente à beira das lágrimas. Sua voz estava embargada e suave quando aconselhou a Quinn:
– Na verdade já a consideramos da família. Não precisa ser tão formal com a gente!
A mão de Quinn apertou a minha e sua voz também saiu um pouco tremida quando disse simplesmente:
– Obrigada. Isso significa muito para mim.
Eu duvidava de que Quinn algum dia fosse se dirigir aos meus pais como inimigos – era difícil imaginar palavras duras saindo da sua boca –, mas sabia que ela estava feliz por ter opção de fazer parte da família Berry. O importante para ela era a permissão e tudo o que ela implicava.
Então, sem outra palavra, nós nos separamos, meus pais voltando ao caminho e à vida deles e Quinn e eu seguindo pela trilha solitária. Não falamos nada. Era bom demais estarmos simplesmente juntas, ouvindo a noite, pensando no que aconteceria, o que, de algum modo, não me amedrontava mais.
Por fim o castelo de Quinn – nossa casa – surgiu. Quando chegamos à porta enorme, um dos guardas, que provavelmente nunca estivera muito longe de nós, se materializou para abri-la e Quinn me pegou no colo, aninhando-me no peito.
O gesto era um clichê que nos fez rir, mas em segredo eu esperava que Quinn, sempre cavalheira, me carregasse ao passar pela porta. Fiquei feliz por ela não me desapontar.
Entramos no saguão gigantesco onde um dia ela me declarara prisioneira e, sentindo a aliança e o anel de ouro pesados na mão esquerda, tive a clara impressão de que nada havia mudado realmente desde aquela noite. Mesmo antes daquela noite – desde a assinatura do pacto – éramos incapazes de escapar uma da outra, não importando quanto tentássemos.
Quinn me carregou pelos corredores e eu me agarrei com força ao seu pescoço até chegarmos à porta do quarto que iríamos dividir – só que dessa vez não havia guarda à vista. Estávamos realmente sozinhas.
Ela se curvou um pouco para alcançar a maçaneta, girou-a e abriu a porta. Depois me pousou de pé com delicadeza, puxou-me e disse baixinho:
– Bem-vinda ao lar, Rachel.
Eu não disse nada, não podia dizer nada. Ainda não queria falar. Só queria... Quinn.
Finalmente iríamos compartilhar tudo. Nosso sangue, de novo, e muito mais...
Então Quinn estendeu um braço, ainda me segurando com o outro, e, quando seus lábios tocaram os meus, ela fechou a porta, trancando o mundo lá fora.
No interior do quarto de Quinn – que agora eu teria o prazer de chamar de meu também – por mais que eu estivesse nervosa, com medo de decepcionar minha esposa por não saber o que fazer, eu também estava ansiosa e com mil pensamentos. Enquanto Quinn me beijava, comecei a fazer pressão em seu corpo trazendo-a para mais perto de mim. E como se não bastasse essa confusão na minha cabeça me peguei pensando se Quinn havia beijado Kitty dessa forma tão intensa e dominadora... Tentei afastar de todas as formas as imagens que surgiam, mas não consegui e acabei parando o beijo subitamente. Quinn abriu os olhos e me vi perdida na imensidão agora escura de desejo? Seu cenho franziu e notei que ela havia percebido que algo estava errado.
– Eu fiz alguma coisa errada? – perguntou ela preocupada.
Apressei-me em dizer que nada estava errado, mas Quinn me conhece muito mais do que eu poderia imaginar.
– Eu sei que você está preocupada com alguma coisa e até imagino o que seja – disse docemente acariciando meu rosto. – Olha pra mim, Rachel – fiz o que ela pediu e encarei-a, ficando a centímetros do seu olhar que parecia me invadir completamente, me hipnotizando. – Nunca deixe o medo do passado dominar a sua mente, seu coração. Eu tenho você aqui – Quinn fez um gesto colocando a mão sobre seu peito. – E esse lugar é onde jamais alguém ousou chegar e fincar raízes, porque ele estava reservado desde sempre para a pessoa que me fez mudar e perceber que eu poderia amar. Você, Rachel é responsável por todas as coisas boas que eu comecei a apreciar. – Ela estava tão séria e ao mesmo tempo tão intensamente concentrada em suas palavras que não percebeu uma lágrima escorrendo pelo seu rosto.
Todos aqueles pensamentos dissiparam e logo percebi o quanto eu era boba por estar pensando em algo pequeno diante do que estava na minha frente. Depois de declarar-se lindamente, minha esposa esperou minha reação e se assustou com a forma com que eu me joguei em seus braços.
Eu queria falar muitas coisas bonitas para minha vampira marrenta que se derretia pra mim na nossa noite de núpcias, mas palavras não seriam necessárias... não naquele momento, não agora que eu estava completamente tomada por um sentimento novo e com uma vontade enorme de beijá-la, tocá-la.
Quinn leu nos meus olhos o quanto eu a queria e entendeu que aquela era a hora mais esperada por ambas daquele dia perfeito.
Ainda estávamos de pé no meio do quarto nos beijando sem nenhum medo ou pudor. As mãos frias de Quinn procuravam minha pele, e eu arranhava sua nuca puxando seus cabelos de leve, tentando conter o impulso de mordê-la no momento errado. Foi aí que Quinn começou a diminuir a intensidade do beijo e segurou minha cintura firmemente no lugar para que eu permanecesse exatamente como estava. Paramos o beijo dando selinhos suaves e nossos olhares se conectaram novamente, não havia notado que estávamos tão ofegantes.
Seu próximo passo foi novamente me pegar no colo e me conduzir até nossa cama que estava tão milimetricamente arrumada, com todos aqueles toques de Quinn Fabray... Ela era realmente a mulher da minha vida e eu estava cada vez mais a vontade com tudo aquilo que estava prestes a acontecer. Eu finalmente a teria e ela a mim.
Quinn me colocou na cama e ficou de pé me admirando, enquanto eu corava com o jeito como ela me olhava. Seus olhos escurecidos me fascinavam e eu não queria mais esperar.
– Quinn? – Chamei-a, estendendo a minha mão para ela. – Eu quero ser completamente sua agora.
Quinn não esperou que eu a chamasse uma segunda vez, logo estava ao meu lado. E o beijo começou novamente devagar e foi ficando cada vez mais necessário um contato maior, e ela o fez deitando-me e ficando sobre mim, ainda me beijando e passeando suas mãos pelo meu corpo. Senti uma imensa vontade mordê-la de novo.
– Quinn... — gemi ofegando e segurando seu rosto, obrigando-a a me encarar. — Eu preciso que você me morda agora.
– Seu desejo é o meu – disse ela também ofegante. – Eu te amo tanto Rachel.
– Eu te amo, minha esposa, minha vampira europeia. – eu disse, lembrando de quando tudo começou. Daquela estranha parada na estrada com seu sobretudo, daquela valentona que encarava os idiotas do colégio para me proteger, da garota obscura que tentara se matar... Passamos por muito, merecíamos o que estávamos vivendo agora. –Meu corpo é seu, meu coração é seu, a minha vida é sua...
Ainda estávamos completamente vestidas, Quinn estava sobre mim enquanto nos declarávamos uma para a outra, mas isso era uma questão irrelevante no momento, porque no instante seguinte senti suas presas cravarem minha jugular, no ponto mais sensível no meu pescoço. Indescritivelmente intenso, minhas presas foram liberadas também e eu estava sendo tomada por uma onda de sensações e desejos que afloravam ainda mais depois da primeira mordida de Quinn. Eu estava ansiosa para senti-la em minha boca de todas as formas possíveis. Afinal, nossa noite de núpcias estava apenas começando e de uma forma muito, muito poderosa, majestosa e por que não ”gostosa”?
Eu desejava que todas as nossas noites fossem de núpcias, mas eu sabia o que nos esperava, então resolvi me concentrar no que acontecia agora e não me arrependi por deixar de lado alguns problemas unicamente por esta noite.
Tínhamos uma eternidade juntas pela frente, por que se preocupar agora?
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