Era noite, beirando madrugada. As folhas de praticamente todas as árvores caíam por conta da estação,afinal,era outono. De longe podíamos ouvir o som das corujas vindas daquele bosque tão escuro, daquele bosque que os moradores da região temiam,morriam de medo. O tal bosque que ninguém se atrevia a passar perto ou adentrar. As lendas que existiam sobre aquele lugar eram imensas.
Tantos apelidos foram dados aquele lugar, dentre eles o mais usado era o bosque da insanidade.
Aquele bosque era tão conhecido na aldeia que existia até mesmo um livro sobre o mesmo,nele contava-se lendas sobre este extenso lugar. Entre elas havia a mais conhecida, que foi a qual gerou o apelido ‘Bosque da insanidade’.
Nesta breve lenda conta que o bosque existe a mais de mil anos,e que no mesmo lugar moraram criaturas medonhas a quais defendiam o local a todo custo. Mas quando a aldeia começou a ser construída, árvores começaram a ser derrubadas e então as tais criaturas se revoltaram e atacaram os aldeões, causando pânico na maioria deles. Mas depois de muita guerra os aldeões acabaram matando todas aquelas criaturas estranhas e ficaram com o lugar, porém nunca conseguiram destruir o bosque todo.
As tais crituaras são descritas no livro com a pele tão branca quanto nuvens, olhos totalmente negros e totalmente sem brilho. Chifres longos e de cores neutras. Alguns aldeões as chamavam de insanity's. Essa história foi se espalhando pelas famílias da aldeia,e cada vez assustando mais as crianças do lugar. Hoje em dia sequer querem passar perto dali.
Mas logo ali para a frente estava a aldeia e azarados eram aqueles que possuíam suas pequenas casinhas mais para perto do tão temido bosque. E era exatamente em uma destas casinhas que morava uma criancinha bem curiosa, ele olhava pela janela de seu quarto para o fundo escuro do bosque. Olhava com aqueles olhos repletos de curiosidade e vontade de saber como era ali dentro. Mas fora tirado dali em um piscar de olhos quando sua mãe lhe mandou ir dormir pois agora já passava das onze horas.
Na manhã seguinte aquele garotinho foi brincar com algumas outras crianças e de tanto correr acabou indo parar na entrada do bosque. Desde ali já haviam árvores extensas com galhos e troncos velhos, alguns até mesmo não tinha mais folhas e eram apenas galhos.
Tocou no tronco da árvore mais próxima bem devagar e então lembrou de sua mãe dizendo para jamais em hipotese alguma adentrar aquele local,mas sua curiosidade falava mais alto.
Entrou. Ele já não sabia mais o que era luz. Eram muitas árvores e havia iluminação solar apenas no começo, mas agora certamente ele estaria mais distante. Não sabia voltar e pensou que devia ter escutado as belas e sábias palavras de sua mãe.
Seu medo não era criaturas, e sim como sair dali. Estava perdido, mas para falar a verdade não acreditava que insanoty’s realmente existiam. Era um garoto de oito anos -Sou corajoso! -Pensou para si mesmo enquanto apertava a mão fechada em seu peito.
Ele queria voltar para casa mas estava andando em circulos. Era impossivel achar a saída dali. Começara a pensar que isso fosse castigo por ter sido um menino tão desobediente. Havia batido na irmã mais nova, e sequer obedecia sua mãe. Ele certamente era um menino desobediente. Talvez tivesse chegado a hora de ser punido.
De longe começou a ouvir uma breve voz, uma melodia calma, que o fez segui-la. Parou após andar um pouco e então ver que o caminho havia escurecido mais. De longe viu algo parado. Era como se fosse uma estátua. Não dava para ver direito, o que o iluminava eram apenas algumas frestas da luz do sol que passavam por alguns lugares do fechado bosque. A música então continuou e o fez se aproximar um pouco mais. E então a música parou, fazendo ele olhar novamente para aquela ‘coisa’ parada ali. Ele sempre fora um menino muito curioso.
Dali viu longos cabelos pretos -Alguma menina deve ter se perdido por aqui -Pensou para si mesmo novamente e então olhou para o que ele intitulou como ela.
E ali viu o que com certeza não era humano. Tinha a pele num tom tão branco quanto neve, olhos tão azuis que quase eram incolores. Mas seus cabelos eram tão negros e flutuavam ao vento que o encantou. O fazendo chegar mais perto dela.
Logo viu que em um de seus olhos havia algo o tampando. Era uma mão. Mas ela estava com os braços abaixados. Se assustou assim que viu que em um de seus braços ela não tinha a mão e sim algo que ele pensará ali que fosse um galho. Era tão estranho, tão assustador.
Tentou se afastar mas fora puxado por ela, a qual sussurou algo em seu ouvido e depois logo o mordeu, bem em seu pescoço. Fazendo Hector,o garoto curioso de oito anos gritar tão alto que além de passáros voarem, a aldeia inteira o ouviu.
Sua mãe que agora estaria desesperada, procurava por seu filho em todos os lugares, até que então uma das crianças a contou que ele havia adentrado o bosque… uma morte terrivel e dolorosa.
Então realmente era verdade? Insanity’s existiam? Hector estavam morrendo aos poucos enquanto pensava naquelas coisas e na ela.
Logo ele faleceu. Não havia mais volta. O caminho da insanidade o levou a morte, foi o que ela lhe disse em seu ouvido.
Algo se aproximou da garota toda de preto. Era um garoto. A pele mais branca que a sua, um olho totalmente negro e outro brevemente azul. Seus cabelos curtos e pretos como carvão. Possuía chifres azuis e alguns ‘espinhos’ longos e pretos em sua cabeça. Também havia uma cauda preta que ficava balançando no ar.
Olhou para o corpo do garoto e então para a garota manchada de sangue. Suspirou e negou com a cabeça parecendo não acreditar no que via -Não acredito que fez isso novamente, Bagla. -Disse o garoto em tom de desaprovação.
A menina o olhou, limpou o sangue do canto dos lábios e piscou -Ele pediu,Limm. -Respondeu no tom calmo porém irritado de sempre.
Ele a olhou e antes que pudesse falar algo viu mais passáros voarem. Sabia que aquilo era ruim -Você sabe o que acontece agora. Sabe que viram atrás do corpo dele. Sabe que se não nos escondermos irá acontecer igual aconteceu com nossos pais. Sabe que é correr para sobreviver. -Disse Limm que agora já estava pronto para correr, mas Bagla apenas havia ficado parada ali.
Ele a olhou confuso -Quer morrer? Movimente-se -Disse ainda calmo mas não obteve resposta. Ela apenas tinha o vento batendo em seu cabelo o fazendo voar ainda mais.
-Para que continuar vivendo deste jeito, Limm? Mataram toda nossa família, só sobrou nós dois. Passamos anos com fome até alguém entrar nesse lugar e então… -Foi interrompido por um disparo de arma, o que a assustou. Limm a puxou, a carregando no colo enquanto corria.
Era correr, não para viver, mas para sobreviver.