O beijo do anjo imortal
6 Capítulo VI. O amor não sobrevive sem a confiança!
Notas iniciais
Após perceber que o meu marido se entregará ao sono, levantei-me para me vestir, empunhei a lamparina e aproximei-me dele, direcionei a iluminação ao seu rosto adormecido e pela primeira vez quando a luz iluminou seu semblante. Eu ousei olhar em direção a face adormecida de um jovem de cabelos loiros e rosto corado que repousava com tamanha quietude e doçura.
Eu não acreditei…
Era a personificação de um anjo!
Era o mais belo de todos os Deuses, o belo filho de Afrodite!
Emocionada, eu sentia as lágrimas rolarem pelo meu rosto, sentia-me profundamente culpada por ter quebrado a promessa feita ao Deus do amor.
Eu queria voltar atrás, fingir que nada havia acontecido e continuar a desfrutar da minha vida ao lado dele.
Diante do desespero o meu coração acelerou, o meu corpo tremeu, levei a mão livre à boca para não gritar, a lamparina que eu segurava entornou uma gota de azeite quente sobre o ombro dele, o local onde caiu o óleo fervente imediatamente se transformou numa chaga.
Eros acordou sobressaltado com os olhos tão irresistíveis me olhavam de volta totalmente lúgubres.
O Deus do Amor estava ferido.
Com o olhar determinado e entristecido ele sentenciou.
— O amor não sobrevive sem confiança!
Numa velocidade sobre-humana Eros voou pela janela, desesperada e morrendo de remorso eu tentei segui-lo para me explicar, mas era tarde demais ele tinha ido embora e mais rápido do que pensei vir-me cair da janela, o contato com o solo me fez perder a consciência.
Quando eu recuperei a consciência percebi que estava no cume do monte, o bosque de flores, o riacho cristalino e o Palácio tudo ali desapareceu.
Em prantos eu voltei para a casa dos meus pais, mas não conseguia manter-me na presença deles, eu precisava reencontrar o meu amor perdido, passei a procurá-lo em muitos templos que o devotavam sem realmente encontrá-lo.
Era como se todos estivessem alheio ao meu desespero, os Deuses não se importavam com a minha dor.
Numa noite estrelada, eu deslumbrei no cume do monte a figura de um ser, rapidamente corri em sua direção, pois, poderia ser Eros! Subi a montanha esperançosa, mas ao chegar ao topo não encontrei ninguém, a não ser um amontoado de trigo, centeio e cevada que estavam misturados, era preciso organizá-los, compadecida pela desorganização, eu comecei a separá-los um a um até estarem completamente organizados.
O templo pertencia à Deusa Deméter, eu fui recebida pelo oráculo que demonstrou gratidão pela gentileza, ao saber da minha tristeza, ele me orientou a procurar Afrodite para reconquistar o amor de Eros.
Eu faria qualquer coisa para recuperar o meu amor, no gesto de completa humildade, eu me derramei aos pés da Deusa, ela era a minha única esperança.
Diante de mim, saiu de dentro da estátua de Afrodite um papiro mágico se materializou no ar e voou até as minhas mãos.
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