O beijo do anjo imortal
7 Capítulo VII. As tarefas
Eu busquei forças para superar a dor e com a alma determinada iniciei a minha longa jornada em busca da lã de ouro. Numa clara intenção de não perder tempo com viagens de volta para casa, eu levava comigo alguns pães e bebia água da fonte, passei a dormir no chão frio. Foi difícil se manter firme lutar contra o cansaço dos dias longos e noites frias, todavia, eu me mantive resoluta em não desistir a minha mente estava completamente centrada em recuperar o meu amor.
Os velocinos ferozes que vagueavam numa região de bosque a beira de um rio caudaloso se pareciam com cordeiros suaves que enganavam os olhos. Os meus pés pararam incertos, aqueles animais eram selvagens se eu me aproximasse seria atacada pelas criaturas ferozes, o desespero rompeu em meu peito, quais eram as minhas chances? Seria morta no primeiro contato. As lágrimas pesadas desciam como gotas de chuva dos meus olhos.
A primeira tarefa de Afrodite era impossível de ser cumprida, não teria chance alguma, mas será que alguma vez eu cheguei a ter? Eu havia tido muito mais do que eu esperaria nessa vida, filha de rei, regalias reais, bons pais. No entanto, nada se comparava a personificação do amor palpável que eu tive em meus braços, provei do néctar jamais experimentado por uma humana e nunca seria o suficiente querer menos do que me foi dado. Eu queria o meu marido e somente ele seria o suficiente para acalentar o meu coração.
Olhei para o curso de água natural.
O melhor seria morrer tentando, e era o que eu estava disposta a fazer, eu estava prestes a atravessar o rio quando uma voz macia surge do junco que brotava do rio me disse.
— Não atravesse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, procure um espinheiro, no lugar onde os carneiros vão beber água, e nas pontas das espículas recolha toda a lã que ficara presa.
Assim foi feito, esperei até o sol ficar bem alto no horizonte, para atravessar o rio e caminhar até um espinheiro onde os Velocinos se coçavam com frequência e dali eu retirei toda a lã que a Deusa Afrodite exigirá.
Cumprida a tarefa retirei de dentro do receptáculo de couro o papiro de ouro assim como fui orientada pelo oráculo.
Ao abri-lo a solidez da matéria se encontrava sem nenhum escrito, completamente em branco, eu virei o papiro para olha a olhá-lo dos dois lados.
As minhas pernas perderam as forças, caí de joelhos dobrados no chão de areia batida.
Mas como...
Abaixei as mãos que seguravam o papiro sobre o colo.
Será que o oráculo de Deméter havia se enganado?
Não é possível...
Um conjunto luminoso como brasas de fogo se formou diante dos meus olhos o até então espaço vazio no meio do papiro começou a se intensificar rapidamente, as facetas de luz circulavam o material que eu segurava.
As letras chamuscavam numa revelação escrita em um especial de linhas e formas a segunda tarefa foi revelado, pegar um pouco das águas da nascente que se encontrava em um rochedo íngreme da qual saía às águas escuras que alimentavam dois rios infernais o Cócito e o Estige. A fonte era guardada por terríveis dragões.
Um frasco de cristal se materializou no ar e se depositou de maneira aeróbica aos meus pés.
O guardei no receptáculo, me seria útil mais tarde.
Os meus pés estavam doloridos de caminhar, o tecido do meu vestido se arrastava pelo chão, sujos tão diferentes do começo...
Diante do rochedo eu fiquei petrificada, o rochedo era tão alto quase se perdia no azul do céu mal dava para ver o topo...
Seria impossível escalar o rochedo escorregadio, e não conseguiria passar pelos dragões. Eu não possuía habilidades de luta nem de escalada da última vez que tentei, eu caí no chão e perdi a consciência, agora eu perderia a vida.
Peguei o frasco de cristal e firmei o olhar no rochedo, eu morreria tentando.
A águia que voava ao longe batia as suas asas para perto de mim, tirou o frasco das minhas palmas e voou para o alto do rochedo.
Ela passou rapidamente por entre os dentes ferozes dos dragões, enchendo-l o frasco e o entregou-me.
O manuscrito mágico começou a escrever do mesmo jeito extraordinário de antes, com os olhos centrados em cada letra que transcendia das chamas, eu acompanhava horrorizada o que me seria a terceira tarefa.
O Rio Estige separava o Mundo dos Vivos do Hades, e a Deusa queria que eu fosse até lá!
Afrodite dizia ter sofrido um desgaste na sua beleza, ao ajudar o filho no tratamento do ferimento no ombro de Cupido, exigiu que eu fosse até o mundo inferior e pedisse à rainha Perséfone um pouco de sua beleza.
O rio Estige era um rio que circulava continuamente pelos reinos dos vivos e dos mortos, os mortais sabiam o quão era importante aquele rio para se fazer a transição após a morte não era um lugar destinado aos vivos.
O portão possuía um cão dos infernos que guardava a entrada com todas as garras e cabeças disponíveis.
Cumprir aquela tarefa causaria a minha morte, mas o que adiantaria viver sem o meu Eros?
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