O beijo do anjo imortal

2 Capítulo II. Destino


Os preparativos para o casamento foram seguidos à risca, eu iria ser deixada em um lugar abandonado, ainda estava aterrorizada, no entanto, eu possuía tenacidade, o cortejo fúnebre me levou até o topo de uma montanha solitária.

Minha família estava pesarosa diante de tão cruel destino, as lágrimas caíram sem medidas e depois de um último abraço fui deixada a sorte naquele penhasco.

Deixei a minha resignação, puxei as saias para o lado e segurei um archote, a noite não tardaria a chegar.

Acelerei o passo na direção oposta à que fui deixada.

Se eu conseguisse descer a montanha me esconderia na floresta e no dia seguinte iria até a cidade mais próxima.

Eu usava toda a minha força para fugir daquele lugar, sentia-me exausta, os meus pés estavam cansados e doíam pelo esforço, foi então que inexplicavelmente um vento suave vindo do Oeste me impedia de continuar. Meus olhos mal conseguiam se manter abertos para me apoiar eu parei perto de um rochedo, sentia o meu corpo caindo lentamente…

Era como se uma brisa suave me acariciasse a pele e me instigasse a adormecer. Silenciosamente eu pedi aos Deuses que me protegessem da fera e que jamais deixasse que me encontrasse…

Cair em estado de inércia.

Perdida no tempo, eu despertei confusa a me ver repousada em cima de uma relva demasiadamente macia que se assemelhava a um leito, botões de flores brotavam do chão e exalavam um delicioso perfume.

Eu estava em um bosque encantado cheio de flores das quais muitas eu nunca tinha visto, havia também um riacho de águas límpidas e abundantes na margem dele se erguia um majestoso palácio esculpido a ouro e cravejado com pedras preciosas.

— Esse lugar deve ser a morada de um Deus. – Pensei em voz alta.

Tudo estava tão calmo que todas as minhas preocupações desapareceram.

A porta se abriu como se obedecesse a uma ordem.

— Seja bem-vinda Princesa esse palácio será a sua morada e de hoje em diante ele é seu.

Hesitei na porta de entrada.

Tomei coragem para entrar no deslumbrante palácio, impressionada com a riqueza de detalhes tudo ali era suntuoso. O Salão majestoso era recoberto de mármore e pedraria e permanecia em completo silêncio.

— Há alguém aqui? Minha voz ecoou pelos pilares de ouro até seperder nos corredores amplos e vazios.

A voz que falou comigo não revelou um rosto, eu estava sozinha, mas sentia-me observada.

Fui impelida a subir os degraus de uma imensa escadaria em pórfiro, os corrimões eram do mais esmeradojade. As salas possuíam aprimorado contraste com as mais belas esculturas que representavam casais amantes, cujos braços enlaçavam o corpo do ser amado.

Eu nunca tinha visto arte tão bela em toda a minha vida.

Havia tantos quartos que seguiam aquela mesma reprodução de estátuas delicadas que expressam sentimentos de compaixão e amor.

Caminhei para o próximo quarto espaçoso e o encontrei iluminado pela luz alegre de uma imponente lareira, um leito perfeitamente arrumado jazia no centro, enquanto uma brisa suave agitava o tecido nobre da janela.

Parei, envolvida por uma música suave.

— É só pedir o que quiser Psiquê que o seu desejo será atendido.

Eu desejei um banho e fui atendida, entrei numa espécie de tina, porém muito maior em (diâmetro) feito de material lapidado que possuía detalhes em forma de pintura, banhei-me de maneira lenta para depois vestir-me, ainda solitária sentei-me a mesa, onde um farto banquete me esperava.

A escuridão da noite chegava ao Palácio dourado, às vozes que falavam comigo me guiaram a um quarto, era à hora de me recolher ao leito.

Todo o temor que eu havia sentido nas vésperas não se comparava aquele momento. Finalmente eu estaria na presença do meu terrível esposo.

Subitamente os candelabros se apagaram um movimento de porta me alertou que eu já não estava sozinha, comecei a tremer, foi quando uma voz maravilhosa me disse.

— Não tenha medo minha doce Psiquê, eu serei seu esposo e sempre a amarei.

Sobre a minha pele eu sentia o acariciar aveludado do seu toque, ele escorregou o corpo numa carícia jamais experimentada ou sequer imaginada por mim, dominada pelas suas carícias eu me perdi. Sem saber ao certo o que houve, mas assim que me restabeleci, era como se eu recebesse golpes prazerosos e pela primeira vez na minha vida eu sentia no meu corpo uma torrente que me inundava da cabeça aos pés.