O bater do relógio

1 Aquela mulher estranha da loja sem nome


O sino da porta de entrada da loja não tinha badalado o dia inteiro e, sinceramente, isso não me surpreendia. Era um período de pouco movimento, principalmente naquela pequena cidade perdida no meio da floresta. Além disso, era apenas um antiquário. Isso mesmo, eu vendia coisas velhas que ninguém tem interesse. Por que eu vendo essas coisas? Digamos que seja a área em que sou especializada.

Era uma loja bem simples, de tamanho médio. As prateleiras carregavam livros um pouco empoeirados com páginas amareladas devido ao tempo. Já as bancadas de madeira serviam de apoio para objetos estranhos e antigos, nada fora do comum. Entretanto, existia uma sessão especial nos fundos da loja. Era como uma pequena sala, com suas paredes lotadas de relógios e espelhos, dos mais diversos tipos. Eles com total certeza eram a minha paixão.

Bem, eu? Apenas uma mulher aparentando ter 30-35 anos. Cabelo castranho, olhos azuis, estatura média... Ah sim, meu nome. Lótus. Bleh, chega de descrições.

Encontrava-me atrás do balcão, lendo um bom livro que falava sobre engrenagens. Nada que eu já não soubesse, afinal já tinha lido todos os livros que tinham naquela loja, um total de 3.000 livros. Não tinha muito o que fazer mesmo. Diversos outros livros já tinham passado por aquelas velhas prateleiras, alguns que não tive oportunidade de ler, infelizmente.

Por volta das cinco da tarde o sino da entrada badalou, chamando minha atenção. Quem entrava era um garoto, aparentava ter 17 anos. Nunca tinha visto o mesmo naquela cidade isolada, mostrando que não morava ali. Este carregava um livro de capadura com detalhes dourados.

Seu rosto apresentava nervosismo.

— Olá! Bem-Vindo à minha loja. Como posso ajudá-lo? Não é comum garotos como você aparecerem por aqui. — Disse em tom tranquilo enquanto levantava da cadeira, agora com as mãos apoiadas no balcão. —

— Oi. Você é Lótus, certo? Preciso de ajuda. — Em seguida colocou o livro na bancada, dispersando um pouco de pó e abriu em uma página, apontando algo para eu ler. — Sabe do que isso se trata? Por favor, ajude-me. — Ele insistia. — Eu sei quem você realmente é.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo