O ataque
1 Confiar-desconfiando
Notas iniciais
Depois da máquina de lavar terminar de retirar o excesso de água da roupa, Geórgia encheu um balde com elas e foi para o quintal de casa estendê-las no varal. Estava estendendo a terceira camisa quando percebeu que era observada. Há dois passos de distância uma barata a encarava, imóvel como uma pedra.
A mulher mordeu a bochecha ao encará-la de volta, não gostando nada daquele inseto tão próximo. Achando melhor afastá-la, ela bateu o pé tentando assustar a barata e fazê-la correr para longe. A barata, no entanto, permaneceu quieta onde estava. Geórgia então agitou os braços, soprou o mais forte que conseguia e até gritou com ela, mas nada deu resultado.
“Deve estar é morta e eu estou me preocupando à toa.”
Fingindo não se incomodar mais, voltou-se para as poucas roupas que ainda restavam e as estendeu velozmente. Quando acabou deu um suspiro de alívio, e antes de entrar resolveu dar uma espiada na dita barata, mas para sua surpresa ela não estava mais lá. Com o coração aos pulos Geórgia correu pra dentro de casa e fechou todas as portas e janelas. Só depois de se certificar que estava enfim em segurança, ela vestiu seu pijama de corujinhas e foi dormir.
Seu sono, contudo, não foi tranquilo e perto da meia-noite acabou acordando com a sensação de que havia algo em seu braço. Sorriu se sentindo tola por estar tão incomodada por uma bobagem daquelas, mas ao sentir algo realmente andando em seu braço ela gritou e o sacudiu com força. Desesperada esticou-se para acender a luz e quando seus olhos dardejaram pelo quarto em busca do inseto, ela viu o puro mal em forma de barata parada no chão, no meio do quarto.
Geórgia encarou a barata. A barata encarou Geórgia. No segundo seguinte a mulher correu na cozinha, agarrou a lata de inseticida e voltou pronta para eliminar aquela pequena amostra de existência malévola.
... Mas a barata já não estava lá.
... E também não estava em parte alguma.
Geórgia não dormiu mais naquela noite.
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