Capítulo sete

1

– Então... Quando foi que Inagaki o procurou para pedir ajuda? – Subaru repetiu a pergunta.

Tsuyoshi retornou a sua calma.

– Ele não me pediu ajuda. Não teria motivos para isso. Mas depois de alguns anos fazendo sempre a mesma profissão, nossa mente funciona mais rápido... Se fosse mesmo o caso de defender Goro-chan, essa seria a primeira linha de defesa que eu pensaria. E pensei porque os senhores insinuaram uma acusação contra meu amigo. Foi uma reação automática. – e depois se virou para Okura – Se alguém apontasse uma arma a um parente seu, qual seria a sua reação?

– Nesse momento, eu tentaria manter a calma e conversar com o bandido esperando a melhor oportunidade para desarmá-la ao mesmo tempo tendo convencê-lo a se entregar e...

– Um resposta típica de um policial, certo?

Shibutani formou um sorriso e voltou a observar o jardim.

– Kimura-san teria dito ao senhor que achava que estava sendo enganado?

Tsuyoshi sacudiu a cabeça.

– Sim... Lembro-me vagamente sobre esta questão porque na época fiquei preocupado com meu amigo. Kimura era uma boa pessoa e eu não queria que ele sofresse. Mas ele não deu mais detalhes quando eu o perguntei. Kimura era muito reservado... Talvez Nakai saiba de alguma coisa...

– Kusanagi-san chegou a dizer que Kimura parecia muito preocupado?

– Un. Ele estava. Por isso imaginei que fosse algo muito sério...

– Acredita que este assunto possa estar relacionado ao crime? – Okura perguntou.

– Como não sei do que realmente se trata, é possível.

– Kusanagi-san, precisamos que o senhor dê detalhes das suas impressões sobre Kimura-san nesse dia... Como ele não contou mais sobre ao assunto, talvez seus gestos, olhares, alguma coisa no comportamento dele possa nos dar alguma informação a mais.

O advogado se colocou a pensar. Repassou em sua mente mais uma vez aquele dia. Enxergou o rosto do amigo, mas já não era mais nítido.

– Eu diria que ele estava bastante preocupado e tenso.

–Amargurado? – Shibutani indagou.

– Amargurado... Não acho que seria a palavra. Ele parecia preocupado mesmo e, talvez, um pouco assustado... Não posso afirmar. Era certo que era um assunto que o incomodava.

– Então ele não estava amargurado?

– Isso é importante?

– Quem sabe? Kusanagi-san... Pela sua atenção em nos receber, agradeço. Okura, vamos.

– Eh?? Acabamos assim?

O jovem se despediu do advogado e teve que correr atrás do parceiro.

2

– Por favor, seja rápido... Você pode me comprometer. – disse o jovem policial, agoniado.

– Não se preocupe, Taguchi-san, serei rápido! – Kamenashi afirmou e entrou no quarto, ainda ouvindo os resmungos do policial.

Uma vez dentro, ele observou todo o local e sorriu.

– Koki... Você é mesmo incrível!

Não pode deixar de admirar os contatos do seu amigo. Koki havia conseguido transferir o guarda que estava protegendo a cena do crime por um amigo que garantiu a passagem do jornalista.

Kamenashi sentiu sua respiração aumentar. Estava excitado. Sabia que não poderia descobrir mais do que polícia encontrou, mas, ainda assim, era muito importante que ele tivesse essa experiência. Ali, ele poderia imaginar o que tinha acontecido, ficaria mais próximo do que talvez seria a realidade, poderia visualizar melhor as hipóteses que estavam sendo divulgadas nas mídias.

Era um quarto de tamanho razoável. Apesar de luxuoso, aquele era um hotel discreto. Ao centro, com a cabeceira encostada na parede, a cama de casal em estilo ocidental. Era grande, modelo King. Ao fundo, em direção oposta à porta, a porta dupla de madeira branca e vidro que dava acesso a uma agradável varanda. Kamenashi caminhou até ali e imaginou os momentos prazerosos que Kimura teria vivido com sua verdadeira amante.

De volta ao quarto, ele abriu o guarda-roupa que havia ao lado da varanda, antes do banheiro. Um móvel grande e de madeira escura que combinava com a cama. Olhou o seu interior vazio, o forte cheio de naftalina alcançou o seu olfato e ele espirrou. Fechou as portas e puxou as gavetas que, assim como antes, estavam vazias. Ele ia fechá-las quando notou um pequeno pedaço de um cartão de apresentação. Era só a ponta de um cartão com o símbolo de uma lua crescente dourada em um fundo roxo. Ele teve a sensação de que conhecia aquele símbolo.

­– O que isso significa? – Kamenashi refletiu consigo mesmo, uma ideia saltando em sua mente. Ele sacou o celular e discou o número de Koki. – Koki, confirma para mim a lista dos clientes neste quarto, ok? Preciso saber quem mais além de Kimura costumava reservar aqui e se no dia do crime houve mais reservas?

–Yo, Baby... Farei isso.

Encerrou a ligação e voltou a observar aquele pedaço de papel. Mordeu seu lábio, pensativo.

3

Sabia que aquele pedaço de papel poderia significar absolutamente nada, principalmente se aquele quarto não for de uso exclusivo de Kimura. Algo que deveria ser bastante provável. Kamenashi, contudo, acreditava possuir uma quantidade considerável de sorte para imaginar que aquela pista o levaria até a identidade da verdadeira amante de Kimura. Estava confiante nisso.

Teria que aguardar a resposta de Koki sobre as reservas daquele quarto e deixou para pensar nesse assunto mais tarde. Agora ele tinha que se concentrar em sua nova missão: Inagaki Goro.

Kamenashi tomou um táxi até a produtora. Na recepção, ele deixou seus dados pessoais e esperou até a mocinha conseguir a autorização de alguém da empresa para deixá-lo subir até o andar certo. O processo levou cerca de dez minutos até ele estar sentado em um confortável sofá de camurça escura, onde esperou por mais uma hora até finalmente estar diante do produtor.

A sala de Inagaki era decorada com cores escuras, predominando o verde e o preto. Era elegante, mas havia um clima pesado que ficou ainda pior quando ele entrou. Inagaki Goro tinha um rosto sério e triste demais. Assim como a sua sala, ele vestia roupas escuras, um cacharrel preto e um jeans marinho. Era uma roupa simples, mas naquele homem ficava muito elegante.

Inagaki o cumprimentou com a voz baixa e se sentou atrás da sua grande mesa de vidro, pôs suas mãos unidas sobre ela e esperou que Kamenashi se apresentasse mais uma vez, embora soubesse perfeitamente quem era e o que queria. Kamenashi seguiu a etiqueta.

– Kamenashi Kazuya, repórter do Diário Tokyo. Vim por causa do assassinato de Kimura-san.

Inagaki sacudiu a cabeça.

– Eu sinto que não serei de muita ajuda. – disse Inagaki – Há algum tempo que eu não via Kimura-san. Kamenashi-san, me desculpe, mas eu não entendo o que eu ou o senhor temos a ver com este caso. Está querendo fazer o trabalho da polícia?

– Eu apenas estou escrevendo uma matéria a pedido de seu amigo Nakai. Ele disse que Inagaki-san não teria problemas em conversar comigo. – mentiu. Nakai nem sabia que ele estava focando em seus amigos.

Inagaki se acomodou na poltrona e suspirou.

– Realmente, não posso ajudar em nada. Como todos sabem, tivemos uma briga há anos atrás e depois disso não fomos mais os mesmos amigos de antes... Acabamos afastados. Nos vimos muito pouco mesmo.

– E qual foi o motivo da briga?

–... Posso falar sobre Kimura-san. Posso falar até mesmo o que eu penso sobre este caso... Mas se for precisar entrar em assuntos íntimos, eu prefiro esperar por uma ordem judicial ou qualquer coisa assim. Não quero ter meu passado revirado se isso não for trazer nada de útil. E eu sei que não trará nada de útil.

Kamenashi fez que sim. Pelo que tinha lido a respeito de Inagaki, ele era mesmo uma pessoa muito reservada e difícil. Não conseguiria fazê-lo falar o que ele realmente queria ouvir.

– Pode, então, me dizer o que pensa sobre o crime?

Inagaki fez que sim e seu rosto ficou ainda mais triste.

– Apesar da nossa briga... Odeio a pessoa que fez isso a Kimura-san. Tivemos nossas divergências, mas ele era uma pessoa admirável... Eu sempre o admirei muito... Muito mesmo. Estão dizendo nos jornais que é um fã alucinado que o seqüestrou e o matou. Eu não acho que seja isso.

– E teria algum motivo para discordar dessa versão? Sabe de alguém que guardava rancor dele?

– Não diria rancor, mas... Uma vez... Isso tem um pouco mais de um ano, Kimura se envolveu em uma briga. Naquela ocasião, eu estava de carro por perto e o acobertei. Se a imprensa soubesse daquele incidente, poderia ter afetado bastante a sua carreira.

– Não acho que uma briga seria capaz de abalar a sua carreira...

– Não a briga em si, mas talvez o lugar em que a discussão aconteceu.

– E aonde foi?

–... Em uma casa de acompanhantes.

– A Casa de Chá Midori?

– Iie. – ele sacudiu a cabeça – Um clube de rapazes.

Kamenashi o olhou intrigado.

– Depois desse dia, soube que Kimura discutia bastante com esse rapaz. Nunca soube o motivo desse desentendimento entre eles... Mas penso que... Se houve rancor, talvez... Poderia ser ele?

– Veja bem, Inagaki-san, o que está me dizendo... Não é parecido com a sua situação?

– Sim, é quase a mesma. Mas eu garanto que nunca pude guardar ódio por Kimura... O meu caso é muito diferente, se visto por esse ângulo. – ele disse, parecendo cansado.

– Um ângulo que Inagaki-san não vai revelar...

– Se isso chegar a justiça, eu contarei o que aconteceu entre nós. Mas não acho que será esse o caso.

– Em todo caso... Sabe o nome desse rapaz?

– Sim, eu sei.

– Qual é?

– Yamashita. Yamashita Tomohisa.

4

Ele chegou cansado em seu apartamento. Havia sido um longo dia com alguns avanços consideráveis em sua investigação sobre o caso Kimura. Tudo o que precisava era de um banho e dormir algumas horas. Depois ele tinha que terminar algumas entrevistas. Pensou que Nakai bem que poderia liberá-lo de algumas para poder se concentrar totalmente no assassinato.

Quando colocou a chave na porta, percebeu que ela estava destrancada. Franziu a testa e entrou com cuidado. Notou as luzes acessa e um cheiro de queimado vindo da cozinha. Correu até lá e encontrou Akanishi, usando um avental e luvas de cozinhar, retirando alguma coisa do forno.

– O que diabos... ?

– Oh! Kame-chan chegou cedo!

– O que... O que você tá fazendo? Como entrou aqui? – e ele estreitou os olhos tentando identificar o que era aquela coisa amarela em sua forma de vidro preferida. Imaginou o trabalho que teria para limpá-la daquilo.

– Takahashi-san me deixou entrar. – ele disse com naturalidade – Eu disse que queria preparar uma surpresa pra você! – ele estendeu a massa em sua direção – Eu fiz o jantar! Espero que esteja com fome... Porque eu não estou muito não... – Akanishi olhou com receio para o que segurava – Pode comer tudo!

– Aka... Nishi... – ele fechou os olhos, tentando manter a calma.

– O que? O que eu fiz de errado agora? – a voz dele soou emburrada.

– Eu realmente não sei em que mundo você vive! – ele suspirou – O que se passa dentro da sua cabeça? Porque você se acha no direito de ir e vir quando quiser? Você some, não dá sinal de vida, invade a minha casa e age como se fosse a coisa mais normal do mundo?

–... Não é assim tão estranho também... Você devia se acostumar!

–... Você não pode estar falando sério. – Kamenashi lhe deu as costas – Vá embora. Estou cansado. Quero tomar banho e dormir. Me dá um tempo!

– Você não gostou?

– Parece que eu gostei?

–... Mas eu me esforcei tanto!

– Porque quis! Não foi como se eu tivesse pedido alguma coisa em todo caso! – disse e começou a andar em direção a seu quarto.

– Gomen...

Akanishi disse apenas uma palavra, mas o seu tom de voz, um sussurro, por algum motivo que Kamenashi não conseguia entender provocou uma pequena dor que o fez se questionar se teria sido tão cruel.

Não. Era apenas Akanishi tentando lhe manipular com mais uma de suas múltiplas personalidades, ele tentou se convencer enquanto desabotoava a camisa que vestia. E aquela sensação incomoda não passava. Ora, porque devia se preocupar com os sentimentos dele quando Akanishi não demonstrava um pingo de consideração quando sumia sem deixar ao menos um recado?

Ele tinha se esforçado. Grande coisa, em sua idade não era o mínimo saber cozinhar? Mas ele tinha se esforçado por ele, queria agradá-lo com um jantar. Também não deveria considerar isso, já que ele tinha sumido sem dar qualquer satisfação no dia anterior. Mas Akanishi tinha que lhe dar alguma satisfação? Não, não tinha. E não tinha que agir como se fossem namorados. Não tinha que tentar agradá-lo. E porque diabos ele não conseguia deixar de pensar no rosto triste daquele puto?

Irritado consigo mesmo, Kamenashi voltou para a cozinha.

– Akanishi, escuta... – e ele perdeu as palavras com aquela cena.

O seu chão estava com manchas de sangue, assim como a sua pia enquanto Akanishi lavava o ferimento de sua mão.

– O que você... Você está bem? Deixa eu ver isso!

Aproximou-se e viu o corte na palma da mão. Ele viu um tomate cortado ao meio e a faca ensangüentada e percebeu o que tinha acontecido.

– Com molho... Talvez disfarçasse o gosto ruim, não é? – ele hesitou com medo de receber outra bronca. – Eu ia fazer molho de tomate e não de sangue, eu quis dizer...

– Você deveria ficar longe da minha cozinha. – Kamenashi disse seco, mas depois riu – Definitivamente, seu lugar é no meu quarto e não aqui.

– Não é exatamente uma declaração romântica... – ele riu. – Mas eu gostei da sugestão...

Havia algo no sorriso que Akanishi lhe deu. Tinha certeza disso. Alguma magia ou coisa parecida que o deixou envergonhado. Kamenashi desviou o rosto.

– Deixa eu ver... – repetiu e pegou sua mão. – Não é fundo, mas... Como você conseguiu se cortar desse jeito? Quanta força você usou para cortar um tomate? Espera, vou pegar algo para desinfetar e gases.

Voltou rápido. Secou suavemente a mão dele com uma toalha e passou um antiséptico. Akanishi protestou e resistiu, mas Kamenashi o olhou bravo e ele se rendeu.

– Isso vai arder... Vai arder... Itteeeeee!

– Pare de ser chorão!

– Minha pele é muito sensível, ok?

– Chorão.

– Itteee!

– Pronto, já foi!

Akanishi levou a mão até perto de seu rosto e a olhou com um bico, como se ela fosse a culpada por estar sentindo dor. Depois ele olhou para Kame e sorriu.

– Arigatou!

– Você só me dá trabalho!

Akanishi lhe mostrou o sinal da vitória.

5

Não foi possível que eles comessem o que quer que Akanishi tenha cozinhado, então Kamenashi pediu comida chinesa. Enquanto Akanishi vibrava com uma partida de futebol e devorava seu yakimeshi e guiozas, o jornalista se sentou em sua mesa para terminar suas matérias.

A redação fluiu fácil, ele conseguiu trabalhar em paz e não pode deixar de sentir a naturalidade daquela cena. Ele trabalhando e Akanishi próximo de si. Sua risada, sua torcida pelo time italiano, seus comentários que não se importavam se eram absorvidos por Kame ou não, tudo isso parecia tão bem em seu apartamento. Tão aconchegante.

No que estou pensando?

Quando a divida acabar, nosso relacionamento acaba.

Relacionamento?

Não temos nenhuma relação.

Seus pensamentos eram tristes, mas ele logo se animou. Ele não tinha como pagar dez mil tão cedo, de qualquer forma.

Espreguiçou-se e olhou para o relógio. Digitou por duas horas e foram duas horas agradáveis. Levantou-se e foi para o sofá com Jin. Não entendia nada de futebol, nunca teve interesse por esse esporte. No colégio, ele era do clube de basebol. Kamenashi fez algumas perguntas sobre a partida mais por hábito profissional do que por real interesse. E também para ouvir a voz sinceramente empolgada de Akanishi.

O cansaço, no entanto, fez questão de lembrá-lo que continuava em seu corpo e seus olhos começaram a se fechar. Antes que fosse vencido pelo sono, ele foi puxado para o colo de Akanishi.

– Otsukare... Nee? – ele lhe disse e enrolou os dedos da mão boa em seus cabelos. – Descanse...

Kamenashi não respondeu. Estava mesmo cansado, mas ainda demorou a dormir. Em seu íntimo, ele queria saber se, quando despertasse, Akanishi continuaria em seu apartamento.

6

– Royal Street Flash. – ele mostrou as suas cartas e em seguida exibiu um sorriso de deboche. – Passem toda a grana para o Papa Koki-chan!

Alguns resmungaram, outros o xingaram e ainda houve aqueles que apenas assistiram seus dinheiros indo embora. Apenas uma pessoa demonstrou claramente a sua irritação:

– Você tem mesmo coragem em vencer o seu chefe no jogo. – Nishikido estreitou o olhar e depois tomou um gole considerável de uísque.

– Jogos são jogos, amigos à parte.

– Eu sou seu chefe, seu maldito!

– Hai, hai.

– Cansei disso. Vamos lá fora fumar.

– Opa, você quem manda chefinho.

Eles deixaram aquele ambiente escuro e carregado de fumaça de cigarros e alcançaram os fundos da boate. Aproximaram-se de uma caminhonete e Nishikido Ryo se sentou no capô, pôs o cigarro na boca e Koki se aproximou para acendê-lo. Depois ele acendeu o seu.

– Naquele hotel, aquele quarto sempre está em reforma. – Nishikido respondeu de repente – A não ser quando Hayami Minami o reservava.

– Isso é esquisito. Quem será a amante verdadeira desse homem? E quanto ao quarto alugado em que Hayami esperava por Kimura enquanto ele via sua amante?

– É verdade que dois quartos eram alugados. Foi o que Hayami nos contou, mas nunca houve reserva no nome de uma mesma mulher nos dias dos encontros.

– Isso está muito complicado!

– Né, Koki... Há rumores de que Kimura andou discutindo com um garoto de programa.

– Ouvi algo sobre isso, mas você acha que é verdade, Ryo?

– Não sei, mas talvez vale dar uma passada no clube.

– E qual clube é?

– Casa de Show.

– Ei, esse não é aquele lugar que só vai gente importante e rica?

– Sim.

– Eh? O amante do Kimura poderia ser... Um garoto de programa?

Nishikido pensou naquela possibilidade.

– Encontraram um isqueiro masculino, não foi?

Koki não respondeu, pensava sobre a hipótese. Era algo surpreendente, mas não era impossível e, sob aquele contexto, era algo que fazia sentido.

7

Acordou com um susto e viu que estava em sua cama. Sozinho. Os ombros de Kamenashi caíram e ele suspirou resignado. Não podia esperar muito de Akanishi se outras pessoas, que eram livres e desimpedidas, também não quiseram ficar em sua vida. O que dizer de um garoto de programa que só vê nele a possibilidade de conseguir mais e mais dinheiro. Até ele perceber que não vai conseguir muita grana e mandar seu cafetão o matar, foi a hipótese mais provável que Kamenashi conseguiu imaginar num futuro próximo.

Esfregou o rosto. Ele tinha dormido bem e tinha recuperado a energia. Porque se sentia tão desanimado? Não podia se deixar influenciar dessa forma. Não era como se estivesse apaixonado por Akanishi, afinal. Não estava, certo?

Levantou-se e foi tomar banho. Depois foi para a sala e conferiu seus e-mails e mensagens no celular. Koki havia mandado uma em que dizia que o quarto só era reservado para Hayami Minami. O que dava certeza a Kamenashi que aquele pedaço de cartão deve ter caído da roupa de Kimura ou da amante. Precisava descobrir de onde era aquele cartão.

Deixou isso para mais tarde, precisava encher o seu estômago e já estava entrando na cozinha quando ouviu o barulho da porta. Olhou para a parede e viu que a chave não estava no chaveiro. Akanishi entrou barulhento como sempre:

– Ohayou!! Achei que daria tempo de levar o café-da-manhã na cama pra você... Droga, você devia dormir um pouco mais!

Kamenashi ainda se sentia confuso. Ele não tinha ido embora?

– Não faça essa cara, eu prometo que nunca mais tento cozinhar pra você... Eu fui até a padaria mesmo. Desculpe por ser um café-da-manhã ocidental, nee~?

Passou por Kamenashi e levou o que tinha comprado para a cozinha. Preparou a mesa sob o olhar confuso do jornalista.

– Você... Não foi embora desta vez?

Akanishi lhe sorriu. Ele estava ali. Ele não tinha ido embora. E o coração de Kamenashi batia mais depressa agora.

– Queria que eu tivesse ido? Você reclamou ontem que eu saio sem avisar... Achei que desta vez pudesse fazer diferente... Você sabe... Nem todos meus clientes querem acordar do meu lado... Achei que fosse o mesmo com você... – a última frase soou mais baixa e mais tímida e Akanishi coçou seu nariz com o indicador.

Algo, porém, incomodou a Kamenashi.

– Clientes... – murmurou – Você acha que todos eles são iguais?

– A maioria é...

– Eu também?

–... Eu não sei. Me diga isso você.

– Eu nunca quis ser seu cliente. – Kamenashi o lembrou – A primeira vez que te vi, eu não sabia nada sobre você. E você sabe disso... Como pode me tratar como um cliente?

– Kame... O que você quer dizer? – Akanishi o olhou com preocupação.

Um movimento rápido, e o jornalista parou a sua frente. Olharam-se, Akanishi prendeu sua respiração sem se dar conta e piscou quando a mão gelada de Kamenashi alcançou seu rosto.

– Estou te dizendo... Para deixar de me tratar como um cliente.

– Mas...

A resposta foi interrompida e desta vez foi Kamenashi quem não deixou Akanishi sequer pensar. Ele não percebeu que andava, apenas notou que havia sido encostado em algum lugar, talvez na geladeira, talvez na parede. Isso também não importava. Aquele beijo era bom e ele não quis que ele terminasse.

Era bom se sentir querido outro vez.

Quando Kamenashi se afastou, Akanishi moveu a cabeça em sua direção e seu rosto demonstrava contrariedade. Porque ele tinha parado? A sua consciência começou a voltar e ele já tinha o preço daquele beijo na ponta da língua.

– Eu sei. – Kamenashi disse convicto para a sua surpresa – Eu já sei os seus preços. Pode acrescentar esse na minha dívida, eu não me importo.

–... E você acabou de dizer que não quer ser tratado como um cliente. – ele disse, com alguma mágoa.

– Eu não me importo por que... Quanto maior a dívida, maior vai ser o tempo até eu terminar de pagar... – ele sorriu por ter que explicar algo tão óbvio para ele.

– Kame...

– O que você trouxe pra gente comer? Estou faminto.

De costas, ele não viu o rosto contente de Akanishi.

8

– O retrato de Dorian Gray talvez seja o trabalho mais famoso de Oscar Wilde. – ele disse e depois riu da expressão confusa que Jin lhe mostrou – Não conhece Oscar Wilde?

O rapaz sacudiu a cabeça, negando, e depois olhou de volta para a sua cruzadinha. Depois do café-da-manhã, o clima carinhoso entre eles continuou e foram para o quarto. Não fizeram nada, o que Jin achou estranho, seus clientes geralmente queriam sexo e depois carinho, nunca o contrário e nunca sem sexo. O único que invertia essa ordem tinha sido Kimura, mas logo deixou de pensar nele e não questionou Kamenashi. De alguma forma, era bom do mesmo jeito ficar na companhia de Kamenashi. Ele se deitou sobre as pernas do jornalista e começou a preencher a cruzadinha do jornal.

– Como escreve Dorian Gray?

– D-O-R-I-A-N G-R-A-Y...

– Nossa, cabe aqui! – ele disse, animado.

Kamenashi se levantou da cama e Akanishi resmungou, mas ele logo voltou a sentar ao seu lado com um livro de capa dura na cor verde. Estendeu a Jin.

– Se quiser, pode levar emprestado.

Jin não tinha muito interesse em livros e Kame percebeu pela sua hesitação.

– Tenho o filme também...

– Eu quero o filme! – disse rápido.

– Você devia ao menos terminar os estudos...

– Não tive dinheiro na época... Agora não sei se vale a pena voltar...

– Você podia estudar artes, já que gosta de cinema.

– Começar a estudar do zero? – ele resmungou.

– Não precisa ser uma universidade... Comece com uns cursos.

– Ganho mais dinheiro com o que eu faço!

– Mas você não é Dorian Gray e sua beleza vai acabar um dia. Como você vai se sustentar?

– Quando chegar a hora, eu penso nisso.

– Mou~... Como pode ser tão tranqüilo?

– Meu avô dizia que eu sou irresponsável.

– Bem, isso também. Mas a vida é sua. Ser irresponsável com ela ou não é problema seu. Eu diria que você devia pensar em cuidar dos seus pais e do seu irmão. Mas neste assunto, nós dois somos iguais, não é? Nossos pais não querem receber ajuda de profissões que eles não aprovam.

Akanishi concordou e se lembrou das brigas com seus pais e até mesmo com seu irmão, com quem sempre tinha sido tão unido, e agora mal se falavam.

– Eu não entendo porque sua família desaprova a sua profissão. Ela não é indecente.

– Bem, depende do ponto de vista. – Kamenashi suspirou – Não foi você quem me disse uma vez que eu não tinha consciência do impacto das matérias que escrevia na vida das pessoas? A imoralidade no jornalismo é essa... Até onde chegar por causa de uma matéria? Podemos mesmo divulgar tudo em prol da liberdade de informação?

– Ainda assim, é uma profissão que pode ser útil à sociedade...

– Mas não é tão nobre quanto a medicina. Não estou defendendo meus pais... Mas é assim que eles pensam.

– Kame... Você se arrepende da sua escolha?

– Não... Não me arrependo... Apesar de tudo é a profissão que eu escolhi porque acredito nela. Acho mesmo que posso fazer algo de bom através desse trabalho. – disse, sonhador e riu. – Parece um pouco ingênuo, mas é o que eu sinto... E você? – ele encostou o dedo indicador na testa de Akanishi. – Se arrepende?

A pergunta trouxe aquele Akanishi triste. Ele sacudiu a cabeça.

– Eu pensei que nunca fosse me arrepender. – confessou com dificuldades, sua voz parecia embargada. Tentou rir. – Nee... Eu sinto a falta dos meus pais e do meu irmão. Queria poder voltar para eles um dia. Mas acho que isso não será possível...

– Não desista tão fácil! – ele o bronqueou e Akanishi lhe exibiu um bico – Não é como se eles estivessem mortos. Estão vivos e você pode resolver este impasse. Pegue um feriado e vá para a casa dos seus pais.

– Sim... Eles ainda não estão mortos... – repetiu e seu rosto pareceu sombrio, mas foi por um instante e ele logo mudou de assunto: –... E você, fará o que para resolver o seu problema com a sua família?

–... Eu não sinto a falta deles.

–... Owe! Não fale comigo com tanta autoridade quando é você quem está com medo de encarar seus parentes, então!

– Está me chamando de covarde?

– Eu estou! Covarde, covarde, covarde, covarde, covarde, covar...Unfpt!!!!

Akanishi se calou quando o travesseiro foi esmagado contra a sua boca. Com agilidade, Kamenashi tirou suas pernas debaixo da cabeça de Akanishi e, livre, ele subiu por cima do mais velho, que aproveitou o momento e jogou o travesseiro longe.

– Você tá querendo me matar? – ele perguntou, rindo, e recuperando o ar.

– Claro que não... Não desse jeito, pelo menos... – disse e lambeu os lábios.

Ele ergueu os braços de Jin acima de sua cabeça e os manteve ali com uma mão. O rapaz não ofereceu resistência e sorriu sentindo a outra mão de Kame em seu pescoço. Jin fechou os olhos quando foi beijado.

– Né, Kame... – Kamenashi parou de beijá-lo e manteve o rosto próximo para escutá-lo – Você não se sente solitário? Estando brigado com a sua família?

– Eu me sinto solitário muitas vezes... Mas acho que o melhor a se fazer seria comprar um animal de estimação do que tentar convencer uma família inteira de médicos antiquados e tradicionais. Os bichos nos amam incondicionalmente... Independente das nossas profissões, não é?

Jin concordou e eles se calaram.

9

O humor de Kamenash estava infinitamente melhor naquela semana e isso era assustador, na opinião de Nakamaru. Ele olhava com uma expressão desconfiada para o amigo enquanto fumavam no terraço do jornal. Kamenashi estava apoiado no parapeito e mantinha um largo sorriso. De vez em quando ele cantava alguma música pop que Maru não conhecia.

– Ok. O que está acontecendo com você? Foi abduzido? Seqüestrado e colocaram um clone em seu lugar? Deixa eu ver se você não é nenhum robô!

Kamenashi rebateu as mãos de Maru e, rindo, perguntou:

– Está bêbado? Do que está falando?

– Você está estranho, muito estranho. – os olhos de Maru estavam estreitos quando disse isso.

– O único estranho aqui é você... – Kame rebateu –... Eu estou normal.

– Não está! O Kamenashi normal é rabugento e elétrico. Hoje você está sorridente e em paz e eu estou com medo, muito medo disso e... Ahá, esse é o rabugento verdadeiro, digo, Kamenashi verdadeiro!

A expressão zangada de Kamenashi por ter sido chamado de rabugento se desfez e ele voltou a sorrir.

– Estou com medo de novo.

– Owe, que maricas!

– Não enche e me conte logo o que está acontecendo. Esse tipo de felicidade só pode significar uma coisa: você tá transando!

– Não estou, não é nada disso. – mas ele se denunciou com um sorriso vitorioso.

– Ahá, quem é a pessoa? É só sexo mesmo? Quem é o cara?

Quem era a pessoa? Kamenashi percebeu que não podia falar sobre Jin. Simplesmente porque não era um relacionamento. Era uma relação comercial. E só percebeu agora como tinha sido imprudente em dizer aquelas coisas para o rapaz. Que não queria ser tratado como um cliente e que se chateava quando ele sumia. Jin não pareceu ficar incomodado com isso, mas ele normalmente não parece se incomodar com nada, era a sua profissão, não era?

– Não é nada sério. – disse, tragando lentamente – É só sexo.

Nakamaru o olhou de canto.

– É só sexo, estou te dizendo!

O amigo ainda ia insistir, mas a jornalista que cuidava da editoria de política abriu a porta do terraço com uma expressão séria.

– Vocês precisam ver isso!

Eles correram de volta à redação. Todos os jornalistas estavam diante da televisão e Kamenashi e Maru tiveram alguma dificuldade para se aproximar também.

– Apreensão de drogas e traficantes presos em rua famosa pelas casas noturnas. – Kamenashi leu a chamada. – Essa rua é...

Maru o olhou com a mesma preocupação.

– Vou tentar falar com Koki. – Maru sussurrou em seu ouvido – Fique atento aos detalhes.

Kamenashi fez que sim.

– Koki...

–... Acredita-se que este é um dos pontos da Nishikido-gumi, uma importante família da Yakuza. Há informações de que importantes membros dessa organização estavam negociando uma enorme quantidade de entorpecentes quando a polícia fez a batida. Cerca de quinze pessoas foram presas e mais 40 foram detidas para esclarecimentos na delegacia. Shinohara Yoko desu. Boa tarde.

9

Andava pelas ruas e assobiava uma música antiga do grupo Orange Range. Kizuna. Era um dos poucos grupos japoneses que ele gostava. Preferia música americana. Gostava de Hip-Hop.

Ele passou pela fonte e olhou para o anjo. Teve vontade de sentar e ficar ali, como de costume, condenando a si mesmo mais uma vez. Mas não o fez. Por alguma razão, desta vez, foi mais forte e seguiu seu caminho.

Jin parou em frente a um pet shop. Era a sua loja preferida, sempre que podia entrava para brincar com os animais. O dono da loja não se importava que ele não levasse nenhum deles, dizia que o carinho que ele dava aos animais era muito mais importante. Principalmente aqueles que eram mais velhos.

– E aí, Koichi!

– Akanishi-niichan. – uma criança correu até ele e o abraçou pela perna. Jin ajoelhou para ficar mais próximo dela.

– Shinobu! Não incomode o Jin. – um rapaz mais baixo que Jin se aproximou, Ele tinha um olhar e sorriso gentis. – Faz um tempo que não passa por aqui, como está?

– Tenho estado ocupado esses últimos dias... Tá bem corrido.

– Shinobu e Mango sentiram a sua falta. – Koichi disse.

– Vamos ver o Mangooo!! – a garotinha começou a puxar Jin pela camiseta.

– Desculpe, mas hoje eu estou com um pouco de pressa. Hoje eu vim levar um amigo.

– Isso é uma surpresa... Achei que seu apartamento não permitisse animais. Você se mudou?

Ele sacudiu a cabeça.

– Não é pra mim. – explicou – Mas precisa ser de pequeno porte, ele também mora em apartamento.

Koichi assentiu e sorriu.

– Eu já sei quem você pode levar...

Domoto os guiou até os fundos, onde ficava os animais sem donos. Aquele Pet Shop era diferente dos tradicionais, ele não vendia animais, trabalhava com doações. Chegaram à sala e um gato, o único animal solto ali, saltou para o alto da estante. Shinobu riu.

– Shiro-chan morre de medo do nii-chan.

– Parece que sim, não é?

– Recebemos alguns filhotes mestiços de poodles. São pequenos, não vão crescer muito. A mãe morreu no parto e nós estávamos cuidando deles... Estávamos amamentando com leite preparado, mas a Sachiko os adotou. – ele passou por um cercado em que estava a cadela mencionada. – Agora eles estão separados porque ela ficou muito agressiva quando nos aproximávamos. Ela realmente se tornou uma mãe.

– Tudo bem separá-los? Eles vão perder uma mãe de novo? – Jin perguntou.

– Sachiko também foi adotada. Seus donos estavam apenas esperando o período de amamentação terminar. Mas eles não podem ficar com os filhotes. Vão ficar com um deles, mas todos é muito complicado. Então é bom arranjarmos um lar para os outros.

Os filhotes estavam em outro cercado, que Jin pulou com Shinobu. Koichi sorriu com aquela cena e se perguntou quem seria a verdadeira criança. Jin ou cachorros? Incrivelmente Shinobu pareceu bastante madura entre eles.

– Bem, fique à vontade. Vou voltar para a loja.

– Haiiii ~ – Jin e Shinobu fizeram coro.

Akanishi conseguiu pegar um filhote e o ergueu até a altura dos seus olhos. O cãozinho olhou para a altura longe do chão em que estava e depois para aquela coisa que o segurava. Tentou lamber o rosto de Jin. Filhotes eram mesmo os seres mais adoráveis, Jin pensou e em seguida imaginou o sorriso de Kamenashi diante do cãozinho.

10

Kamenashi voltou cansado e preocupado para a sua casa. Nem Maru e nem ele tinham conseguido falar com Koki e não sabiam se ele tinha sido preso naquela operação. Ele tentou se tranqüilizar pensando que era natural seu amigo sumir por uns tempos para afastar a polícia e não porque necessariamente algo ruim tenha acontecido a ele. Na verdade, ele ponderou que se o amigo tivesse sido preso, ele já teria telefonado pedindo ajuda.

Entrou em casa e mal teve tempo de tirar seus sapatos, sabia que havia algum problema pela expressão de Akanishi, que havia virado a poltrona em sua direção e parecia estar esperando por ele há um bom tempo.

– O que foi?

– Okaeri, né?

Kamenashi ficou constrangido. Há muito tempo que ele não precisava anunciar a ninguém que estava em casa.

– Tada... Tadaima. – ele disse baixo.

– Okaeri... Precisamos conversar. Um assunto sério e urgente.

–...

A boca de Kamenashi tremeu no canto e sua mente paralisou. Há muito tempo que ele não era intimado assim para uma conversa e ele não tinha nenhuma lembrança boa que resultasse depois de uma frase como essa. Só podia ser uma discussão sobre relacionamento e era tudo o que estava faltando. Discutir seu relacionamento com um puto. Kame sentiu uma leve pontada em sua cabeça, a dor estava começando antes da discussão.

– Precisamos mesmo? Estou cansado hoje. – e pra enfatizar ele levou o polegar e o indicador à testa e a massageou.

Jin não se comoveu.

– Precisamos. Não podemos esperar mais.

– O que é assim tão urgente?

– Você precisa ser tão seco e grosso assim? Estou em um momento sensível!

– O que? Tá na TPM?

– Não, a minha tá atrasada...

– Ah sim e... Ehhh??

– Kame, eu engravidei! – ele disse em um tom dramático.

Kamenashi o olhou com sérias dúvidas sobre a idade mental dele. Que tipo de brincadeira estúpida era essa e porque ele parecia se divertir tanto com esse teatro? Não disse nada e ficou ainda mais preocupado quando finalmente notou o volume na jaqueta de Jin. Algo se mexia ali. E, então, surgiu uma cabecinha com um par de olhos curiosos.

– Que diabos...

– Oh! Nasceu! E você é o pai! Olha, não é a sua cara?

–...

– São os seus olhos, eu tenho certeza!

Um cachorro.

Akanishi estava segurando um cachorro e o estendeu em sua direção.

Porque ele estava segurando um cachorro e o estendeu em sua direção e veio com esse papo maluco de estar grávido e do filho ser dele?

Kamenashi piscou.

Ele não estava mesmo pretendo dizer que... Oh, céus, aquele cretino tinha trazido um cachorro pra dentro da sua casa. Um filhote, ainda por cima. Um filhote que vai sujar seu apartamento, acabar com seus sapatos e comer o estofado do sofá.

– Aka... Nishi!!

E Jin reconheceu aquele tom e achou melhor pular da poltrona e ficar de pé.

– O que foi? Você nem vai pegar ele no colo? Como você é frio, Kame e... Porque você tá bravo? Vamos, vamos escolher um nome pra ele? – e ele exibiu o seu melhor sorriso inocente.

E Akanishi nem ao menos viu quando foi colocado para fora do apartamento. Apenas escutou a porta sendo fechada com força. Ele olhou para o cachorro.

– Não se preocupe... Papai vai assimilar a ideia e vai nos aceitar. Ele é só um pouco rabugento, mas tem bom coração. Você vai ver... Ele não vai nos deixar aqui fora nesse frio por muito tempo... Não é Kame?

Mas Akanishi só recebeu o opressivo silêncio como resposta.