O amor pode te quebrar?

11 Grandes expectativas, maiores decepções


Ela via aquela cena desolada, o que era estranho, levando em conta que ela e Enzo não tinham nada um com o outro, mas Malu sempre teve essa mania de se apegar demais às pessoas, era a coisa que mais odiava em si mesma.

—O que você está fazendo aqui? — Catarine perguntou a olhando com indignação.

Algumas horas antes...

—Vai ficar pro treino? — um dos garotos do time perguntou para Pedro.

—Não posso. — respondeu. — Minha mãe vai sair e eu tenho que cuidar da minha irmã, foi mal.

—Tranquilo. — o garoto disse.

—Um, dois, três, quatro. — dizia Marina, do outro lado da quadra, treinando as líderes de torcida. — Não é assim, Júlia, faz direito.

Quando viu o garoto passando, Catarine deixou o treino e foi até ele.

—Hey, hoje a noite a gente vai se encontrar naquele bar perto da praça, e eu queria que você fosse, pode chamar quem você quiser, inclusive aqueles gatos do time. — disse.

—Vou ver se consigo ir, mais tarde a gente conversa, tá?

—Claro. — a garota disse, dando um beijo na bochecha dele. — até mais tarde.

—O que foi aquilo? — Lívia perguntou quando viu a amiga chegando. — Você não estava interessada no tal Enzo?

—Como diz a música, mulher de um homem só é uma mulher sofrida. — respondeu, voltando a treinar.

Pedro continuou andando, querendo chegar logo em sua casa, mas algo no caminho o distraiu.

—Ta tudo bem? — perguntou, quando viu Alice sentada em um canto, chorando.

—Sim. — respondeu, tentando limpar as lágrimas. — Tudo ótimo.

—Tem certeza? Eu só costumo chorar quando tem algo de ruim acontecendo. — disse, e a garota riu nervosa.

—Você chora? Pensei que a vida de vocês fosse perfeita. — disse se levantando e começando a andar.

—Vocês? — perguntou desentendido, indo atrás dela.

—Você sabe, você, a Marina, a Catarine, a Lívia, quer que eu continue? — respondeu, o fazendo rir.

—Não é porque eu sou perfeito que minha vida tem que ser perfeita. — disse rindo e ela continuou séria. — É uma piada.

—Me diz logo o que você quer. — disse ríspida. — Se é me encher, parabéns, você conseguiu, já pode ir embora.

—Só quero conversar. — disse. — E caso você não tenha percebido, você está indo na direção da minha casa, por isso, vou ser obrigado a continuar te seguindo.

—Olha, se você está falando comigo é porque quer alguma coisa, fala logo o que é. — disse, virando e o encarando.

—Nossa, como você é amarga. — falou, continuando a andar, e dessa vez foi ela que o seguiu. — Tá bom, te digo o que eu quero. Você é bolsista, não é?

Alice revirou os olhos com o comentário e começou a andar mais rápido, mas ele segurou em seu braço, a impedindo de continuar.

—Não vou te zoar. — disse a soltando. — É que as minhas notas estão péssimas, e eu preciso de ajuda. Se você é bolsista, quer dizer que você é inteligente, então queria te pedir pra me ajudar. É puro interesse. — Alice apenas riu do último comentário.

—Só interesse? — perguntou rindo. — Posso pensar no seu caso, mas saiba que eu não gosto de você, e posso te sabotar para que suas notas piorem mais ainda.

—Tá bom, pense com carinho. — disse sorrindo.

Se fosse qualquer outra garota ali, se derreteria inteira pelo sorriso dele, mas Alice sabia como ele era com as mulheres, não deixaria que aquilo acontecesse com ela.

—À propósito. — começou. — Hoje a noite a galera vai se encontrar naquele bar perto da praça, por que você não vai também?

—Eu? Junto com aqueles riquinhos metidos? — perguntou, desacreditando. — Nem a pau.

—Vai, você precisa se animar mais. — comentou. — Chama a Malu, vocês não precisam ficar com a gente, só ficam conversando lá, ou fazendo coisas de garotas, sei lá.

—Se eu for, você finge que não me conhece, eu finjo que não te conheço, e a gente segue com as nossas vidas. — a garota disse.

—Fechado. — disse olhando para o lado e vendo que haviam chegado em casa. — Tenho que entrar agora, mas foi um prazer conversar com você. — falou, beijando a mão de Alice.

—Não vai me conquistar beijando a minha mão. — gritou, quando o viu se afastar.

—Talvez eu conquiste de outro jeito. — gritou de volta, piscando para a garota, que revirou os olhos e seguiu para a casa de Malu.

—Boa tarde, dona Aura! — disse entrando na casa, que estava aberta.

—Boa tarde, Alice! — a mulher disse dando um abraço na garota. — Como está sua mãe?

—Bem. — respondeu. — A Malu já chegou?

—Já sim, está lá em cima.

Alice subiu as escadas começando a ouvir a música shake it off.

Abriu a porta do quarto e viu Malu dançando e cantando a música, animadamente.

—Vem dançar. — disse, chamando a amiga, que arqueou uma sobrancelha. — Vem logo!

Malu a puxou e as duas começaram a dançar e cantar pela casa até que a música parou e começou a tocar Contrato.

—Eu amo essa música, mas não dá pra dançar com ela. — a morena disse, se jogando na cama.

—A gente podia sair hoje. — sugeriu à amiga, se deitando junto com ela.

—Tipo, pra onde? — perguntou. — Eu to doida pra ver um filme que lançou no cinema.

—Sabe aquele bar perto da praça? Eu disse pra uma pessoa que pensaria em ir. — começou. — mas você não vai saber quem é, porque você odeia essa pessoa, e nós vamos fingir que não nos conhecemos lá.

—Todo mundo que eu odeio você também odeia. — disse, se sentando na cama.

—A gente podia ir, aí você chama aquele garoto da festa.

—Não dá, eu perdi meu celular na escola. — disse revirando os olhos e se jogando novamente. — agora, talvez nós nunca mais nos veremos novamente.

—Então, a gente vai, você conhece outra pessoa, e segue o baile. — falou, fazendo a amiga rir.

—Se eu achar alguém mais gato que ele. — comentou.

—Vamos ou não?

—Vamos!

Malu se arrependeu da decisão assim que viu a cena que menos esperava, Enzo e Catarine se beijando.

—O que você está fazendo aqui? — Catarine perguntou, e Malu teve vontade de socar a cara dela.

A morena apenas deu meia volta e seguiu para outro lugar, mas Enzo foi atrás dela.

—Malu, me desculpa, é que você estava demorando e eu... — começou, sendo interrompido pela garota.

—Eu o que? Como assim eu estava demorando, você está ficando louco? Como você sabia que eu viria? — gritou, rispidamente.

—Você me chamou pra vir aqui. — ele disse e ela continuou sem entender.

—Eu não te chamei pra lugar nenhum, eu perdi meu celular ontem. — disse. — E foi muito bom isso ter acontecido, porque eu nunca mais vou precisar falar com você de novo.

—Me perdoa. — o garoto pediu.

—Eu não preciso te perdoar, a gente não tinha nada. — disse, fingindo não se importar. — Eu só estou brava porque eu gostava de você, porque eu me apego muito as pessoas e você foi uma delas, mas já vi que foi um erro.

A garota saiu correndo dali, indo para fora e deixando algumas lágrimas escaparem.

***

—Pensou com carinho na minha proposta? — Pedro perguntou, no ouvido de Alice, quando a viu pegando uma bebida.

—Não é uma proposta se só você sai ganhando. — disse. — Além do mais, eu não te conheço.

—Vai mesmo fingir que não me conhece. — perguntou arqueando uma sobrancelha e ela movimentou a cabeça como um sim, se virando e indo embora.

—Ela é bonita, é sua namorada? — Bianca perguntou, chegando perto do garoto.

—Não. — respondeu, parando de olhar Alice andando e se virando para a garota que não conhecia mas que por algum motivo estava falando com ele. — Mas e você, tem namorado?

—Pra você eu sou lésbica. — respondeu, percebendo a canalhice de Pedro, pegando uma bebida e saindo.

Do outro lado do bar, Marina estava conversando animadamente com Lívia.

—Só um minuto. — Lívia disse, quando ouviu seu celular tocando e seguiu para um lugar menos barulhento. — Alô? Vó?

—Lívia, onde você tá? O seu irmão tá com você? — perguntou tentando disfarçar seu desespero.

—Eu to aqui em um bar, é perto da casa de uma amiga minha, e ele não era comigo não. Por quê?

—O Diego ainda não chegou e não atende o telefone de jeito nenhum. — disse e Lívia ficou em estado de choque por alguns segundos, pensando em tudo que poderia estar acontecendo. — Lívia?

—Eu to indo para aí agora! — disse desligando o celular.