Notas iniciais
Mil desculpas pela imensa demora para atualizar! Não abandonei e vou finalizar a FIC, prometo! Espero que gostem

Tinha total noção de que nada estava bem.
Perdera totalmente a razão com Trunks, e nem sabia ao certo por que agiu assim.
A única coisa que queria era sua vida de volta, mas o bebê que estava carregando não tinha culpa, era totalmente errado e horrível da sua parte culpar seu filho que nem sequer nasceu por erros que não lhe cabem.
O pior é que conseguia assimilar isso. Conseguia assimilar que errou, mas não tinha vontade de tentar mudar. De tentar aceitar melhor essa nova fase da vida, de tentar ao menos manter uma relação amigável com Trunks, afinal, estavam dividindo a mesma casa e seriam pais em breve, mas não conseguia...

Sentia raiva.

Raiva pela traição, raiva por estar gerando uma vida nessa situação, raiva por ainda amar Trunks. E por mais que tivesse arrependida do que falou sobre o bebê, não pediria desculpas, simplesmente por não conseguir.

Permaneceu na cama, chorando. Não pretendia sair dali tão cedo. Sentia-se perdida, desamparada, nervosa... tudo ao mesmo tempo, sem saber como lidar.

Não demorou muito e pegou no sono, abraçada ao travesseiro que usou para abafar seu choro. Ouviu passos do lado de fora, a voz de Trunks e outra voz. Esperava do fundo do coração que Trunks não entrasse no quarto agora!

Por sua sorte, não foi isso o que aconteceu.

Era Bra.

Assim que a amiga abriu a porta devagar, a morena já estava chorando novamente. Vê-la ali encheu seu coração de alegria, afinal, Bra era sua única família. A única pessoa que esteve com ela em momentos ruins da sua vida e não a abandonou.

Se conheceram quando os pais da modelo estavam se divorciando. Sua mãe havia traído seu pai, e isso acabou com ela. Jamais imaginaria que sua mãe seria capaz de algo assim... Seu pai sempre foi um homem incrível, um pai presente, protetor, um marido amoroso, fiel, prestativo. Não havia justificativa para o que aconteceu.

Sempre teve uma ligação mais forte com seu pai, e o ocorrido a devastou. Na época, estava iniciando a carreira de modelo, depois de muito tentar, finalmente fechou seu primeiro contrato com uma agência. Não era muita coisa, mas era o início.

Começou a fazer algumas propagandas para marcas não muito famosas, até que em um ensaio conheceu Bra.
Pan era super fã da estilista, algo que ela via como inalcançável e tinha uma visão totalmente diferente da atual amiga.

Imaginava que Bra seria uma “total nariz em pé” devido ao seu sucesso e dinheiro.

Estava totalmente enganada.

Logo tornaram-se inseparáveis! Melhores amigas, feito irmãs. Bra a acolheu e a ajudou em sua carreira, dando o ponta pé que precisava: posar para uma marca famosa. Depois disso, muitas portas se abriram, e logo conseguiu dinheiro o suficiente para ter uma independência, morar bem, viver bem, e ter contratos que a permitiam não se preocupar com dinheiro.

Mas nunca superou de fato o que aconteceu entre seus pais. Era filha única, não tinha a quem recorrer. Desde então, nunca mais entrou em contato com sua mãe, pouco importava como estava, a mesma nunca mais a procurou também, mas com seu pai era diferente. Sempre se viam em datas especiais, mesmo com toda a rotina corrida de modelo, procurava manter contato com o pai.

Sabia muito bem o que passou quando seus pais se divorciaram. E agora, estava esperando um filho nessas mesmas condições.

Droga, só sabia chorar!

Bra sentou-se na cama, colocando a cabeça da modelo em seu colo e passou a fazer cafuné. Não perguntaria o que aconteceu, deixaria que Pan dissesse por sua própria vontade, mesmo sabendo o pouco que Trunks lhe disse.

Após alguns minutos em silêncio, Pan iniciou a conversa:

— Eu não queria ter dito aquelas coisas –disse, de forma baixa, enxugando as lágrimas que ainda estavam caindo-

— Eu sei que não. –respondeu Bra, alisando o rosto da morena, secando suas lágrimas- Ás vezes, fazemos e dizemos coisas que não queríamos dizer, ou fazer, e tudo bem. Pan, você está esperando um bebezinho –disse de forma terna- seus hormônios estão à flor da pele...

— Eu não sei como lidar com isso! –respondeu, apontando para a barriga, indicando que estava falando sobre a gravidez- Não consigo Bra! Eu simplesmente não consigo conviver com essa situação, conviver com Trunks! Mesmo sabendo que esse filho não tem culpa de absolutamente nada, eu não sei o que vou fazer da minha vida!

— Olha, eu imagino o quanto deve estar sendo difícil toda essa situação, mas eu estou aqui –disse Bra, aconchegando a amiga em seus braços- Nós estamos juntas nessa! Pode levar um tempo, mas as coisas vão se ajeitar, pode ter certeza. O ideal agora, como sua cabecinha está confusa com tudo, é você fazer algumas sessões como o Dr. Humberto. Eu vou com você, Trunks não precisa nem ficar sabendo!

Pan lembrava-se do médico. Humberto foi o psiquiatra que ajudou Bra a sair de duas situações pesadas da sua vida: a perda dos pais e um relacionamento perturbador, há anos atrás.
A modelo topou a ideia, confirmando um sim com a cabeça, enquanto trazia o abraço de Bra para mais perto de si.

Combinaram de se encontrar pela manhã para uma consulta de encaixe, como Bra conhecia o médico há anos, não seria tão difícil assim. De qualquer forma, mesmo que tudo desse errado e não conseguisse um horário, passaria o dia com Pan, tinha certeza que isso faria bem para a amiga.

A estilista esperou Pan pegar no sono, desligou a televisão e a cobriu com uma manta que estava no pé da cama. Antes de sair, alisou os cabelos da morena e desejo do fundo do seu coração que tudo se resolvesse.

Amava Pan, amava Trunks, obviamente, ainda mais por ser seu irmão e amava inexplicavelmente a vida que Pan gerava em seu ventre.

Era seu sobrinho, seu primeiro sobrinho! Já o amava imensamente, e não queria em momento algum que sofresse qualquer coisa por erros que nem sequer tinha culpa.

Saiu devagar do quarto e encontrou Trunks na cozinha, finalizando o café. Assim que o irmão a viu, ofereceu uma generosa caneca. Bra sentou-se em uma banqueta de frente para o balcão da cozinha, e encarou o dono da corporação enquanto segurava sua caneca.

— Preciso que tenha total paciência com Pan nesse momento inicial, pelo menos enquanto resolvemos melhor as coisas. –disse, e em seguida bebeu um gole do café, sentindo um pouco de energia retornar ao corpo cansado-

— Mais paciência do que estou tendo? –respondeu Trunks, soltando uma risada debochada, sentando-se de frente para a irmã-

— Preciso que tenha paciência comigo também, estou exausta Trunks e só estou aqui porque Pan realmente precisa de mim, então, antes de insinuar qualquer deboche lembre-se: estou te fazendo um imenso favor em resolver os seus problemas, fui clara?

Trunks se desculpou de imediato.
Estava exausto também. Amava Pan, amava seu filho e estava fazendo de tudo para que as coisas caminhassem da melhor forma possível, porém a cada passo que dava regredia dez. Desde que Pan estava morando em sua casa, tentou de tudo para agradar a mãe de seu filho: comprou roupas, redecorou o quarto de forma que a deixasse mais confortável, até reduziu seu horário na corporação, visto o estado de Pan, que nesse momento pedia atenção e dedicação. Nesses últimos dias, nem sequer compareceu a empresa. Resolveu tudo aquilo que conseguia via conferência ou ligação, o restante resolveria quando desse.

E nem assim progrediu.

— Eu amo Pan, e estou péssimo com toda essa situação, só queria que as coisas fossem um pouco mais facéis, sei que também se preocupa e está me ajudando um bocado, como sempre me ajudou –disse, encarando a irmã- mas não sinto que as coisas atingirão algum estágio melhor.

— Você precisa mudar a sua estratégia Trunks. Precisa se reinventar para contornar essa situação, mas nesse momento a única coisa que você pode fazer é não piorar ainda mais as coisas.

— O que você acha que devo fazer? –perguntou, enquanto esfregava os olhos em sinal de cansaço-

— Agora? Me dar outra xícara de café e prometer que não vai mais ao quarto de Pan hoje, ao menos que seja algo extremamente sério, como por exemplo, ela se sentir mal ou algo similar. Depois disso, você vai tomar um banho, dormir e amanhã eu passo cedo aqui para levar Pan ao médico. Vamos ao Dr. Humberto. – respondeu Bra, enquanto estendia a caneca vazia ao irmão, indicando que precisava de mais-

— Ela disse algo para você? –perguntou curioso- Preciso saber como Pan está, por favor Bra...

— Ela está mal com tudo o que está acontecendo, e claro, não a culpo. Tudo aconteceu rápido demais, vocês se conheceram, ficaram, namoraram e em pouco tempo acabou acontecendo a questão com a Hayley... Depois disso, logo em seguida ela descobre a gravidez, e ainda por cima uma gravidez um pouco delicada, não a culpo de estar no estado que está. Eu não posso ajuda-la nesse momento, mas um médico pode e vai. Ela topou ir amanhã comigo. –disse, e em seguida fez uma pausa para beber mais um pouco de café, logo em seguida voltou a falar, olhando a hora no relógio- Pan precisa se sentir amada e acolhida, é nítido que ela ama você, mas está confusa e machucada. Primeiro, ela precisa voltar a viver normalmente, fazer as coisas que fazia, pelo menos viver um pouquinho a vida dela e depois disso vocês se acertam com calma. Quanto mais você tentar, mais você vai afasta-la, consegue me entender?

Trunks concordou e conversou por mais alguns minutos com a irmã, que estava aparentemente cansada.

— Quer dormir aqui? Você está com uma cara de sono, podia ficar aqui comigo e já fazia companhia para Pan. –perguntou Trunks, mas Bra recusou de imediato, alegando que precisava ir para casa resolver algumas coisas, e assim fez-

Agora estava sozinho, não literalmente sozinho, afinal, Pan estava na mesma casa, mas considerava-se sozinho.
Foi para seu quarto e tomou uma ducha rápida, vestindo apenas uma cueca boxe e se jogando na cama em seguida. Estava pensativo, em tudo o que estava acontecendo e no que faria para melhorar as coisas.

Lembrou-se do que a irmã disse, que precisava mudar sua estratégia. Realmente, aquilo não estava dando nenhum pouco certo. Talvez... se não tivesse sido tão filho da puta com Pan, o momento fosse outro.

Se naquela noite não tivesse telefonado para Hayley e a convidado para ir a cafeteria... se não tivesse a beijado, com certeza estaria em um momento muito melhor.

Ainda estaria com Pan, com toda a certeza. Descobririam a gravidez juntos e não seria um problema para nenhum dos lados. Estariam felizes, juntos e quem sabe até se casariam.

Não culpava Hayley em momento algum. Se tem um culpado nessa história toda, o culpado era e é ele.

Bom, pelo menos reconhecia isso.

Escutou passos na cozinha, levantou-se imediatamente, talvez fosse Pan se sentindo mal.
Em seguida, ouviu o barulho da geladeira fechando, talvez estivesse com fome e foi buscar algo para comer.

De qualquer modo, preferiu não intervir.
A última coisa que queria e precisava naquele dia era outra briga com Pan.

*

A morena despertou com a ligação da amiga, avisando que passaria em 30 minutos e que era melhor se arrumar.
Olhou no celular e eram 8h30 da manhã.

Geralmente acordava cedo, mas após a gravidez sentia sono a todo momento, e dormia o máximo de tempo que podia durante o dia, tudo para não ter que conviver com a situação atual.

Levantou e tomou um banho rápido, em seguida vestiu uma calça jeans mais larga, tênis e moletom.
Estava um tremendo frio e parecia que tudo se intensificava com a gravidez.

Penteou os longos cabelos negros e ajeitou a franja. Não passou nenhuma maquiagem ou colocou algum acessório, como era de costume.

Não havia motivos para tentar se arrumar.

Pegou uma bolsa pequena com sua carteira, celular e antes de sair tomou as vitaminas recomendadas pelo médico.
Como tinha umas horinhas livres para caminhar, se apressou antes que precisasse ficar em repouso novamente.

Quando saiu do quarto, Bra já estava na sala a esperando.

Nenhum sinal de Trunks. Geralmente ele a visitava no quarto antes de sair e por mais que na maioria das vezes não o respondesse, estranhou a ausência do ex.

— Bom dia amiga –disse Pan, abraçando a azulada e reparou no quanto estava bonita. Bra sempre foi muito atraente e linda, mas hoje estava com um algo a mais-

— Bom dia mamãe –respondeu, retribuindo o abraço e estranhando o fato de Pan estar olhando fixamente para ela, praticamente analisando- O que foi? –perguntou, com uma expressão de quem não estava entendendo nada-

— Você está diferente... o que fez por esses dias com Goten, ou mais especificamente ontem a noite? –perguntou sem rodeios-

— Nada, oras. Descansei e dormi bastante, por isso estou “diferente”

— Sei. Você vai me contar mais cedo ou mais tarde.

— Antes vamos cuidar de você! –interrompeu o assunto e tratou de apressar Pan, ou perderiam a hora marcada-

Logo já estava no carro da estilista rumo ao consultório do médico, que de acordo com Bra não era tão distante dali.

Bra conseguiu um horário ás 09h45, e confortou a futura mamãe que aparentemente estava apreensiva.

— Pan, eu jamais te traria e confiaria você a alguém que não conheço ou confio. Se não gostar ou não se sentir á vontade, não precisa mais voltar, tá? Mas você vai ver como é tranquilo, vocês vão apenas conversar, nada além disso.

Pan apenas concordou e logo chegaram ao destino. O consultório era localizado em uma área calma da cidade, bem diferente do centro. Em frente, havia um enorme jardim e Pan se sentiu bem apenas de estar naquele lugar.

— Te falei, jamais traria você a um lugar ruim –piscou Bra, entrando e parando na recepção. A recepcionista já a conhecia, e isso confortou Pan, não sabia que Bra ainda vinha ao consultório do médico com frequência.

Sentaram-se em um sofá branco e confortável, e exatos dois minutos depois um homem alto surgiu, com um enorme sorriso.
Pela expressão de Bra, aquele era o psicólogo.

E caramba, ele era um baita homem.
Aparentava estar na casa dos quarenta anos, chutando alto. Era alto, e cabelos grisalhos já eram aparentes em meio ao cabelo negro. Tinha um rosto firme, mas aparentava ser extremamente gentil.

Bra o cumprimentou com um abraço e em seguida os apresentou:

— Doutor, essa é Pan, a amiga que te falei. Te entrego em suas mãos. Pan –disse, fitando a modelo- se precisar, estou aqui neste mesmo lugar esperando por você. Não sairei daqui 1 segundo.

Humberto a fitou e lhe desejou bom dia, de forma educada e gentil.

— Pan, prefere que Bra entre conosco? Caso se sinta melhor, podemos fazer desta forma hoje, o que acha? –perguntou, da mesma forma que direcionou o bom dia: terno e amável.

— Não tem problema, podemos ir Doutor, já sou grandinha –respondeu, forçando um sorriso-

Assim que adentrou a sala, teve a mesma impressão da entrada: era realmente um local formidável e aqueles minutinhos que passaria ali deveriam custar uma pequena fortuna.

— Pode se sentar Pan, fique á vontade. Aceita um café, chá, suco...? –questionou o médico, ainda em pé-

Pan aceitou um suco de laranja e fala sério, estava uma delícia!

— Bom, me perdoe a falta de educação. –Iniciou o médico, sorrindo- Me chamo Humberto, acredito que Bra tenha comentando ao menos meu nome. Sou formado em medicina, primeiramente. Em seguida fiz uma especialização em psiquiatria e pegando o gancho me especializei em psicologia. Doido, né? Na época, meus pais me odiaram por não seguir o ramo de cirurgião, mas até que minha vida deu certo, é o que eu acho –disse com bom humor, mas Pan ainda não estava entendendo bem qual era a dele- Tenho 47 anos, acho que dá para perceber com esses cabelos quase brancos nascendo feito capim na minha cabeça... Já falei demais! E você Pan, quem você é?

Pan ficou olhando para o homem a sua frente com uma cara de ponto de interrogação.
Quem era ela????????? Como assim, como dizer que era?

— Tá, tudo bem. Vamos fazer um jogo rápido, pode ser? Você tenta adivinhar algo ao meu respeito, e em seguida eu tento acertar algo sobre você. Quem marcar mais pontos no final, ganha um prêmio, que tal? –perguntou, de forma entusiasmada-

— Hum... –pensou Pan, o fitando- Acho que você não tem filhos.

— Acertou! Olha só, você pode ganhar um prêmio bônus por acertar algo na primeira tentativa. Minha vez: você ainda mora com os seus pais. Nada contra, tá?

— Errou! Moro sozinha... bom, morava pelo menos. –hahaha, estava se sentindo a maioral por ter acertado algo e o médico errado-

— Sua vez novamente Pan, será que você realmente consegue me vencer? –perguntou o médico, desafiando a modelo-

— Você prefere o frio. Está com um ótimo humor pela queda da temperatura, não que eu possa julgar seu humor, te conheço tem apenas uns 3 minutos mas não acredito que alguém seja feliz assim todas as manhãs.

— Francamente, Bra apenas esqueceu de mencionar que você é uma bruxa, vidente ou coisa assim, você já tem 2 pontos!

Pan já estava animada, e essa consulta não parecia realmente uma consulta, estava sendo algo totalmente diferente do que esperou.

— Vamos ver se viro esse jogo... Hum... –respondeu, fitando a morena a sua frente- Seus cabelos não são negros naturais.

— Que afronta! –respondeu, brincando- Claro que são naturais e, mesmo que não fosse eu não poderia pinta-los.

— Sério? Porque não? Pintar os cabelos é algo tão natural.

— Grávidas não podem pintar o cabelo –respondeu de forma natural-

— Olha só, você é uma caixinha de surpresas... Achei que fossemos apenas nós dois aqui, mas estamos em três! De qualquer forma, ainda não aparenta que você carrega um bebezinho ai.

— Sou modelo, então sou magrinha mesmo, acho que vai demorar para aparentar –respondeu Pan, alisando a barriga sem perceber-

— Bingo! Sabia que já tinha visto você... acho que te vi em alguma propaganda, pode ter sido. Sou esquecido, mas lembrei de você, está vendo? Seu namorado ou esposo não precisa ficar com ciúmes, apenas é normal se lembrar de alguém famoso.

— Imagina! –respondeu rindo- De qualquer forma, não tenho namorado. Na verdade, meu bebê tem um pai, mas não estamos juntos. –respondeu a morena, um pouco triste com a lembrança da situação-

— É claro que seu bebê tem um pai, e uma mãe excelente, garanto que ele será muito feliz. Mas, não vai me dizer que ele não aceitou a sua gravidez? Ou teremos um problema aqui, somos praticamente amigos e eu posso agredi-lo se ele fez isso com você, não posso?

— Ele aceitou sim! Está feliz e tentando se aproximar novamente, mas ele foi um tremendo filho da puta comigo e em seguida descobri minha gravidez e agora estou morando com esse cara infeliz e me sentindo infeliz, logo estou culpando o bebê por essa situação e me odiando por todas as coisas que digo ou faço, eu não consigo raciocinar direito... –respondeu de forma rápida, não se deu conta mas estava chorando silenciosamente e tremendo, tamanho nervoso em falar sobre essa parte da sua vida-

— Ótimo, chegamos aonde eu queria –disse Humberto, se aproximando de Pan e estendendo um lenço de papel devido as lagrimas da modelo- Acho que essa é a principal razão para estar aqui hoje, certo?

Pan apenas assentiu. Não percebeu que estava chorando, até ver o lenço estendido a sua frente.
Achou incrível como ele conduziu a conversa até ali, a fazendo revelar o motivo de estar angustiada de forma natural.

Estava se sentindo confortável o suficiente para dizer com mais detalhes tudo o que estava acontecendo, então, contou desde o início do namoro com Trunks até o momento atual, após a traição e a descoberta da gravidez. Humberto escutou tudo atenciosamente, anotando algumas coisas rápidas em um bloco pequeno e a escutando de forma atenta.

Pan finalizou todo o relato e o médico permaneceu calado, apenas a observando. Depois de alguns segundos, iniciou o diálogo novamente:

— Pan, fico muito feliz que tenha confiado em mim no primeiro dia para contar exatamente o que está afetando você. Algumas pessoas tem uma maior resistência ou se sentem inseguras.
Bom, você está com sentimentos demais e com dificuldade em administrar todos eles, pela velocidade dos eventos, é algo normal, mas que precisamos trabalhar para não se tornar um problema maior. Preciso de um exercício até o nosso próximo encontro: nesses próximos dias, conforme a sua rotina, preciso que anote o que anda sentindo em determinada situação. Por exemplo, você acordou e se sentiu um enjoo matinal devido a sua gravidez, preciso que anote o que sentiu ao se lembrar da sua gravidez, ou você acabou esbarrando com o seu ex, o que é algo super provável de acontecer já que vocês estão dividindo a mesma casa, preciso que anote tudo isso, acha que consegue? –perguntou-

— Sim... vou me esforçar para conseguir.

— Ótimo! –respondeu o médico- Podemos nos encontrar novamente na quarta-feira? Esse horário está ok para você?

— Tudo bem, por mim sem problemas.

Finalizaram a sessão e Pan agradeceu. Sabia que tinha um longo caminho pela frente até estar bem novamente, mas aquilo já era um começo, não era?

Saindo do consultório, avistou Bra sentada no mesmo sofá de antes. Realmente ela permaneceu no mesmo lugar.
Estava rindo, provavelmente conversando com alguém por mensagem de texto no celular, porque não percebeu que a amiga estava vindo em sua direção.

— Planeta Terra para Bra!! –disse a modelo, conseguindo a atenção da azulada-

— Pan! Me perdoe, estava distraída. Eaí, como foi?? –perguntou preocupada-

— Muito melhor do que eu esperava –respondeu- Vamos comer alguma coisa, estou morrendo de fome!

Decidiram ir até uma padaria próximo ao consultório, o ambiente estava tranquilo e conseguiriam conversar um pouco até ter que deixar Pan de repouso em casa e ir trabalhar.
Pediram um café grande para Bra e uma vitamina de frutas para Pan, junto com alguns pães.

— Como está se sentindo meu amor? –perguntou Bra, segurando a mão da morena em cima da mesa-

— Contente por ter conseguido ao menos dizer o que está acontecendo ao Doutor. –respirou fundo- Ainda estou confusa e chateada comigo mesma por ontem, mas acredito que as coisas se ajeitem.

— Com certeza sim, e sempre estarei aqui por você. Se não se sentir bem dividindo a casa com Trunks você pode vir morar comigo nesse tempo, o problema é que sempre trabalho muito e não quero que fique sozinha. Mas, podemos pensar em alguma alternativa.

— Vou deixar as coisas como estão até ter alta do repouso, amanhã tenho médico e se tudo estiver ok volto para casa, afinal, foi isso que eu e Trunks combinamos. –respondeu, esperançosa-

— Certo... Olha, sobre ontem, não quero que se sinta culpada. Você e Trunks discutiram e é normal, ele deveria ter tido mais paciência com você –disse Bra, alisando o rosto da amiga que devorava um pão enorme- Não vai acontecer novamente.

— Não fui muito amigável com ele, sei que somos dois adultos e que uma hora vamos ter que sentar e acertar nossas diferenças, não como um casal e sim como pais. Só lamento por não ter feito isso ainda...

— Tudo bem, não precisa ter pressa. Que horas é o seu médico amanhã?

— A tarde, 15h00 –respondeu de boca cheia-

— Vou com você!

— Acho bom –disse, em tom de brincadeira-

— Nada mandona... Será um prazer acompanhar você e o meu sobrinho.

— Amanhã vamos ver o meu primeiro ultrassom.

— Mal posso esperar! –disse Bra, entusiasmada-

Conversaram mais um pouco sobre o bebê que estava a caminho e Pan estava se sentindo bem melhor. Era incrível como passar um tempo com quem se ama pode fazer um bem danado.
Já estava colocando o exercício em prática e naquele momento, tomando café com Bra sentia uma alegria e liberdade sem igual.

— Conversei com Goten esses tempos, estava sentindo falta de falar com alguém, já que você estava sumida. –disse Pan-

— Sério? –respondeu-

— Sim... você não se importa, né? Ele só estava um pouco estranho quando perguntei sobre você, mas preferi não insistir... vocês estão bem? –perguntou Pan, enquanto bebia sua vitamina-

Bra decidiu contar tudo o que havia rolado para a amiga. Desde a terrível briga que ela e Goten tiveram até sua reconciliação e agora, a tentativa de terem algo mais sério.

— Não acredito que ele fez isso com você! Eu disse que você deveria ter contado para ele, poxa Bra, poderia ter evitado toda essa situação.

— Hey, nem vem que o seu amiguinho também agiu extremamente mal comigo. Mas já nos resolvemos, só te peço Pan, por favor... não conte nada ao Trunks, vamos esperar para darmos um passo mais sério e comunicar ao Trunks e ao restante.

— Tudo bem, Trunks jamais saberá disso. Não que eu tenha muito o que conversar com ele, mas pode ficar tranquila, o segredo de vocês está seguro comigo. –respondeu a morena- E, quanto ao primo dele? Você ainda ficou com o bonitão, safada!

— Não posso nem lembrar Pan... o Drew é um amor, e ainda quer que eu faça umas fotos para ele. Me sinto mal de ter dado esperanças a ele.

Conversaram mais um pouco e decidiram que já era hora de voltar para casa, afinal, Pan precisava de repouso.
Logo, Pan já estava em casa novamente e estava preparando o seu psicológico para lidar com Trunks, porém ficou surpresa ao não vê-lo na casa.

— Trunks deixou um recado, ele logo estará de volta. Vou esperar aqui até ele voltar, tá? –disse Bra, enquanto sentava no sofá escuro da sala de estar do irmão-

Fala sério? Trunks sabia muito bem que eu fui a uma consulta e nem sequer me espera chegar para saber como estou? Como o bebê está? (mesmo que não seja uma consulta relacionada ao neném)

Era o pensamento da modelo. Estava indignada que Trunks resolveu sair e estava mais irritada ainda por ter esse tipo de pensamento... Droga, só podiam ser os hormônios da gravidez!

Verdade que em todo esse tempo era a primeira vez que Trunks saia sem comunica-la diretamente. Por mais que ela o ignorasse na maioria das vezes, ele sempre a sinalizava e nunca a deixava sozinha por um longo período.

Escutou o barulho da porta e lá estava ele, gato como sempre. Bra imediatamente se levantou e cumprimentou o irmão com um abraço apertado, ele assentiu para Bra, mas Pan não conseguiu entender o que conversaram.
Pan apenas observou enquanto Trunks ia em direção a cozinha com algumas sacolas que trouxe com ele e Bra se despediu rapidamente, reforçando para a amiga que a ligasse se precisasse de qualquer coisa, e que amanhã iriam a consulta do bebê.

Desde que chegou, Pan não ficava na sala de estar e preferia passar o dia todo no quarto, coisa que preocupava e irritava Trunks. Então, pela primeira vez optou em ficar na sala e assistir um pouco de televisão, deitada no sofá. Trunks permanecia na cozinha e pelo visto, estava fingindo que Pan não existia...

Sério mesmo que ele faria aquilo o dia inteiro?

Bom... mas não era aquilo que ELA fazia o tempo inteiro? Realmente, pimenta no olho dos outros era refresco.
Antes que pudesse pensar melhor ou matutar aquelas ideias, adormeceu. A gravidez a causava um sono inexplicável, e passava a maior parte do dia dormindo.
Quando despertou, estava coberta com uma manta quentinha que conhecia bem... lembrava-se de já ter dormindo com Trunks enquanto namoravam e de terem usado essa mesma manta.
Estava faminta! Levantou-se e foi direto para a cozinha, mas nem sinal de Trunks.
Tudo bem que já se passaram algumas boas horas, quando cochilou era por volta do meio dia, e agora já eram seis da tarde.

Pegou algumas frutas, leite e pães, um pouco de queijo também. Sentou na bancada da cozinha e comeu tudo por lá mesmo.
De barriga cheia, decidiu ir espiar o que Trunks tanto fazia para estar ignorando-a daquela forma!

Procurou por todos os locais do térreo e nada! Decidiu ir ao quarto do empresário, estava com uns impulsos loucos desde a gravidez e após a consulta com Humberto, realmente percebeu que estava com muitos sentimentos mal administrados.

Por exemplo, agora mesmo, estava louca para saber aonde Trunks estava, mesmo por todo esse tempo ele sempre estar á sua disposição e por escolha ter o afastado.

Não tinha entrado no quarto do ex desde que romperam. Estava tudo igual, a enorme cama e ao lado um criado-mudo com a foto que sempre achou linda. O retrato era de Trunks e Bra crianças com os pais, em uma casa de campo, todos sorrindo e a felicidade daquela foto era transmitida a qualquer um que a olhasse.

Sentia falta disso. Da época em que era criança e feliz com seus pais, até sua mãe estragar tudo e desmoronar a família.

— Pan... está tudo bem?

A morena levou um susto e quase caiu para trás.

— Droga! Está tudo bem Pan? Desculpe assustar você desse jeito, mas achei que tivesse acontecido alguma coisa, você está sentindo algo? –Trunks perguntou muito preocupado, enquanto a examinava tentando achar algum vestígio de problema-

Trunks estava no banho, e não fazia a menor ideia de que Pan estava no seu quarto por esse tempo.
Seus cabelos claros estavam molhados e a única peça que cobria seu corpo era a toalha preta que usava na cintura.
Pan não pode deixar de reparar no pai do seu bebê, caramba... que homem.
Acabou reparando mais do que devia, porque Trunks a encarava com uma expressão de quem não estava entendendo nada.

O que estava sentindo? Pan precisava se esforçar para organizar o que estava sentindo e naquele momento estava morrendo de desejo.
Simples assim. Do nada. Absolutamente do nada!
Pluft.

Tinha certeza absoluta que estava suando... caramba, que inferno de hormônios!

— Foi mal entrar no seu quarto assim –respondeu finalmente- Queria conversar com você e não te achava em lugar algum.

— Mas você está bem? É algo com o bebê? –perguntou Trunks, ainda preocupado-

— Não... está tudo bem.

— Então vou só vestir uma roupa e conversamos –Dito isso, Trunks pegou algumas roupas no guarda roupas e voltou para dentro do banheiro. Pan torceu para que a toalha caísse, só para que ela pudesse dar uma espiadinha... Inferno, o que estava acontecendo??

Antes de se dar conta, Trunks já estava sentado ao seu lado na enorme cama que antes compartilharam. Seus cabelos ainda estavam úmidos e seu cheiro estava incrivelmente delicioso. Reparou que havia tirado a barba e sentiu uma vontade de tocar seu rosto (na verdade, a vontade era subir em cima de Trunks e nem um guindaste seria capaz de tira-la dali), mas tudo bem.

— Trunks, te devo um pedido de desculpas por ontem. –ainda não sabia porque diabos estava fazendo aquilo, quem devia um pedido de desculpas era ele, mas estava cansada de viver daquele jeito- Não devia ter dito o que disse, e quero que saiba que não quero mal algum ao nosso filho. É só que está tudo muito difícil.
Vamos tentar viver em paz enquanto eu precisar ficar por aqui. Pelo menos até as coisas melhorarem para mim... Vou me esforçar para uma boa convivência.

— Eu estou com você Pan! –respondeu, segurando com receio a mão da morena, esperando por um ataque de sua parte, mas o mesmo não veio- Estou feliz que esse é o primeiro diálogo que temos depois de tanto tempo. Também não fui o melhor cara, mas agora precisamos ser bons, não por nós, mas...

— Mas pelo nosso bebê... –completou Pan, antes que Trunks finalizasse- Vou ser mãe... vou ter um filho... –disse Pan, mais para ela mesma do que para Trunks- Vamos ter um filho! Tem noção do que é isso?

— É tudo novo, mas me encho de felicidade quando penso.

Pan abraçou Trunks, não com desejo sexual ou algo romântico. Estava emotiva, claro, pelos hormônios mas precisavam deixar algumas mágoas para trás, pelo menos por enquanto, pelo menos pelo filho que carregava. Não que fosse reatar com Trunks, longe disso. Isso não tinha nada a ver com os dois como um casal, e sim como futuros pais.

Trunks demorou um pouco para acreditar, mas a abraçou de volta, também sem qualquer segunda intenção ou malícia.

Estava decidida a melhorar, se cuidar, se tratar. Precisava mais do que nunca crescer como pessoa, como mulher e agora, como mãe.

Notas finais
Será que finalmente os futuros papais conseguirão ao menos conviver em paz? Beijos! até a próxima.