Ok, um jantar. Ela respirou profundamente, olhando para a imagem refletida no espelho. Deu um sorriso ensaiado. Estava terrivelmente nervosa. O cabelo estava impecável, é claro. Cheio de ondas suaves, mais para o ondulado do que cacheado. Ela tentou um feitiço e a poção para doma-los. Caiam em cascatas, cobrindo seus ombros. O vestido, perfeito. Bem passado, com o tom bordo. Era amarrar no pescoço, deixando as costas livres. E chegava na altura dos tornozelos, com a saia levemente rodada. Os sapatos pretos, no estilo Peep Toe, com tiras nos tornozelos. A maquiagem leve, com os lábios pintados de rosa mate. Por cima do vestido, um sobretudo longo, passando dos joelhos, em tom preto, com fechamento em botões largos e grandes.

— O que foi? – Gina perguntou, com um olhar perspicaz, vendo a amiga indecisa – Não gostou do vestido? É um dos vestidos mais bonitos que comprei, mas a cor não combina com meu cabelo.

— Eu adorei, Gin, é só que...- Hermione mordiscou os lábios. Não estava pronta para ter um encontro. Não estava pronta por que...- Eu sei lá.

— Sei – Gina fingiu é claro. Sua amiga sabia muito bem que estava mentindo, mas, Hermione não contaria nada. Ficaria bem calada e não pensar no que houve no Ministério, depois que decidiu ser aurora.

A semana passou rapidamente para ela. Entre treinamentos físicos e psicológicos para se preparar para o trabalho de auror, ela precisou conviver ainda mais com Malfoy. Ele estava mais calado do que o normal, o que a deixava irritada. Ela não sabia o que esperar dele e vê-lo tão quieto a deixou incomodada. Normalmente, o seu normal era implicância, mas ele permaneceu calado e distante, apenas a acompanhado nas pequenas missões que o Ministro deu a eles. Precisavam fazer batidas na Travessa do Tranco, para saber se bruxos das trevas portavam objetos perigosos de magia negra. Um trabalho comum, apenas para que eles se preparassem para missões maiores. E constantemente, os dois precisavam treinar seu corpo, não somente treinar feitiços, para aguentar um combate físico, corpo a corpo. Aprenderam autodefesa e ataque, com um professor de luta profissional. E Hermione se sentiu orgulhosa. Ele era um nascido trouxa, formado em artes marciais.

— É só que...- Hermione deixou escapar um suspiro, diante do espelho – Será que é uma boa ideia eu ter esse encontro com Krum? Eu nem sei se gosto dele mesmo.

Gina deu uma risadinha, cruzando as pernas. Estava sentada em sua cama. Estavam na Toca aquela tarde. E a noite, Hermione iria encontrar Viktor em um restaurante de comida francesa, mas é claro, era um restaurante apenas frequentado por bruxos.

— Você tem que ir lá e ver se realmente sente isso, Mione – Gina aconselhou, como se fosse especialista naqueles assuntos. Hermione era péssima para ter encontros. E nunca sabia interpretar os sinais. Se o cara estava realmente gostando dela ou não. Ela mal sabia se interpretar, nas questões do coração – Vocês não se veem há um bom tempo, não é?

Hermione assentiu, alisando o vestido, controlando a própria tensão. Sempre que estava nervosa, fazia algo assim. Ou procurava fios soltos na blusa, ou mordia os lábios ou as unhas.

— Então, você vai ter tempo hoje para ver o que sente e com certeza, isso pode mudar. Ou tem mais alguém nessa sua cabecinha, hum? Alguém com um par de olhos cinzentos e cabelos loiros aguados?

— Se está falando de Malfoy, não é nada disso – ela protestou – Somos apenas colegas de trabalho. Nada mais. Temos um acordo de convivência pacifica, por enquanto.

Gina gargalhou. Hermione piscou os olhos, sem entender a reação estranha da ruiva.

— Sei. Um acordo pacifico entre ambas as partes? Interessante. Ele te deu algum documento para assinar, apenas para confirmar que vai cumprir os termos?

Hermione revirou os olhos, mas acabou sorrindo. Essa era sua amiga. Gostava de ser irônica e sarcástica.

— Gina, faz um favor, para de falar da doninha – Hermione pediu.

— Claro, se isso te irrita tanto. Mas, eu te digo, aí tem coisa.

Não que Hermione gostasse de pensar sobre isso. Não era do interesse dela. Logo a conversa das duas correu para um terreno menos perigoso. Gina reclamava do quanto sua mãe parecia ansiosa para que Harry a pedisse em casamento.

— Mas, não é isso que você quer? Casar com Harry?

— Sempre foi, mas casar ainda é muito cedo – Gina respondeu, traçando o próprio cabelo – Eu não quero ter uma responsabilidade tão grande agora quanto um casamento. Se esqueceu nos formamos faz pouco tempo? Não quero ter que pensar em casamento ou filhos, não agora, com minha carreira estável no Quadribol. E por falar nisso, você viu a notícia que saiu no Profeta Diário, sobre o jogo de segunda?

Hermione tinha visto. Ficou irritada. Como eles puderam colocar o nome dela associado a Rony e Malfoy ao mesmo tempo?

— Acho que sem a Rita Skeeter quer tirar vantagem de tudo que houve – Gina continuou – Com certeza, adorou que os seus jornalistas estavam lá. Queria tirar uma casquinha do evento. Rony está muito mal com isso, no entanto – Gina fitou Hermione, que baixou os olhos, envergonhada – Todo mundo está falando sobre como você o rejeitou. Que você é muito má por troca-lo por Malfoy.

— Você sabe que não é verdade – Hermione protestou – Sabe que só não aceitei casar com Rony porque eu não o amo. Não assim.

— Eu sei. Mas, se você fizesse isso, eu não me importaria.

— Gina, ele é seu irmão!

Ver a frieza de Gina com relação a isso deixou Hermione abismada.

— Eu sei que ele é. Por isso mesmo, te digo que não te julgo – ela olhou para as próprias unhas, pintadas de vermelho – De verdade, você seria infeliz. Rony não tem tato para te tratar como você merece. Ele só pensa em si mesmo. Já vi como ele trata você. Você um poço de conhecimento, que ele adora tirar proveito. Mas, reconhecer que só você consegue ajuda-lo, assim como a Harry, ele não quer.

— Gina, não é bem assim...

— É sim – a ruiva insistiu no argumento – Eu sei que você fazia o dever deles, Mione. E sabe, isso é muito injusto. Porque, eu via como Harry ficava agradecido, mas Rony, ele agradecia pra depois te tratar mal. Sempre te tratou muito mal mesmo.

Hermione tentou relembrar dos tempos de escola. Rony, no início, a tratava com certeza rispidez, tentando tirar Harry de perto dela. Harry, no entanto, era o mais dedicado dos amigos, sempre por perto. Ele trocava cartas com ela sempre e parecia avido em receber suas cartas. O menino solitário, que morava em baixo do armário, era seu melhor amigo e nunca deixou de esconder isso. Já, Rony, ele as vezes demonstrava isso em atos de valentia, como tentar enfeitiçar Malfoy com o feitiço Cara de Lesma, que saiu pela culatra. Pensar, nisso a fez sorrir. Rony poderia ser um grosseiro, mas tentou ajuda-la como pode. Ele era um bom rapaz. Mas, não era para ela. Ela o amava como um amigo muito importante. Claro que teve sua paixonite aguda, quando tinha quinze anos, depois de Krum e sofreu horrores quando precisou presenciar o ruivo com Lilá Brown. Aquilo fora um golpe duro de aguentar. Mas, com o tempo, o amor foi esfriando. Não era tão forte assim. Ela pensava apenas em ajudar Harry em achar as horcruxes e se preocupava com seus pais, com seus amigos, é claro, mas principalmente, pensava se sobreviveria a guerra. Quando Rony foi embora do acampamento que montaram, para encontrar as horcruxes, Hermione sim, ficou muito preocupada com ele. Queria soca-lo, assim como a Harry, por ter brigado com seu amigo, mas no final, percebeu que era apenas amizade que sentia por ele e não uma paixão por Rony que a fazia se preocupar com ele. Quando deu o beijo na Câmara Secreta, com medo de morrer, fez por desespero. E percebeu que não sentia tudo aquilo que pensava sentir. Era uma paixão platônica que tinha pelo ruivo, que se arrefeceu e perdeu força.

Hermione e Gina desceram as escadas, depois de uma longa conversa entre meninas. Era algo que não fazia um bom tempo, desde que deixaram Hogwarts. Quando desceu as escadas, encontrou George na base da escada, com um corpo de cerveja amanteigada na mão.

— Uau, Mione, você está linda – ele elogiou – Aonde vai?

Hermione riu pelo galanteio do ruivo.

— Eu? Não te contei que vou sair com o Krum?

George pareceu pensar e depois negou com a cabeça

— Só não fala isso tão alto, Rony está de mau humor. Sabe como é, coração partido – ele fez um gesto com a mão no peito e um olhar triste, mas depois, sorriu para ela.

— Você não tem dó dele, né? – Hermione implicou.

— Eu? Claro que não. A criatura não sai da minha loja, me fazendo de muro de lamentação. Já basta a Angelina que fica no meu pé – ele tinha um tom brincalhão, mas seus olhos continham uma tristeza profunda. Hermione sabia que ele sofria pelo gêmeo que morreu. Fred era sua outra parte. Sua outra alma. Sem ele, George estava incompleto – Mas, enfim, Mione, aproveite seu encontro. Você merece isso.

— Obrigada Georgie – ela agradeceu e se aproximou, dando um abraço, que o pegou desprevenido – Sabe que pode contar comigo, não sabe?

— Obrigado – ele respondeu, dando batidinhas nas costas dela. É claro que ele não estava acostumado com demonstrações de afeto. Estava ainda recluso demais para isso.

Hermione se afastou e foi até a cozinha, onde Gina havia ido, deixando ela e George conversar. Molly estava amassando pão sobre a mesa. Gina, é claro, pegou uma garrafa de vinho, servindo três taças. Deixou uma para mãe, uma para ela e uma para Hermione.

— Vamos brindar a Mione hoje – Gina disse, com um sorriso no rosto.

Molly fitou Hermione com um olhar magoado, mas fez o brinde. É claro que ela estava triste por ver que seu menino, Rony, não iria se casar. Ela confessou que queria que todos os seus filhos fossem casados, para assim, ter um pouco de sossego casa. Frisou, é claro, que os amava, mas ter tantos homens em casa a deixava louca. Eram muito bagunceiros. George passara a morar novamente na Toca, o que deixava a situação quase insustentável. Ele era taciturno a maior parte do tempo e sempre acabava implicando com Rony e vice e versa. Rony é claro, confessou um dia para Hermione que estava magoado por George apenas pensar no irmão morto, ao invés de pensar nos irmãos que estavam vivos.

— Angelina veio hoje, Gina? – perguntou Molly, enquanto colocava a massa de pão na forma untada – Ela não parou de vir na semana passada. Está trazendo bolos para agradar Georgie.

— Não, hoje ela não veio – Gina segurava a taça de vinha pela haste, observando a bebida em tom bordo – Parece que ela desistiu.

— Merlin – Molly resmungou, usando a varinha para abrir a porta do forno e levar a forma para dentro. Fechou e acendeu o fogão, em um toque da varinha – Sinceramente, eu não sei o que fazer com George. Ele apenas quer saber do trabalho. Mal come. Nem sai direito. Angelina, pobrezinha, ela ama aquele garoto.

— Com o tempo ele vai melhorar – Hermione disse, puxando uma cadeira para se sentar – Se vocês me deixassem indicar um psicólogo...

— Não, nada disso – Molly negou com a cabeça – Georgie iria ficar furioso. Já comentei sobre isso. Tem um hospital bruxo que atua nessa área. Até mesmo falei para ele. O rapaz ficou furioso e sumiu de casa. Fiquei tão preocupada.

— E se eu tentar falar com ele? – Hermione se dispôs – Quem sabe ele me escute.

— Tente a sorte – Gina disse, em pé, recostada na bancada da pia – Ele está muito azedo. Chato demais.

— Quem me chamou? – George entrou na cozinha e abraçou Molly pelas costas, beijando o rosto dela em um estalo.

— Menino – Molly repreendeu – O que você está aprontando?

— Nada – ele tinha um brilho nos olhos. Se afastou e pegou a garrafa de vinho sobre a mesa, colocando o liquido dentro do copo de cerveja – Eu estava pensando em me mudar.

— Se mudar? – Molly perguntou, virando para ele, com um olhar preocupado – Para onde, Georgie?

— Ah, não sei. Talvez, eu abra outra loja, na Irlanda – ele respondeu, dando de ombros – Os funcionários conseguem lidar comigo longe, tranquilamente. Então, eu abriria uma nova filial lá.

— Você não precisa ir para tão longe, filho – Molly disse, com a voz baixa – Sabe que é bem-vindo aqui.

— Eu sei que não, mãe – ele replicou, com um estalar da língua – E talvez, ficar longe daqui, longe de tudo, me ajude a esquecer...bom, você sabe.

Hermione começou a sair de fininho da cozinha. Aquela conversa não era para seus ouvidos. Era assunto de família. Quase esbarrou em alguém no processo.

— Opa, calma aí Mione.

— Harry – Hermione se virou, para abraça-lo – Poxa, quase não te vejo.

Ele sorriu, ajeitando os olhos, quando ela se afastou. E então, viu Rony ao seu lado. Ele evitou fita-la. O clima ficou constrangedor.

— Eu vou...- Rony disse, tentando passar.

— Não, não precisa, eu vou sair já – ela fez o mesmo e os dois se trombaram.

Ele suspirou, olhando de soslaio para ela. Então, se afastou, passando por ela, seguindo para a cozinha. Harry a fitou com pena.

— Sinto muito por isso – ele disse, colocando as mãos dentro do bolso da calça jeans gasta.

Hermione deu de ombros.

— Não é como se pudesse mudar os fatos – Hermione murmurou – Rony e eu...bom, ainda somos amigos, não somos?

— É claro que sim – Harry disse, puxando Hermione pelo ombro – Vem, vamos falar no jardim.

Os dois seguiram para o jardim da Toca, onde os gnomos dominavam parte do gramado. O ar estava frio, mas não tão gelado, para que os dois não pudessem se sentar em um banco de pedra e ver o sol se por.

— Sabe, é uma grande mudança não ter você conosco – Harry disse – Eu sempre achei que nunca iriamos dar conta de nada sem você, mas percebi que eu e Rony damos conta agora. Mas, isso não quer dizer que você não faz falta. Você faz, muita mesmo. E ter você no Esquadrão é...nossa, isso é maravilhoso. Contudo, – E ali estava, sempre vinha um mas – devo ressaltar que te ver perto do Malfoy...é desgastante. E você precisa concordar que é estranho.

— Harry, você sabe que isso não é...

— Não, eu sei que não é sua culpa – ele interrompeu – Você e resiliente por aceitar o que Kinsgley está pedindo. Basicamente, você é a babá do Malfoy porque o Ministro ainda não confia nele. Você é os olhos e os ouvidos do Ministro. Ele teme...ele teme estar perdendo o controle – confessou – E tenho medo disso, Mione. Faz mais de um ano que não tenho essa...bom, essa conexão com ele...com Voldemort. Mas, tememos tanto que ele volte, de alguma fora. Que tenha restado alguma horcrux, que ele tenha simplesmente ressuscitado...

— Todo mundo viu ele morrer, Harry – Hermione tentou acalma-lo – Não há possibilidade de ele voltar. Enterramos ele, de forma digna.

— É, você tem razão. É que...sinto aquele aperto no peito, sabe? Como se ele ainda estivesse em algum lugar, apenas esperando para dar o golpe final – Harry fechou os olhos, cansado. Estava coberto de olheiras arroxeadas. Então, os abriu, como se algo passasse por sua mente – Eu acho que se Malfoy precisa se encontrar com Yaxley, vou ir com ele. Quero ver de perto o que está acontecendo. Não posso descartar a ideia de que Voldemort ainda pode estar entre nós.

— Harry, isso é loucura. Como você vai ir em um encontro com os comensais? E de onde você tirou que Voldemort voltou? Ele está enterrado. Não tem possibilidade...

— Vou até o túmulo dele e cavar. Quero ver se está tudo certo – Harry disse, como se fosse uma ideia brilhante.

— Que? Está louco?

— Eu estou desesperado, Mione. Sonho todas as noites com ele, como se ele estivesse usando alguém de marionete...- Harry passou a mão pelo rosto – Desculpa, eu não queria te sobrecarregar com isso, eu sei que você já está com a cabeça cheia.

— Ah, Harry, você não está fazendo nada de errado. Você quase nunca me conta o que está havendo. Nem me contou que havia mortes de trouxas, causadas por vampiros lobisomens...- ela enumerou nos dedos – Então, é reconfortante saber que está confiando em mim agora.

Ele riu.

— Eu só não queria assusta-la. Você já está sofrendo por causa dos seus pais – ele explicou – Mas, não sei se consigo lidar com isso sozinho. Se quer saber, preciso da sua ajuda.

— E como você precisa?

— Bom, depois que você voltar do encontro com o Krum, pode me encontrar no cemitério de Godric Hollow?

*

Aquela ideia parecia absurda. Literalmente louca. Depois que levou um bolo de Krum no restaurante, pois ele precisou sair às pressas para substituir um jogar para a próxima noite, na Alemanha, Hermione aparatou até Godric Hollow. Era irônico pensar que ela estava aliviada em estar ali, entrando em um cemitério, do que estando em um encontro com Krum. Não sabia se estaria pronta para qualquer coisa mais séria com ele.

O fato de Voldemort ser enterrado em Godric Hollow não passou despercebido pelo mundo bruxo. Era uma grande ironia ele ser enterrado no cemitério onde jazia os corpos dos pais de Harry. Mas, Harry fizera questão que fosse ali. Ele sentia que estava mais seguro assim, como se fosse o próprio guardião de Voldemort, no mundo dos mortos. Não era como se o bruxo das trevas fosse levantar da terra e voltar a vida. Mas, para Harry, era melhor ele estar ali, onde pudesse ver e vigiar. Hermione quis rir disso da época e percebia o quanto era insano alimentar essa ideia de que Voldemort poderia voltar a vida. Porém, ela estava ali, pronta para ajudar Harry no que precisasse.

Antes de ir para o cemitério, ela vestiu uma roupa confortável. Calça jeans, botas, uma blusa de capuz e luvas. O frio estava insuportável naquele horário. Havia uma espécie de nevoa que recobria o chão, deixando a visão prejudicada. Ela andou por entre as lapides, com a luz da varinha acesa. Mesmo assim, precisava andar para enxergar o que estava à frente. Via o gramado ressequido, as lapides, os nomes de pessoas que não conhecia, então, uma árvore frondosa entrou no seu campo de visão. As raízes saiam para fora, como se estivesse tomando o local, reivindicando como seu, esmagando até mesmo a parte do chão de concreto que existia por ali.

Quando passou pela árvore de aspecto lúgubre, com seus galhos quase nus, despontando para o céu, ela enxergou Harry, mais a frente. Ele estava cavando a terra, com o uso da varinha.

— Harry – ela se anunciou, para não o assustar.

— Pode me ajudar? Preciso terminar de cavar isso, para então retirar o caixão.

Hermione assentiu. Estranhou o fato de Rony não estar ali, mas não falou nada. Era melhor assim. Seria muito constrangedor encontra-lo. Afinal, o ruivo evitava falar com ela, desde que ela resolveu ser parceira de Malfoy. Se estava difícil antes, se tornou ainda pior a relação deles.

Quando conseguiram tiraram o máximo de terra, empilhando-a em um monte, ao lado do tumulo aberto, Harry levitou o caixão, o uso da varinha, com o feitiço wingardium leviosa. Deixou-o sobre o gramado. Olhou para Hermione com um ar tenso. Parecia estar com medo e Hermione também, pela ideia maluca que tiveram. Agradeceu a neblina que cobria o local e por ninguém estar ali, vigiando o cemitério.

Então, Harry empunhou a varinha decidido, depois de longos segundos hesitantes e abriu o caixão. Os dois amigos se aproximaram, para ver o que havia dentro. E o que viram, não era o esperado.