O acordo Dramione
7 Capítulo 7
Não era como se Hermione nunca tivesse visto coisas terríveis em sua vida. Ela viu uma batalha épica se desenrolar no salão de Hogwarts. Viu de perto Voldemort, lutou com comensais da morte, quase morreu dentro da Câmara Secreta e quase foi morta por sequestradores em uma floresta. Além de ser torturada por Bellatrix Lestrange, na Mansão Malfoy, tendo como marca uma cicatriz que ela escondia com um feitiço de ilusão. Mas, estar no meio do Mar Norte, dentro de um barco, não parecia uma ideia muito atraente. E nem o que veria a seguir, dentro de Azkaban.
Para chegar lá, ela precisou ser acompanhada por um auror. Lewis não queria é claro. Ele havia dito que os agentes dele dariam conta disso. Era tão soberbo em seu julgamento, que não percebeu que mandaria duas pessoas destreinadas para o olho do furacão. No caso, ela e Mafoy. O auror, de nome Edmund Fletcher os ajudou a aparatar até a ilha. Eram ordens que deveriam ser seguidas, de dentro do departamento dos aurores.
— Não sei o que seu chefe tem na cabeça – Fletcher disse, quando eles subiram as escadas da fortaleza de pedra.
O lugar era frio e sombrio. O ar salgado se infiltrou nas narinas de Hermione, deixando-a enjoada. Mal conseguia se manter em pé. Para sua sorte, ela havia colocado sapatilhas pretas antes de sair do Ministério.
— Mandar dois agentes do departamento de criaturas mágicas. E pela segunda vez – Fletcher continuou a falar, os guiando na subida das escadas de pedra – Ele só pode estar louco, ou quer se mostrar tão bom e competente, para se aparecer para o Ministro.
Hermione fingiu não ouvir. Mas, escutou o assentimento de Malfoy. Não sabia o que estava havendo, mas algo estava errado. Por que Lewis insistia que os agentes dele fossem para Azkaban? Não seria trabalho dos aurores? Deixou as perguntas para si mesma. Em breve poderia descobrir o que estava acontecendo.
Quando chegaram no topo, na entrada da fortaleza, viram que não havia nenhum auror no posto. Algo estava errado. Ela sabia que havia novas leis para Azkaban. Segundo o decreto, teria de ter uma equipe de aurores no local, com redução de dementadores, para criar um ambiente mais humano dentro da prisão e evitar fugas em massa. Se o auror não estava em seu posto, era porque estava acontecendo uma rebelião.
— Fiquem com as varinhas em punhos. Eu sugero não entrar — Fletcher disse, sombrio — A situação aqui não é para fracos.
Ele adentrou, sem esperar por Hermione e Malfoy. Ela o viu desaparecer no corredor de pedra e congelou. Sentia tanto frio e medo, que não sabia se conseguiria produzir um patrono.
— Você vai entrar ou não? — Malfoy perguntou, atrás dela.
— Eu...sim — ela pigarreou, tomando coragem.
Se estava ali, poderia ajudar. Depois, questionaria Lewis. O que diabos ele estavam pensando em manda-los para aquele inferno na terra?
Começou a andar, com o feitiço lumus, para iluminar o corredor, mas não escutou passos atrás de si. Girou a cabeça por cima do ombro. Malfoy ainda estava no mesmo lugar que ela o deixara.
— Malfoy! — ela ralhou com ele — Está com medo?
Sabia que provoca-lo apenas atiçaria o fogo. E ele não iria admitir estar com medo.
— Não. Apenas estou...vendo se estou com a varinha.
— Ah, mas é claro — ela zombou — Covarde — ela pigarreou ao dizer e continuou a guiar o caminho.
Ele logo se apressou em alcança-la.
— Chame-me de covarde mais uma vez, e vou deixa-la sozinha aqui, para ser comida de dementador.
— Ter você ou não, não vai fazer diferença. Eu me viro...
Ela se calou, no instante em que um dementador apareceu, sugando toda a felicidade do ambiente e o ar se tornou frio, como se estivesse em uma espécie de câmara frigorifica. A figura encapuzada, que mais parecia uma mortalha sobre o corpo esquelético da criatura se aproximou, com a boca escancarada, sugando a vitalidade de Hermione. Ela não conseguia se mover. Paralisou de repente.
Estranhamente, escutava as risadas ensandecidas de Bellatrix Lestrange.
— Sangue ruim! – ela gritava – Vai pagar por ter invadido meu cofre! Crucio!
Hermione escutava a voz dela nitidamente em sua cabeça. Sentindo a dor infinita tomar conta de si, como se fossem mil agulhas por toda sua pele.
— Granger – sentiu uma sacudida no ombro, mas não conseguia sair do transe – Porra! Expecto Patronum!
Então, uma doninha correu diante dos olhos de Hermione, pulando no ar, dando piruetas. Tinha o aspecto prateado e leitoso. Afugentou o dementador e ela parou de ouvir as vozes de Bellatrix. Todo o peso saiu de seu peito, mas ela ainda sentia o medo e a tristeza dentro do seu coração, arraigados, fortemente entrelaçados em sua mente.
— Granger – ela sentiu a mão de Malfoy sobre seu ombro – Você está bem?
Ela anuiu com a cabeça.
— O que você viu? – ele indagou.
— Sua...Bellatrix...a tortura...- ela balbuciou.
De repente, Malfoy passou a mão sobre seu rosto. Um toque leve. Sentiu alguém quente escorrer por suas bochechas.
— Ei, não chora. Ela não está aqui. Isso já acabou – ele disse, parecendo desconfortável, diante dela – Desconta em mim o que tiver sentindo, mas não se deixe abalar. Estamos em um ninho de dementadores por aqui. Alias, você deve me agradecer por salvar sua vida. Você disse que eu era covarde, mas olha só, não sou – Ele parecia zombar dela, mas seus olhos demonstravam o medo que sentia. O medo de que ela perdesse a cabeça.
Ela assentiu fracamente e o empurrou pelo peito. Ele deu um sorriso enviesado.
— Viu, não foi tão difícil, foi? Agora, precisamos entrar, ou voltar de onde viemos. O que voc~e quer fazer?
— Seguir – ela respondeu, ainda anestesiada.
— Não quer voltar? Olha, eu não sou muito fã desse lugar...e...você quem sabe.
— Vamos seguir. Precisamos ajudar os aurores. E depois, vamos questionar Lewis.
— Ok. Vamos.
Eles caminharam pelo corredor e mais alguns dementadores aparecerem. Dessa vez, Hermione não se deixou abalar. A doninha e a lontra fizeram o trabalho de expulsar os dementadores. Logo eles escutaram gritos e explosões. Era perto das selas. Hermione começou a correr sobre o chão de pedra. Havia pelo menos dez aurores tentando conter os detentos. E dementadores em volta. O ar estava insuportavelmente frio. Ela mandou sua lontra para cima de alguns dementadores que estava sobre um detento.
Na confusão, ela conseguiu identificar Lucius Malfoy, com os cabelos grandes e oleosos e vestes de detento, da cor cinza. Ele lutava contra os aurores. E também Rodolfus Lestrange.
— Merda! – Malfoy praguejou atrás dela – Ele não fez isso...
Hermione fingiu não ouvir. Sabia que isso era ruim para Malfoy e para sua imagem também. Os dois tomaram caminhos diferentes e ela quase foi atingida por um crucio no caminho. Lutou com alguns presos, colocando-os na cela de volta e depois de um tempo exaustivo e de ter sido derrubado do chão algumas vezes, tanto fisicamente, quanto sendo atingida por feitiços, os presos estavam de volta as suas selas. Como eles conseguiram as varinhas, ela não sabia dizer. Mas, todas foram confiscadas.
— Mas, que merda esses dois estão fazendo aqui? – um dos aurores perguntou, olhando com hostilidade para Hermione e Malfoy – E esse aí, é filho do comensal – Ele apontou com a cabeça para uma cela, onde Lucius parecia se esconder.
— Eles vieram por ordens de Edward Lewis – Fletcher interveio – Por causa dos dementadores.
— Esse trabalho é nosso. Eles não têm treinamento para isso. Merlin!
Hermione revirou os olhos e resolveu se afastar. Escutou o relatório de um dos aurores, sobre o ocorrido, sendo enviado por patrono. Ao que parecia, alguém forneceu varinhas para alguns presos. E os dementadores atacaram em seguida, para não os deixar saírem.
— Precisamos ir – Malfoy disse, puxando Hermione pelo braço – Aqui não é seguro.
— Por que você não vai antes? Quero dar uma olhada nas condições desse lugar – ela disse, soltando o braço.
— Está louca? Você nem é paga para isso – ele insistiu, pegando o braço dela de volta – Vamos voltar. Agora.
— Me deixa, Malfoy. O que você tem? – ela soltou o braço com força.
— O que eu tenho? – ele riu, sem humor – Você é a única pessoa que pode me tirar daqui. Eu não posso aparatar.
Ela arqueou sobrancelhas, surpresa. Então, era por isso que ele parecia tão insistente em tira-la dali e não era para sua proteção. Bufou irritada, saindo de perto dele, seguindo para a saída. Ele a seguiu, apressado.
— Ei, vai mais devagar – ele pediu.
— Não me estresse Malfoy. Sou a única pessoa que pode tirar você daqui – ela quase gritou – E estou farta das suas grosserias. Da sua manipulação...
Ela não sabia por quanto tempo reclamou, somente sabia que estava na saída da prisão, tanto que a claridade do lado de fora quase a cegou. Respirou profundamente, se calando.
— Já acabou? – ele perguntou, ao lado dela.
— Eu nem comecei – ela respondeu, irritada.
— Muito bem. Vamos sair daqui primeiro. Depois, você me xinga, me bate. Faz o que quiser. Só vamos sair dessa maldita ilha.
Ela pegou no braço dele, com força excessiva e desaparatou. Estava em beco, perto das cabines telefônicas que os levariam ao Ministério da Magia.
— Pronto, segue sozinho daqui – ela soltou o braço dele e seguiu em frente, saindo beco.
— Ei, ei. Não precisa ser assim...- ele tentou alcançar.
— Qual é parte do segue sozinho que você não entendeu, Malfoy?
Ela parou de andar e se virou para ele. Então, sentiu alguém a agarrar pela cintura, colocando algo gelado em seu pescoço. Malfoy a fitava apavorado.
— Passem tudo que vocês têm, ou ela vai morrer – A voz grave do homem que a agarrava não deixava dúvidas quanto sua intenção.
Infelizmente, ela não havia trazido nada consigo. Só tinha seu relógio de pulso.
— Senhor, por favor, pegue meu relógio, só não nos machuque – ela disse, com a voz fraca.
— Tire o relógio dela, garoto – o homem ordenou a Malfoy.
Ele não hesitou em fazer isso. Mas, ela sabia o que ele estava fazendo. Seu rosto estava impassível, quando ele pegou o pulso direito dela. Ela podia ver despontar da manga do paletó sua varinha. Ele tirou o relógio, com cuidado. Seus olhos nunca desviando do dela. Parecia querer dizer alguma coisa. Então, colocou a mão para baixo e sussurrou as palavras.
— Accio faca.
A faca que estava na mão do homem passou para a dele. Ele soltou Hermione, abruptamente, fazendo a cair no chão. Ela sentiu o impacto do chão de pedra sobre os joelhos. O resto era uma confusão. Malfoy entrou em uma luta corporal com o homem, depois lançou-o contra a parede com um algo que parecia ser o feitiço estupore. O homem caiu inconsciente no chão, enquanto Malfoy respirava profusamente. Largou a faca no chão, tremulo.
Hermione se levantou com dificuldade, tentando se apoiar na parede. Olhou para os lados. Não havia ninguém. O homem que havia a agarrado tinha um ferimento na cabeça, pois sangue escorria no chão. Ela respirou, tentando se acalmar. Precisava pensar. Avaliou Malfoy, que não parecia ter condições nem de se mover, pois se apoiou na parede, com os olhos fechados. Estava mais pálido do que nunca.
Ela analisou o homem deitado no chão. Tinha pelo menos na faixa de trinta anos. Roupas comuns de trouxa. Calça jeans, camisa escura e tênis. Cabelos escuros, pele branca. Ela sacou a varinha, murmurando o feitiço:
— Stanque sangria.
Esperava que isso curasse a ferida na cabeça dele. Se agachou, tocando o couro cabeludo do homem, procurando o ponto onde poderia ter cortado, ao bater a cabeça na parede. Sentiu o sangue melando suas mãos e o cheiro forte de ferro.
— Relidor – ela murmurou, para que ele não sentisse dor, ao acordar.
Depois, se levantou, com a mão manchada de sangue.
— Obliviate.
Apagou toda a memória daquele homem sobre os eventos anteriores. Ele nunca se lembraria daquilo.
— Vamos – ela se aproximou de Malfoy, puxando-o pela mão.
Ele estendeu com as mãos tremulas para ela seu relógio. Ela engoliu a seco, pegando-o. Limpou as mãos com o feitiço aguamenti. Seguiram juntos o caminho até a cabine telefônica vermelha. Depois, os eventos a seguir vieram em um borrão.
**
— Mandou dois assistentes para o olho do furacão e pensou que nada aconteceria? – Kingsley, o ministro da magia esbravejava.
Lewis, sentado em uma cadeira em frente a mesa do ministro parecia estranhamente relaxado. Hermione tremia da cabeça aos pés, enquanto que Malfoy estava apoiado na parede oposta, calado. Muito quieto. Ela também estava. Tudo que aconteceu na prisão mexeu com sua cabeça. E o homem no beco foi mais fácil de lidar do que suas lembranças tenebrosas do que houve na mansão Malfoy.
— Fiz isso porque meu departamento cuidado da questão das relações dos seres. E um dementador é um ser. Eles precisavam saber o que estava acontecendo.
— Deixasse os aurores cuidarem disso – Kingsley disse, em tom severo. Ele não havia sentado. Estava de pé. Nem usava o seu chapéu sobre a cabeça careca – Eu não consigo entender como você me enviava dois dos seus agentes inexperientes, sem ofensas Granger e Malfoy, mas pessoas que poderiam ter sido colocadas em riscos. E que quase foram mortas em um beco por um trouxa.
Lewis não parecia arrependido, nem um pouco abalado. E era algo que Hermione não compreendia. A conversa se estendeu. Lewis tentava convencer o ministro, e ele, é claro, estava cada vez mais furioso. Hermione pediu licença para sair da sala e ir embora. Mas, nenhum deles escutou.
Ela seguiu pelos corredores, tremula. Parecia que ainda escutava a voz de Bellatrix. Ela parecia tão próxima, como se ainda estivesse rindo dela. Com seus olhos esbugalhados e loucos. Ela engoliu a seco, apertando os punhos. Droga de dementador...
— Granger – ela sentiu a mão de Malfoy sobre seu ombro. Ela quase gritou – Ei, calma. Sou só eu.
— Desculpe – ela pediu, olhando para ele. Os lábios dele estavam roxos – Sinto muito pelo que aconteceu no beco.
— Não é nada – ele deu de ombros – Agora que resolvemos isso...
Harry e Rony seguiam naquela direção e apressaram o passo ao ver Hermione.
— Mione – Rony correu até ela.
Malfoy a soltou. E seguiu adiante, sem cumprimenta-los. Hermione sentiu um vazio no peito ao ver ele se afastando. Podia ver sua camisa branca social manchada pelo suor nas omoplatas.
— Mione – Rony a abraçou com força – Está tudo bem?
— Você tá sufocando ela – Harry disse.
Ele a soltou. Hermione acabou rindo. Era típico de Rony não medir a própria força. Olhou para os dois amigos, que pareciam preocupados com ela.
— Se você está rindo, é porque está bem – Harry disse, colocando a mão no ombro dela – Diz que aquele idiota não estava se engraçando pra cima de você.
— Não, Harry...ele...o Malfoy me salvou – ela respondeu – Mais de uma vez.
— Uau. Essa doninha tem garras – Rony debochou.
— Ron! – Hermione protestou, dando um soco no ombro dele.
— Ai, Mione – ele disse, massageando o local – Me desculpa se não acredito nele. O cara que um idiota, sempre foi. E estava com a mão em você. Não gostei disso.
— Ele apenas estava me confortando – ela tentou explicar. Mas, também não entendia aquele gesto íntimo. E também, não queria entender.
Logo os três amigos discutiram sobre o que aconteceu. Se afastaram do corredor da sala do ministro e seguiram adiante, falando o mais baixo possível. Bom, apenas Hermione e Harry. Rony parecia não entender que o assunto era sigiloso.
— Então, Lewis está tentando passar por cima das ordens do próprio ministro? – Harry indagou, quando eles saíram do elevador, chegando no saguão.
— Exatamente e é isso que não entendo. O que ele quer com isso? – Hermione perguntou.
— Sabotagem – Harry soltou aquilo como se fosse uma bomba.
— Harry. Isso é muito grave – Hermione ralhou com ele, olhando para os lados – Por que ele iria querer sabotar?
— A família dele é de sangue puro, ou era, antes de uma parte de ramificar com os trouxas – Rony explicou.
— Tá, e o que isso tem a ver? – Hermione perguntou.
— O que tem é que ele não tolera essas novas leis para nascidos trouxas. Principalmente as que permitem que eles assumam cargos no Ministério – Harry explicou – Entendeu agora?
— De onde vocês tiraram isso? – Hermione perguntou confusa.
— O Profeta Diário – Harry respondeu, olhando para os lados. O fluxo de pessoas começava a encher o saguão – Vamos sair daqui e eu explico melhor sobre o que ainda investigando.
Os três seguiram para a lareira mais próxima.
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