O Vírus
1 Prólogo
Nos primeiros anos de escola, eles ensinam nas aulas de ciências sobre o ciclo biológico da vida. Você é muito criança para entender a complexidade daquilo, mas os conceitos básicos são sempre aqueles. Você nasce, cresce, se reproduz e morre.
A morte é uma certeza, todo ser vivo, mais cedo ou mais tarde irá morrer, com os humanos não é diferente, e por mais que as tecnologias médicas avancem ninguém pode lutar contra a força devastadora do tempo e da natureza. Então por que todo mundo tem tanto medo da morte? Se no final a morte é eminente por que passamos a vida toda tentando sobreviver?
A luta pela sobrevivência é o instinto mais primitivo que temos, e do qual não podemos fugir. E quando nossa vida está ameaçada por algo mais forte que a gente, a luta pela vida toma proporções desesperadas, e mesmo irracionais.
Meu nome é Haven Ellis, e por toda minha vida tudo que eu estava fazendo era lutar contra a morte. Eu estava tentando sobreviver. Minha morte chegaria mais cedo que para os demais, e eu lutava contra isso, lutei por muitos anos da maneira que pude. Lutei contra um destino condenado do qual não se pode ir contra.
Foi tentando sobreviver que cheguei até aqui hoje, minha luta se tornou maior do que a mim mesma. Lá fora ouço os gritos da multidão e tudo isso parece muito distante. Minhas mãos atadas por grossa correntes me prendem na fria maca, e tudo que eu vejo é o branco das paredes. Já cansei de me debater, tentar me soltar e gritar por ajuda que nunca virá. Logo será o fim, já aceitei isso, toda minha luta foi em vão. Tombo minha cabeça um pouco para o lado, esticando ao máximo para tentar ver o que acontece lá fora, meu destino está sendo decidido no cômodo ao lado e eu não quero pensar nisso. Tudo que posso ver através dos vidros quebrados da vidraça é o brilho do sol forte, que me cega. Mas não desvio o olhar.
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