P.O.V Noah Belmonte.

Panquecas! Assim espero começar meu dia, desde ontem estou me sentindo muito bem, Ravena finalmente percebeu que algo que está errado com os alunos do primeiro ano e isso significa que eu estava certo! Talvez confiar nos meus instintos seja algo interessante.

Cumprimento Katherine e Hitomi, ambas lufanas, as conheci nas aulas de feitiços quando fiz um pote explodir com um feitiço que deu completamente errado e elas fizeram o mesmo, amigos desde então, no primeiro dia quando comecei a ser conhecido como “O Garoto que cai” achei que não fosse me aproximar de muitas pessoas, mas estou me sentindo bem melhor e acho que esse apelido está ficando para trás.

— Cuidado para não cair logo no começo do dia. — Hitomi diz.

Droga. Sorrio sem graça e apresso o passo em direção ao refeitório. Novamente paro antes de entrar, esperando Ravena. Os outros alunos se desviam de mim e me lançam olhares irritados, apenas aceno para eles em resposta. Alvo e Scorpius passam por mim, o que é estranho pois eles sempre chegam depois de Ravena. Dou uma espiada nas mesas, alguns olhares de meu amigos grifanos mirando em um único lugar na mesa me chama atenção, ótimo, Ravena já está aqui. Me aproximo, Aron parece não calar a boca sobre algo que ele estudou em transfiguração enquanto Ravena o ignora completamente. Meu coração para por um segundo.

— É O FIM!

A mesa inteira me olha assustada. Ravena não parece entender o que está acontecendo.

— Só cheguei um pouco mais cedo, Noah, se acalme.

Me sento a seu lado, entristecido.

— Ovos e bacon? SÓ OVOS E BACON? Onde estão minhas panquecas?

Ravena revira os olhos. Aron ri e aponta para vários lugares da mesa.

— Tem bolinhos também. E pães diferentes, aquele é muito doce, esse muito salgado e esse tem gosto de pé, eu acho.

Como ele sabe sabor de pé? Não que isso importe, pães não me interessam muito.

— O que te trouxe tão cedo aqui, Rav?

Ela lança um sorriso maldoso para Aron, que continua falando e falando, criando pausas apenas para colocar algum pão diferente na boca.

— Definitivamente não a companhia.

Não consigo segurar uma risada. Aron é uma criança bem agitada, até mais agitada do que eu e isso incomoda um pouco Ravena. Na verdade fazia algum tempo que Aron não aparecia no café da manhã com tanta energia, é bom vê-lo assim.

— Você conseguiu dormir? Por que eu não, fiquei pensando nos sonhos, minhas colegas de quarto definitivamente não tiveram uma boa noite de sono… você pensou em algo?

A pergunta de Ravena vem com uma entonação esperançosa, claro que ela esperava que eu tivesse pelo menos algum avanço com o plano, pois nenhum de nós sabe bem o que fazer agora, ela ficaria muito triste em ver desenhos mal feitos de árvores em todas as folhas que usei ontem.

— Bem… eu não tive muito tempo para pensar, sabe… atividades escolares.

— Mas essa semana foi mais leve do que a primeira, Noah. — Aron diz.

Droga.

Ravena se levanta irritada.

— Eu tenho que ir.

Já estou estragando tudo antes de começarmos.

Me levanto tudo e deixo Aron com um olhar assustado e meio pote de gelatina em sua boca.

A alcanço no corredor.

— Ravena! Espere.

Ela olha para trás com o mesmo olhar irritado de antes.

— Nós conversamos depois da aula, você sabe onde.

***

— Ei, você tem que parar de confiar apenas em minhas anotações, você não está prestando uma gota de atenção.

Aron fecha seu caderno e me olha com uma expressão de repreensão.

Eleonor Smethwyck continuava a falar e falar, mas nada entrava na minha cabeça. Ravena estava do outro lado da sala desviando o olhar toda vez que eu olhava para ela e fingia comentar algo com Alvo e Scorpius, desde quando eles estão tão próximos? Desde quando Ravena fez amigos?

— Você está com ciúmes? Ela foi sua amiga primeiro, mas agora eu posso ser seu melhor amigo, não se preocupe.

Ok, o que está acontecendo?

— Claro que não, Aron. Não é nada.

Ele ri um pouco alto demais. Eleonor nos lança um olhar quase assassino.

— Se minha aula está tão engraçada vocês podem deixar seus livros aqui e procurar algo melhor para fazer.

— Nos desculpe, Sra. Smethwyck. — A voz de Aron sai como um sussurro.

No final da aula consigo despistar Aron e sigo o caminho até o lago.

Ravena ainda não chegou. Me sento sozinho. Ravena se estressou comigo e isso é um pouco estranho, não achei que isso fosse acontecer tão cedo, mas é claro nem tudo é perfeito. Ou será que foi Aron? Possivelmente foi Aron, ele consegue estressar as pessoas.

— Ei, Noah.

Ravena surge caminhando devagar, sua expressão ainda irritada. Me levanto ansioso.

— Ei, Rav… você está bem?

— Acho que é melhor deixarmos o assunto dos pesadelos de lado, não devem passar de uma pegadinha dos veteranos.

De onde surgiu essa ideia?

— Por que você acha isso? Nós estávamos animados…

— Mas você não parece se importar, Noah. Eu passei a noite toda acordada e…

— E também não conseguiu nada.

Seu rosto fica vermelho, quase como se fosse explodir.

— Claro, Noah! Eu estava com medo, pois se esses pesadelos forem algo tão importante quanto nós achamos, algo ruim pode acontecer comigo. E eu acabei de chegar em Hogwarts, não quero isso!

Sua raiva era genuína, seu medo também. É realmente estranho ver Ravena ser afetada dessa forma, no primeiro momento em que descobrimos os pesadelos e a conversa dos professores, nós ficamos um pouco animados, mas meus sonhos não são constantes e se para ela são, isso pode realmente desestabilizar alguém.

Vejo pessoas se aproximando.

— AHAHAHA pesadelos? Tudo por causa de um livro bobo?

Ela me olha confusa.

— O que você está falando?

— As pessoas estavam olhando, não quero levantar suspeitas…

Ela revira os olhos e sai pisando forte. Droga.

— Ravena! Vou trazer algo importante amanhã, eu prometo, nem que eu passe minha madrugada lendo livros difíceis. Você não precisa se preocupar, se isso for algo tão importante quanto achamos, eu vou descobrir e vou parar isso… nós vamos! Eu até consigo uma poção do sono com James para você.

— Potter?

— Exato! Nós não somos super amigos, mas eu converso com ele às vezes.

Ela me encara duramente.

— Esteja aqui antes do café.

Antes do café? Minhas panquecas… é realmente o fim.

***

Me sento no salão comunal sozinho. Deixei o meu quarto sem fazer muito barulho, peguei três livros sobre feitiços e maldições do sono que encontrei na biblioteca e pretendo ler todos até o amanhecer.

James me prometeu um pouco de poção calmante e disse que muitas pessoas estão fazendo a mesma. Parece que realmente os sonhos estão atrapalhando grande parte do primeiro ano e até mesmo alguns dos alunos mais velhos.

O primeiro livro usa algumas palavras difíceis, então preciso de outro livro para pesquisar significados. É cansativo, mas prometi que iria ajudar Ravena. Ok, primeiro livro, nada de útil, apenas histórias de como sonhos podem te deixar louco.

Segundo livro, maldições do sono. Feitiços que não podem ser quebrados e suas vítimas nunca dormem ou dormem para sempre, não é o caso aqui…

Algo cai no chão, causando um baque que ecoa pela sala. Me levanto preocupado. Uma sombra caminhando como um zumbi vem até mim.

— KYAAaa!

Abafo um grito para que ninguém acorde. Aron está caminhando com os olhos abertos, mas sem vida, como se ainda estivesse dormindo. Aceno em frente a seu rosto imóvel.

— … Aron? Você está bem?

Ele passa por mim como se eu fosse apenas uma figura de decoração em seu caminho. Talvez eu deva segui-lo, ou não, pode ser perigoso. Ou talvez… droga. Talvez seja melhor falar sobre isso com Ravena, ela deve saber o que fazer. Ou segui-lo…

— Foco no seu livro, Noah. Ele deve voltar daqui a pouco.

Pego o terceiro livro, mas não consigo ler nenhuma palavra, apenas rolo pelo chão, deito em mil posições diferentes nos sofás, nas escadas, meus olhos não saindo da porta nem por um segundo. Onde ele pode ter ido? Eu não deveria ter deixado ele ir sozinho, pode ser perigoso para ele.

Não há nada no livro sobre sonâmbulos, apenas algo sobre um feitiço que transforma os sonhos em energia vital, mas isso não parece se aplicar aqui também.

Deitado na escada escuto a porta se abrir. Aron entra confuso, parece que algo o acordou.

— Aron… você está bem?

Suas roupas estão sujas e rasgadas. Ele está arfando como se tivesse corrido de algo.

— Não sei… o que está acontecendo? Não lembro de ter saído daqui. Eu preciso voltar para cama, amanhã tem mais aulas. Aulas!

Tento pará-lo para perguntar mais coisas, mas ele passa direto por mim como se não tivesse me visto.

Isso foi tão estranho.

***

Estou na beira do lago esperando por Ravena. Meus olhos cansados pela noite sem dormir, saltos de ansiedade.

— Ei, Noah. Pegue!

Me viro e agarro uma panqueca no ar por reflexo como um filhotinho de cachorro e um frisbee.

Ravena ri.

— Passei no refeitório antes de vir. Você con…

— Você não vai acreditar no que eu descobri!

Ela se surpreende.

— Ok, por essa eu não esperava.

— Bem, tecnicamente não descobri nada, mas vi algo muito estranho. Aron saiu ontem a noite e voltou como se tivesse sido pisoteado por um grupo de filhas de papai em dia de liquidação de sapatos e sem saber para onde foi ou o que fez.

Ela me olha intrigada.

— Como um sonâmbulo?

— Exatamente.

— E você não o seguiu para descobrir onde ele foi?

— Bem, achei melhor nós fazermos um passeio noturno e descobrir isso juntos.

Bem, quando fiz minha promessa, não esperava que fosse conseguir cumpri-la, e ainda perderia minha amiga por isso, mas pelo olhar animado de Ravena, não só a cumpri como também estou prestes a embarcar em uma aventura incrível com minha melhor amiga em Hogwarts!