Notas iniciais
Tema: "borbulhante" Essa história é participante do Concurso UFC Fanfics do SBLAN. → Créditos da foto da capa: Imagem retirada do google → História original, assim todo conteúdo aqui apresentado me pertence.

O caminho de volta para casa fora diferente dos outros, desta vez retornaram em silêncio, mas ouvindo as reclamações desmotivadas de Armando: mentiras, seguidas de outras que ele falaria para brigar.

Ao chegarem em casa Armando começou a reclamar por nada, e Lurdes tentava explicar tudo, mas principalmente queria deixá-lo calmo, não importava como seria: fazendo comida na hora, arrumando o que ele dizia estar bagunçado, até mesmo deitar-se com ele, mas naquela noite nem um dos argumentos serviu, Armando não queria comida, não queria uma casa arrumada, não queria transar,

Armando queria brigar,

No entanto, naquele dia Renato sabia que Deus estava com ele e que poderia pisar a cabeça de serpentes. Assim deveria dar um basta naquela confusão para que a família tivesse um destino melhor.

E quando toda aquela confusão começou Renato já estava farto e gritou firme.

— Chega de bagunça nessa casa! — ao menos ele achava que havia sido firme, entretanto Renato notou que os olhos de fogo voltaram-se para ele demonstrando a fúria de um monstro que fora contrariado.

— O que você disse?

— Eu não aceito mais essa bagunça... — Renato estava com os olhos lacrimosos e respondeu gaguejando, o que não ajudou em sua intimidação.

— Vou te bater igual bato em homem pra ver se você vira um!

Armando deu passos ofensivos na direção de Renato e no caminho pegou uma faca e adiantou-se, os olhos do rapaz procuravam uma rota de fuga. Não restava muito o que fazer a não ser correr, Renato não percebeu como o fez, mas passou pelo pai como um relâmpago, chegou a porta e continuou correndo até suas pernas não aguentarem mais.

Entretanto o que faria depois de correr? Não havia muitos lugares para se esconder, e estranhamente não pensou em muitos para se ir, afinal só havia um, a casa da tia Sandra, que por sinal também tinha um marido escroto, entretanto ele não bebia, era escroto por consciência, mas na frente de visitas disfarçava bem, então ele não faria nada enquanto eu estivesse por lá.

A caminhada até lá foi longa, mas lhe deu tempo para pensar em coisas que poderia ter dito ou feito. Quando notou eram meia noite, e como bateria no portão àquela hora, afinal ela dividia o lote com um irmão e os pais, então todos acordariam e saberiam, mas para onde ele iria depois de 10 Km caminhados? Esse pequeno lapso de raciocínio durou quarenta e cinco minutos, mas por fim tomou coragem e chamou.

Sandra apareceu de roupão, era uma senhora gordinha, linda e cozinheira de mão cheia, os cabelos negros e longos foi passado a dois dos três filhos.

— Renato, o que você faz aqui há essa hora menino?

Ele queria ter contado tantas coisas, até mesmo inventado uma mentira de que fui assaltado por ali, mas não, ele precisava falar das coisas que guardava no peito, assim as lágrimas que não caíram lá atrás vieram ao chão neste exato momento.

— Tia, meu pai tentou me matar e eu corri, deixa eu ficar aqui, por favor? — Renato usou da frase mais simples que pode, ou quem sabe isso foi o que Sandra entendeu entre choros e soluços.

— Fica calmo, meu filho, entra toma água e descansa.

Prontamente Sandra arrumou um colchão na sala para que o rapaz se deitasse e lhe disse para tomar um banho bem quente e de lá Sandra podia ouvir o choro do rapaz que ainda precisava daquele momento com ele mesmo. Rebato perguntava-se tantas outras coisas que o faziam parecer idiota e fraco, pensamentos estes que faziam fervilhar dentro dele um sentimento de raiva por si mesmo.

Renato saiu vestiu-se com a roupa do primo que era um pouco maior que ele, sobre a mesa estava um café com leite, biscoitos e pão.

Se havia algo que teria feito àquela noite infernal valer a pena, era a comida da tia Sandra e os dias que viriam com os primos o fariam esquecer toda aquela confusão, entre brincadeiras e caminhadas com aquela família, mesmo que não fosse a dele.

Notas finais
Diga Não a Violência Doméstica.