O Vulto
6 A escola
Notas iniciais
O primeiro dia de aula é ótimo para se conhecer novos colegas, outros já conhecidos do ano passado, mas havia um naquela sala que poucos gostariam de conhecer, Cleiton, um rapaz grande, forte, marrento e repetente, naquele momento procurava alguém pra Cristo, muito facilmente achou de quem poderia caçoar, passou por um menino que era o único a usar havaianas velhas, aquelas sandálias eram motivos para que Cleiton começasse a rir sem motivo.
— Ei, Cleiton? Vamos rir juntos! – Comentou Renato se impondo.
— Cai fora Renato, ou tá a fim de levar outra surra.
— Já levei piores. – Renato não mentia, seu pai batia muito mais forte. – Os únicos que estão rindo são outros idiotas iguais a você.
— Eu não quero problema com você Renato.
— Então deixa o cara em paz.
— Está falando como se aguentasse um soco.
— É verdade eu sei que vou apanhar, e daí?
Depois que falou tudo ficou escuro.
Renato acordou quando um dos colegas deu tapinhas no rosto dele, ele estava com o olho dolorido, e enxergava mal, mas podia ver que todos os colegas da classe faziam uma roda a sua volta. Não se lembrava de mais nada depois que disse “e daí?”
— Nossa cara, valeu! – O garoto defendido estava realmente grato.
— Era o mínimo que alguém deveria fazer.
— Não era não, só um maluco desafiaria aquele cara.
Ainda não havia como salvar a mãe, mas Alberto era possível, ele sabia que Cleiton pegaria no pé dele todos os dias, assim Renato sabia quem nem mesmo na escola ficaria feliz, não poderia atreve-se a dar um sorriso, para que assim mantivesse Cleiton longe.
Renato passara a sentar ao lado de Alberto como um cão de gaurda, contudo não faria muita diferença afinal Cleiton era um cão maior. A primeira provocação veio quando Cleiton passou próximo a eles e derrubou o caderno de Alberto, o garoto abaixou para catar e Cleiton logo puxou a cadeira e o garoto caiu.
Alguns colegas sorriram e Cleiton parecia um gladiador adorado pelas barbáries que fazia.
— Não tem graça seus idiotas!
— Então nós vamos fazer a mesma coisa hoje?
— Eu pareço com medo de você?
Renato lembrava-se de seu algoz de muito antes desta turma, ele já havia quebrado o nariz de Renato três vezes. Mas é daí? Será que quebraria uma quarta? Aparentemente Alberto valia à pena. Renato ainda não sabia, mas a impotência que sentia ao ver o pai agredindo a mãe era seu combustível para defender o colega.
Renato via que Cleiton não era um caçado, ele não passava de um covarde que abusava dos mais fracos, assim como seus pai, que apanhava na rua e vinha descontar suas frustrações dentro de casa.
— Então levanta, “herói”!
Renato não ganharia e sabia disso. Precisava de uma estratégia. Mas nada lhe vinha à mente. Ele não havia pensado no que aconteceria depois que iniciasse a confusão. Assim ele levantou-se e a turma já gritava “briga, briga, briga!”
Onde estavam seus colegas?
Onde estava Alberto? Ele se escondia na multidão com medo.
Aquela fora a motivação para Renato permanecer na briga, o primeiro soco fora desferido por Cleiton, Renato esquivou, mas nem sabe como, assim sentiu-se mais confiante, e aquele foi seu erro, por que logo depois levou um soco no estomago e caiu sem ar.
— E melhor você não se meter mais comigo.
Renato nada disse porque lhe faltava fôlego,
— E você ai o mendigo? – Cleiton falava com Alberto – Não vai ajudar seu amigo?
Renato olhou para Alberto como quem dizia “não, fica ai”. A professora novamente chegou e notou a confusão.
— O que está acontecendo aqui?
Renato levantou-se e disse:
— Nada não professora, eu só estava me sentindo mal. Ele não mentirá por medo, mas a mãe já tinha muitos problemas e desgosto, não precisava de mais aquele.
***
Com aquela confusão conseguiu uma semana de paz na escola, e em casa tudo estava bem em casa.
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