O Voo Do Passarinho

6 Capítulo 6 - Florian e Jonquil


Yros já havia se retirado do salão da pousada fazia tempo quando Sansa caiu por si em sua posição. Ela não tinha consciência do risco que corria de ser descoberta e não era isso o que temia, no seu interior, o que a estava deixando nervosa era realizar uma apresentação de péssima qualidade. "Ele quer que eu cante em público..." Ousou repetir as palavras em sua mente, mas como se tivesse dito em voz alta, levou as mãos à boca, cobrindo-a. "Eu nunca cantei para ninguém antes!" Seus olhos estavam arregalados, presos no tablado do salão que servia como palco. Sansa se lembrava de ter cantado diversas vezes para a sua família, principalmente depois da visita de um bardo à Winterfell há muitos anos atrás. Aquelas músicas provavelmente já estavam bem velhas e as que ouvira em Porto Real, não chegara a aprender a letra. "E se eles não gostarem de mim?" Sentiu um frio na barriga. Deveria estar com uma feição de assombro, pois chamara a atenção de Aliria, a dona da pousada, que acabara de sair de seus aposentos.

– Garota? – Chamou a mulher, incerta.

Sansa sobressaltou-se com a presença repentina. Por um breve momento as duas se encararam sem trocarem palavra. Aliria era de fato bem jovem e já possuía uma grande responsabilidade para com aquele lugar e isso não afetava a sua jovialidade; Embora mais pesada e de certo modo mais vivida, tinha um ar diferente dos demais empregados dali. "Talvez ela seja a bastarda de um cavaleiro" Pensou, lembrando-se das teorias que levantaram a respeito de sua história. O que mais chamou a atenção de Sansa para com a mulher não foi a aparência dela, foi o cheiro. Era um cheiro forte, ácido e quente e ao mesmo tempo remetia à uma fragrância conhecida, só não conseguia se lembrar de quem.

– É feio encarar. – Repreendeu a mulher perdendo a paciência. Havia uma superioridade não fundamentada na voz de Aliria.

Sansa se desconcertou.

– M-me descul... – Parou a frase de desculpas; Estava tão acostumada a se desculpar por tudo em Porto Real que isso já se tornara rotina, uma rotina que deveria ser mudada, visto que não estava mais em Porto Real e a mulher a sua frente vinha de um baixo nascimento e por isso se recusou a completar a frase.

A dona da pousada apenas arqueou uma sobrancelha sem compreender a cliente, mas não questionou.

– Aconteceu algo? — Perguntou a mulher.

Sansa permaneceu em silêncio, o frio na barriga retornou ao se lembrar de Yros.

– Foi Yros?

A resposta parecia óbvia. Sansa consentiu com um menear de cabeça.

– O que ele fez? — Quis saber.

– Ele... Disse que devo me apresentar.

– Se apresentar?

– Sim...

– Se apresentar como?

– Ele quer que eu cante... com ele.

Aliria riu.

– Só isso? Pensei que fosse outra coisa... Mas e daí?

A boca de Sansa fez um perfeito ó de surpresa.

– Como assim e daí!?

– Você não quer cantar? — O cenho da estalajadeira estava fechado.

Sansa mergulhou em silêncio mais uma vez. Não sabia responder a pergunta. Sentiu uma enorme euforia quando recebera o convite, seu ego fora massageado, mas a insegurança a mantinha na dúvida.

– Não sei... — Respondeu com a voz baixa.

– Ah! Vá se foder então! — Retrucou a mulher.

Sansa corou tanto que foi difícil separar o rosto dela das madeixas rubras.

– Se não quer cantar fala que não, se quer fala que sim, se está com dúvida vá dar o rabo! Saia da minha mesa que eu tenho muito o que fazer! Não sei... Vá pra puta que pariu! Menina idiota! — Aliria usou o pano que carregava no ombro para expulsar Sansa do lugar o qual ela estava sentada.

Ultrajada, a ruiva saiu em passos meio corridos da sala de estar. Sentiu vergonha de sua atitude com as palavras da dona da pensão; Para ela como para a maioria, a garota não deveria passar de burra, queria poder mudar isso, mas a mudança parecia estar fora de seu alcance. Correu para o quarto que estava hospedada, fechou a porta atrás de si quando entrou e jogou-se na cama. Seus olhos involuntariamente começaram a derramar lágrimas.

– Também não sei porque estou chorando! — Exclamou em voz alta, como se Aliria estivesse ali e tivesse lhe feito a pergunta que resultaria nessa resposta.

Sansa começou a soluçar assim que finalizou a frase. Chorou com amargura, agora estava sentindo o peso do mundo em suas costas; A morte de seu pai — que já havia superado, em partes -, a ausência dos irmãs, a saudade de Winterfell, a descoberta do caráter de seu príncipe encantado, a fuga de Kingslanding, o sumiço de Sandor, as palavras de Aliria, o pedido de Yros, a falta de identidade que sentia... tudo isso virou um combo na cabeça da garota que chorou o máximo e o mais alto que seu pulmão permitiu. Sentia-se sozinha, abandonada e esse sentimento destruiu o resto de sua estrutura.

– Eu odeio a todos! — Gritava, embora isso não tivesse muita coerência com o que pensava. — Odeio o Joffrey! — Que ela odiava o Rei Joffrey era verdade, mas definitivamente, não era isso que os possíveis ouvintes esperavam mediante o que acabara de acontecer — E odeio a Cersei também por tudo o que me fez! — Continuou -, meus irmãos e minha mãe por terem ficado em Winterfell! Odeio o meu pai por ter me levado para Kingslanding! Odeio a Arya por ter fugido e me deixado com aqueles monstros! — Mais soluços ecoaram pelo quarto — Odeio o Cão de Caça do Joffrey também! Odeio-o mais do que todos! Ele me tirou de Kingslanding, mas me deixou no primeiro lugar que encontrou com essa gente horrível que só pensam mal de mim... — Agarrou o travesseiro mais próximo e abafou seu choro com ele — ... Se pelo menos ele ainda estivesse aqui... Sandor.., seu idiota!

Horas vieram e horas passaram, pássaros cantaram e pássaros se silenciaram e Sansa continuou no mesmo lugar: deitada sobre a cama de lençóis esverdeados agarrada ao travesseiro que a acalentava. Perdida em sua amargura até se esquecera de que deveria encontrar com Yros para seu ensaio e, nem isso conseguira decidir. Ela só foi se lembrar quando passos ecoaram no seu corredor e uma batida delicada pôde ser ouvida em sua porta.

– Jonquil? — A voz de Yros veio do outro lado da pesada porta de carvalho.

– Me deixe em paz — Pediu, chorosa.

Ao ouvir o lastro manhoso da voz de Sansa, Yros abriu a porta com força desnecessária, encontrando uma garota com os cabelos emaranhados, rosto úmido e avermelhado de olhos miúdos evitando encará-lo.

– Vá embora! — Ordenou.

– O que houve, minha jovem donzela? — Quis saber carinhosamente, sentando na cama ao lado dela e depositando uma mão de conforto em suas costas.

– Vá embora! — Repetiu, com a voz arrastada, ameaçando chorar novamente.

– Se eu for, você para de chorar?

Ficou em silêncio.

– Está tudo bem — Consolou Yros — Não precisa ficar desse jeito, conte-me o que está acontecendo. — Pediu amavelmente.

– Não quero... — Choramingou.

– É por causa da apresentação? — Insistiu.

– Já disse que não quero falar sobre isso! — Sansa sentou-se na cama — E pára de me tocar! — Segurou a mão dele com o cenho franzido.

Yros sorriu.

– Você vai ficar bem? — Com a mão solta, tocou o rosto dela, secando-lhe as lágrimas.

– Já disse para parar de me tocar! — Segurou a outra mão dele.

O sorriso no rosto de Yros aumentou.

– Converse comigo — Pediu.

Sansa ficou em silêncio.

– Você pode confiar em mim — Yros continuou.

Lágrimas voltaram a brotar nos olhos da garota. Yros tentou soltar suas mãos das mãos de Sansa, mas não adiantou, talvez porque não tivesse usado toda a força que tinha; Arqueou o corpo para a frente e pôs a língua para fora da boca, secando as novas lágrimas que escorriam pelas maçãs do rosto da moça.

– Ah! — Exclamou Sansa, inclinando-se para trás.

Yros aproveitou a surpresa dela para inverter a posição, tomando as mãos de Sansa nas suas, obrigou-a a deitar sobre a cama ao forçar o seu corpo sobre o dela. Os olhos azuis se encontraram com os verdes, uma energia invisível correu por eles, ambos ficaram imóveis, apenas se encarando por um espaço de tempo que pareceu durar para sempre, mas não se passaram de reles segundos.

– Você irá cantar comigo essa noite? — Yros perguntou com ansiedade. Havia ardor em seu olhar.

Sansa virou a cabeça para a lateral quebrando a ligação que formaram.

– Não. — Respondeu com coragem.

– Está brava comigo? — Quis saber com surpresa.

Balançou a cabeça negativamente, sem ousar falar ou olhá-lo.

– Então vai cantar? — Perguntou novamente.

Sansa negou com a cabeça.

– Por que não? — Quis saber.

– Não quero.

– Por quê?

– Porque não quero.

– Por que não quer? — A conversa estava tomando rumo infantil.

Sansa encarou-o, com o semblante zangado.

– Já disse que não quero! — Parecia que estava novamente discutindo com Arya.

Yros beijou-lhe a testa franzida pegando mais uma vez Sansa de surpresa.

– Por que fez isso!? — Quis saber com as bochechas coradas.

– Porque eu quis. — Respondeu maroto. — Vai cantar comigo?

– Não! — Repetiu Sansa.

Yros beijou Sansa outra vez, dessa vez na ponta do nariz.

– Por que está fazendo isso!? — Sansa se debatia para sair dessa posição.

– Porque eu quero. — Respondeu Yros, forçando seu corpo sobre Sansa para mantê-la imobilizada.

– Pára!

– Só se você cantar comigo.

– EU NÃO VOU CANTAR CO... — Sansa gritou, mas foi silenciada.

Dessa vez Yros colara seus lábios nos dela.

Menta, cevada, morangos, açúcar e... saliva. Sansa pensou a respeito dos sabores enquanto seus lábios continuavam colados nos dele. Macio, úmido e liso. Continuou, agora analisando a textura. Fechou os olhos entregando-se as sensações. Sandor! Seus olhos tornaram-se a abrir novamente com violência. Sua respiração ficou ofegante, debateu-se para ganhar a liberdade, todavia só conseguiu quando mordeu o lábio inferior de Yros. Sentou-se na cama com as mãos na boca enquanto o bardo se preocupava com o ferimento que recebera.

– AÍÊ! — Gemeu Yros.

– IDIOTA! Não tinha o direito! — Zangou-se Sansa, pondo-se em pé. A imagem de Sandor que vira ao fechar os olhos a seguiu mesmo depois de ter aberto os olhos.

– Não precisava me morder! — Resmungou o bardo com um pequeno filete de sangue no lábio.

– Vá embora! — A ruiva bateu o pé no chão, envergonhada pelo o que acontecera.

– Mas... — Yros começou.

– Eu irei cantar com você, agora FORA! — Berrou, apontando para a porta para que ele se retirasse do quarto.

Yros sorriu, sentindo-se vitorioso. Arrastou-se para fora da cama e ameaçou caminhar até ela.

– NÃO ME TOCA! VÁ EMBORA! — Gritou Sansa.

Yros gargalhava. Ergueu as mãos na altura da cabeça dando-se por vencido e caminhou de marcha a ré até a saída do quarto, quando chegou na porta do quarto abriu-a e fechou-a após atravessá-la.

Estando sozinha novamente as pernas de Sansa começaram a tremer; Uma hora estava comendo na cozinha, outra hora estava chorando, outra hora estava sendo beijada e agora... Puta que pariu, que que o Sandor estava fazendo na minha cabeça!? Se questionou. Puta que pariu! Eu não falo palavrão! Oh não... pensei de novo! Sentou-se em sua cama e lançou um olhar ligeiro para a porta: não havia ninguém ali. Relaxou e voltou sua atenção para algo que tinha resposta e pareceu mais importante:

– Vou ter de cantar! — Arrepiou-se. Estava mais uma vez no dilema dessa manhã. Será que vai ter muita gente? Temeu. Não deveria tê-lo mandado embora.. Se arrependeu. Não sei como devo agir, talvez devesse chamá-lo de volta... Tornou a olhar para porta, dessa vez ansiosa que Yros passasse por ela; mais uma vez, nada aconteceu. Vou chamá-lo. Levantou-se da cama. Melhor não. Sentou-se novamente. Mas eu nem sei o que cantar! Ficou em pé. Correr atrás de um cavaleiro não é atitude de uma Lady. Sentou-se novamente. Ele não é nenhum cavaleiro! E eu não estou correndo atrás dele! Se auto repreendeu. Ele me beijou, isso foi tudo. Não era bem o que ela sentia. Crianças brincam disso... Eu nunca brinquei, só que eu sei que elas brincam. Levantou-se e determinada caminhou até a porta e a abriu. Seus olhos que estavam fixos na direção do chão notaram a presença de um par de pernas parada em sua direção. Levantou o olhar e suas bochechas coraram instantaneamente.

– Florian e Jonquil. — Yros disse no mesmo momento em que se encontraram.

– Perdão...? — Sansa ofendeu-se.

– Iremos cantar Florian e Jonquil. — Disse determinado. — Conhece a letra?

Sansa sacudiu a cabeça em sinal positivo. Bolotas, de novo estou presa onde não queria estar. Brigou consigo mesma, mas não se auto-corrigiu em voz alta.

– Ótimo. Precisamos ensaiar. — Ele segurou na mão dela e a puxou para o corredor, mantendo distancia entre o corpo de ambos.

Ela o acompanhou, sem demonstrar resistência. Talvez no fundo eu queira isso... Constatou.

– Onde...?

– No septo dos Sete, fica perto daqui. No caminho compraremos algo para você vestir. Não pode se apresentar assim ou te reconhecerão.

A frase dele a golpeou. Te reconhecerão. Repetiu em sua cabeça.

– O que...? Você... — Ele sabe quem eu sou! Exclamou mentalmente.

– Será o nosso segredo. — Yros piscou para ela lhe passando segurança, mas isso estava longe do que Sansa sentia.

– Yros! — Uma voz feminina interrompeu a saída dos dois.

– Aliria... — Os lábios dele franziram-se em desgosto. — O que quer?

– Bem.. — Aliria olhou para Sansa, hesitante.

– Seja breve, tenho pressa.

– Tome cuidado com ela — Disse — ou ele me esfolará viva quando retornar.

Yros sorriu como só ele conseguia.

– Vou tomar.

Dito isso, saiu da pousada arrastando Sansa pelas ruas de Felwood. Dessa vez a garota prestou mais atenção para as coisas ao seu redor e percebeu que o lugar onde estavam não era tão distante da construção onde deveria ser o castelo do senhor dali; Grandes muros de pedras cobertas com musgos formava o castelo e sua fortaleza, a vista de um leigo não parecia ter muita dificuldade de se conquistá-lo, só que quem gostaria de ficar em uma vila como essa?

– Por que devemos ir no septo dos Sete? — Questionou a garota com grande curiosidade.

– Som. — Respondeu o bardo — Ecoa melhor lá. — Sorriu de volta para ela, segurando a mão de Sansa com mais firmeza.

A ruiva emitiu um gemido de entendimento, não que ela realmente entendesse aquilo.

Não caminharam muito até chegarem em um edifício com a mesma construção do castelo. A iluminação vinha apenas da porta, as janelas finas que o lugar possuía era tampada pelas árvores que impediam a penetração da luz solar e o ar interno do septo era úmido e gélido. Havia sete estátuas de forma humana, provavelmente representando Os Sete deuses localizados em algo que deveria ser o altar onde o septão realizava suas orações. Tinha também duas colunas de bancos que totalizavam seis, feitos de madeira grossa.

– Gostou? — Seu tom era de zombamento ao soltar a mão dela.

– É... — Sansa pensou em um adjetivo para encaixar no que sentia — ... Fofo.

Yros riu.

– Não precisa mentir! É péssimo, mas ouça. — O bardo elevou as mãos, fechou os olhos e então, cantou:

"The Dornishman's wife was as fair as the sun,

and her kisses were warmer than spring.

But the Dornishman's blade was made of black steel,

and its kiss was a terrible thing.

The Dornishman's wife would sing as she bathed,

in a voice that was sweet as a peach,

But the Dornishman's blade had a song of its own,

and a bite sharp and cold as a leech.

As he lay on the ground with the darkness around,

and the taste of his blood on his tongue,

His brothers knelt by him and prayed him a prayer,

and he smiled and he laughed and he sung,

Brothers, oh brothers, my days here are done,

the Dornishman's taken my life,

But what does it matter, for all men must die,

and I've tasted the Dornishman's wife"

Conforme o menestrel ia cantando ele ia também dançando, rodopiando por todo o espaço da capela, hora ou outra segurando em sua companhia obrigando-a a rodopiar junto com ele; Sem dúvida sua voz era bela, mas com o eco do septo ficou ainda mais rica e cada pedra parecia cantar de volta para ele.

Sansa sorria em meio a rodopios. Quando a canção finalmente acabou, os dois estavam arfando.

– O senhor canta muito bem. — Cumprimentou-o. — Embora não ache que essa seja uma canção para se cantar nesse lugar.

– Bobagem — Respondeu Yros, arfando pelo pequeno exercício — Agora quero ouví-la! — Desafiou.

– Mas... eu...

– Sem mais. Cante, passarinho.

Alguma coisa na barriga de Sansa despertou ao ouvir a última palavra pronunciada pelo bardo. Sandor. Não sabia dizer quantas vezes pensara no cavaleiro naquele dia e cada vez que o fazia, sentia como se fosse um aviso do Cão de Caça para evitar que ela fizesse algo. Não deu importância para o sinal, fechou os olhos e juntou as mãos na frente no corpo e, então, seus lábios abriram para cantar a música que apresentaria naquela noite, Florian e Jonquil, mas um barulho do lado de fora do septo a calou.

– Fique aqui. — Yros ordenou, fazendo sinal para ela ficar onde estava e caminhou até a porta.

Sansa ficou apreensiva, cada vez mais o barulho aumentava e havia pessoas conversando. A curiosidade a dominou, caminhou com passos apreensivos até a entrada.

Yros bloqueou o caminho, voltando-se para ela.

– Cubra-se. — Ordenou, entregando-a sua capa com capuz. — Não deixe que a vejam. — Sua voz estava áspera, muito diferente das outras vezes.

A garota o obedeceu, cobrindo suas madeixas ruivas. Algo lhe dizia que coisa ruim vinha pela frente. Estúpida! A realidade a despertara, enquanto ia em sentido ao septo com Yros reparara a ausência de pessoas em Felwood, e agora levava-a a conclusão de que os homens do vilarejo partiram para Kingslanding, deixando para trás somente inválidos, mulheres e crianças.

– Bom dia, senhores. — Yros cumprimentou, puxando Sansa pela mão para fora do septo.

Alguns pares de olhos de todo quanto era tipo de cor se dirigiu para ele.

– Oh-ho-ho-ho! — Exclamou um estranho. O cavalo dele relinchou. — Quanto tempo, Yros!

– Yros! — Outro estranho chamou-o — Não vai nos perguntar como foi na Batalha de Blackwater?

– É mesmo, Yros! — O primeiro voltou a falar — Vamos lhe contar tudo, aí você escreverá uma música sobre nós!

– Com toda a certeza gostaria de ouvi-los, senhores, mas não agora. — Adiantou-se.

Houve uma onda de silêncio, apenas cascos de cavalos imperava.

– Quem é essa com você? — Quis saber um cavaleiro.

Yros riu. Se eles souberem quem sou... Sansa amedrontou-se e procurou refúgio as costas do bardo.

– Você poderá conhecê-la essa noite — Ele puxou-a, mantendo-a as suas costas a modo de escondê-la — Contanto que venham assistir nossa apresentação.

– Oh-ho-ho-ho! — O primeiro cavaleiro voltou a pronunciar-se — Então ela é uma das suas!

– Ela canta? — Perguntou um — Você canta!? — Suas palavras foram para Sansa.

– Muito bem, para ser sincero — Interviu o menestrel.

– Ótimo! Precisamos comemorar nossa vitória com muito vinho e música! — Houve risos e gritos de concordância. — Diga a Aliria para que prepare um grande banquete, que nós os cavaleiros de Felwood vamos celebrar!

– Seja o meu convidado, Ser. — Disse com ironia, embora não tenha sido notada.

O casal se afastaram do septo e conforme caminhavam mais cavaleiros iam chegando ao vilarejo. O medo dominava os dois que sabiam que até ao anoitecer aquilo estaria fedendo acavalos e metal, mas o que Sansa não sabia e que Yros sabia era de qual lado eles estavam.

– Precisamos dar um jeito em você. — Sansa ouviu-o sussurrar.

– O que...?

– Eles a reconhecerão, não resta duvida. — Sussurrou ainda mais baixo.

Sabia que o menestrel estava coberto de razão. Ele me reconheceu. Pensou. Mesmo sem nunca ter me visto ou estado no mesmo lugar que eu. Isso levou-a a questionar se eles realmente não haviam se encontrado alguma vez. Não... Concluiu. Eu definitivamente me lembraria de alguém como ele. Meneou a cabeça em sinal positivo.

– Devemos pedir auxílio para Aliria.

– Aliria? — Sentiu receio.

– Algum problema? — Parou de súbito.

– N-não... — Respondeu, acobertando a mentira. Havia grandes problemas nisso, a dona da pousada a achava metida e mimada, se soubesse da verdade...

– Não iremos dizer à ela quem você é, não se preocupe. — Acalentou Yros, voltando ao percurso.

Eles não trocaram mais nenhuma palavra, muitos cavaleiros desejavam um bom dia para o bardo e quando respondidos, confirmavam a presença no Vareta Grande esta noite e toda vez que isso acontecia Sansa tinha de engolir seu coração de volta. Quando finalmente chegaram na pousada, vários visitantes a lotavam e os funcionários corriam de um lado para o outro e da cozinha se escutava o grito de Willem.

– Isso aqui está uma loucura! — Sally respondeu ao esbarrar em Yros. — Faz um tempão que não temos tantos clientes assim!

– Você sabe onde está Aliria? — Demandou o bardo.

– Foi chamar Jeyne e Merin para ajudar.

– Ela realmente vai precisar de reforços, essa noite Jonquil irá cantar.

Sally encarou Yros com incredulidade.

– Avise Aliria quando encontrá-la para que vá até o meu quarto. — Ordenou e puxou Sansa para a cozinha de Willem.

– Deem já o fora daqui! — O cozinheiro gritou a notar a presença do casal.

– Calma, Willem, guarde essa agressividade para os clientes.

– Se não vão ajudar, também não vão me atrapalhar: F-O-R-A! — Urrou, quase acertando os dois com um jarro d'água.

Imediatamente Yros e Sansa correram em direção à um corredor lateral escondido entre a dispensa e o forno. No corredor que entraram havia 5 portas, que Sansa imediatamente conciliou como sendo quarto de empregados.

– Ninguém virá até aqui — Yros sorriu vitorioso ao abrir a porta do último quarto.

Sansa hesitou, Não é próprio à uma Lady entrar no quarto de um homem ainda mais estando na companhia do mesmo. Disse mentalmente.

– Talvez você prefira ficar no salão...? — Sugestionou.

No mesmo instante Sansa entrou no quarto.

– Como pensei... — Riu.

– O-o que farei...? — Virou-se para Yros, seu rosto exibia desespero. — S-se eles me reconhecerem...

Yros se aproximou dela, retirando-lhe a capa com capuz que mais cedo lhe cedera. Em silêncio, pegou uma mexa do cabelo rubro e a inalou.

– Precisamos nos livrar disso.

Sansa ficou imóvel. O bardo estava tão próximo de si que não conseguiu entender o que ele quis dizer com 'nos livrar disso'.

– Disso o quê?

– Seu cabelo. — Respondeu com naturalidade, afastando-se dela.

– Você pretende cortá-lo!? — Indignação e assombro estava estampado em seu rosto.

– Não ousaria a tal brutalidade, minha querida. — Sorriu, colocando a capa com capuz sobre a cômoda. — Digo pintá-lo. Já pensou em ser morena?

Sansa curvou os lábios em desgosto. Talvez cortá-lo fosse melhor. Se pintasse as madeixas de castanho ou preto ela se assemelharia mais a sua irmã, Arya, e ao seu meio-irmão, Jon, o que não era atributos que lhe agradasse.

– Não há outra coisa que possamos fazer? — Quis saber, agarrando-se aos cabelos. — Eu podia usar um elmo!

Yros gargalhou.

– A menos que você queira que sua identidade seja descoberta e sua cabeça entregue ao Rei Joffrey e a Rainha Regente, você irá tingir o seu cabelo.

– E se eu não me apresentasse?

O semblante do menestrel se fechou e pela primeira vez Sansa sentiu medo do que viu.

– Isso não é uma opção. — Ele caminhou em direção a porta e tornou a abri-la. — Vou procurar por Aliria para que ela venha cuidar de sua aparência enquanto lhe compro o traje para essa noite. — Dito isso, ele saiu do próprio quarto, deixando-a sozinha.

Não demorou muito, até que Aliria aparecesse à porta com algo curioso à mãos.

– Então? — Provocou a mulher.

– Então o quê? — Sansa fez-se de sonsa.

– Decidiu por cantar, não é mesmo? — Aliria aproximou-se dela, indicando a cadeira próxima a cômoda para que ela se sentasse.

– Você tem algum problema com isso? — Seu tom era o mesmo do da mulher.

– Eu estou ajudando com o seu pequeno 'probleminha' e mesmo assim você quer ser hostil?

Silenciou-se.

– Como imaginei. Agora incline sua cabeça para trás. — Avisou enquanto mexia no conteúdo dentro da cuia que tinha em mãos.

– O que é isso? — Quis saber antes de obedecer.

– Algo que vai escurecer os seus cabelos. — Disse fazendo pouco caso.

– Para sempre?

Aliria riu.

– Você é bem burrinha, não é mesmo? É claro que não! Após algumas lavadas a cor voltará ao normal, mas para hoje será o suficiente. Agora incline a porra da cabeça para trás!

As bochechas de Sansa coraram. Seus olhos a incomodava, talvez pelo cheiro da tinta, talvez pelas palavras da mulher. Inclinou a cabeça para trás como fora instruída.

O creme foi passado no cabelo da ruiva. Cada vez que aquela mistura entrava em contato com o seu couro cabeludo uma coceira insuportável marcava o local. O cheiro da substância era muito forte, tinha cheiro de amônia e também de metal, mas no fim, o odor prevalente era o de animal morto, o que lhe resultou em crises de espirro.

– Que música irá cantar? — Aliria perguntou. Não parecia estar realmente interessada nisso, demonstrava mesmo era estar se esforçando para puxar assunto.

– Florian e Jonquil, conhece?

– Tão bem quanto conheço the Dornishman's Wife — Riu.

"Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar."

Aliria cantou o trecho inicial com uma voz tão doce que sobressaltou Sansa.

– Que foi? Achou que eu só limpava quartos nesse lugar? — Ofendeu-se.

– Não, eu só... Não importa. — Deu de ombros, com um pequeno sorriso nos lábios.

– O senhor que a trouxe no dia anterior... — Aliria limpou a garganta. — Ele... Virá hoje para vê-la se apresentar?

Sansa achou estranha a pergunta da estalajadeira, mas respondeu com ingenuidade.

– ...Não sei... — O animal que estava preso em sua barriga novamente fora acordado; o medo parecia surtir esse efeito. — Ele não sabe que vou cantar.

– Ah, é mesmo.. Nem você sabia que ia cantar essa manhã. — Balançou a cabeça em sinal negativo. — Mas ele não é contra isso, não é mesmo?

– Não sei... — Sansa tentou imaginar Sandor quando ele soubesse o que ela estava para fazer — Talvez. — Concluiu.

– Ele... — A mulher parou de tingir o cabelo da garota até formular a frase — Ele é o que seu?

Sansa encarou o teto, tentando pensar em algo certo e adequado para responder. Ele não é meu amigo, também não é o meu Florian, muito menos um parente... A resposta para essa pergunta parecia mais dificil do que inventar uma nova identidade.

– Um companheiro. — Respondeu de prontidão, pensando em Lady, sua antiga loba. Lady também fora a sua companheira, a função da loba era lhe proteger, mas quando ela precisou de sua ajuda, Sansa não foi capaz de ajudá-la e por isso já não a tinha mais.

– Do tipo romântico!? — A estalajadeira se sobressaltou e Sansa pode sentir raiva em suas palavras.

– Não! — Corrigiu-a de prontidão. — Ele é mais como um... Protetor, amigo, companheiro de viagem. — Sansa encarou Aliria pelo canto do olho. — Só que agora não sei se o posso ver dessa forma...

– Por que diz isso? — Soou mais tranquila, embora ainda apreensiva.

– Ele me deixou nesse lugar.

– Qual é o problema desse lugar? — Zangou-se.

– Não é a minha casa... Ele me prometeu me levar para casa. — Havia amargura em suas palavras.

– Eu não o conheço muito bem, mas ele me parece ser o tipo de homem que cumpre o que promete. — Disse Aliria com as bochechas levemente rosadas.

– Você o conhece? — Sansa virou-se para ela, com os grandes olhos azuis curiosos.

Aliria desconcertou-se.

– Digamos que de um jeito diferente do que você conhece, agora vire-se. — Arrumou a cabeça dela de volta na posição anterior, fugindo do olhar infantil.

Sansa mordiscou o lábio inferior.

– E Yros? — Perguntou com ansiedade. — Você o conhece bem?

– Yros é um bom rapaz. — Respondeu — Há poucos meses ele retornou à Felwood.

– Retornou?

– Ah, sim! Yros é um bastardo, mas foi criado em berço de ouro devido a origem de sua mãe. Você pode não acreditar, mas a família por parte de mãe são os nobres de Felwood, ele vive no castelo e ainda assim prefere passar a maior parte do tempo aqui conosco na vila, uma verdadeira desgraça para o avô dele. — Aliria terminara de colorir o cabelo de Sansa e agora deslizava os dedos por entre as madeixas para que a coloração pegasse bem. — Sabe, o avô de Yros não gosta muito dele por ser ilegítimo, só que mesmo assim já lhe foi prometido como herança essas terra, pois parece que a mãe dele não pode mais gerar filhos e como ela é filha única, bem, você sabe, não há familiares próximos para onde ir a herança, então foi necessário que o Velho Fell, seu avô, reconhecesse Yros como um dos seus e não um bastardo qualquer.

Sansa estava boquiaberta com o que ouvia.

– Surpresa, garota? Pois é, ele não parece ter o perfil para ser um nobre. — Aliria riu — Yros adora tocar e cantar músicas, todos da vila gostam muito dele e ele gosta deles em troca. — Terminado de mexer no cabelo de Sansa, pôs se em frente a jovem, com o semblante fechado — E ele parece ter gostado de você também, então trate de tratá-lo bem e dê um fim nesses mimimis aí, ele trata todo mundo bem e é muito bom e gentil, por isso não quero vê-lo metido em confusão por sua causa, nem que você fique abusando da hospitalidade dele, está entendo?

As palavras ficaram presas em sua boca. Queria gritar que era o contrário, que ela ele quem estava brincando com suas gentilezas e não o contrário. Gritar isso parecia ser inútil, primeiro porque a mulher não acreditaria no que diria e segundo, porque bem lá no fundo, ela estava gostando disso.

Aliria e Sansa não mais trocaram palavra de significância, elas apenas se limitaram a relação de hóspede/proprietária, pedindo água para banho para retirar a tinta do cabelo e recebendo o vestido que Yros lhe comprara. Estranhamente, o herdeiro dos Fell só aparecera cerca de 20 minutos antes de Sansa subir ao palco. Nessa altura a pensão já estava abarrocada de gente, em sua maioria cavaleiros ainda armados e empanturrados de carne e vinho.

– Está nervosa? — Yros perguntou, segurando as mãos de Sansa.

A ex-ruiva, agora com suas longas madeixas cor de carvalho não demonstrou felicidade com o toque dele.

– Um pouco — Confessou — Não sei se vou conseguir fazer isso. — Suas mãos suavam.

– Ah, você vai sim! — Seu sorriso estava confiante. — Você viu?

– O quê? — Assustou-se com a possibilidade de ser uma notícia inesperada.

– A cor de seus cabelos, não ficou ruim. Ficou bem sexy. — Piscou com um único olho.

Sansa afastou-se dele, demonstrando desgosto, ainda que fosse mais fácil enxergar resquícios de sua vaidade pelo elogio.

– Desculpe, não quis ofendê-la. — O bardo fingiu entender a falsa reação da garota.

– Você acha realmente que eles não irão me reconhecer?

– Se algum deles te viu, provavelmente foi por um breve momento, que é um tempo insignificante para marcar qualquer detalhe que não os seus cabelos rubros. Eles jamais, assim como eu, pensarão que — Se aproximou de Sansa e sussurrou em seu ouvido — o Passarinho de Kingslanding está fazendo uma apresentação musical em uma pensão qualquer em Felwood. — Ao afastar-se, Yros depositou um beijo carinhoso no rosto da garota — Vamos, já está na hora do grand opening! — Segurando-a pela mão, puxou-a para fora de seu quarto na parte serviçal da pensão para a sala lotada, onde foi forçado um caminho até o palco, atraindo a atenção de muita gente.

– SENHORES, SENHORAS, CLIENTES E SERVIÇAIS DO VARETA GRANDE! — Uma onda de silêncio caiu sobre o aposento. Agora mais de dois terços dos olhares estavam direcionados ao bardo e a garota que estava no tablado de apresentação. — FIQUEI SABENDO AINDA ESSA TARDE DA MARAVILHOSA NOTÍCIA QUE NOSSOS INIMIGOS FORAM DERROTADOS NÃO UMA, MAS DUAS VEZES! RENLY BARATHEON FOI MORTO EM SEU ACAMPAMENTO POR UM MEMBRO DE SUA GUARDA ARCO-ÍRIS E STANNIS BARATHEON AO TENTAR INVADIR KINGSLANDING ACABOU SOFRENDO UMA TERRÍVEL E MERECIDA DERROTA! O PODER DOS LANNISTERS DE ROCHEDO CASTERLY PREVALECE COMO BEM É MERECIDO E GRAÇAS AOS NOSSOS CAVALEIROS QUE LUTARAM BRAVAMENTE EM BLACKWATER! COMEMORANDO À ISSO, CONVIDEI UMA QUERIDA AMIGA PARA LHES PRESENTEAR UMA CANÇÃO. — Yros esticou a mão para Sansa, que ouvia a todas as palavras dele com assombro; Ele agia de um jeito e falava de outro, a garota não sabia o que era verdadeiro e o que era falso, mas preferiu não questioná-lo ali naquele momento e por isso, aceitou a mão dele e tomou a frente do palco. — O NOME DELA É JONQUIL, POR FAVOR, HOMENS, SEJAM GENTIS COM ELA! — Yros abriu aquele sorriso maroto que só ele era capaz de dar. — E ELA CANTARÁ PARA VOCÊS A CANÇÃO CUJA QUAL SEU NOME FOI ORIGINADO: FLORIAN E JONQUIL! — Bateu palmas assim como todos os convidados — Você se sairá bem. — Sussurrou no ouvido de Sansa antes de desaparecer para o meio da multidão, deixando-a sozinha com todos os olhos sobre ela.

Eu não vou conseguir! Sentiu-se travada. As pessoas presentes naquela sala demonstravam esperar algo dela, Eles querem Florian e Jonquil, constatou. Suas mãos suavam e suas pernas tremiam, tinha certeza que um filete de suor escorria por sua testa. Seus olhos passavam de um rosto para o outro, temia ser reconhecida, mas ninguém demonstrava saber quem ela era. Eles só querem a canção. Pensou para consigo mesma. Vai, Sansa, você é capaz de fazê-lo, por que não? Quantas vezes já não cantará essa música? Respirou e inspirou umas três vezes. Talvez se eu fechar os olhos fique mais fácil. E assim o fez; fechou os olhos e desviou os pensamentos para Winterfell quando toda a sua família estava reunida ao redor de um bardo, que alegremente pregava o amor a primeira vista da donzela Jonquil para com o bobo Florian e assim, Sansa ia repetindo os versos junto com o bardo:

"Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

O Inverno está chegando, os Starks foram avisar

O Inverno está chegando e vocês vão se banhar?

Jonquil era a mais esperta e mesmo assim foi uma delas,

Jonquil era a mais bela e se destacava entre todas elas.

Cuidado com estranhos, a mãe delas anunciou

Cuidado com estranhos, nenhuma delas acreditou.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

Na outra margem tinha um moço, de armadura e chapéu de bobo,

Na outra margem tinha um moço, de espada e calção frouxo.

– Belas donzelas que eu vejo a se banhar, são seis delas e apenas uma quero desfrutar.

– Belas donzelas que estão a se banhar, sou Florian, o bobo, e o coração dela eu vou ganhar.

Por de trás de um arbusto, Florian se aproximou

Por de trás de um arbusto, nenhuma delas desconfiou.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar."

Sansa abriu os olhos inundada por uma grande quantidade de confiança obtida após os primeiros versos. As pessoas ali presente, mesmo que entretida com um copo de vinho e flertes, hora ou outra dirigiam a atenção para a cantora. Com deleite, Sansa retornou a cantar.

"Um barulho as assustou, folhas secas a farfalhar

Um barulho o assustou e Florian, o bobo, parou.

Do meio das árvores, seis homens maus apareceram

Do meio das árvores, seus medos floresceram.

– Tenham calma, minhas belas, todas vocês irão ganhar.

– Tenham calma, minhas belas, todos nós vamos partilhar.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

Florian vendo aquilo, teve de se levantar.

Florian vendo aquilo, a sua espada foi sacar.

– Olhe só o que temos aqui, é só um bobo bancando o espadachim.

– Olhe só o que temos aqui, mais uma florzinha no jardim.

As donzelas não entenderam; O que um bobo fazia ali?

As donzelas não entenderam, como um bobo poderia ajudar?

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

– Oh, meu bobo, você veio nos defender!

– Oh, meu bobo, os inimigos vão desaparecer!

Os homens maus gargalhavam de montão

Os homens maus não previram a ação.

Florian deles se aproximou e sua espada fez rodopiar

Em um gramado límpido, sangue de um deles fez jorrar.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

– Se vocês não sabem, um bobo eu posso ser,

– Se vocês já sabem, com um cavaleiro vão ter.

Jonquil do rio saiu, com suas roupas íntimas encharcadas,

Com um gesto de mão, vieram suas irmãs avoadas.

– Mãe proteja esse bobo, ele não sabe o que faz.

– Guerreiro dê-lhe força, para que os homens nos deixem em paz.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

– Nossa presa você fez escapar, e por isso há de pagar.

– Nossa presa você fez escapar, e agora vamos ter que te matar.

Os homens maus de Florian se aproximaram.

Os homens maus suas espadas sacaram.

– Eramos em seis e agora somos só cinco,

– São seis donzelas, você pode ficar com uma delas.

Florian neles não acreditou, Jonquil não o aceitaria.

Ele queria o seu coração, e não apenas a usar como montaria.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

Jonquil você deve vir, a irmã mais velha a chamou.

Jonquil você deve vir, esse bobo não vai ganhar.

– Pois aqui eu vou ficar, daqui ninguém vai me tirar.

– Clamo ao Pai, a Mãe e ao Guerreiro, quero que esse bobo termine inteiro.

As irmãs a deixaram, não havia como obrigá-la.

As irmãs a deixaram, ela sabia onde encontrá-las.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

– Mãe, deveria tê-la ouvido, o rio esses dias é um perigo

– Mãe, deveria tê-la ouvido, teria sido melhor se banhar em seu abrigo.

Florian com os homens lutava, mais sangue nas rosinhas derramavam

Florian com os homens lutava, agora poucos lutadores restavam.

– Esse bobo é muito bobo, de bobo ele não tem nada

– Esse bobo é muito bobo, queria que ele também fosse bobo com a espada.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar.

– Essa espada é encantada, foi feita com amor.

– Essa espada é encantada, uso ela com ardor.

Os homens vencidos partiram por fim,

Florian, ferido, lutou até o fim.

– Oh, meu bobo, que por mim lutou bravamente,

– Diga-me seu nome, pois sou grata eternamente.

– Eu sou o Florian, gentil donzela com sol nos cabelos,

– Eu sou o Florian, que por hoje foi seu cavaleiro.

Seis donzelas em um rio,

Seis donzelas a se banhar,

Seis donzelas com frio, com os pelos a arrepiar."

O último verso soou pelo salão e uma onda de aplausos rompeu o murmurinho abafado da multidão. Sansa estava maravilhada com aquilo. Sua voz não era treinada e ainda assim fez um ótimo trabalho visto pela reação da multidão. Estava estasiada com aquilo que se sobressaltou quando a mão de Yros grudou-lhe o pulso e a tirou do palco.

– Muito bem, Jonquil. — O bardo provocou, arrastando-a até o balcão onde Aliria estava servindo copos e Willem levando porções de comida. Pôde ver pelo canto dos olhos uma outra mulher tomando o seu antigo lugar e dando início a canção que Yros cantara hoje cedo do septo. — Eu lhe disse que iria se sair bem e por conta disso, me deixe lhe pagar uma cerveja. — Sorriu, empurrando-a pela cintura até que ela se encostasse no balcão.

– Meu pai não gostava que eu bebesse... — Protestou, receosa de que pudesse falar algo que não devia com toda aquelas pessoas ao redor.

– Ele não está aqui — Insistiu o homem. Assim que Aliria pôs dois copos de bebida em sua frente, passou um para Sansa. — Vamos fazer um brinde, ao seu sucesso como cantora! — Ergueu o copo, indo de encontro ao que a garota segurava.

No momento em que Sansa ia tomar o primeiro gole, uma mão pesada de um homem que estava as suas costas tomou-lhe a caneca e esvaziou o conteúdo da mesma.

– O que pensa que está fazendo, Passarinho? – A voz estava carregada de mau-humor. Sansa não precisou se virar para dizer quem era, ela já sabia... Sandor!

Notas finais
ME DESCULPEM PELA DEMORA! Demorei 3 meses para postar esse capítulo e se eu dissesse que é por causa do TCC estaria mentindo.. A realidade é que eu não conseguia encontrar em lugar nenhum a canção de Florian e Jonquil, então, eu tive que criá-la.. SIM! Essa canção é de minha autoria! Nunca escrevi uma canção antes, me arrependi trocentas mil vezes de tê-la mencionado no capítulo anterior (o que fez com que eu não conseguisse excluí-la ou substituí-la), então, se gostarem bem, se não gostarem amém! ( Por favor, gostem! D: )A respeito desse capítulo, só tenho uma coisa a dizer: ele criou vida própria! Não queria que a relação entre Yros e Sansa tivesse evoluído dessa forma assim tão cedo, mas tudo o que eu tentei fazer para moldá-lo do jeito que eu queria virava uma bagunça completa... Então deixei O Voo do Passarinho escrever esse capítulo do jeito que ele queria, rsrsBom, como é de praxe: Gostei muito de ter recebido comentários, isso acelera o processo de criação dos capítulos, então se estiverem com vontade, o façam. Se a estória o estiver agradando, há a opção de favoritar e o que os faz feliz também me faz feliz! Aceito sugestões, se tiver alguma coisa que queiram ver acontecendo, diga-me que sua ideia será creditada! :D