O Voo Do Passarinho
8 Capítulo 8 - Mau Tempo
Notas iniciais

Durante três dias e quatro noites Sandor Clegane e Sansa Stark cavalgaram rumo à Ponta Tempestade, a verdadeira sede da Casa Baratheon, uma nobre e antiga família mais condenada do que a dos Starks, visto que Robert, o herdeiro legítimo dessas terras ao se tornar Rei transferiu a posse para seu irmão caçula, Renly, que falecera a menos de uma quinzena atrás, sendo agora herança de Stannis, embora este tenha sido visto pela última vez na Batalha de Blackwater e até o presente momento, nenhum dos dois viajantes sabiam de seu paradeiro e se caso fosse dado como morto a propriedade iria para o Rei Joffrey I, que apesar da incerteza de seu berço era o parente mais próximo dos Baratheon, levando em consideração até mesmo a pequena Shireen, filha de Stannis, que por ser mulher não teria direito aos bens do pai, considerado traidor da Coroa.
Tentando evitar que se deparassem com cavaleiros retirantes de Porto Real a viagem foi realizada apenas por entre a mata, nunca pela Estrada do Rei e se alimentaram apenas do que tinham consigo como o pão e o queijo que Sandor ganhou do simpático senhor quando fora vender as joias de Sansa, e o que conseguiram encontrar pelo caminho, como peixe, amoras silvestres e água; O queijo e o pão foram os primeiros a acabar e conforme se aproximavam mais de seu destino os alimentos encontrados na natureza se tornaram escassos. O pseudo-cavaleiro se tornou um tanto quanto ranzinza com este fato, mas devido também as altas reclamações da garota que a cada refeição recusava o que lhe era servido ou da quantia que lhe era lhe dada, por isso, quando primeiro avistaram por meio de uma neblina gélida noturna o que parecia ser um grande punho de pedra erguido em direção aos céus ambos soltaram um suspiro de alívio. Era Ponta Tempestade que se erguia bem diante de seus olhos, o punho em pedra era a torre do castelo amplamente espaçosa cercada por ameias e pontas de ferro, uma verdadeira obra de arte e um desaforo aos céus.
A primeira atitude que Sandor Clegane tomou foi procurar uma pousada com estrutura semelhante aquela de Felwood, mas que dessa vez não houvesse nenhum bardo; O homem queria se assegurar de que não voltaria a correr o mesmo risco de dias atrás. Não tardou muito até encontrarem uma estalagem chamada: O Bom Vento, aparentemente uma ironia, visto que desde que entraram nas terras da tempestade apenas ventos carregados de chuva de diversas intensidades os receberam, não era estranho que a propriedade dos Baratheon tenha recebido esse nome pelas grandes e constantes tormentas, tanto é que o bucolismo do local devido ao céu sempre fechado tinha um grande efeito sobre os moradores e visitantes, mas muitas vezes essa reação era atribuída as magias presentes em cada centímetro do castelo.
– Bom dia, Sor.
Um simpático velhinho de cabelos brancos e costas arqueadas os recepcionou. O Bom Vento estava vazio. Na sala de recepção haviam apenas mesas e cadeiras desocupadas e todo o estabelecimento emitia um som sepulcral selado com os distantes trovões de mais uma tempestade que se aproximava. Sandor não mais achou estranho o fato do falecido Rei Robert ser do jeito que era, crescer naquela fortaleza era o suficiente para abalar a mentalidade de qualquer indivíduo.
– Um quarto — Se pronunciou e tomou a frente quando o senhor lhe indicou o caminho. Não foi preciso se virar para saber que sua companheira de viagem o estava acompanhando, o barulho das vestes molhadas da jovem indicou o que ele esperava. Quando chegaram em frente a uma grande porta de nogueira o dono do local a abriu com uma chave enferrujada e em seguida a entregou ao hóspede — Entre — Indicou o quarto para Sansa que sem esperar segunda ordem o obedeceu.
– Posso lhe fazer algo mais, Sor? — O agradável homenzinho juntou as mãos em expectativa, aparentemente deveria fazer bons tempos desde a última vez que o local fora utilizado. Ou ele simplesmente é estúpido por servidão, constatou.
– Não sou nenhum Sor. — E dito isso, Sandor bateu a porta atrás de si.
O quarto era mais espaçoso do que esperava, havia uma larga cama da mesma madeira que a da porta, velas espalhadas por todo o quarto garantindo sua iluminação, um amplo baú aos pés da cama e dois criados, um em cada lado da cama. Isso era apenas em uma metade do quarto, na outra parte havia uma parede de treliças e por de trás o que Sandor julgou ser uma banheira, uma jarra para higiene breve e uma cadeira-penico. Havia também ali ao lado da porta uma grande lareira de pedra polida, já acesa, assim como as velas, indicando que o bom senhor que os recepcionara mantinha quartos prontos de ante-mão.
– Dispa-se — Dirigiu-se a Sansa, que demonstrou confusão ao que acabara de ouvir.
– Perdão? — Sua voz soara frágil e trêmula. O que a garota encontrou ao virar-se para Sandor foi um homem no processo despir-se.
– Dispa-se — Tornou a repetir com a voz áspera — Ande logo com isso.
Sansa ao se deparar com aquela cena agiu de imediato dando-lhe as costas e agarrando ao próprio corpo em sinal de que não o obedeceria. A única vez que a garota ficara sozinha em um quarto com um homem ela tinha menos idade do que o seu irmão Bran, e Theon Greyjoy, o rapaz da ocasião, só entrou em seus aposentos porque estava se escondendo de Jon durante uma brincadeira de esconde-esconde, mas o garoto de cabelos cor de palha não ficara lá por muito tempo e ainda assim, os dois trajavam roupas e não havia planos aparente para se livrarem delas.
Sandor teve um grande trabalho para retirar aquela armadura sozinho, faziam dias desde que a vestira e durante todo esse tempo de ficar exposto a chuva e ao sol levou ao enferrujamento do metal, porém ainda assim conseguiu se livrar da carcaça em tempo recorde. Quando a última parte da armadura caiu ao chão, que foi a cota de malha, ele se virou para a garota para ver como estava indo o progresso dela.
– Se o passarinho estiver com dificuldade para se despir eu posso lhe ajudar — Havia escárnio em sua voz.
A garota Stark corou e se agarrou ainda mais, não entendia como ele dizia aquelas coisas com tanta naturalidade. Seu estômago estava revirando, tanto de fome quanto de desconforto, temia que o pedido dele tivesse relação com aquele beijo que trocaram quatro noites atrás.
Não me obrigue a fazer isso, Passarinho. Sandor pediu em silêncio, mas tudo o que é feito e dito e silêncio nunca é registrado, por tanto ele teve de seguir o que dissera anteriormente e suas mãos pesadas pousaram sobre os ombros de Sansa, arrancando-lhe a capa que outrora fora sua.
– Não! — Ela gritou, afastando-se dele — Eu... eu o farei! — Comprometeu-se.
– Faça isso lá atrás, se sentir-se melhor — Sugeriu o Cão, apontando a parede de treliças.
Sansa dessa vez não tardou para seguir o que lhe foi dito. Conforme andava os seus sapatos rangiam pela umidade presente neles. Sentia muito frio e retirar as roupas de bardo que trajava foi um sacrifício e quando o fez uma onda de calor subiu-lhe pelo o corpo causada pela vergonha e o medo que sentia pelo o que estaria por vir. Arrependeu-se amargamente de ter deixado Yros escolher aquelas roupas, diferente do vestido azul que trajava quando deixara Porto Real, aquela vestimenta não permitia o uso de corset e o calção que usaria por de baixo do vestido teve de ser substituído por um modelo mais justo e mais curto que nem mesmo uma prostituta usaria.
– Por que está demorando tanto? — A voz de Sandor a retirou de seu transe.
– S-senhor... — Chamou.
– Já lhe disse que não sou nenhum senhor – Corrigiu-a.
– Sandor... — Tornou a chamá-lo, dessa vez da maneira que ele julgava ser a correta.
– O que quer? — Soou impaciente, como se algo o incomodasse.
A jovem não sabia como dizer aquilo. Estava com tanta vergonha que em seu intimo desejava estar morta do que naquela situação. Tinha asco de Sandor, de seu rosto e de sua atitude, tudo relacionado a ele era motivo de desgosto. E ainda assim o beijei... O seu rosto esquerdo ainda doía onde ele lhe esbofeteara e seus lábios ainda tinham a essência dele. Estava e sentia-se nua e a única coisa que separavam os dois era uma parede frágil de treliças.
– ...Eu não tenho o que vestir — Confessou.
O homem fungou uma risada do outro lado.
– Já vi mulheres com mais corpo do que você — Rosnou uma risada. Não deveria ter dito isso. Sandor elevou a mão a testa e passou os dedos na sobrancelha em arrependimento — Não se preocupe, não irei espiar. Saia dai e vá até a cama — Disse e então apoiou as mãos na porta, ficando de frente para ela. Teria apoiado-se na lareira se o fogo não o assustasse mais do que o frio.
Relutante, Sansa se moveu. Antes de se tornar visível colocou sua cabeça no fim da parede de treliça e se constatou que Sandor realmente cumprira o que dissera. Em uma corrida ágil jogou-se em cima da cama e se cobriu. As roupas molhadas foram largadas no meio do percurso e ao caírem no chão emitiu um som oco.
– Está coberta, Passarinho? — O homem perguntou antes de se virar.
– S-Sim — Sansa respondeu, tentando se aquecer com as cobertas. Sua pele estava gélida e pegajosa. O ar de Ponta Tempestade ao ser misturado com a água doce das tormentas e com a água salgada da Baía dos Naufrágios causava uma reação estranha à pele, atribuindo-a a impressão de oleosidade excessiva.
Sandor virou-se para ela. A cama era grande de mais e a jovem parecia sumir entre as mantas e cobertores. Um sorriso discreto brotou nos lábios de Sandor.
– Aqueça-se, irei pedir algo para comermos e bebermos — Anunciou e em seguida retirou-se do quarto.
Ao ver a porta se fechar Sansa sentou-se na cama e bateu com as mãos ao seu redor.
– Por que ele não saiu antes!? — Perguntou para ninguém em específico, emburrada. Os passos de Sandor ainda eram audíveis do corredor e não tardou para eles silenciarem. Quando Sansa não mais o ouviu ela saiu da cama e correu até a lareira. A pousada não possuía um aquecedor central, isso explicava o porque dela estar vazia, e as pedras que a levantaram tinham muitos vãozinhos que permitia a entrada de vento. A Velha Ama sempre dissera para todos que quisessem ouvir que a friagem era a inimiga da saúde. Winterfell, mesmo estando localizada ao Norte e o frio ser uma companhia constante não registrou tantas mortes, mesmo no inverno mais intenso, por ter uma construção muito desenvolvida para bloquear o esfriamento, diferente do Sul, que durante a mudança das estações perde muitas pessoas. A Velha Ama dizia que a friagem era a causa mortis desses casos.¹
Se ele voltar eu vou ouvir. Sansa pensou, friccionando os seus braços enquanto estava acocorada de frente ao fogo. Haviam poucas toras para serem queimadas na lareira e mais nenhuma disponível ao redor. Os três dias exposta ao tempo frio não lhe fez bem, sentia a garganta coçar e as vezes um espirro escapava. Seus braços já estavam mais quentes ao toque da mão, mas ainda sentia-os gelados. Eu não entendo, eu já deveria estar melhor. Elevou a mão à testa. Seus dedos ao entrarem em contato com a pele daquela região queimaram. Não havia reparado que estava com febre, apenas sentia o seu corpo estranho e pensara que fosse motivo da temperatura. A boca de Sansa secara com o fato. Não posso ficar doente, não agora, não antes de eu estar em casa. A lareira crepitava alto e diversas fagulhas de fogo pulavam para fora dela. Preciso me afastar do fogo! Isso vai piorar a minha febre. Acreditou e instantaneamente se pôs de pé. Do mesmo jeito que se levantou foi atirada ao chão de madeira velha, fazendo um grande barulho. Sua cabeça rodava e sentia uma leve pressão no crânio. O que está acontecendo? Se questionou. A respiração estava descompassada e o desespero começava a tomar conta. Passos apressados foram ouvidos do outro lado do corredor e vinham na direção do quarto que estava hospedada. Oh não..! Ele está voltando..! Sansa arfava e respirava pesado. Tentou novamente se por de pé, mas não tinha força nem nos braços e muito menos nas pernas. Começava a ver bolhas flutuando no ar e transpirava suor frio. Por favor... Não abra a porta, não abra a porta... Implorou para os Velhos Deuses e para os Novos, mas nenhum atendeu sua prece. A maçaneta girou e em seguida um Sandor vestindo uma camisa de algodão e uma calça de couro com botas adentrara o aposento.²
– Sansa! — Gritou o nome dela ao ver o estado no qual ela se encontrava.
A pressão na cabeça de Sansa aumentara. Sentia vergonha por ser vista daquela forma. Inutilmente colocou um braço na frente dos seios enquanto com o apoiava-se ao chão para ganhar estabilidade.
– Não... me... olhe... — Sussurrou. Sandor não pareceu ouvi-la e se ouviu, não deu bola. De imediato ele a tomou no colo.
– Você está gelada — Disse, quando sua pele encontrou com a dela — E ainda assim queima — Caminhou com ela até a cama e a pôs no meio das cobertas em seguida mediu a temperatura temporal da garota e fez uma expressão alarmante — Não saia daqui — Ordenou antes de sair novamente do quarto.
Assim que foi posta na cama tratou de se cobrir com a manta. Uma onda de frio a assolara da cintura para cima, da cintura para baixo sentia calor. Sua respiração ainda estava descompassada e sentia vontade de vomitar, ainda que não tivesse nada no estômago para ser descartado.
Não tardou muito e Sandor retornara ao dormitório trazendo consigo um balde de água. Sem parar para ver Sansa ele entrou atrás da parede de treliças e quando saiu de lá carregava consigo a jarra e a bacia para higiene pessoal cheia de água e então sentou-se do lado da jovem na cama.
– Menina tola — Blasfemou-a — Por que não disse que estava se sentindo mal!? — Gritou, torcendo a esponja que estava dentro da bacia e então colocando-a sobre a testa de Sansa.
– E-eu não sabia... — Choramingou, encolhendo-se nos acolchoados.
– Como você se sente? — Perguntou com a voz áspera. Ele está preocupado. Sansa interpretou.
– Mal... — Respondeu.
– Mal como!? — Rangeu os dentes na obviedade da resposta que ela dera.
– Sinto frio — Confessou.
Ao ouvir a resposta Sandor parou de passar a esponja na testa de Sansa. Se a pessoa vitima da febre sente calor, então é necessário refrescá-la, mas se a pessoa sente frio, então não é uma boa resfriá-la ainda mais.
– Se cubra, Sansa. — Ordenou, puxando as cobertas para mais próximo dela, empanando-a com um mar de lã.
– Eu não quero morrer... — Chorou — ... Eu quero ver a minha família, quero me reunir aos meus irmãos e andar pelas paredes de Winterfell... Por favor, não me deixe morrer! Por favor, por favor, por favor... — Implorou, agarrando a manga de Sandor tamanho o desespero que sentia.
– Você não vai morrer, Sansa Stark — Soltou-se dos dedos de Sansa. Era a primeira vez que ele se dirigia à ela dessa forma — Você irá retornar para a sua família e verá seus filhos correndo pelo lugar onde eles nasceram — Ele não podia dizer que era Winterfell. Winterfell não mais existe, Winterfell foi queimada. Mas ela não precisava saber isso agora — E todos eles serão belos lordes e ladys — E nenhum deles serão meus. Sandor pensou. Tentar confortá-la apenas o feria. Essa capacidade que ele tinha de ferir as pessoas apresentava-se como um karma. Se ele não feria o outro ele acabava se auto-sabotando.
– Você promete? — Perguntou toda inocência.
– Sim, Passarinho, eu prometo.
– Você fica comigo? — Pediu, com medo de ficar sozinha. Ele não era a companhia que ela queria. Talvez Yros a agradasse mais, mas era em Sandor quem ela confiava. Não que ele pudesse fazer algo para ajudá-la, nem mesmo olhar para ele despertava sentimento de casa, porém tinha algo ali que ela não entendia e também não estava afim de pensar nisso agora.
Sandor depositou seus olhos nos dela. Ela parecia tão abandonada e pequena ali. Ela parece um cão sem rumo. Constatou. Procurou a mão dela e a segurou.
– Sim, Reyla³, eu ficarei com você — Disse em uma voz que não era nem um pouco habitual à Sandor Clegane. Havia melancolia ali, o ar de Ponta Tempestade parecia tê-lo afetado.
– Q-quem é Reyla? — Sansa perguntou. Aquele definitivamente não era o nome dela. Reyla é um nome feminino e na visão da garota, o homem a sua frente não era do tipo que se tornava afetuoso com uma mulher. Um desconforto a atingiu e foi interpretado como curiosidade, embora no fundo não fosse, mas mais uma vez ela não estava afim de pensar nisso agora.
O semblante de Sandor fora alterado mais uma vez e ele voltou ao seu eu habitual e soltou a mão de Sansa, como se ela tivesse tocado em sua ferida.
– Não é da sua conta — Respondeu com rigidez.
– Você a amava? — Não se deu por vencida. De tantas perguntas que poderia ter feito, não compreendeu porque essa foi a primeira. Sandor encarou Sansa por um instante, fitando um olho dela de cada vez. Ele encontrou alguma coisa que lhe interessou, porque ele não voltou a ignorá-la.
– Sim — Respondeu com simplicidade.
– O quanto? — Sansa não desistiu das perguntas sobre o assunto. Não deveria perguntar sobre isso. Pensou para consigo, mas havia uma urgência em saber sobre isso — O quanto você a amava? — Perguntou novamente sem dar tempo de Sandor responder.
– Muito — Havia sinceridade nas palavras do homem — Mais do que amei qualquer mulher que conheci. Reyla era o meu chão e o meu céu, a única coisa boa que aconteceu em toda a minha vida.
Sansa engoliu os próprios dizeres. Uma jorrada de perguntas passou por sua cabeça, todavia nenhuma ganhou voz, exceto uma, que saiu em um único sopro que ela julgou inaudível.
– Você ainda a ama?
– Do nascer do sol ao anoitecer — Respondeu com emoção, sem desviar os olhos de Sansa e a garota fez o mesmo. Uma das primeiras vezes que ela por vontade própria fixou os olhos em seu rosto. O silêncio brotou entre os dois e o contato visual foi quebrado. Sansa se colocou em posição fetal voltada para o lado oposto ao qual ele estava e discretamente uma lágrima solitária escorreu pelo rosto. Sandor a viu chorar, mas nada disse ou fez, entendia o motivo da lágrima tão bem quanto a dona dela.
– Sinto frio... — Murmurou a queixa.
As suas costas Sansa escutou o barulho de tecido em atrito com a pele e não atribuiu importância, até Sandor se dirigir a ela mais uma vez com suas palavras ásperas e repletas de autoridade:
– Me dê espaço.
– O quê? — Sansa virou para ele. De novo em pouco tempo foi surpreendida. Ele não trajava roupa alguma, exceto por uma bermuda íntima de tecido tão fino, mas tão fino que era possível ver o membro do homem à pouca luz — NÃO! — Gritou e se enfurnou ainda mais na coberta, cobrindo o rosto.
– Deixe de ser ridícula! — Berrou de volta — Vamos, me dê espaço na cama! — Ficou parado aos pés da cama esperando, mas Sansa nem se mexeu — Maldita seja, mulher! — Dito isso, ele deu a volta na cama e subiu nela pelo outro lado, entrando de baixo da coberta.
– NÃO! — Sansa gritou se debatendo, puxando a coberta só para si. A atitude foi em vão, pois Sandor já se apoderara dela.
– Você disse sentir frio! — Ele gritou, tendo certeza que o senhor que os recepcionara podia ouvir essa última parte da conversa.
– Então me de a coberta e saia da cama! — Retrucou, sem sair debaixo das cobertas.
– Maldita... — Murmurou e imitou Sansa, cobrindo até a cabeça com a coberta e se aproximou dela na cama, sem nada para afastá-los ele segurou-lhe o braço.
– Me solta! — Se debateu, buscando liberdade. Sandor subiu em cima dela, com a coberta sobre eles a encarou com severidade, agora tendo os dois braços de Sansa imobilizados por sobre a cabeça da mesma. As bochechas da garota estavam coradas não por causa da febre, era devido a vergonha que sentia. — Por favor... — Suas palavras se tornaram mais delicadas ao dar-se por vencida.
– Eu não vou lhe fazer mal, quero apenas que você durma próxima de mim — As palavras de Sandor traiam suas próprias intenções. Não havia mais treliças para separá-lo dos seios se Sansa e podia sentir a textura da pele da jovem em contato com o seu peitoral. Como das últimas vezes, seu pênis não tardou em demonstrar suas verdadeiras intenções. Deu graças aos Sete por ele ser maior do que ela e por ela estar com as pernas dobradas ao lado dele.
– Eu não quero! — Gritou decidida.
– Você precisa!
– Por quê? — Ergueu a cabeça e a abaixou rapidamente em ar de superioridade.
– Só as cobertas não estão te esquentando — Disse com rigidez no que Sansa calou-se e virou a cabeça para outro lado.
– ... Eu não vou dormir com você... — Murmurou com significado em suas palavras. Sentia vergonha em dizer a palavra exata para a ação dormir.
Sandor gargalhou, fazendo com que ela se sentisse ofendida.
– Já lhe disse que não vou fazer nenhum mal à você! — Respondeu ainda em meio a risada e deixou-se cair na cama ao lado dela, retirando a cabeça para fora da coberta. Infelizmente para mim e felizmente para você. Disse consigo mesmo.
Sansa ao se ver livre o acompanhou, colocando a cabeça para fora da coberta e tampando os seios com a manta.
– Venha — Ele a chamou, afastando o braço direito do meio do caminho. Sansa hesitou. Ele deve ter feito a mesma coisa com Reyla... Pensou, e ao fim do pensamento se aproximou dele e encostou a cabeça em seu peito, com os olhos fechados com força.
– Viu? Eu disse que não sou nenhum monstro — Fungou uma risada.
– Eu não quero mais fazer isso! — Tornou a afastar-se dele com o coração na boca e virou-se para o lado oposto ao qual ele estava.
– Ora sua... — Sandor a segurou pelo ombro e então foi ele quem se aproximou dela dessa vez, envolvendo-a em um abraço, onde o peito dele encontrou com as costas frias da moça, que se debateu para ganhar a liberdade sem sucesso.
– Durma, Passarinho — Ordenou — Se ficar se debatendo irá acabar perdendo as suas asas — E a sua flor,completou mentalmente.
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