Meu nome é Larissa, tenho 12 para 13 anos, moro com meus pais, na rua 53. Tenho muitos amigos lá, mas tem um certo vizinho em especial que todos acham ele muito estranho, não é maluco, estranho mesmo.


Tenho 3 amigos – os melhores, para ser mais direta – os nomes deles são: Miguel, Lara e Renan. Nós estudamos no colégio “Aurélio Moura”, somos ótimos alunos, não estudamos na mesma classe, porque não temos a mesma idade. Miguel tem 14 anos, ele é alto, tem o cabelo castanho claro enrolado, como se fosse um anjinho mas ele pelo contrário não é. Lara tem 15 anos, ela é loira, baixinha – eu sou mais nova que ela, e ela é menor que eu – com os olhos verdes penetrantes. O Renan tem 17 anos, mas é repetente – ele é o único de nós que não se esforça muito na hora de estudar – ele tem os cabelos pretos, é alto, e muito engraçado é o que mais diverte a gente.


Nós somos vizinhos, eu moro na casa 100, o Renan na 110, a Lara na 120 e Miguel na 130. Tenho um irmão mais novo chamado Ricardo – ele é uma peste – e uma mais velha chamada Isabella, ela é meio estressada, o bom é que ela vive saindo com o namorado, por isso nem me irrita. Mas eu sou atormentada pela peste do Ricardo. Meus pais são bastante presentes. Minha mãe é mais, mas meu pai também se empenha. Minha família não parece mas é bem unida.


Tenho um gato e uma cadela, o gato é meio estranho, ele nunca está em casa. A minha cadela chama Hortência – relaxa, o nome foi minha mãe que escolheu — ela é filhote, acabamos de comprar deve ser por isso que o gato vive na rua. O nome do meu gato é Alfredo – sei que os nomes dos meus animais são meio sobrenaturais, pelo menos pra mim, mas ele era da minha avó, quando ela morreu, nós herdamos – ele é adulto, por isso não se conforma com a Hortência.


A nossa casa, é pequena pra cinco pessoas e dois animais, se bem que podemos retirar o Alfredo. A Isabella namora o Henrique, ele é um cara legal, mas é esportista, ele é muito convencido; ela teve sorte por ele ter escolhido ela, em vez daquelas pessoas desprezíveis que cercam ele – minha irmã que fala isso, e ele concorda – às vezes eu não acredito como eles formam um casal tão bonitinho. Meu irmão é meio chato porque ele é pequeno, vive me infernando, a lição de casa tenho que fazer trancada no quarto senão ele acaba com ela; ele só tem 6 anos, tenho que dar um desconto. A Isabella, tem 16 anos, nós aqui em casa temos uma diferença de idade muito boa, eu e a Isabella temos 4 anos de diferença, eu e o Ricardo temos 6 anos de diferença – quase 7 – e a Isabella e ele tem 10 anos.


Meus pais são meio super protetores – minha mãe, resumindo. Eu não posso sair sem consentimento deles. É horrível. Meus amigos, não suportam.


Sabe aquele vizinho que eu já comentei aqui? Então, ele é uma mala, sempre reclama de nós. É estranho o modo de vida dele, ele não tem móveis, nem televisão. Só uma cama e um telefone, o telefone sempre toca, ele nunca liga pra ninguém nem sai de casa, mas muitas pessoas entram lá. A casa dele tem um muro ENORME, era verde, agora está preto com uns símbolos em branco. Ele é meio louco, ele mora com uma mulher bem legal, ela só sai pra ir no mercado, pra mais nada. Não é estranho? Eu e o Renan já tentamos usar um binóculo do meu quarto pra ver a casa dele. Mas nas janelas tem um tampão preto. A mulher que mora com ele, chama Cristie. Ela é jovem, deve ter uns 18 anos.



Larissa



24 de janeiro, 9 horas da manhã de quarta feira:


Faltava 4 dias pro primeiro dia de aula, todos estávamos empolgados — menos o Renan, é claro ele não gosta da escola – eu estava em casa no café da manhã entre a família – o único horário que a família inteira se reúne – e meu pai estava comentando sobre a manchete do jornal “O DIA” :


“Menino de 10 anos desaparece na noite de segunda feira, pais desesperados”


Meu pai ficou irritado, não era o primeiro a desaparecer, na verdade, era o 3º só nesse mês. Meu irmão perguntando o que tinha acontecido. Eu li embaixo do título, uma pequena informação.


“Menino de escola particular, é seqüestrado na noite de segunda-feira em São Paulo”


Eu falei:


- Então, família, eu estou indo, combinei com o pessoal as 9:30 da manhã, já estou atrasada. Tchau.


Sai pegando uma torrada com manteiga. E dei uma beliscada. Peguei minha bolsa e meu celular e liguei para a Lara, ela não atendeu, então tendei ligar para o Miguel, ele atendeu.


- Oi. O que aconteceu que você não chegou?


- Desculpa, café da manhã em família ! A Lara já chegou?


- Já, todos nós estamos aqui.


- Ok, estou chegando aí.


Nós alugamos – pra ser mais exata o pai do Miguel – um lugar pra nós conversarmos sobre nossos planos, era uma empresa de motos, mas estava abandonada, e é claro que demos um geral no espaço. A sala de urgência é toda vermelha do carpete até o teto. A cozinha – a mãe da Lara, que é cozinheira doou algumas coisas para nós, como fogão, mini geladeira. – é toda laranja e branca, uma graça. A sala de entrada é amarela e azul. Os banheiros são divididos para os meninos e para nós, meninas; então o das meninas é laranja, e dos meninos verde.


Nós sempre marcávamos um horário para se encontrar lá.


Quando eu cheguei lá, todos estavam na sala de urgência, sentados nas poltronas coloridas, me esperando. Eu cumprimentei todos, e sentei na minha poltrona. Eu como a chefe de tudo – pelo menos a líder – comecei a falar.


- Bom, turma combinei com vocês aqui hoje, por algumas causas importantes, meus pais vão viajar, vou ficar uns dias fora, porque a Isabella não fica em casa, e o Ricardo não pode ficar sozinho...


- Larissa, você chamou a gente por causa do seu irmão? – implicou Miguel, me interrompendo.


- Não, temos que conversar sobre o meu vizinho.


- Ah, que bom, uma nova aventura. – comemorou Renan.


- Não é aventura, Renan nós vamos conversar sobre algumas coisas que eu acho que está errado naquela casa.


- Tipo o fato do seu vizinho nunca sair de casa, e tal? – disse Lara.


Eu sei que já falei isso milhares de vezes, mas dessa vez eu tinha informações concretas.


- É, a mulher dele, aquela tal de Cristie, estava na janela de madrugada. Olhando a rua, quando apareceu um carro Audi A4 ela entrou. Parecia estar fugindo dele.


- Nossa! Um Audi A4? O seu vizinho nem carro tem ! Você acha que é alguém da família? Tipo um tio rico e tal? – disse Renan.


- Eu, sinceramente, acho que da família não é. Mas deve ser uma daquelas pessoas que ficam ligando para ele, o tempo todo. A Cristie deve saber. Temos que falar com ela.


- E você acha que aquela mulher vai abrir o bico? – perguntou Lara.


- Para nós não. Mas para a minha irmã... quem sabe?


- Sua irmã? O que ela tem a ver com aquela gente? – perguntou Miguel.


- Elas são da mesma classe. Incrível não é?


- É, não sabia que a Cristietinha 16 anos. Ela parece mais velha. – comentou Renan.


- As aparências enganam, às vezes muito bem... Bem até demais.


Nós nunca conseguíamos chegar a um acordo, dessa vez foi muito bom. Todos concordaram em convencer a minha irmã de abrir o bico daquela mulher misteriosa. Mas o problema é que teríamos que esperar até as aulas começarem, porque a Isabella não tem o telefone da Cristie.


Combinamos o resto e saímos apressados, tínhamos que colocar o plano em ordem. Eu tinha que voltar pra casa, para falar com a minha irmã, mas se ela não tivesse em casa, teria que esperá-la acordada. Estava tão empolgada...


A “casa da ordem” como era chamada a antiga empresa de motos, era muito perto da nossas casas, por isso nem demorei. Mas como a mãe da Lara não estava em casa, porque ela fora trabalhar, Lara foi junto comigo para casa. Quando nós chegamos Hortência – minha cachorrinha – comemorou — ela adora a Lara, e quando chega alguém em casa, ela fica toda entusiasmada – eu brinquei com ela, e fui para o meu quarto colocar a minha bolsa, no cabide. Minha irmã ainda estava em casa, mais precisamente, no quarto ouvindo Lily Allen, a cantora favorita dela, para mim é só barulho, mas para ela é o hino do Brasil.


Eu me aproximei e abaixei o som, que estava quase no máximo. Ela se irritou, até saiu do telefone, enquanto falava com o Henrique; eu falei:


- Isa, preciso muito falar com você!


- É alguma coisa que envolva os seus amiguinhos e suas idéias mirabolantes?


- É, posso falar?


Ela me ignorou, e disse:


- Ok, beijos amor, preciso falar com minha irmã. A gente se fala mais tarde. – ela desligou, e começou a falar – Então, o que você quer?


- Eu quero saber, se você fala com a Cristie !


- Aquela garota estranha? Claro que não.


- Hum... ela é estranha?


- É claro. Ela vive sozinha, não fala com ninguém, tira as piores notas e não repete...


- Você sabe se ela é casada, ou alguma coisa?


- Casada? Ela não fala com ninguém. Só sei que ela mora com o tio, e que ele também é estranho, o nome dele é Júlio.


- Ah, muito obrigada, era o que nós precisávamos, sério, muito obrigado.