O Verdadeiro Mundo Pokémon
22 PARTE 3 - DECISIVOS PASSOS -- Capítulo Bônus: J Duplo
Notas iniciais

RECORDAÇÕES
— VOCÊ É A BONECA MAIS LINDA DO MUNDO! — Giulia abraçou a boneca de pano feita por ela mesma, de pedaços de trapos velhos, os olhos de botões arrancados de camisa costurados na bolinha que era a cabeça.
Aquela frase dita a magoou. Ainda assim, sempre a dizia, porque era como sua mãe falava com ela, e por mais que aquilo a machucasse tanto, insistia em repeti-la, para manter sempre fresca a imagem de sua progenitora.
Uma lágrima percorreu um caminho lento e angustiante pelas suas bochechas. Segurou a boneca com mais força e cheirou as tiras que amarrou como cabelo, pois ainda continham o cheiro de mãe, aquele cheirinho que só os filhos reconhecem sendo únicos de sua progenitora.
— Oh, meu amor, larga esse brinquedo. — O padrasto apareceu na entrada da porta. Tinha acabado de chegar do trabalho na lanchonete de Nochelert, onde fritava batatas e hambúrgueres. O cheiro de fritura misturado ao azedo proveniente das dobras formadas pelo excesso de gordura que se desdobravam por todo seu corpo exalava mesmo à distância. — Já disse que você tem que brincar é comigo. — Começou a se despir. — Vamos então nos divertir um pouco.
Giulia só teve tempo de conseguir jogar a boneca para baixo da cama. A boneca tinha que ficar intocada, imaculada, era a imagem e perfeição daquilo que um dia ela iria ser.
O padrasto a agarrou e sufocou. Os gritos sendo amortecidos por uma das mãozorras tapando a boca da garotinha de nove anos, a outra a segurando firmemente os cabelos curtos para a pequena não escapar.
Sufoco, pressão em cima de seu corpo, a dor lancinante invadindo todo o seu ser.
Depois que o padrasto se retirou, Giulia teve forças de puxar a boneca para si, alva e pura, tão diferente dela: suja e apodrecida. O cabelo doía. Aliás, tudo nela doía, desde o corpo até a alma.
— Porco — murmurou. — Por que insiste em me sujar também?
Mamãe, por que teve que morrer tão cedo? Volta pra mim.
GIULIA ACORDOU DAS PROFUNDEZAS de imagens que vieram sem aviso prévio e inundaram sua mente. Quer dizer, Giulia não, agora ela era Jane, rebatizada pelos Rocket, os únicos que a acolheram neste infindável mundo com incontáveis pessoas.
Agora, como Jane, seu objetivo não era mais se tornar imaculada como a antiga boneca.
— Jeremy? — chamou, ainda entorpecida.
Olhou para os lados do quarto e viu que estava só. Nem mesmo aquela praga do Jorge estava ali. Sozinha. Um interruptor foi acionado dentro de sua cabeça e o clarão repentino iluminou suas ideias. Lembrou. Jeremy já tinha ido embora. Estava sozinha agora.
~×~
ENRICO PUXOU A MÃO E VIU A GOTA DE SANGUE se formar no polegar da mão direita. Levou-o à boca. Era terrível trabalhar no roseiral, vivia sendo picado pelos espinhos das rosas. Não, pensando melhor, o pior era trabalhar no canavial, cheio de Combees e outros Pokémon insetos prontos para morder e ferroar.
O sol forte batia diretamente em sua cabeça e a cozinhava lentamente. Logo, logo, seu crânio seria o prato perfeito para servir um ensopado de cérebro que não praticava mais qualquer exercício. E talvez o prato voltasse, o cliente resmungando porque o cérebro estava muito pequeno. Enrico sorriu, ainda com o dedo na boca.
Os garotos que insistiam em irritá-lo tinham levado seu equipamento de trabalho: um par de luvas que ajudava muito quando era lançado ao rosal e um chapéu de palha que proporcionava sombra para seus olhos — ainda que, em compensação, duplicasse o calor na cabeça. Ao menos não deixava queimá-la tanto.
Aqueles garotos que o importunavam eram um bando de babacas. Zombavam da cara dele por usar o chapéu de palha e ter de trabalhar para manter sua tia — quem atualmente “cuidava” de Enrico — que vivia apoiada à janela, fofocando da vida alheia dos moradores de Agrimoo, mesmo sendo uma matrona esbanjando muito boa saúde para labutar.
E isso fazia Enrico odiar mais ainda à todos os que o rodeavam ou estiveram por perto em algum momento de sua vida: sua tia, por ser uma aproveitadora; os garotos, por importunarem; as outras crianças que fugiam dele quando se aproximava, só porque não tinha pai e também por terem feito o favor de espalhar a incongruente notícia de que sua mãe tinha engravidado de um demônio; o padeiro por olhar torto para ele só por sua mãe ter fugido sem o filho; e sua própria mãe que mentia, dizendo não saber quem era seu pai, e por ter fugido sem nenhuma explicação, o deixado sozinho quando mais precisava de alguém.
— Sem pausas — grunhiu o responsável que monitorava o trabalho de todos no roseiral.
Enrico engoliu a raiva que desceu áspera pela garganta e voltou para suas rosas.
DE OLHOS FECHADOS, OUVIU os dois se aproximarem. Até então, ali caído, tinha se permitido lembrar seu passado. Assim que Lucy e Baker o encontraram ao longe, o agora Jeremy — e falecido Enrico — tentou impelir todas as lembranças da infância, porém sem grande sucesso. Elas permaneciam ali, rondando, sempre perseguindo.
As costas doíam de verdade. A crosta áspera do tronco da árvore à qual se apoiava não melhorava a situação. Eles tinham batido a valer, sem nenhum escrúpulo. Era de se esperar vindo de membros da Equipe Rocket.
— Será que está ferido? — Foi Lucinda quem perguntou.
Jeremy deu um sorrisinho mínimo no canto da boca.
~×~
ANTES DE JANE, GIULIA
O PLANO DE FELICIA ESTAVA FORMADO, e Giulia iria executá-lo.
Conheceu a ilustre na rua, quando vinha da escola. Olhava distraída para o chão quando esbarrou na mulher que virou e a fuzilou com olhar ameaçador.
— Desculpa, eu... Eu...
Felícia amenizou a carranca quando percebeu que era somente uma garota. E... que havia alguma coisa errada com ela.
— Deixarei passar se me disser o que tanto te preocupa — arremeteu, direto ao ponto.
Giulia fitou assustada a mulher à sua frente com seus cabelos curtos e modernos, usando camisa baby look com um R estampado, as calças pretas apertadas e uma bota de salto gigantesco. Como ela sabia que algo a preocupava?
— Como é? Está estampado na sua cara que algo anda acontecendo. — Felícia tentou novamente.
Giulia retesou. Seria uma bruxa? Ela parecia ler sua mente!
— Não te interessa! — gritou a pequena, irritada por ter seus pensamentos lidos por aquela maga megera. E se essa mulher estivesse vendo que ela, Giulia, era usada pelo padrasto? A garota estremeceu diante de tal pensamento e correu.
Mas suas perninhas não eram páreas para as compridas de Felícia. Segurou a garota pelos ombros e a virou de modo a ter um linear fitar de olhos.
— Também sou garota e tenho meus segredos — falou Felícia, tirando uma mecha do cabelo liso e castanho da testa da garota e a depositando atrás de sua orelha. Tinha alguma coisa errada com aquela menina e sensitivamente soube que precisava ajudá-la. A missão dada a ela que esperasse! Uma vida precisava ser salva. — Faremos o seguinte: eu conto um segredo meu e você um seu, tudo bem?
A garota assentiu.
Assim, Felícia, membro da Elite Rocket, soube que Giulia era abusada pelo padrasto. Sentiu a raiva crescente borbulhar dentro dela e quis naquele exato momento vingar a pobre garota. Entretanto a missão recebida já tinha esperado demais, então teve ideia melhor. Sua mente calejada, formulou facilmente um plano para punir o nojento padrasto e o passou para Giulia que ouviu ansiosa o passo a passo que a Rocket detalhava minuciosamente.
NAQUELE FINAL DE SEMANA, GIULIA convenceu o padrasto a levá-la até o litoral, pegando a estradinha sul que saía da cidade. A maioria dos moradores preferiam pegar o Norte em direção à Lucuática que tinha muito mais suporte para o fim de banhar-se.
A beira-mar ao sul de Nochelert não era muito frequentada principalmente por ser tomada quase que totalmente por enormes pedras que durante tantos séculos o mar batia incansável e sem sucesso em removê-las. Tinha de ser cuidadoso com o espaço ao qual se escolhia para ficar, pois ainda que raras, houve casos de morte onde as ondas levaram inocentes corpos em direção à dureza das rochas.
A viagem no carro não foi nada agradável. Energético, o padrasto insistia em querer mexer com a garota, e não notou que a todo momento ela olhava para os lados, nervosa, esperando que nenhuma outra pessoa tivesse a mesma ideia de se encaminhar à costa.
O forte estrondo das violentas ondas se encontrando nas faces das rochas e o cheiro quente de maresia entraram pela janela aberta do automóvel. O padrasto estacionou o carro debaixo de uma árvore litorânea de galhos e folhas vastas. Giulia estava em um misto de medo e excitação. Uma vez ali, não tinha mais volta.
Não demorou muito, Giulia ouviu o chamado. O grasnar de um Taillow atraiu sua atenção para o alto de uma outra árvore por perto. Escondida, entre os ramos e galhos, estava Felícia fazendo a imitação perfeita do Pokémon. Não sorria. Apontou para o mar revoltoso.
Um torpor gelado tomou o abdômen de Giulia. Engoliu em seco e chamou o padrasto.
— Tenho algo para te mostrar — murmurou, chamando o asqueroso homem que sem pensar duas vezes a seguiu até o topo das rochas.
Ali, as ondas batiam fortes e incessantes àbaixo, espirrando pingos gelados de água em seus rostos.
— É um lugar realmente especial. — Ele se aproximou dela.
Giulia sentiu asco apenas na aproximação. Não entendeu porque nada aconteceu e ele continuou avançando. Olhou para o alto da árvore procurando por Felícia, mas ela não estava mais lá. O desespero tomou conta de Giulia. Felícia a tinha deixado sozinha com aquele porco nojento! Fora uma burra por confiar naquela mulher que mal conhecia.
O padrasto continuou:
— Sempre soube que, no fundo, você... — Ele retesou, a mão no meio do caminho de encontro à garota. Fez uma careta.
Uma massa comprida e rosa chamou a atenção de Giulia lá embaixo, a metade do corpo emergido da água. Um Gorebyss com os olhos tomados de luz azul concentrava toda sua atenção no padrasto. Algumas partes do corpo do homem foram envoltas em luz azul, enquanto o Pokémon tentava controlá-lo com o Confusão. Era difícil, pois além dos poderes de Pokémon não terem seu total efeito em humanos, aquele em específico era grande e pesado.
— O-o que você está fazendo sua pequena maldita? — guinchou o padrasto, cuspindo no esforço em falar. Por um momento tomou novamente o controle de seu braço que seguiu direção ao pescoço da garota, mas parou a poucos centímetros. Assustada, Giulia deu um passo para trás, escorregou no limo da pedra e caiu, machucando o cotovelo.
Viu o padrasto lutando contra o Confusão do Gorebyss tentando puxá-lo para a água também. O enorme corpo resistiu o quanto pôde e caiu ao lado de Giulia, enquanto era arrastado para a ponta do alcantilado que se findava e dava lugar ao infinito oceano.
A garota assistiu entorpecida e assustada a batalha dos dedos gordos do homem agarrando e se arranhando na aspereza da rocha, pedaços de unhas sendo deixados para trás, o rastro de sangue saídos dos dedos desesperados se rasgando no atrito pedregoso.
Os músculos da garota iniciaram o processo de tremedeira incontrolável, enquanto observava o grande corpo do padrasto mergulhar no mar, submergir, ser engolido por uma onda que o levou de costas ao impacto direto com as rochas, fazendo perder o ar. Mas não tinha acabado. O Gorebyss reapareceu ao seu lado e em seus quase dois metros de comprimento, enrolou-se firmemente no tronco do homem, e, num golpe violento e certeiro, perfurou, com seu afiado bico, o espaço entre a clavícula e o pescoço do ser repulsivo que se contorceu em seus momentos finais, o sangue esguichando da profunda perfuração e se misturando à espuma não mais branca que se formava do encontro entre a água e as rochas.
Felícia apareceu ao lado de Giulia, ergueu em seu colo a pequena estarrecida e a levou ao pequeno jipe da Rocket escondido, enquanto o porco continuava sendo devorado pelo boto.
Sentou a garota no banco carona e colocou uma mecha de seus cabelos castanhos atrás da orelha.
— Irei retornar Gorebyss à Pokébola. Aguarde aqui. — E se sentiu uma idiota por falar aquilo. A garotinha não era capaz de realizar um único movimento voluntário, parecia estar em choque, o olhar fixo em um ponto longínquo. Não sairia dali nem se a ameaçassem. Deu um beijo suave na testa de Giulia. — Vai ficar tudo bem.
A garota sofrera o suficiente para adquirir frieza e perder a empatia. Felícia não sabia que todo e qualquer carinho que depositaria na garota não seria suficiente para impedir a construção de uma futura mulher mórbida e sádica.
ANTES DE JEREMY, ENRICO
A CABEÇA LATEJAVA. Não suportaria ficar mais um dia exposta ao sol. Precisava ir atrás de seu chapéu protetor e aproveitando a deixa, tomar as luvas de volta.
Encontrou o grupinho formado por quatro moleques. Um deles usava seu chapéu de palha e fazia uma imitação ridícula que nada tinha a ver com Enrico: os dedos das mãos formando chifres na testa, os olhos estrábicos fixados na ponta do nariz.
O sangue ferveu e por um momento sua cabeça pareceu estar a um passo de explodir. Respirou fundo e se aproximou dos babacas.
— Lá vem o filho de Lúcifer! — começou um, assim que o viu.
— Diga, onde será que sua mãe se meteu? Será que seguiu seu pai até debaixo da terra, e tá metendo loucamente com ele, em volta de todo aquele fogo?
— Sempre ouvi falar que ela era rabo quente. Deve ser por isso!
Aquilo foi o ápice. Enrico decidiu naquele momento nunca mais se submeter àquelas brincadeiras baixas e de mau gosto. Foi o estopim para a ação. O enfado de toda a situação pela qual passara o esgotara. E agora este esgotamento se transformara em uma raiva sem precedentes. Naquele momento ele jurava que, se concentrasse, podia matar todos os idiotas com apenas um olhar. Mas antes precisavam pagar por tudo o que fizeram desde então.
Avançou, mas o sangue no olhar não foi o suficiente. Afinal, eram quatro contra um. Apanhou sim, mas fez questão de deixar um deles sem ar com um soco no estômago e outro com um rasgo no olho com sua unha suja. Se não o deixou cego, na certa uma inflamação se daria início.
Depois de terminado, ficou caído no chão, o corpo inteiro doído, cada respiração soando com dificuldade, machucando a região peitoral, um frio penetrando por seus ossos, o tremor incontrolável.
— Ei, garoto...
Com a visão turva, não pôde distinguir quem se aproximou e se ajoelhou ao seu lado.
— Você está acabado... Vai uma ajuda?
Enrico não pôde responder. Desfaleceu.
DESPERTOU COM O SACOLEJAR INCESSANTE, mas não quis abrir os olhos doloridos e inchados. O corpo ainda doía de forma bastante incômoda, mas não tão insuportável assim para voltar a desmaiar. Sentiu que algumas partes de seu corpo estavam imóveis, mas não por ter levado uma surra e sim porque algo as segurava, impossibilitando o movimento.
Havia um murmúrio ao seu lado. Pessoas cochichando.
Abriu os olhos até onde era possível. O cômodo era pequeno e fracamente iluminado por um led colado ao teto. Estava deitado em um colchão fino. Com muito esforço, levantou o braço direito com o pulso enfaixado até o nariz dolorido, onde uma ponta ficou projetada para baixo, depois da surra que levou. Foi assim que Enrico adquiriu seu nariz de Murkrow.
Do outro lado estavam dois garotos que conversavam baixinho entre si. Notaram que Enrico tinha acordado e deram um sorriso fraco.
— Oh, desculpe se te acordamos — murmurou um deles. — Roger disse que quanto mais você descansasse, melhor.
Enrico tentou responder, mas não conseguiu. Seus dentes pareciam colados e prestes a cair se forçasse a abertura.
— Quer um pouco de água? — perguntou o outro menino sem esperar a resposta e colocando com cuidado o bico de uma garrafa de água na boca de Enrico.
O líquido foi engolido com dificuldade, mas de grande ajuda.
— Obrigado — agradeceu, a voz saindo baixa, gutural e rouca. Não seria tão ruim se ela se mantivesse assim, pensou, pois assustaria muito marmanjo.
Os meninos sorriram de volta.
Só então percebeu que não estava em um cômodo e sim no baú traseiro de um automóvel.
— Para onde estão me levando? — perguntou. Fez tentativa de se sentar, mas a cabeça rodopiou e o corpo não aguentou o peso.
— Fica frio aí, cara, apenas descanse — respondeu o primeiro menino. — Estão nos levando para um lugar melhor.
O AUTOMÓVEL PAROU e as portas do baú traseiro foram abertas. O ar gelado da noite penetrou na cabine e Enrico tiritou.
Os dois homens que estavam na cabine do motorista apareceram. Usavam uniformes iguais, com um R estampado no canto esquerdo, acima de onde batia o coração.
— Vamos te levar para o Líder que te encontrou — disse um deles levando no colo Enrico, que não quis reclamar das fisgadas que sentiu ao ser levantado. O desconhecido encaminhou-se para a porta dos fundos de um prédio que não tinha nada de especial.
Juntamente com o outro homem, os dois meninos que antes estavam com Enrico, os seguiram. Ao entrarem, ao invés de subir as escadas para os andares superiores, o homem o carregou para a frente de uma parede falsa que correu para o lado após ser digitada a senha numérica e conferida a digital em um pequeno painel nas sombras, quase invisível. Revelou-se à frente uma escadaria que descia para um fundo negro. Enrico sentiu-se melhor quando luzinhas acenderam conforme avançavam abaixo. Desembocaram em um espaçado hall que dava para inúmeros corredores e portas. Havia também duas escadas laterais que subiam ao andar superior repleto de mais portas e corredores permeando para cada vez mais adentro. Enrico se viu boquiaberto diante daquela enormidade e se perguntou até onde todos aqueles túneis levavam. Talvez tudo aquilo fosse... uma cidade escondida debaixo de outra; uma cidade subterrânea? É, talvez estivesse exagerando.
Foram levados por uma confusão de corredores e finalmente repousados em um quarto até que confortável. Enrico ficou deitado na maca, esperando até entrar um homem de pele preta e cabelo quase que completamente raspado. Seu rosto transpassava tranquilidade e isso acalmou o garoto. O homem dispensou os dois Recrutas do aposento.
— Olhe só quem parece estar muito melhor — sorriu ele, acariciando a cabeça dos outros dois garotos, mas dirigindo-se especificamente à Enrico. — Aqueles garotos acabaram com você.
Enrico corou e fez a tentativa de defender seu orgulho:
— Deixei um quase cego.
O homem riu alto.
— Vi isso quando passaram por mim. Realmente, você é um selvagenzinho, hein? — Sentou-se no canto da maca. Os meninos olhavam atentamente para o líder daqueles dois que acabaram de sair. — Os outros Líderes da Rocket irão te adorar. — O sorriso sumiu ao dizer isto e seu semblante mostrou uma tristeza pesarosa. Mas logo voltou a se animar: — Aliás, meu nome é Roger, sou um dos Líderes da Equipe Rocket e irei prepará-los para se tornarem os melhores Recrutas já vistos.
O TREINO, JUNTO COM PHILIP E BAUM — os dois garotos que chegaram com Enrico —, consistia no equilíbrio entre exercício físico e mental, preparando-os para a rotina de um Rocket, os tornando fortes concorrentes para entrar na Equipe.
Até aquele momento, Enrico estava com doze anos e ainda faltavam três para ser elegível ao alistamento para entrar para a Rocket.
Quando não estava dando treinamento, Roger era alguém muito amoroso para com Enrico. E isso possibilitou a formação de um vínculo entre os dois.
ASSIM QUE COMPLETOU SEUS QUINZE ANOS, Enrico estava pronto para se alistar e ser um possível e futuro Recruta Rocket. Antes de ir fazer a inscrição, foi até a sala de Roger, olhou-o com amor e disse:
— Nunca cheguei a falar isso, mas obrigado por me salvar.
Roger deu seu sorriso inesquecível, branco e sincero.
— Nunca deixaria você morrer ali.
— Não é isso... — grunhiu Enrico, a voz embargada e os olhos se enchendo de lágrimas. — Obrigado por ter salvo os meus dias, por ter me dado a oportunidade de nova vida, por ter salvo essa parte da minha vida. Você é o pai que nunca tive.
Roger abraçou afetuosamente o garoto, que também retribuiu.
— A-agora eu irei fazer a inscrição — murmurou Enrico assim que se afastaram.
— Você é o meu orgulho.
E Enrico se foi. Roger trancou a sala e chorou até não poder mais. Esperava do fundo do coração que o garoto não fosse aceito pela Equipe, mas sabia que isso seria algo impossível, visto que vinha sendo observado com interesse pelos outros líderes.
— Junto com os membros que não concordam com a missão dessa Equipe, irei fazer o possível para tornar real o feito de criar um grupo que preze por toda a população e torne esta região um lugar melhor — disse para si mesmo, após esgotar suas lágrimas.
Naquele momento já estava em andamento a criação dos Revolucionários, onde Roger se tornaria um dos principais chefes do grupo.
— E irei te tirar do meio dessa facção miserável, Enrico — concluiu, convicto.
OS SELECIONADOS
— CHAME A ATENÇÃO, MAS NÃO deixe na cara que está se esforçando para isso. Tem que ser natural, eles devem achar que você é a melhor e pronto — explicou Felícia antes de se despedir da filha e desejar boa sorte.
Durante os anos que passaram, Felícia tinha subido na hierarquia Rocket de Elite para Líder e então finalmente para Executiva. Não era mais um dos Líderes, logo, não iria acompanhar a seleção, até mesmo porque tinha tarefas a completar.
Agora, no imenso hall da base principal, ao lado das centenas de jovens que se alistaram para servir à Rocket, Giulia se sentia nervosa. Esperava que no fim desse tudo certo e ela conseguisse passar firmeza para os líderes que os avaliariam.
Alguns dos adolescentes conversavam baixo entre si, mas Giulia não se permitia desconcentrar tão facilmente e tão cedo. Todos receberam adesivos com seus respectivos nomes, que colaram às blusas.
Naquele momento, ela não sabia, mas Enrico também estava ali entre o aglomerado. Um pouco mais calmo que a garota, pois Roger o tinha treinado muito bem, estava preparado para qualquer ocasião.
— Muito bem, garotos, sou Horace, um dos líderes da Equipe Rocket. Daremos início à avaliação de seleção dos futuros Recrutas da Equipe Rocket! — rugiu no microfone de fio colado à bochecha um homenzarrão com músculos quase explodindo na camiseta. Estava juntamente com o que pareciam ser os outros Líderes (Roger entre eles) na balaustrada do andar superior, observando, de cima, os garotos. Sua voz foi amplificada por alto falantes quase imperceptíveis nos tetos e paredes. No mesmo instante o burburinho vindo dos adolescentes parou. — O primeiro teste consiste em encontrarem, aqui na base, o espaço ideal para realizar um treino físico em massa. Vocês têm cinco minutos, contando a partir... — Ele pegou um controle pequeno. Monitores colados às paredes se acenderam e mostraram o tempo de “05m00s” congelado. Ouviu-se o som tenso dos concorrentes se preparando para correr. Horace apertou um botão no controle e o tempo desatou a correr. — De agora! Vão!
Uma manada deu início à uma correria confusa. Cada um indo para um lado.
Giulia correu sem direção, sem saber para onde estava indo durante alguns segundos, depois parou em um dos corredores e se perguntou o que estava fazendo. O tempo corria: 04m35s. Sabia que aquela base era gigantesca e cinco minutos era tempo impossível para encontrar o espaço com equipamentos de exercício de ganho de massa. 04m12s. Não, o objetivo do teste era outro. Mas... se era outro, que objetivo era esse? 03m47s. Fique atenta a tudo que propuserem. As coisas podem ser simplesmente como disserem, ou pode ser que a proposta esteja envolta, debaixo dos panos, para pegar os desatentos. Tudo vai depender da situação à qual estiverem inseridos, dissera sua mãe. Tinha certeza de que o que Horace falara, fora uma pegadinha. 02m23s. O que ele pedira? Encontrar o espaço ideal para um treino em massa... Era isso! Treino em massa, não treino para massa. Horace queria que encontrassem um local apropriado e espaçoso para a prática de exercícios a um grande número pessoas envolvidas, não para prática de exercícios com a finalidade de ganhar músculo! 00m53s. Olhou para trás. Um pequeno grupo de jovens permaneciam no hall, esperando, tranquilos. 00m15s. Giuia correu de volta em direção ao hall como se não houvesse amanhã. O rosto parecia que iria explodir a qualquer momento com a pressão imposta pelo nervosismo; o ar nos pulmões rarefeito. Parecia um verdadeiro Foguete1 decolando na velocidade da luz. 00m02s. Não vou conseguir, pensou, então fechou os olhos e continuou a correria. 00m00s. Um ensurdecedor som de alarme agudo soou pelos alto-falantes.
Giulia passou voando pela entrada do corredor que dava para o hall no momento em que todas as entradas dos corredores e portas adjacentes eram fechadas automaticamente por pesadas e grossas portas de correr de aço. Quase esbarrou em outra garota que se alistara e estava entre o grupo que esperava bocejando que o primeiro teste terminasse.
Sentiu-se uma minúscula ponta de vergonha por não ter entendido de primeira, mas não deixou se levar por isso. Iria entrar para a Rocket.
Olhou para a grade da escada do andar superior e os viu. Os líderes na balaustrada olhavam duramente para ela. Giulia enegreceu o olhar, esforçou-se para regular a respiração e se aprumou. Era fria demais para se importar com aqueles olhares que seriam cortantes como o gume de uma espada àqueles “fracos de espírito”, mas não a ela. O importante era que tinha conseguido passar pela primeira fase.
Enrico observou a garota que voltara como uma louca do corredor. Na confusão do momento, normal sair junto com a debandada desesperada. Ele, Philip e Baum se entreolharam de canto e sorriram cúmplices, assim que Horace deu a proposta, pois entenderam de primeira a pegadinha. Permaneceram quietos no hall, esperando o tempo acabar.
O som solitário de um par de mãos batendo palma soou pelo hall. Uma das líderes, de comprido e volumoso cabelos rosas, era quem batia palma, com nada mais que uma insinuação de sorriso nos lábios carnudos.
— Parabéns, de cento e oitenta pessoas alistadas, vocês trinta passaram pela primeira prova! Sou Úrsula, e sem tempo para respirar, pularemos para a próxima. Respondam-me: um viajante se vê diante de uma bifurcação da trilha em um pântano. Ora, seu objetivo desde o começo da viagem foi o de pegar o caminho mais fácil possível. Sabendo que o caminho da direita leva à uma trilha onde as árvores estão tombadas e dificultam o avanço e o caminho da esquerda leva à um Tyranitar furioso procurando o culpado que roubou suas frutas, qual dos dois caminhos ele deve tomar? Os que acham que é o da direita, vão para a sua direita, os da esquerda, para a sua esquerda. Não se esquecendo que assim que escolherem uma direção, não poderão trocá-la.
Enrico parou e pensou por um momento e então andou para a direita. Aos poucos o pessoal foi se dividindo em dois grupos. Philip veio para a direita também e após um momento Baum se decidiu e acompanhou os dois amigos.
Giulia estava mais atenta desta vez. Chegou à conclusão com o fato de que só existia uma verdade, e esta era a de que tudo o que Úrsula tinha narrado era a própria verdade, nada além daquilo. Escolheu o lado direito, o que na charada levava às árvores tombadas.
Úrsula sorriu, os lábios carnudos revelando os dentes brancos e reluzentes.
— Quem escolheu o lado direito...
Giulia engoliu em seco. Enrico sentiu o coração pular em seu peito. A líder continuou:
— Passou para a próxima fase. — Ouviu-se um suspiro de alívio de todos que estavam no grupo do lado direito. — Lado esquerdo, espero a todos no próximo alistamento.
— Como?! Por que eles acertaram e eu não?! — indignou-se um dos que tinham se alistado e que fazia parte dos seis que tinham ido para o lado esquerdo. — Tyranitar não vive em pântanos e sim em montanhas, assim, do lado esquerdo não havia tal Pokémon, logo era o caminho mais fácil para ultrapassar.
Úrsula olhou com desprezo para o garoto e respondeu secamente:
— Não pedi para deduzirem o que era ou o que deixou de ser. Contei que havia um Tyranitar no pântano e ponto. Só tinham que escolher entre um dos dois caminhos, portanto mais fácil era ir pelo caminho de árvores tombadas a enfrentar um Tyranitar sozinho.
— Mas se o objetivo do viajante era ir pelo caminho mais fácil, o que ele estava fazendo no meio de um pântano? Por isso escolhi este lado — reclamou uma garota que também estava do lado esquerdo.
Úrsula fitou friamente a garota.
— Sem. Deduções. Ele apenas lá estava. Aceite, e ao menos você, espero não ver mais por aqui! — então berrou: — Reforços!
No mesmo momento Recrutas da Rocket entraram no hall empunhando firmemente armas de fogo.
— O menor grupo; tirem-os daqui! — ordenou Úrsula.
Rapidamente os perdedores murmurantes despacharam-se para a saída sem reclamar.
Restavam vinte e quatro pessoas alistadas e as próximas avaliações foram todas físicas.
Giulia viu um a um ser desclassificado, mas ela permanecia, sempre se agarrando vorazmente ao último suspiro para encontrar forças e concluir os testes.
Mesmo preparado, Enrico estava exausto. Os testes físicos foram feitos um atrás do outro, sem pausa para descanso.
Em dado momento, os que restaram foram submetidos à uma “entrevista” com todos os sete líderes. Sucederam enxurradas de perguntas, uma seguida da outra, justamente para obter a resposta sincera, não dando tempo para os “alistantes” pensarem.
Todos eles sabiam que aquela era mais uma etapa e que dali sairiam mais alguns como eliminados.
ENFIM SOBRARAM APENAS QUINZE. Giulia, Enrico, Philip e Baum estavam entre esses.
Famintos, os corpos tremendo do esforço, a cabeça latejando ao que foram submetidos, os que se alistaram estavam no limite da exaustão e estavam caídos no chão do hall. Os líderes apareceram no andar superior e pararam na balaustrada. Horace falou:
— Observamos e analisamos todos, desde a prática física, até a resposta mental rápida, personalidades e tantos outros quesitos. Formamos equipes que permanecerão juntos até segunda ordem ou deixarem de serem Recrutas, subindo na hierarquia, ou por questões futuras que podem vir a desmanchar o time. São eles: Lígia, Robert e Jim como equipe B...
Enquanto ele dizia o nome de cada um, os novos Recrutas seguraram a emoção para não atrapalhar. Eram os selecionados! O Líder terminou:
— E por fim, como equipe, porém com cara de dupla, temos Enrico e Giulia como equipe J.
Foi formada três equipes com três integrantes, um time com quatro membros e uma “equipe” com dois integrantes. Horace continuou:
— Avaliamos e decidimos que dessa forma, cada membro em sua equipe completa algo que falta em outro companheiro; assim formamos os grupos. Espero que se lembrem da letra de cada equipe à qual estão inseridos, pois é a partir desta que virão seus novos nomes. — Um sussurrado murmuro começou entre os novos recrutas. — Sim, todos serão rebatizados. O treinamento começa amanhã e todos viverão suas vidas aqui e somente aqui; estejam de volta amanhã ao pôr do sol. Usarão uniformes, ou seja, não precisam trazer roupa; terão comida, logo, está proibida a entrada de alimentos, fora em comemorações especiais, que já logo adianto, são raras. Não entrarão também consoles e jogos digitais, pois aqui na base há equipamentos de realidade virtual focados especialmente no treino; sem distrações, desde que sejam jogos de tabuleiro, por exemplo, que desenvolvam a mente. O que quero dizer é, de preferência, não tragam nada. O restante das regras passaremos conforme os dias avançarem. Todos têm o restante da noite de hoje até o fim da tarde de amanhã para se despedirem dos seus entes queridos. Até mais ver.
Os líderes se retiraram. Os novos Recrutas foram para a saída, alegres. Eram os melhores do inicial aglomerado de cento e oitenta pessoas.
Antes de tomar o caminho do hotel em estava hospedada com Felícia, Giulia olhou para o seu futuro companheiro de equipe. Ele se virou para olhá-la também e deu um sorriso de cumplicidade.
NAQUELA FIM DE NOITE, ROGER explicou a Enrico o fato de “uma equipe de dois” de Recrutas ser raro na Equipe Rocket.
— Isso porque vemos que para preencher as lacunas, defeitos e pontos a melhorar dos novos Recrutas, precisamos de no mínimo três pessoas para suprir todos esses espaços que vão aparecendo. Por exemplo, a garota, Giulia é impulsiva enquanto você é calmo, entende? Você e a garota estão entre os raríssimos que se completam e não necessitam de mais nenhum outro como auxílio.
Um sorriso gigantesco brotou na boca de Enrico. Não via a hora de chegar o próximo dia para contar à sua nova companheira de equipe isso de serem exclusivos.
REBATIZAÇÃO
NO DIA SEGUINTE, GIULIA SE DESPEDIU de sua mãe Felícia com um leve incômodo no coração. Aquela foi uma das raríssimas vezes que sentiu algo quente além da frieza rotineira.
Enrico estava muito feliz, diferente de Roger que descobriu odiando-se por estar entregando nas mãos da sádica Equipe Rocket três crianças inocentes que pensavam que já conheciam o suficiente da vida. Mas até dado momento, não tinha escapatória e tivera que fazer o trabalho ao qual fora incumbido: treinar os garotos. Prometeu mais uma vez que os tiraria dali.
Naquele mesmo dia a dupla foi rebatizada, Giulia virou Jane e Enrico, Jeremy. Após ser rebatizada, Jane pintou seus compridos e castanhos fios de uma mistura de branco e prateado.
Foi-se dois meses preparatórios focado principalmente nos valores da Equipe Rocket e em regras, além de muita lavagem cerebral bem feita — esta última presente do primeiro até o último dia como Recrutas —, fazendo os treinandos esquecerem-se de quem era e vestirem convictos e crentes os novos papéis para o qual foram rebatizados.
O treinamento completo durou três anos e assim findando, todos receberam o título de Capanga. Os antigos adolescentes que entraram com quinze, completavam então dezoito anos, prontos para responderem por seus próprios atos e dispostos até a morte a não confessar nada da Equipe Rocket. Cada equipe escolhida três anos atrás já tinha suas características e perfil concretizados, e as missões certas eram cuidadosamente escolhidas e distribuídas para cada uma, evitando assim falhas e erros durante a ação.
Mesmo sendo uma dupla e tendo certo destaque por isso, Jeremy e Jane sabiam que não passavam de Capangas, que todos os recém-formados não eram nada além de grupos de Capangas. Somente o tempo e as missões completas com sucesso os fariam subir na hierarquia.
Em seu quarto, Jane olhou para o cartaz colado em todos os dormitórios da base.
Hierarquia Rocket
CHEFE
EXECUTIVO
Quem executa diretamente as missões:
LÍDER
ELITE
DUPLA
TRIO
CAPANGA
Sujeito a não passar no treinamento:
RECRUTA
Cada nível superior da hierarquia pode dar ordens para o nível inferior estando estes em missão, exceto Capanga e Recruta que recatam ordens.
Ela entendia que tudo não passava de título, pois havia duplas onde seus dois integrantes levavam o título de Trio.
TODOS OS FORMADOS TINHAM CIÊNCIA do objetivo e visão da Rocket: Os Pokémon são vistos como puro negócio que os elevam gradualmente no mundo do dinheiro e negócios, e, como futura consequência, no controle da Toran. Esse era o objetivo final do Chefe: O comando da Região. Para isso, um dos principais lemas era o Raid On the City, Knock out, Evil Tusks!2. Não se importavam de destruir a cidade para alcançarem, juntos, o objetivo.
DE CAPANGAS À TRIO
FOI COMO CAPANGAS, em uma das missões, que Jeremy e Jane se encontraram pela primeira vez com Baker.
Também naquele mesmo dia, encontraram os Pokémon que decidiram levar como parceiros. Até então, usavam os Pokémon cedidos pela Equipe Rocket. Enquanto passavam pela região nevada de Montevasca, Jeremy capturou seu Sneasel e Jane, com uma baita sorte momentânea, encontrou e capturou seu Snorunt Shiny.
Da missão, estavam na região entre Montevasca e Granluz, tentando capturar parte do rebanho de Mareeps desorientadas que escaparam de uma fazenda por perto. Os Pokémon ovelhas-elétricas iriam alimentar uma máquina qualquer que produziria mais dinheiro para a Equipe Rocket. Para isso, cavaram um buraco, taparam com rede e disfarçaram com folhas secas por cima — armadilha essa que Baker detectou.
Por estarem há muito tempo sem encontrarem as ovelhas para orientá-las até a armadilha, ao surgir um pequeno Budew, não hesitaram em iniciar uma batalha desigual entre o Sneasel de Jeremy e o brotinho. Foi quando, repentinamente, apareceu Baker para salvar seu futuro Pokémon e correu até o armazém abandonado, sendo e encurralado pela dupla de Capangas e onde quase foi salvo por Lucy e o antigo Abra dorminhoco e fujão, tudo isso misturado à um Jeremy que recebeu um baque de surpresa por reencontrar Lucy.
Neste dia também fariam quase dois anos que Roger tinha saído da Equipe Rocket e junto com outros membros da Rocket, criado o Revolucionários, que já tinha juntado considerável quantidade de membros e começado a movimentação, sendo um dos planos, a junção com a Rocket, que mesmo não tendo os mesmos princípios, era um grupo poderoso, detentor de grande parte da economia de Toran.
OIKOS HEX, O LAR DE FEITIÇO, apareceu na vida de Jeremy e Jane quando ainda eram Capangas. O garoto não precisou passar por treinamento, pois muitas ações da tomada de Toran já estavam à toda e até mesmo porque o único interesse da Equipe Rocket estavam focados em seus supostos talentos especiais.
O garoto foi rebatizado Jorge, nome com a mesma inicial dos outros dois, e possibilitou a elevação do grupo à Trio, subindo a hierarquia, perdendo o renome de pertencer ao grupo de Recrutas J, estando um nível acima, sendo sim um trio, mas podendo agora cada um receber missões individuais. Não eram mais o inicial grupo J, tinham perdido essa identidade, mantinham sim os nomes rebatizados, mas não eram mais os novatos separados por letras do alfabeto. Eram um nível mais importantes na Rocket.
Isso se deu graças a um consenso dos líderes, pois sabiam que Jeremy e Jane se completavam. O novo Jorge então era um adicional, um à mais; por consequência era impossível manter os três ao nível de Capangas.
E com a revolução por vir, subir para Trio era algo maravilhoso. Dava maior liberdade para praticarem o mal e a destruição.
De início, Jeremy e Jane desprezaram Jorge. Achavam que o boato do demônio vivendo dentro do corpo do garoto não passava de história pra Tauros dormir, mas viram de perto, em uma das missões, quando a sombra escorregou pelos pés de Jorge e Gengar possuiu o guarda dos portões da segunda maior fábrica fabricante de MooMoo Milk, concorrente direta da fábrica mantida pela Rocket em Agrimoo.
Com o passar dos dias, Jeremy notou uma mudança de comportamento no garoto. Além de dormir demais, tinha momentos de esquecimento, em que Jorge esquecia certa palavra, ou até mesmo em que lugar/onde estavam. Isso sem contar os ataques e surtos de instabilidade, como os profundos distúrbios e a obsessão que aparentou e manteve até que conseguiu permissão dos líderes da Rocket e libertou os pacientes do Manicômio de Luvander. Os efeitos tardios dos chás alucinógenos dados em excesso por Kindra ao antigo Oikos estavam mostrando seus efeitos colaterais.
Jeremy assumiu postura de maior cuidado, enquanto Jane gostava de contrariar e desdenhar, mas no fim acabava acatando às ameaças de Jorge.
ATUALMENTE
ALGUNS MEMBROS DA EQUIPE ROCKET ESPANCARAM Jeremy na rota entre Agrimoo e a próxima cidade.
Seu corpo esfarrapado caiu inconsciente no chão.
Quando acordou, o corpo doía como havia tempo não sentia, mas não estava destruído como da vez que apanhou dos garotos, quando pequeno, e Roger o salvou.
Roger...
Ouvira boatos de que seu pai Roger morrera, morto por algum Elite da Rocket.
Entrando e saindo de alucinações, recordações e momentos de inconsciência, chegou finalmente o momento que alguém apareceu para ajudá-lo. A dupla Baker e Lucy já estavam a menos de um metro de seu corpo caído e entorpecido. Finalmente eles o encontraram. Iriam dar um jeito nas dores que sentia, causadas pelos outros Rocket. Será que seus inimigos iriam estender a mão e...
Me ajudarão?
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