O Verdadeiro Mundo Pokémon

29 Esperança e Percepção Batem à Porta


Notas iniciais
Olá, pessoal! Boa leitura! :D

O CORAÇÃO DE BAKER palpitava e parecia pulsar em sua garganta, impedindo a respiração completa pela laringe.

O velho, depois de dizer que Lean, o Líder de Ginásio com conhecimentos da arte milenar da Alquimia das Ervas e Elementos Naturais, curara sua ex-esposa — morta —, saiu cantarolando, como que alheio, da mesma forma como parecera surgir repentinamente da terra, anunciar sua chegada e se intrometer, minutos atrás.

Paralisado, Baker observou o homem de idade que sumiu em uma esquina e seu olhar ali se deteve. Não podia ser, depois de tudo pelo que passara, a cura de sua mãe estava assim tão próxima a ele? Não podia acreditar que finalmente sua jornada estava chegando ao fim!

— Bake? — Lucy o tirou do devaneio. Bernardo a fitou, o olhar ainda um pouco perdido, saindo do torpor. — O que está esperando?

— Hum? — Bernardo Baker não entendeu. — Eu? Nada...

— Pois então, vamos logo conhecer esse cara promissor!

A VIAGEM ENTRE AS ÁRVORES PARA a próxima localidade foi quase tranquila, tirando o fato de alguns Pokémon selvagens assustados que apareceram pelo caminho achando que o grupo fosse machucá-los. Bernardo sacou Roselia e Capricórnio — seu Skiddo — para combatê-los e a inicial e falsa crença de que os caminhantes iriam ferir os selvagens, acabou dando-se por verdadeira, visto que nossos protagonistas precisaram se proteger dos ferrões, garras, dentes e bicos afiados como o de um Fearow que depois de açoitar bastante os de Grama de Baker, foi derrotado pelo Sneasel de Enrico que fez um belo trabalho efetivo com seu Vento Gelado.

Outro episódio que tornou a caminhada quase sossegada foi a aparição de alguns capangas Rocket; muitos deles vindo pela rota. Baker, Lucy, Hud e Enrico tiveram que se esconder, para que o grupo não os visse e iniciasse um confronto sádico, principalmente agora que tinham na equipe um ex-Rocket.

Fora isso, chegaram sem grandes complicações à Vila Botânicos e pela primeira vez depois de ter a nova esperança em mãos, Bernardo, o padeiro, pôde deixá-la um pouquinho de lado para apreciar a beleza do lugar. A vila parecia tomada completamente pelo verde das plantas. As paredes externas, telhados, chãos e muros eram cobertos por gramíneos, dando a impressão de que as casas eram feitas da própria grama. A tarde estava em seu ápice e seu calor exaltava o cheiro verde e úmido que parecia grudar na pele.

— Não somente existem cercas-vivas aqui — explicou alguém. — Há casas-vivas e tudo o que se imaginar vestido do verde.

Os meninos se voltaram para aquela figura. Era um rapaz com um enorme sorriso branco; os exuberantes cabelos pretos e espetados eram amansados por um chapéu de palha. Suas roupas soltas e compridas eram de cores vivas em formatos quase abstratos, e para uma mente atenta e artística, os traços traziam, à seu modo, a natureza desabrochando.

— Prazer, sou Lean, Líder de Ginásio da vila — continuou. Seu jeito despreocupado era um tanto quanto jovial. — Estava colhendo algumas ervinhas na margem do bosque e acompanhei o deslumbramento de vocês pela vila. Acredito que seja a primeira vez que vocês pisam em Botânicos.

Eles assentiram. Baker sentiu as pernas bambearem e tremerem. Lean estava diante de si, era ele quem carregava em seu cerne toda a fé que despertara dentro do padeiro, crença no motivo do início de sua jornada, por ter passado por tudo aquilo que passara para receber a esperada recompensa.

— Como conseguiram esse resultado? — perguntou Hud, ainda boquiaberto olhando o arredor.

— Principalmente com a ajuda de Pokémon tipo Grama, mas a natureza faz o trabalho praticamente sozinha. Toma mesmo o que se resiste. — O sorriso aberto e sincero entregava a paixão que tinha pela força do universo.

Baker não aguentou mais resistir e se manter calado. Estava ali por um motivo e depois de todo aquele tempo, precisava desesperadamente saber se por fim o que tanto buscara estava ou não ao seu alcance.

— Lean... — chamou. O Líder de Ginásio se virou para ele, os olhos atentos e vivos. — Preciso de sua ajuda.

Lean assentiu, sinal dado para que Baker prosseguisse, e assim ele o fez:

— Minha mãe... Minha mãe padece de um mal ao qual ninguém sabe o que é...

— Opa, opa — Lean o interrompeu. Baker sentiu o estômago esfriar e o corpo esmorecer. — Não é assim que funciona.

Era o fim. Bernardo soube naquele momento que não seria ali que conseguiria a resposta para suas aflições. Mas Lean não tinha terminado:

— Não é assim que funciona uma conversa. Já me apresentei, agora é a sua vez. — Gargalhou e piscou para Baker. — Venham, vamos ao ginásio que é também onde funciona meu espaço particular em que brinco com a arte elementar da natureza.

O GINÁSIO ERA UMA CONSTRUÇÃO COMO as outras da vila: Coberta de gramíneas, mas a semelhança parava por aí. O prédio tinha o pé direito alto e parecia um templo antigo, com colunas a sustentá-lo.

Todos entraram no local e a surpresa foi ainda maior: Por dentro, o verde também tinha tomado cada cantinho e se não fosse a boa disposição dos móveis e objetos — os únicos intactos à manifestação da vida da natureza —, dava a pensar que o lugar era abandonado. O campo de combate do ginásio tinha apenas uma ínfima arquibancada no canto para os telespectadores presenciarem as lutas; o teto era envidraçado e permitia ver o céu e o sol em seu esplendor.

— Por aqui — orientou Lean, parando na frente de um portão de aço de segurança. Retirou um Tangrowth da Pokébola que colocou uma de suas mãos no chão, dele saindo uma vinha que se alçou até a fechadura peculiar do portão e adentrou na abertura; com um clique, os portões se abriram, dando lugar a uma enorme estufa em redoma transparente onde uma série de plantas eram cultivadas. — Pois então, Bernardo Baker, me diga, em que posso servir?

Caminharam até um canto no qual uma série de mesas com os objetos de trabalho de Lean estavam dispostos, objetos que iam das ancestrais espátulas de ossos até os mais recentes tubos de ensaios.

Baker explicava:

— É minha mãe, de alguns anos para cá, só tem piorado. Primeiro a pele ficou seca e usar hidratantes no local bastava, mas hoje eclodiu para um super-ressecamento que quebra e descasca, como répteis que trocam de pele, e de alguma forma isso passou para o interior de seu corpo, porque ela sente fraquezas e dores, além de cansaço mental...

Lean estava atrás de uma das mesas e com a cabeça afirmava, os olhos reluziam, a boca em seu sorriso enorme e branco.

— Cara, parece fábula, mas juro que não é mentira. Hoje cedo uma alma caridosa doou milhares de itens e substâncias, algumas raríssimas de outras Regiões. Disse que ofereceu a ajuda porque acreditava na minha capacidade e evolução em conhecimento para me tornar o melhor dos raros boticários que ajude com a ciência de Toran. Amigo, não só tenho o conhecimento primitivo do manejo da Alquimia das Ervas e Elementos Naturais, ou, mais simplificadamente, das coisas que a natureza dá pra gente, como também sei de doenças e enfermidades que assolam os seres antes do tempo em que os Pokémon dominaram a fauna do mundo! Vou te contar, ainda preciso confirmar algumas coisas nos livros antigos, mas cogito do que tua mãe padece e manipularei o antídoto certo!

A mensagem recaiu sobre Bernardo com peso e ele demorou alguns segundos para absorvê-la. Lucy e Hud exclamaram em alegria e se abraçaram; Enrico apenas riu de lado. Baker pôde por fim respirar em alívio e apoiou a mão na mesa, pois sentiu vertigem.

— M-Muito obrigado, Lean... — murmurou, os olhos marejados. — Eu... eu não sei como agradecer...

— Como? — perguntou Lean. — Não, não entregarei o trabalho de mão beijada.

Bernardo mirou o Líder de Ginásio sem entender. Um formigamento se espalhando pelas mãos.

— Eu crio o antídoto, porém para merecê-lo, terá de batalhar contra mim, guri — Lean sorriu novamente. — Uma batalha Pokémon!

— AS REGRAS SÃO SIMPLES, SERÁ uma batalha um contra um, vence quem primeiro colocar fora de combate o Pokémon adversário. O visitante tem a oportunidade de começar com o primeiro golpe — anunciou o ajudante do boticário e juiz de batalhas oficial do ginásio. — Segurem suas Pokébolas, pois a batalha começa em três, dois, um!

Assim que terminou a contagem, o teto envidraçado se abriu e permitiu a entrada da luz do sol diretamente no campo. Lean lançou sua Pokébola e dela Tangrowth se materializou.

Agora que estava em batalha, Baker, tremendo de nervosismo — sua mãe contava com ele; precisava vencer a batalha! —, observou como o outro competidor era. Um monstro do tamanho de uma estante, o corpo negro encoberto por centenas de entrelaçadas vinhas azuladas; os braços compridos e pendentes.

Suas escolhas se reduziam a dois Pokémon, logo, pela segunda tipagem venenosa vantajosa contra o adversário, sacou Roselia, que se materializou no campo. Tinha o primeiro golpe, logo, a oportunidade para um lucro, se fosse esperto o suficiente em escolher a melhor estratégia.

Os seus monstrinhos ganharam boa experiência e, consequentemente, novos movimentos, graças ao uso deles durante as rotas se defendendo de Pokémon selvagens e ocasionais batalhas contra outros treinadores.

— Roselia, comece com Espinhos Venenosos!

Roselia estendeu os braços e juntou as duas rosas, delas, lançando espinhos embebidos em aura arroxeada e venenosa que foram em direção ao oponente.

— Tangrowth, use o Crescimento como ferramenta de defesa. — Ao invés do corpo, as vinhas que envolviam o Pokémon, cresceram e se espalharam ainda mais, criando uma barreira robusta.

Os espinhos venenosos fincaram nas vinhas e as deixaram manchadas naquele ponto, mas pela situação pomposa do monstro-vinha, o dano recebido fora baixo.

Um sentimento forte de impotência atingiu Bernardo. Como poderia derrubar aquele monstro de dois metros?

— Roselia, avance com Folha Mágica!

O Pokémon espinho adiantou-se em velocidade considerável mais para a frente do campo de combate e quando chegou próximo o suficiente do rival, começou a girar e as rosas de suas mãos desprenderam pétalas que em contato com o ar, brilharam ofuscantes em branco, envoltas em vida verdejante. As pétalas também giraram em rodamoinho vertical, acertando Tangrowth e conseguindo levantá-lo poucos centímetros de altura.

— Hora de acabar com essa brincadeira, Bernardo — falou Lean, sorrindo. — Tangrowth, Confusão nas pétalas!

Os olhos do Pokémon brilharam em cor de rosa e imediatamente as pétalas pararam sua giratória, voltando o caminho feito e acertando Roselia.

Baker entendeu o que Lean tinha acabado de fazer. Dera um golpe de duas tipagens. Graças ao Confusão, as pétalas de Grama retornaram e afligiram Roselia, que acabou recebendo também a energia Psíquica que fizera as folhas voltarem e atacarem.

Bernardo sentiu o desespero. Não podia perder aquela batalha!

— Rose, não perca tempo, atinja-o com Espinhos Venenosos! — ordenou. Das rosas nas mãos de seu Pokémon saíram projéteis finos de veneno que atingiram Tangrowth em cheio.

Um segundo depois, o Pokémon vinha caiu em um dos joelhos, o rosto aparentando mal-estar.

Isso, consegui envenená-lo!, pensou Bernardo.

... com isso, Tangrowth sofrerá e perderá vigor aos poucos, até cair fora de combate! — explicou Lucy para Hud, da arquibancada; assistiam a batalha aflitos.

— Por isto eu não esperava, Baker! — Lean riu. — Tangrowth, não podemos perder tempo: Dia Ensolarado!

O monstro adversário levantou as duas mãos para o alto e raios alvos subiram em direção ao céu. Em pouco tempo, o sol pareceu brilhar com mais força na arena.

— Não sei se sabe, mas a habilidade de meu Pokémon é Clorofila, que aumenta em dobro sua velocidade se for exposto à forte luz do sol — Lean piscou para Bernardo e aquilo o irritou. — Poder Ancestral!

Tangrowth apoiou as duas mãos no solo. Dele, rochas envoltas em poder antigo se levantaram e voaram em direção a Roselia.

Mesmo desestabilizado, Bernardo pôde dizer um comando:

Folha Mágica nas pedras!

As pétalas irromperam aos montes e foram de encontro às pedras velozes. O impacto criou uma eclosão de força que destroçou as pedras em centenas de pedaços; o impulso acabou as impelindo pelo ar como projéteis e alvejaram os dois Pokémon, que caíram com a sequência de dano recebido.

— Céus, Baker, o que foi isso?! — bramiu Lean, em êxtase, batendo palmas, mas parando em seguida. — Mas a batalha não está terminada. Levante-se Tangrowth, vamos terminar isto com Confusão!

Bernardo tinha que interceptar aquele ataque, mas não sabia como. Atormentado, acabou por exclamar:

— Roselia! NÃO PERMITA!

Ouvindo o clamor de seu treinador, Roselia juntou forças e se levantou. Levou uma de sua rosa-mão à boca e soprou sobre ela. Um som tranquilo, composto em várias notas ecoou pelo ginásio.

Mas naquele mesmo momento, os olhos de Tangowth já brilharam em rosa e o corpo de Roselia foi envolvido em poder telecinético, sendo derrubado com força no chão e arrastado nele até bater de encontro com a parede.

Baker acompanhou como que em câmera lenta aquele caminho tortuoso e doloroso de seu Pokémon espinho... Que estava naquele exato momento desmaiado.

Sua mente instantaneamente tomou-se de neblina, os pensamentos difusos e incontroláveis.

Virou o rosto para a arena, para olhar para Lean, o vencedor da luta e viu aquele montante de vinha azulada caídoaao chão, sem se mexer. Fitou o Líder de Ginásio sem entender.

Apito de Folha... — murmurou Lean, olhando para Tangrowth caído e depois para Bernardo. — Fez com que meu Pokémon caísse no sono...

Na arquibancada, Lucy, inconscientemente, também falou baixo, como se tivesse receio de perturbar aquele silêncio que recaiu na arena:

— Roselia aprendeu um novo movimento...

— Roselia desmaiado e Tangrowth dormindo, assim impossibilitados de continuar a batalha! — gritou o juiz, quebrando de supetão a falta de barulho. — Declaro empate!

BAKER ESTAVA ARRASADO. NUNCA SE sentira tão mal em toda sua vida. Não ganhara o combate. Era o fim. Não conseguira alcançar a cura de Eva.

Desolado, cabisbaixo, retornou seu Roselia debilitado à Pokébola.

— Nem sempre o que queremos, conseguimos, Baker — disse Lean, se aproximando.

Baker pensou em retrucar aquilo. O que aquele cara estava dizendo? Quem por um acaso estava sofrendo, sabendo que a mãe estava morrendo em seu leito? Mas se conteve e limitou-se apenas em mirar um olhar profundo no boticário.

— Baker, eu nunca disse que para ganhar o que você tanto almeja agora, precisava me vencer na batalha. — Sorriu, mas logo tirou o sorriso da boca. Os olhos se tornaram sérios e intensos. — Preciso que me prometa que protegerá a quem puder, não somente seus entes mais próximos.

Bernardo não entendeu qual era a da vez e o que Lean estava tentando dizer com aquilo. Ainda assim, o que pedia, era algo nobre e Baker aprendera a ter em seu interior a garra de defender quem precisava de ajuda; tudo pelo que passou até aquele momento na jornada servira para deixá-lo mais forte e corajoso.

Depois de algum tempo de silêncio, o padeiro assentiu com a cabeça, em afirmativa.

Lean remexeu no bolso de sua calça, tirou de lá uma pedra brilhante em tons amarelos e verdes e a estendeu para Bernardo:

— Use isto como garantia de que cumprirá o que promete. Isto não garantirá, sua vitória, pois ela nem sempre significa o uso da força e sim o da resistência, como as plantas fazem aqui em Botânicos: resistem.

— Esta pedra sarará minha mãe? — perguntou Bernardo.

Lean negou com a cabeça.

— Você sabe para que ela serve. — Suspirou. — Termine sua evolução, Baker, não a deixe emperrada no meio do caminho. Somente assim poderá usufruir de seu novo ser.

Bernardo Baker sugou aquelas palavras para si e as manteve à vista para quando precisasse utilizá-las.

— Aguarde — falou Lean, indo em direção ao portão da estufa. — Volto em breve com mais notícias. Espero que boas.

SENTADOS NAS CADEIRAS DA PARCA ARQUIBANCADA, conversavam pouco, Lucy segurando as mãos de Baker, mostrando que ainda estava ali com ele e que o ajudaria fosse o que fosse ocorrer. Até o momento em que o portão da estufa se abriu. Baker se levantou, apreensivo, as mãos tremendo. Lean entrou no campo, indo em direção aos garotos; nas mãos um pequeno engradado onde os espaços foram ocupados por compridas cápsulas transparentes cheias de um líquido verde-escuro. Sorria. Entregou o engradado a Baker.

Bernardo olhava para o engradado, porém de forma distante. Parecia sonho; patético era saber que a cura de sua mãe estava ali, naquele líquido de coloração feia.

Levantou os olhos marejados para o boticário.

— Não... não sei como agradecer o que faz por mim e pela minha mãe... Eu... eu...

As lágrimas caíram. Não pôde evitar. Colocou o engradado na cadeira e avançou, abraçando Lean, que retribuiu.

— Cara, isto que sua mãe suporta há tanto tempo, só pode ser uma reação futura de energia de certo Pokémon dentro do organismo de Eva. Isto era muito comum no tempo remoto quando os Pokémon se adaptaram a este mundo, mas foi esquecido pela quase extinção desta espécie... os próprios humanos as caçaram. — Suspirou. — Isto é para ela beber; as instruções estão escritas no papel anexo. Quando ver dona Eva novamente, induza que recorde seu passado, ela se lembrará e te contará o que ocorreu.

Baker assentiu, o rosto no peito de Lean, pois ainda abraçava o Líder de Ginásio que aproximou o rosto do ouvido de Bernardo e lhe sussurrou algumas coisas que os outros não puderam ouvir.

Desfizeram-se do abraço e Bernardo agradeceu novamente.

Lean gargalhou e exclamou:

— Vai garoto, não perca mais tempo! — Seu sorriso sempre ali. — Sua mãe precisa de você!

DEPOIS DE BAKER LEVAR seu Roselia ao Centro Pokémon para se recuperar, estavam eles na rua.

— Vocês virão comigo, até Montevasca?! — perguntou Baker, animado com a ideia.

— Bake, agora que conseguimos o que procurávamos em nossa jornada, precisamos finalizar as pendências deste alcance. Hud e eu vamos conversar sobre o que faremos e contatar papai para tirar a limpo o que não ficou resolvido. — Inspirou e aspirou, sorrindo. — Poxa, há minha mãe também, Sue, que a reencontrei quando “fugi” de Benjamin e você, seguindo aquele Duckett que sempre me perseguia e ainda deve estar por aí, em algum lugar... — Contemplou Bernardo. — Não estou te deixando, Bake, isto não é uma despedida.

— Claro, claro... ­— Baker estava pensativo. — Eu entendo, precisamos apenas terminar de fechar nossos objetivos.

Abraçaram-se e demoraram ali por um tempo, os corpos juntos. Baker sabia agora o que era ter um amigo verdadeiro, assim como Lucy tinha a mesma compreensão. Sabiam que não ficariam longe um do outro por muito tempo.

Depois de afastarem, Baker olhou para Hud e Enrico.

— Enrico, obrigado por ter sugerido que viéssemos ver Lean — Baker, ainda que tivesse avaria de Enrico por tudo o que fizera com eles quando ainda era um Rocket, estava verdadeiramente agradecido. — Mas e você, Enrico, o que irá fazer agora?

— Ficarei por enquanto com os Gwinterland. Vou acompanhá-los até onde der...

Lucy colocou na mão de Baker algumas notas e interrompeu a conversa.

— Isto é para te ajudar até chegar em Montevasca — disse ela. Bernardo abriu a boca para falar algo, mas ela o interrompeu: — E nem pense em rejeitar. Pegue algum transporte, montaria, não sei, apenas chegue o quanto antes em sua vila e ajude Eva!

Baker se despediu de Lucy com mais um abraço agradecido. Deu um “até logo” para Hud e Enrico.

EM TORAN OS TRANSPORTES TERRESTRES, quando possível, iam pelos caminhos de rotas de treinadores, mas em sua maioria, andavam pela estrada que tecia a região: maiores, mas ainda assim precárias, de terra batida.

O transporte público, um automóvel 4x4 aberto, remexia pela estrada e Bernardo sacudia-se com o movimento e tentava se manter em seu lugar. Mas não se importava. A alegria trasbordando em seu rosto.

O motorista fez uma parada em Cormil. Era uma cidade encantadora, com casinhas de no máximo dois andares, cada uma de uma cor diferente; no alto da montanha ao norte ficava a austera e imponente construção de mármore bruto onde a Elite Quatro esperaria quando desse por fim o prazo dos treinadores reunirem as oito insígnias conquistadas por derrotarem os líderes dos ginásios.

— O Campeão, que deve ser vencido após os componentes da Elite Quatro, não fica ali — disse o motorista, percebendo que Baker demorava o olhar na construção. — O treinador que vencer os quatro, deve pegar uma balsa aqui no litoral de Cormil, mesmo, que o levará até a Ilha Tropical, onde o Campeão o esperará para a batalha, disputando o título.

Bernardo sorriu de lado, amarelo, agradecendo a informação, mesmo que não tivesse pedido.

— Você já tem todas as insígnias? — perguntou o motorista. Era um homem de pança avantajada, os botões da camisa arrebentando. — Porque, meu amigo, acho que a Liga Pokémon será suspensa por um tempo... Tá tendo rumores de que essas causas estão tomando cada cidade de Toran.

— Oh, não, não sou o tipo de treinador que vai atrás de insígnias; meus Pokémon são meus companheiros e me ajudam no dia a dia — respondeu Baker, mas sua voz foi morrendo enquanto o dizia, pois pôde notar que a cidade estava tomada de Rockets, que andavam para lá e para cá aparentemente como se não quisessem nada. — Quando a viagem retomará? — indagou, alarmado.

O motorista olhou para seu relógio de pulso.

— Daqui a quinze minutos voltaremos à estrada; foi o combinado com os outros passageiros.

Baker assentiu e foi até um restaurante. Deu uma moeda ao recepcionista para poder usar o banheiro. Enquanto mijava, um dos pequenos tempos usado pelos homens para reflexão, ponderava sobre aquela nova descoberta das causas tomando as cidades. Sua mente começou a trabalhar, as ideias indo e vindo, a desconfiança e percepção se achegando e tomando seus devidos lugares na frente da plateia.

Os Rockets ali em Cormil o remeteu diretamente a Enrico, que era Jeremy, quando fazia parte dos Foguetes.

Pensou em como tudo pareceu encaixado demais nas últimas horas. Depois de toda aquela andança sua por Toran, em como a resposta e solução para o motivo de sua jornada surgira em um estalar de dedos.

O laboratório do boticário com recente estoque... Quem doara novas substâncias e itens para Lean?

A mente a mil foi levantando suas suspeitas e conclusões, ainda que precipitadas, mas possíveis.

“...e você, Enrico?”

“Vou acompanhá-los até onde der...”

Baker sentiu um arrepio subir pela espinha.

Com a mão, balançou, para que os últimos pingos de urina caíssem no sanitário.

Precisava garantir que sua amiga estivesse em segurança e começou naquele exato momento a montar dentro da cabeça tudo o que teria de seguir para não dever a ninguém.

Na rua, retirou seu Roselia da Pokébola.

— Amigo, é hora de alcançarmos nossa última linha evolutiva.

Roselia assentiu, corajosamente.

Bernardo retirou da mochila a pedra luminescente que Lean tinha lhe presenteado. E a estendeu para seu Pokémon.

Tudo aqui é feito de energia, Baker. Algumas reacionam quando entram em contato com outras.”, sussurrara Lean em seu ouvido, lá no ginásio.

Tanto a pedra quanto seu amigo monstro brilhavam em esplendor.

E muitas vezes mudam de forma para chegar a um resultado diferente.

Roselia mudava de dimensão; crescia e se alterava.

Você precisa se aproveitar destas energias para alcançar seu verdadeiro eu evoluído. O seu próprio e verdadeiro mundo em completa sabedoria e controle.

Roselia por fim terminou seu processo de evolução. Estava maior; pétalas brancas a envolver sua cabeça; um buquê de flores azuis e vermelhas em cada extremidade do braço.

Roserade! — exclamou o ser, contagiando determinação.

— Vamos, amigão, precisamos entrar em ação.

Estava certo do que faria. Empeçaria seus decisivos passos.

O humano não foi embebido em luz luminescente, mas seu interior, invisível a olho nu, mudara.

Baker também tinha evoluído.

Notas finais
Olha só, parece que temos o mapa completo de Toran: https://i.imgur.com/YCiJCxG.jpg Completamente abaixo de amador, eu sei, mas como já dito, só para situar vocês e até mesmo eu, hehe. Bem pessoal, desculpe a demora. Serei sincero, bateu um desânimo — “vixi, de praxe de escritor”, talvez pensem —, mas desta vez um meio diferente, que é o de não querer finalizar a fic (até em apagá-la pensei) pela sensação de que não há ninguém lendo. Sim, eu sei que há sim pessoas lendo, reconheço e amo vocês por isto e acompanhar, mas ver os números da fic caindo é um desânimo tremendo para qualquer escritor, mas reconheço também que provavelmente o principal motivador disto sou eu mesmo por ter deixado várias vezes por longos tempos a fic sem atualização (mas tenho problemas pessoais, tá, como todo mundo, enfim...) Mas estou bem agora e novamente com gás para terminar esta fic, mantendo a qualidade. Sobre a batalha: não, não uso as regras do game, como quando usei dois status em Tangrowth (poisoned e sleeping), também não utilizo só quatro movimentos por Pokémon aqui em OVMP; nem sempre sigo a lógica dos jogos, moldo os movimentos e dou um certo ar literário e narrativo para eles. Img de fundo de Roselia: https://meluuarts.deviantart.com/art/Roselia-560841192 Abraços de Ursaring, meus queridos, e até o próximo!