O Verdadeiro Mundo Pokémon
19 Despedida?

SEUS OLHOS ERAM SUPLICANTES. “Me ajude, por favor!”, pareciam dizer, mas eu não ajudei. Deixei Roger lá, pendurado como a carcaça de um Tauros já morto, esperando apenas para ser repartido e dividido entre os açougues da cidade.
Corro como se não houvesse amanhã. Preciso fugir disso. Meu pé esbarra em uma pedra e caio. Reclamo da minha má sorte e estou com a paranoia do medo de algo estar me seguindo para fazer o mesmo comigo.
Uma sombra apaga a luminosidade do sol acima de mim. É a Professora Petalia. Suspiro, aliviado. É só a Professora! Mas ao observar com cuidado seu rosto, noto que ele está um tanto sombrio.
Me afasto dela, voltando pelo caminho onde encontrei Roger, mas ela não se importa de continuar me intimidando: avança, com aquele ar macabro.
— As coisas acontecem repentina e rapidamente, Bernardo.
Quando ela pronuncia meu nome, sinto um calafrio subindo e sacudindo todo meu corpo e acordo, arrepiado e agarrado ao colchão e lençóis desarrumados da cama do Centro Pokémon, os dedos ardendo pelo atrito com o tecido áspero. O cobertor está esparramado no chão e a janela atrás de mim se abriu, deixando entrar o vento gelado da noite.
~×~
DEPOIS QUE DEIXEI ROGER PENDENDO e sozinho, corri para meus amigos e os encontrei assustados. Pensei se também não tinham visto o pobre coitado lá, pendurado.
— Vocês também o viram?! – indaguei, exasperado.
— Vimos o que, Bake? – retrucou Lucy, preocupada. – Você está todo branco, parece que viu uma cena de tortura!
Há-há, irônico. Somente depois da resposta de Lucy foi que entendi que eles pareciam assustados porque eu estava muito assustado.
Por algum motivo, decidi não contar nada para eles. Apenas murmurei um fraco “Vamos indo”.
QUANDO CHEGAMOS NA PRÓXIMA CIDADE, que se chama Agrimoo, formada por casas grandes, mas simples, bonitas e telhado vermelho; as centenas de árvores frutíferas nas ruas que são asfaltadas, e, ao fundo, como o retalho de um cobertor, as plantações de todo tipo de coisas que a terra faz crescer, numa mistura de cores em seções quadradas, cada quadrado com uma plantação diferente. Em um canto, centenas de Miltanks se espalham por um campo muito verde.
Mal tive tempo para admirar sua beleza rural, pois notei que, além de nós, a cidade tinha outros visitantes: Revolucionários e Rockets.
No mesmo instante, quis ajeitar a mochila novamente nas costas e continuar andando, rumo à saída da cidade.
Helene, que até então estava me olhando de um jeito diferente por todo o caminho, subitamente decidiu abrir a boca e perguntar:
— O que está acontecendo, Baker? Parece estar se sentindo mal, está incomodado, perturbado...
Todos os outros olharam para mim, numa silenciosa afirmação de tudo o que a Parricida tinha dito.
Foi nesse momento que achei melhor contar sobre tudo o que tinha visto antes da nossa saída de Lucuática. Não ia contar o que vi que fizeram com Roger, mas resolvi que era melhor contar, pois meus amigos podiam estar correndo perigo juntamente comigo. E foi melhor que soubessem dessas informações para que ficassem mais atentos.
Em Agrimoo, os Revolucionários estavam juntos com os Rockets, mas de certa forma, tentavam não se misturar com os Foguetes¹. Os Revolucionários pareciam estar desconfiados e cautelosos para com os Rockets, que por sua vez, andavam com sua arrogância e ares de imponência.
Fomos procurar por um lugar seguro para ficar e, pela primeira vez, vi todos os meus amigos atentos nos dois grupos que se espalhavam pela cidade. Encontramos o Centro Pokémon e entramos ali apenas para ficar longe dos dois erres. Comemos a comida insossa oferecida pela enfermeira Joy e conversamos, esperando a noite cair para dormir.
~×~
HOJE O DIA ESTÁ BELO, o sol brilha. Motivo suficiente para ser um belo dia.
Não consegui dormir depois do pesadelo que tive com o replay de Roger e da Petalia sombria. Só agora consigo relacionar o lamentado “não!” que ouvi, antes de entrarmos no Parque L'aquático. Provavelmente a aflição na voz que ouvi dizendo o monossílabo, fosse a de Roger... Balanço a cabeça para espantar esses pensamentos.
Olhando pela janela, vejo que os dois grupos de R continuam na cidade. Merda, eles não vão embora?!
Lucy para ao meu lado e também observa as colinas de plantações ao longe, com o apinhado dos Revolucionários e Rockets mais abaixo, se espalhando por Agrimoo.
— Está perigoso, mas não podemos ficar para sempre aqui no Centro, comendo a comida sem sal que oferecem. Temos que ir comer algo com mais sustância.
DEPOIS DE LUCY ACORDAR TODOS, arrumamos nossas mochilas e pertences e nos equipamos, como se já estivéssemos prontos para sair da cidade.
Saímos do Centro em direção a um café que a Enfermeira Joy recomendou, por fazerem pães de tudo quanto é tipo.
Do lado de fora, somos cautelosos, olhando com cuidado para os Rockets, com receio da possibilidade de um ataque repentino acometer um deles e este querer avançar em nós.
— Ei, vocês de novo?! – berra alguém atrás de nós.
Sinto o sangue congelar pelas minhas artérias e a única coisa que consigo pensar é em sair correndo como um louco. Mas, aparentemente, a dupla Parricida conhece a voz de quem gritou.
— Quanta coincidência, não? Logo eu que depois de Lucuática, nem imaginava vir para Agrimoo – a voz dá uma risada, à vontade. – O que fazem aqui? Não estavam fugindo de mim, não é? Ha-ha-há! Não pode ter sido coincidência eu ter encontrado os dois logo aqui!
Me viro e vejo que quem fala é o mesmo homem de social que chamou os irmãos para uma conversa, lá na lanchonete de Lucuática. O mesmo homem que se ofereceu para ser o assessor da dupla.
— Ah, oi, Fred – cumprimenta, Vector. – Hã... tudo bem?
— Claro que sim, melhor agora que estou vendo os dois novamente! – Ele abre os braços e o sorriso se alarga. – Não é possível, o destino está alertando de que vir comigo é a melhor escolha. Abram os olhos, só vocês não vêem que o sucesso bate à porta?
Vendo o silêncio que se segue dos irmãos, Fred suspira longamente e continua:
— Vejo que os dois ainda estão muito em dúvida... – ele encosta o indicador nos lábios. – Então vamos fazer o seguinte: Estarei o resto do dia no Poktz, aquele hotel ali – ele aponta para uma construção que ainda que simples, tem seu luxo exalando —, resolvendo negócios. Esta é a última chance que eu dou a vocês para vir comigo, pois, definitivamente, sairei em direção à Nochelert e se sair sem vocês, arranjarei outros que queiram ter uma oportunidade de reconhecimento.
Pronto, a mensagem foi clara e direta: Se não quiserem ser ajudados, há quem queira.
— Tu-tudo bem, Fred – gagueja Helene.
Como tudo ficou quieto depois disso, Fred se despediu e caminhou em direção ao Poktz.
NO CAFÉ, OS PÃES NÃO TÊM GOSTO. Meus amigos comem com um prazer estampado na cara e conversam com alegria entre si – até mesmo Vector interage como uma pessoa normal e não se parece mais com o antigo Vector que se negava a compartilhar risadas com a gente.
Me esforço para parecer concentrado na conversa, mas o fato de esse poder ser o último momento que passarei com Helene me corrói por dentro. Assim? Sem mais, nem menos ela simplesmente vai para Nochelert em busca de seu sonho – o que está certíssima de fazer, mas, se ela for, eu não irei tê-la ao meu lado.
Por isso não sinto gosto no meu chocolate quente, nem sabor no pão de milho com crosta crocante de queijo.
Uma voz incansável não para de murmurar na minha mente. Você sabe o que tem que fazer. Tem que ir com ela para Nochelert.
— Baker? Você não comeu nada e já estamos para sair – é Ben quem fala.
Olho para a mesa. O copo do meu chocolate quente ainda cheio e o pão ferido por apenas uma pequena mordida. Pego o copo de chocolate e bebo todo o líquido quente. Mordo um pedaço do pão e o engulo com dificuldade.
— Então... – Helene dá uma pausa. – Nós queremos agradecer por terem permitido ficarmos ao lado de vocês por todo esse tempo...
Ah, não... Não pode ser. Ela realmente está dizendo isso?
— ...mesmo trazendo alguns problemas – ela ri, sem jeito, colocando o cabelo curto e negro atrás de uma das orelhas —, vocês continuaram permitindo que prosseguíssemos juntos na jornada. – Helene dá um sorriso lindo, esbanjando puro agradecimento.
Dá pra ver em seus olhos pretos e perfeitos o quanto ela realmente está agradecida. Eles brilham como nunca, como se não se lembrassem há muito o que era companheirismo. E isso me parte o coração.
SOMOS CONVIDADOS — NA VERDADE LUCY SE OFERECEU, dizendo que eu era ótimo com pães — a entrar e conhecer a cozinha. Sou permitido a fazer a massa de um dos pães, que — acreditem — é de pétalas de Roserades. Fico um pouco mais aliviado quando dizem que depois de arrancadas, as pétalas crescem novamente nas mãos dos Pokémon. Até porque tenho um Roselia que evolue para Roserade e não consigo suportar a ideia de vê-lo sem as pétalas em suas mãos.
Enquanto sovo a massa, com cuidado e carinho, para que ela fique perfeita — pois é essa a forma certa que se trata o pão —, lembro dos dias que meu avô me ensinou os segredos particulares das receitas dos Baker e como executá-las.
"Com amor, para que a massa fique homogênea, lisinha como o seu bumbum, quando era um bebezinho chorão..." Lembro claramente de suas palavras, ensinamentos e o orgulho impresso em seu rosto, enquanto eu, pequeno, mexia com a massa.
MESMO COM OS REVOLUCIONÁRIOS E ROCKETS na cidade, decidimos — tá, meus amigos decidiram, pois não estou nem um pouco para impor e me importar com alguma opinião — que poderíamos ir fazer uma visita à fábrica que embala MooMoo Milk² e envia para toda Toran.
Na verdade, a fábrica mais parece uma coletânea de casarões de fazenda e a única seção que nos permitem entrar, é a cerca que mantém presas e em controle todas as Miltanks das quais é extraído o leite.
É aqui também que descobrimos da onde vem o nome da cidade. Seria a junção das duas das principais atividades da cidade: Agricultura + MooMoo Milk = Agrimoo.
Quando meus amigos se cansam de sentir o ar ácido de estrume, percebo, estupefato, que a tarde já está quase em sua metade.
Quando saímos novamente para as ruas de Agrimoo, os dois grupos de R continuam espalhados pela cidade. Os Revolucionários continuam tensos em relação aos Rockets e murmuram baixinho entre si, com a desconfiança em um patamar acima daquela que notei ontem quando chegamos.
Meus amigos param debaixo da sombra de uma grande árvore e têm em seus rostos nada mais que uma insinuação de sorriso.
De momento não entendo, mas a compreensão me atinge logo em seguida, como um relâmpago repentino. Estão quietos, sem saber o que falar e sorrindo um para o outro porque essa é a despedida dos irmãos. A despedida Parricida.
Então eles realmente vão partir com Fred, em busca do sucesso.
— Hã... Não sou muito bom com as palavras. Prefiro me ater aos meus próprios pensamentos — começa Vector, mexendo em seu cachecol branco-rosa-verde —, mas... sou muito feliz por ter conhecido vocês, que me mostraram que o companheirismo ainda existe e que... eu posso contar com alguém para qualquer coisa.
— É verdade. Não nos sentíamos em casa na nossa própria casa e quem diria que só nos sentiríamos quando não estivéssemos necessariamente em uma casa, e sim em uma jornada com verdadeiros amigos... — conta Helene.
Alguma coisa dentro de mim parece estar sendo espremida. Sinto meu coração bater mais devagar e ficar envolto em gelo.
— Não... — murmuro, fracamente. — Não, você não pode ir...
Helene retesa, me olha profundamente e morde os lábios inferiores. Seus olhos brilham, húmidos. Parece que vai chorar a qualquer momento. Antes disso acontecer, ela avança para cima de mim e me beija profusamente. De primeiro momento, me assusto, mas me rendo ao seu beijo e retribuo todo o fervor e paixão que ela se empenha em depositar. Quando faço isso, tudo fica muito melhor, algo dentro de mim acende vários pavios que explodem aos poucos.
Essa sensação é... maravilhosa! Não a sinto desde que beijei Karen Skier, em sua casa, lá na Vila Montevasca. Mas Karen não existe mais, o agora pertence à Helene.
Quando nos separamos, tenho a certeza do que quero. É como se o beijo fosse o estopim para minha decisão final.
— Eu vou com vocês para Nochelert! — declaro. Mais convencido, impossível.
Uma quietude recai. Como se meus amigos estivessem absorvendo e ponderando as palavras que eu disse. A primeira a contestar é Lucy.
— Não... Não, não, não, não! Você não vai.
— Hã? Vou sim. E porque não iria?! — retruco.
— Você se esqueceu que somos uma equipe? Que estamos nessa juntos, para um ajudar o outro em seus objetivos?!
— Mas você ainda vai ter Ben — respondo.
— Não é essa a questão e você sabe muito bem disso! Se você ir embora, deixaremos de ser uma equipe, Bake!
As informações bombam em meu cérebro. Lembro de Karen, Helene e o ciúme de Lucy, que sim, eu tinha percebido, mas não dado muita importância, pois achei que talvez fosse coisa da minha cabeça.
— Espera aí, tô achando que isso é mais pessoal do que pensei. Lucy, você gosta de mim como namorado?
Minha pergunta atinge Lucy de surpresa. Ela arregala os olhos, abre a boca, mas volta a fechá-la. Abre de novo e responde.
— É... É claro que não, Bernardo! — ela está decepcionada. — Da onde você tirou essa ideia?!
Os outros permanecem calados. Não respondo. Com isso, ela continua:
— Você não entende? Primeiro perdi minha mãe tão cedo que nem me lembrava dela, depois perdi meu pai para os seus negócios, depois foi meu irmão, que sumiu sem deixar nenhum rastro e quando o encontro, ele parec querer fugir de mim— lágrimas caem pelas bochechas de Lucy. — Agora... me deparo com mais uma perda. Vou perder mais alguém na minha vida, um amigo? Não posso suportar isso... não posso aceitar.
Agora entendo. Todos aqueles cutucões e provocações que Lucy direcionava para Helene. Ela não estava agindo nos últimos dias de maneira estranha por estar com necessariamente ciúme de mim com Helene. Não estava sendo infantil. Foi só sua maneira de se assegurar que não me perderia, que não permitiria perder um amigo.
— Não quero perder mais ninguém na minha vida – Lucy soluça. — Sabe o quanto é difícil perder alguém, Bake?
A falta de qualquer ruído se propagando em meu interior faz eu me sentir inexistente. E isso é doloroso. Perder alguém. De súbito me recobro o motivo da minha jornada. E me recordo também da forma como eu tenho me comportado, me esquecendo de meu objetivo final. E isso torna tudo mais doloroso ainda.
— Sei, Lucy – respondo, fracamente. — Já perdi meu pai e por mais que eu fosse apenas uma criança, hoje dói saber que não tenho ele ao meu lado... E... agora estou... — as palavras se engasgam na minha garganta, lutando para não sair — ... estou perdendo minha mãe.
É a vez de Lucy ficar em silêncio. Seus olhos demonstram pesar.
— De-desculpe, Bake — ela murmura. E não diz mais nada.
E não precisa dizer mais nada. Não a culpo, sei como ela se sente com isso de perder pessoas queridas. Eu a entendo perfeitamente.
— Tudo bem — retruco, baixinho.
Mostro um sorriso encorajador para ela, mostrando que realmente está tudo bem e ela retribui com um sorriso branco e sincero.
Sem dar tempo para reflexões, a voz — amplificada por um megafone — de um dos muitos que nos rodeiam, soa o alarme.
— ESTÁ CONFIRMADO! ROGER FOI EXECUTADO, A MISSÃO CONJUNTA FOI CANCELADA, E A ALIANÇA FOI DESFEITA! REPITO: A ALIANÇA FOI DESFEITA!
QUEM FALA, É UM DOS REVOLUCIONÁRIOS.
É questão de segundos até confusão se instalar entre seus aliados. Eles correm e se misturam entre todos os outros que estão na rua, como formigas loucas. Muitos pulam em cima de membros da Equipe Rocket, atacando com o próprio punho, enquanto outros lançam seus Pokémon contra os Pokémon dos Rockets, numa batalha feroz e algumas até mesmo sanguinolentas. Os moradores, assustados, correm sem saber exatamente para onde ir. Crianças choram; uma que mal sabe caminhar direito, está sozinha, berrando, querendo sua mãe. Pela graça de Arceus, uma moradora agarra a criança e a leva para dentro de sua casa.
A desordem é tremenda. A violência entre os dois grupos é aterrorizadora. Eles lutam como se fossem verdadeiros e antigos inimigos. Alguns já sangram, outros estão com membros quebrados. A cena completa é de dar náuseas.
Lucy, a primeira a conseguir se responder à imobilidade inicial; pega Ben e eu pelas mãos e nos orienta. Corremos para onde é viável, tentando se afastar das áreas onde as lutas estão acontecendo. Ela lança Kadabra para fora da Pokébola.
— Kadabra, nos proteja caso seja necessário — O Pokemon confirma com a cabeça, mostrando que entendeu o recado. — Vocês também, lancem um Pokémon — Ela ordena para nós.
Quase que inconscientemente — mais pela força da ordem de Lucy —, puxo Capricórnio e o lanço. Ben lança seu Cyndaquil.
Conforme corremos, a névoa se dissipa sem pressa da minha cabeça e as coisas começam a fazer sentido. Os Revolucionários estavam afastados, com desconfiança e cautela para com os Rockets, como que só esperando a confirmação de que Roger realmente estava morto, para definitivamente poderem se separar dos Foguetes.
Sim, agora entendo.
Disparos de pistolas ressoam no ar quente, quebrando o encanto que o cheiro de verde, que vem das plantações, traz.
Então quem fez aquilo com Roger, foi a Equipe Rocket.
Famílias que possuem carros, colocam seus membros familiares dentro dos automóveis e saem em disparada da cidade.
Toda essa confusão... A culpa é minha.
Alguns moradores estão feridos.
Se eu tivesse salvado Roger, essa confusão toda poderia ter sido evitada.
Chegam ambulâncias e carros de polícia.
Arceus, o que eu fiz? Roger está morto porque neguei ajuda, porque não o socorri.
Em Agrimoo, duas causas se chocam, dois R poderosos.
Em Agrimoo, esse choque é brusco e ameaça abalar o equilíbrio de Toran.
Em Agrimoo... o caos é completo.
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