O Verdadeiro Mundo Pokémon

27 Capítulo Bônus: Quedas, de Amor e Ódio


Notas iniciais
Oi! Este cap. traz um pouco mais de alguns personagens que surgiram recentemente: Chander, Doug, Falcon e Lukka. Atenção que o capítulo se passa, em sua maioria, antes de conhecermos os personagens pelo nomes que possuem atualmente. Logo, lembremos que Chanderego é o atual Chander, Douglas é Doug, Pablo é Falcon e Lucas é Lukka. Boa leitura!

HOJE

Covil de morte

PUXOU A PÁ PESADA e jogou a terra preta pela cova, em cima do corpo envolto em lençol branco. O único som distinguível era o solo úmido batendo oco no Colega morto abaixo.

Era triste. Muito triste, mas Falcon entendia também que aquele não era o primeiro a morrer pela causa e muito menos seria o último. Palavras amedrontadoras? Para muitos, sim. Ainda assim, todos estavam cientes, quando se aliaram, de que para alcançar os objetivos dos Revolucionários, quedas ocorreriam. Quem quisesse, que jogasse a toalha. Alguns Meowths pingados jogaram.

Lançou outro montante de terra na cova. Seus raquíticos braços tremiam levemente com o esforço. Doug, do outro lado da cova, com a segunda pá, cobria daquele solo preto o defunto. Dava para ver que se esforçava para a tarefa, o suor brotando na testa; seu corpo era tão definido de músculos quanto o de Falcon, mas ainda assim o canalha não daria o braço a torcer para Chander, que, com a última das três pás, não demonstrava dificuldades com a tarefa, mesmo seu físico não sendo mais o de algum tempo atrás. Falcon sabia que, no ângulo e movimento correto, o grandão era capaz de amassar um crânio com uma pancada só de sua mão fechada em punho.

— É como se fôssemos uma Santíssima Trindade, devolvendo ao pó o que lhe pertence e que formou este cadáver.

Doug enterrou sua pá no chão e se apoiou nela, a cara lotada daquele sarcasmo negro que o rodeava. Falcon cravou nele um silencioso tom de aviso, sabia qual tipo de comentário o magricela faria e seu olhar pedia, com autoridade, que ficasse em silêncio. Ao menos um momento de trégua para o momento que demandava isso. Aqueles dois teriam, de uma forma ou outra, de se unir, agora ou nunca, para firmarem posição no que estava por vir.

10 ANOS ATRÁS

Em um lar, sonhos compartilhados

— ... um idiota confuso sobre o que acredita! — gritou Douglas. — Não sabe se acredita no sobrenatural de um Ser-maior desconhecido acompanhado de “dois ajudantes” ou na ladainha de que o mundo foi criado pelos Pokémon!

Lucas e Pablo se entreolharam, fatigados daquela conversa que já se estendia há alguns minutos. Pablo, já nessa época, tomara para si seu inseparável óculos escuros e não o tirava mais da cara.

— E o que você anda praticando não se enquadra às questões esotéricas, maluco? — indagou Pablo, um sorriso travesso nos lábios, desafiando Douglas.

Lucas apenas concordava com a cabeça, ansioso, acompanhando o novo rumo que a conversa tomava. Como sempre em um debate entre entidades, não sabia em qual dos dois lados ficar, entendia e concordava com ambas partes, então, para mostrar que estava ali e acompanhando, ou quem sabe até mesmo para ganhar um pouco de atenção, mostrar que podia, soltava comentários neutros, mas sempre concordando com os dois lados da moeda. Sua curiosidade tornava-se um problema, pois por ela corria atrás de respostas e quando conhecia o bem e mal, yin e yang, não conseguia decidir qual lado apoiar.

— A Arte das Trevas, que descobri sozinho, pouco tem a ver com questões esotéricas, meu querido. Acredito no que me rodeia, seja o ar, a terra, a água, a luz e principalmente a sombra; auxiliam-me quando preciso, pois entendo suas naturezas e poder, e os respeito, e mostro que pouco sou perto deles.

Lucas experimentou, silenciosamente para si mesmo, as palavras ditas pelo amigo.

— Então a nomeou de Arte das Trevas só para causar impacto? Não me convenceu. Para mim, isto que anda pesquisando continua sendo de espécie sobre-humana — riu Pablo.

— É... É porque tem pouco tempo de descobrimento. Ainda me aprofundarei e trarei concretismo sobre este novo modo de pensar... — dizia Douglas, pouco à vontade diante de sua escassa informação da recém descoberta que fizera e que a praticava há pouco tempo, quando a porta da entrada se abriu.

Chanderego entrou naquele momento. Lucas olhou com admiração para aquele amigo que transpunha poder.

— Ei, colega, vocês precisam se resolver — incitou Pablo para Chanderego, porém apontando para Douglas. — Essa confusão besta entre vocês já dura há um tempão e nos tornaremos logo logo homens de respeito para com Toran, pois estamos alcançando numa velocidade incrível nossos objetivos.

Os objetivos que Pablo dizia eram os sonhos que cada um deles almejava. Em algum momento anterior, quando perceberam, estavam residindo em uma mesma casa; traçando planos para alcançarem tais objetivos, no intuito de um ajudar o outro quando se tornasse necessário. E parte deste plano deu certo. A problemática estava inserida na picuinha entre as duas figuras denominadas Douglas e Chanderego: era velha e disso não conseguiram se desfazer.

11 ANOS ATRÁS

Da junção inesperada em um lar

— Lucas, não se mete com o Douglas porque aquilo não presta! — aconselhou Chanderego, com a cara amarrada.

O outro, por sua vez, confirmou com a cabeça, mas é claro que não seguiria o conselho. Era curioso demais para que uma simples advertência daquela barrasse suas ações.

— É sempre assim! Todo ano, em certa época, ele vem, causa o maior alvoroço e some de novo! — continuou Chanderego, saindo, para espairecer a mente, mas ainda resmungando: — Como peste negra em determinada estação do ano...

Lucas calçou seus tênis (droga, ficavam cada vez menores! Seu corpo não parava de crescer, estava mais alto que Chanderego, ainda que não tão “corpudo”) e saiu.

Há poucos meses viera morar com Chanderego; o conhecera em uma convenção de palestras com alguns dos líderes de ginásio de Toran. Lucas gostou de Chanderego de imediato, ele era tão... decidido! Desde então resolveram juntos compartir do sonho de se tornarem líderes de ginásio.

Virou uma das ruas da espaçosa Luvander e bateu a aldrava na porta de madeira negra e maciça da única casa assombrosa ao estilo gótico da cidade. O som retumbou dentro do ambiente.

Uma fresta se abriu e um rosto enigmático com seus olhos e cabelos pretos como a total escuridão apareceu.

— Ah, e aí, Lucas, o que há, mon amour? — Douglas abriu um pouco mais a porta, não totalmente, e deu espaço para o visitante entrar.

— Mencionei a possibilidade de você morar conosco, tentei reverter a já tido não com argumentos como o das contas ficarem menores no bolso de cada um.... mas ele quase enlouqueceu, não quer te ver nem pintado de Ho-Oh!

Douglas olhou para a janela, onde a vida dos cidadãos de Luvander corria sem alterações, porém o jovem fitava o ambiente externo de forma passiva, sem necessariamente prestar atenção ao que se passava.

Lucas sentiu a comichão de seu espírito bisbilhoteiro remoer seu interior. É certo que se sensibilizou com a história que Douglas lhe contou de que não estava conseguindo se manter naquele casarão, mas ainda assim, a sua indiscrição não perdeu chance:

— O que é que rolou entre vocês dois, hein, para Chanderego evitar tanto você?

Douglas o fulminou com o olhar e Lucas sentiu um esgar de desespero para sair daquele lugar. Se arrependeria de sua curiosidade, pediria perdão, mas não, por favor, não faça nada que machuque!

— Ele é um arrogante egocêntrico, só isso!

Lucas sentiu suas narinas dilatarem quando soltou o ar que, nem tira reparado, prendera.

Conhecera Douglas de forma curiosa. Estava treinando sozinho com seu Poliwag (que anos mais tarde, tornou-se um robusto Poliwath, quando Baker, Lucy e Ben chegaram a Lucuática), quando o rapaz apareceu, de forma sombria e rapidamente o conquistara com seu papo fácil sobre Pokémon e líderes de ginásio. Era o assunto que Lucas mais gostava, como resistiria? Logo em seguida, e, também estranhamente, descobrira que havia, não sabia dizer se rixa era a palavra adequada, mas por enquanto servia, entre Douglas e Chanderego. Desde então, estivera incansável procurando saber o que ocorrera e qual o passado dos dois, no entanto, sem sucesso.

MAIS TARDE, AO VOLTAR PARA CASA, Lucas encontrou um rapazinho pequeno, magro e de aparência frágil sentado no canto do sofá, torcendo, quase imperceptivelmente, os dedos das mãos, vez ou outra estalando fracamente algumas junções e ligamentos de ossos.

— Errr, oi, amigo, é o seguinte, que ‘cê... — começou, mas um alvoroço vindo da cozinha o interrompeu.

— Lucas, este é Pablo. O conheci hoje, quando fui caminhar pelo campo. — Chanderego cortou o discurso de Lucas. — Você devia ver como o cara manda bem com Voadores, é um show de puro talento!

Lucas exclamou algo, deu um sorriso de encher as maçãs do rosto e deixá-las rosadas, no que ele costumava chamar de sorrisinho falso.

— Seja bem-vindo, Pablo.

Conforme o resto da tarde avançou e a noite chegava, Pablo foi deixando um pouco de lado a timidez, mas não de toda; havia momentos em que se retraía e não participava da conversa, se desligava por completo e fitava o vazio.

Assim que o garoto entrou no banheiro para tomar uma ducha, a convite de Chanderego, Lucas rapidamente encostou no amigo.

— Qual é a dele?

— É sozinho no mundo, a família o largou quando bebê. Sempre viveu por si próprio e nunca dependeu da ajuda de ninguém, a não ser do orfanato que o recebeu quando ainda mal sabia andar.

— Hum, bacana saber que é independente. Não vai me dizer que...

— Sim, Lucas, me compadeci de sua situação e a partir de hoje ele é seu novo colega de casa.

Pelo som, Pablo acabara de desligar o chuveiro.

— Agora, por favor, seja receptivo com ele. Já sofreu demais na vida para não ser aceito novamente; não admito isso em nosso lar.

Era o ponto final que Chanderego sempre impunha quando não queria que Lucas alargasse uma conversa. E isso irritava muito Lucas. Chanderego tinha que aprender a parar de tratá-lo daquela maneira. Algo quente e prazeroso deitou no estômago de Lucas quando soube o que fazer, e isso se daria no dia seguinte.

Para ninguém em específico, deu seu sorrisinho falso.

DOUGLAS COLOCOU SUA MALA no chão, perto do sofá. Estava triunfante. Conseguira o que queria: aproximar-se de Chanderego.

Falando no diabo, perdão, digo, no deus, lá vem ele, a cara embasbacada, o queixo caído quase batendo no peitoral forte.

— T’esconjuro! O que ele está fazendo na minha casa? — berrou para Lucas, que trazia uma maleta, também de Douglas.

Nossa casa, Chanderego. Me compadeci de sua situação, não podia deixá-lo largado quase se debulhando em dívidas com aquela casa enorme de cara — disse Lucas.

Chanderego olhou para os dois, revirou os olhos e com as duas palmas das mãos deu dois tapas no próprio rosto, como se precisasse acordar de um pesadelo. Como um furacão pesado, passou por eles, indo para seu treino corporal diário.

— Valha-me Arceus!

Lucas fazia cara de inocente, mas por dentro celebrava a vitória.

20 ANOS ATRÁS

Amor infantil

NA FAVELA DE ROCGRIS, CHANDEREGO HIKER sentia certa segurança por conhecer cada canto dela, mas ao mesmo tempo estava ciente do perigo que cada uma escondia. Estava com seus quinze anos, tempo o suficiente para saber das maldades do mundo e, vivendo na favela desde que se conhecia por gente, sabia que era necessário estar alerta o tempo inteiro!

Algo interrompeu sua cautela. Alguém choramingava. Procurou e encontrou. Um ser magricela estava debruçado sobre si mesmo, chorando para quem quisesse acompanhar sua lamentação.

— Ora, ora se não temos um chorão largado por aqui... — murmurou, para provocar e chamar a atenção.

— Vá para o inferno de Giratina! — urrou o pequeno magricela, se levantando com selvageria e encarando com coragem um Chanderego que, mesmo na fase da adolescência, mostrava parte do tamanho que seu corpo tomaria.

Chanderego deu um passo para atrás, não pelo repentino acesso de ira do outro, mas pelas duras palavras que lhe foram dirigidas. Poxa, desejar tal mal a outra pessoa era realmente odiá-la.

— Desculpe, não sabia que estava tão raivoso!

O magricela olhou para o chão, ainda tremendo pelo choro e pelo surto de raiva. As lágrimas se misturavam ao muco expelido pelo nariz. As roupinhas curtas e puídas que levava ao corpo estavam amassadas e sujas, os dedos dos pés descalços revolviam nervosos a terra do chão da ruela.

Chanderego sentiu compaixão daquela figura e, com cuidado, se achegou e a abraçou. O corpinho do outro tremia debaixo do seu.

— Calma, calma, papai Chanderego será seu deus particular e tornará tudo mais fácil de carregar... Diga-me seu nome, pequena criatura?

— D-D-Dougra... — murmurou o outro.

— Douglas? Um belo nome, só precisa aprender a pronunciá-lo.

Douglas apertou o abraço e se sentiu confortado com aquele ato de carinho que nunca antes tinha recebido.

— M-minha mãe bebe e desconta tudo de ruim em mim! Já é ruim viver aqui neste lugar ruim e tenho que passar por esse coisa ruim... — Douglas voltava a chorar, abraçando mais desesperadamente Chanderego.

— Sim, sim, desabafa e chora, limpa e faz bem para a alma. Estou aqui para te ajudar.

TODO DIA, APÓS A ESCOLA, DOUGLAS corria para encontrar Chanderego. O novo amigo o entendia e o fazia se sentir bem. Dava uma atenção que Douglas nunca recebera em seus treze anos de vida.

Chanderego se tornara uma possibilidade. Alguém a quem admirar e seguir como exemplo. Douglas aprendera a se expressar e falar melhor; gostava de ficar ao seu lado enquanto ele lia para os dois textos de variados grupos religiosos; gostava de ouvir sua voz mansa e que o acalmava; de enrolar no seu dedo indicador as mechas crespas e cacheadas do cabelo cheio de Chanderego; de sentir o cheiro natural de sua pele; de...

— Quem é ele? — perguntou Douglas, desconfiado, olhando para o garoto que acabara de chegar e se sentara ao lado de Chanderego para ouvir os ensinamentos de crença e fé.

— Este é Edgar Hiker, primo meu, um garoto do morro e que se interessou pelos assuntos que andei conversando com ele esses dias. Veio para ouvir e aprender, assim como você.

Douglas ponderou e se prendeu àquilo. Não prestou atenção à aula, somente acompanhou que, conforme o tempo avançou, Chanderego deu mais atenção à Edgar e mal ligou para ele.

Quando Edgar foi embora, Chanderego perguntou:

— E aí, o que achou de Ed.?

Douglas ficou em silêncio. Segurava o rancor como um nó na garganta. Engoliu em seco, o coração disparado.

— O-o que eu achei?! — explodiu, finalmente. — O que eu achei, dele? Não sei! Diga você, que só deu bola para ele, esqueceu de mim e só ficou de conversinha com ele!

Chanderego fechou a cara.

— Você acha que sou só seu? Pois está muito enganado...

Você é meu. Meu salvador, o único que pôde me tirar de um poço ao qual eu me afundava cada vez mais. Não posso permitir que ninguém te tire de mim, que faça teus olhos saírem de mim...

Vendo que Chanderego começava a dar-lhe as costas, Douglas se avançou, segurou-o pelos braços e ficou olho-a-olho. Levantou-se nas pontas dos pés, aproximou o rosto e fez a junção de lábios, nada além de um leve toque, mas com significado poderoso. Era como imaginara: sentimento avassalador, rompante como arrebatador, transcendental... esotérico. Tudo isso com um encontro de bocas, que parecia mais uma colisão, um choque que o transpôs a outra realidade alternativa.

Chanderego se afastou, pego de surpresa. A confusão a pintar seu rosto, em um dos raros momentos de indecisão durante sua vida.

— Não... não era isso o que eu estava plantando. Você entendeu errado, germinou defeituoso.

— Não tem nada de errado comigo! Você mesmo me ensinou que tudo o que importa é o amor! — As lágrimas corriam angustiantes ao ver seu amado se afastando.

— Caia fora daqui. Não foi isso que eu criei... Céus, como pode ter nascido algo assim de minhas mãos, o que fiz de errado?! Logo eu, tão puro em santidade!

A base de Douglas se fazia em pedaços e desaparecia aos poucos. Seu chão se desfazia. À medida que a percepção do que Chanderego disse recaía sobre sua compreensão, Douglas sentiu algo novo nascer dentro de si: uma semente de ódio puro contra aquele que o enganara durante tanto tempo. Fora feito de bobo!

— Seu imbecil egocêntrico! Só pensa em você! Você é a própria blasfêmia, com todo esse monstro grotesco dentro de seu ser!

Chanderego sentiu a pancada daquelas palavras e seu coração endureceu para a pessoa à sua frente.

Um silêncio recaiu sobre os dois, o ódio fulminando nos olhos de cada um.

— Vá... embora — murmurou Chanderego, quase sem forças. Foi difícil dizer aquilo.

Outra pausa de silêncio. Depois de algum tempo, Douglas deu meia-volta e saiu.

O laço foi desfeito.

Para Douglas, iniciava ali uma obsessão sem fim, a de acompanhar os passos de Chanderego.

Para Chanderego, um tormento sem fim, a tortura de sempre encontrar Douglas, algo que não pedira a Arceus, ou seja lá a quem rogasse.

Não sabiam, entretanto, daquilo, muito menos que perduraria pelo resto de suas vidas.

10 ANOS ATRÁS

Renomeações e alcances

COMO CHANDEREGO E DOUGLAS se aturaram em um mesmo lar, ninguém pôde responder, mas que farpas venenosas frequentes eram, como projéteis, lançadas, ah!, isso era. Como verdadeiros Pokémon Venenoso, atiravam Espinhos Venenosos1 todo santo-dia!

O fato é que, com brigas ou não, os quatro amigos alcançaram seus objetivos: Chanderego Hiker e Lucas Pereira tornaram-se Líderes de Ginásio. Pablo tornara-se ornitólogo, especialista em tipo Voador. Douglas especialista em tipo Fantasma.

Os quatro, para marcarem os objetivos alcançados, resolveram fazer renomeações de seus nomes. Chanderego tornou-se Chander; Lucas Pereira virou Lukka Musician, se arriscando, inclusive, no meio musical, levando jeito com sua voz, ainda que de postura artística nada tivesse!; Pablo, Falcon Bird-Keeper; Douglas, Doug Hex, pois entremeara-se em uma seita de uma tal Kindra Hex2, porém compreendera que a seita não tinha nada a ver com as pesquisas que ele estava levando sobre A Arte das Trevas que descobrira, mas como gostou do sobrenome Hex, o manteve.

Lukka virara Líder de Ginásio de uma Vila litorânea sem muito atrativos. Construiu imagem e com o passar do tempo a transformou em Lucuática, a Cidade mais gentil.

Cada seguiu seus passos, até o momento em que uma tal Rocket apareceu e incomodou o que já não estava tão bom em Toran, vindo com planos deturpados de tomar o poder da Região.

Falcon, com seu jeito perspicaz, entretanto ainda com pouco espírito de liderança, reuniu os antigos amigos para a criação dos Revolucionários. Somente Lukka não aceitou, estava ocupado demais com Lucuática. Doug, sabendo que Diego aceitara, entrara na causa logo em seguida. Conseguiram espiões dentro da Equipe Rocket e dá-se então a sequência de acontecimentos até hoje: a junção e separação das duas causas, o clima de tensão de uma possível guerra prestes a explodir.

HOJE

Reencontro

ENQUANTO OS OUTROS COLEGAS TREINAVAM sem cessar no acampado, no mar, na floresta e tantos outros lugares dos arredores, estavam os três Norteadores em uma das saletas do prédio dos Revolucionários.

— As notícias que tenho recebido não são animadoras, rapazes — disse Falcon colocando sobre a mesa papéis de relatórios de seus espiões. — Como se sabe, há três causas em conflito: Governo, Rocket e Revolucionários. Os Rocket estão se movimentando de maneira impressionante, lançando grupos aparentemente passivos em cada cidade e vila, para que, no momento certo, explodam em movimento e tomem a região de forma fácil, fácil...

Alguém bateu suavemente na porta. Chander abriu. Era um dos Colegas.

— Desculpe interromper, Norteadores, porém há um alguém um tanto quanto extravagante do lado de fora querendo entrar. Temo que seu jeito chamativo e esquisito tenha chamado a atenção de qualquer um para nossa base...

— Pode permitir a entrada — respondeu Doug.

Um momento depois, o já formado homem, alto, cabelo loiro-escuro e curto, apareceu no umbral. A camisa surrada e calça de flanela de sempre, o bigodinho ralo e a sorte de pulseiras azuis no pulso a balançar; toda essa imagem de quando inventou ser cantor, assumindo uma reprodução mais hippie que artística.

— É Lukka, tentando causar alvoroço com sua música! Ora essa, você parece crescer a cada ano que passa! — exclamou Chander, tendo que levantar um pouco o pescoço para fitar o antigo amigo nos olhos.

— Lukka deve ter em seu gene o DNA dos esquecidos e lendários gigantes — brincou Doug.

Todos riram, em um dos raríssimos momentos em que Chander e Diego não se fulminavam com o olhar.

— O que anda fazendo por essas bandas, Lukka? — perguntou, Falcon, olhando firmemente o outro, através dos óculos escuros.

— Saber como andam as coisas. — Lukka não largava seu jeito desengonçado em uma falha imitação de grandes ícones da música.

Todos entendiam que ele não queria saber de como eles estavam indo, e sim a causa. Do que conheciam Lukka, também sabiam que ele não era nenhuma espécie de delator e espião, capaz de sair dali com informações valiosas para passar para outrem. Falcon continuou:

— A maior concentração de Rockets, claro, está em Acrogrey, onde o Prédio dos Governantes está inserido, a Cidade Centro da Região. Eu diria que, por possuirmos número menor de integrantes, deveríamos concentrar nossas forças em Acrogrey. — Uma pausa. — Tomando-a para nós, teremos, por um período indeterminado, certa atenção e controle dos ocorridos.

"Para isso, nesses últimos momentos escassos, precisamos permanecer com foco em completo treino. Treinar sem descansar. Se a solução para ganhar maior poder de combate está em evoluirmos para o estágio seguinte os Pokémon que possuímos, que evoluamos todos!; se está em adquirir novos monstros para a equipe individual de cada integrante, vamos à captura. O importante é entendermos: SEM DESCANSO!"

Bateu a palma da mão na mesa, para finalizar, mas ninguém se assustou, estavam todos muito atentos.

— E aí, Lukka, tomou uma posição de qual dos três lados irá ficar, maluco? — Por fim perguntou Falcon.

Lukka não respondeu de imediato e nesse curto período de tempo, deixou de lado seu personagem musicista e voltou a ser Lucas Pereira.

— Sabem, em uma das poucas vezes sei o que quero e me decidi sobre isso. Não estou com Governo, Rocket ou Revolucionários. — Olhou para todos na saleta. — Vou acabar com qualquer um que quiser tirar o direito de viver da população de Toran. Estou do lado dos humanos e da vida.

Notas finais
1 Ou Poison Sting 2 Kindra Hex foi quem roubou Oikos/Jorge e o criou. No capítulo O Bobão Amaldiçoado do Casaco de Zorua diz mais dela e de sua seita, caso queiram relembrar. Gente, sei que tô parecendo esses autores escrevendo fillers kkkkk, mas preciso fechar algumas pontas com todos os personagens, sabe? De qualquer forma, esse capítulo também serviu para mostrar como está a situação entre as causas e o governo, prestes a eclodir a qualquer momento o embate! E os personagens daqui são, pra mim, os mais vivos da fic... pois surgiram em um momento em que eu já passava por um amadurecimento no que escrevia. Lendo: Dona Flor e seus dois maridos / Jorge Amado ♥ Mapa para se localizarem no capítulo: https://i.imgur.com/pHx2fK6.jpg Obrigado por virem e até o próximo =D