O Verdadeiro Mundo Pokémon
30 Fim PARTE 3 - Capítulo Bônus: Gradual Solidão
Notas iniciais

ATUALMENTE
Descascada
MARCELO ABRIU A PORTA DE MADEIRA da casa quentinha.
— QUERIDA! Consegui o ingrediente que faltava para o xarope que vai curar nosso filho! — esbravejou de felicidade; o inesquecível sorriso a abrilhantar o rosto forte e bonito.
Eva levantou-se da cadeira de frente para a mesa, onde amaciava a massa de pão crua e pálida. Limpou as mãos no avental enquanto seguia para a porta para receber o marido, com vivas e aleluias. O filho, Bernardo, sararia daquela estranha gripe que ninguém sabia de onde saíra.
Ao chegar de frente ao esposo, retesou. As íris dos olhos de Marcelo estavam pardas e pálidas. A pele do esposo branca e emanando frio. Eva desceu a visão ao estômago dele e viu: o rasgo de garras que o perfurara de um lado ao outro. Marcelo caiu morto no chão e na sacada da casa o senhor Skier apareceu, um gigante Beartic ao seu lado.
— Foi você! — rugiu Eva, aos prantos. — Tu quem matou Marcelo, Skier!
O rosto de Skier contorceu e se transformou no rosto de seu sogro, o senhor Baker, se fechando em agonia em seus últimos momentos de vida.
O coração de Eva bateu na garganta. Estavam todos morrendo...
Bernardo!
A salvadora mãe correu para o quarto do filho e lá estava ele: verde, asfixiando em seu próprio vômito.
O desolamento tomou o estômago de Eva. Sentiu uma coceira no braço e ao mirar para ele viu a própria pele descamando, se desprendendo do corpo.
O ambiente tinha mudado completamente. Estava no centro da Floresta Congelada, os negros pinheiros sem folhas angustiados em seu frio eterno. Os galhos pelados batendo uns nos outros, cantando repetidamente:
“Who wants to live forever? (Quem quer viver para sempre?)
Who wants to live forever?” (Quem quer viver para sempre?)
Ali estava, entre duas das árvores infrutíferas: o pedaço de pedra com a transcrição de seu nome e seu epitáfio.
EVA BAKER
“Tentou, mas não aguentou a gradual solidão que lhe fora imposta pela vida. Morreu sem ninguém.”
8º do Ano do Senhor Arceus
Travou o olhar no ano de sua morte: 8. O número do infinito. Onde tudo começa, finda, e começa de novo. Onde não há fim. A repetição eterna.
Soube então que seu tormento físico descascante e o vazio no coração não teria fim, mesmo se morresse.
EVA ACORDOU COM OS OLHOS ARREGALADOS. Seu corpo tremia de frio. Descobrira-se durante o sonho. Ou pesadelo.
Olhou o relógio na parede do quarto. 06h17. Hora de acordar.
Com dificuldade, colocou roupas mais grossas para manter o calor corporal fora dos cobertores da cama. O corpo doía demais.
No banheiro, outra dificuldade: Se olhar no espelho. Ver seu rosto descascando e manchado onde já descascou.
Depois de lavar a face, prendeu os longos cabelos negros em um longo coque desajeitado e deitou novamente na cama, exausta. Após alguns minutos, levantou-se novamente, foi à cozinha, lentamente colocando no fogo o bule com água para o café enquanto pensava com seus próprios botões sobre seu filho.
Esperava acima de sua doença, de sua vida, de tudo, que Bernardo estivesse em uma jornada de autoconhecimento, adquirimento de experiência e sabedoria; que findasse seu ciclo em tornar-se um verdadeiro homem, alguém que ele escolhesse ser. Homem bom, que ajudasse sem olhar quem.
Alguém bateu à porta, uma batida ritmada e rápida.
Estava cedo demais para ser Drim, então quem seria?
ANTERIORMENTE
Pedido de auxílio
COLOCOU O BULE CHEIO DE ÁGUA NO FOGÃO à lenha e o bater desesperado do lado de fora de sua casa a assustou na calmaria da manhã que mal nascera.
Era cedo demais, quem seria àquela hora? Eva pensou em acordar Marcelo, o recém marido, mas deixou a ideia sumir quando lembrou que Montevasca era uma vila tranquila e, por fim, foi atender a porta.
Era Skier, o esquiador, mas também amigo de infância dela e de Marcelo. Seu olhar era suplicante.
— Eva, é minha mulher... — Mesmo no frio, suor escorria de sua testa. — Sua casa foi a única que encontrei com luzes acesas a essa hora, então corri direto para cá... mas é ela, nada bem...
— Calma, Skier, o que passa? — perguntou Eva, alarmada.
— Nossa filha... está a caminho... me ajude!
A informação bateu com força na mulher e a deixou sem ação por um segundo, mas rapidamente se recompôs. Não era expert em partos, mas do que sabia, iria se empenhar para ajudar e trazer aquela nova vida ao mundo![1]
Naquele momento, Eva não sabia, mas estava grávida de Bernardo.
ATUALMENTE
Entregador
DEVAGAR E COM CUIDADO EVA chegou à porta e a abriu. O ar gelado pareceu penetrar em seus ossos. Mas não havia ninguém. Olhou de um lado para o outro da rua cheia de neve. Ninguém à vista. Empurrou a porta, mas ela emperrou no meio do caminho. Seus olhos miraram abaixo e puderam enfim ver a pequena criatura.
Era um tipo de pinguim de pele avermelhada com tufos de penas brancas a envolver algumas partes do corpo, principalmente no peito e em volta dos olhos. Levava o que parecia ser um largo saco branco, mas que na verdade era sua cauda, onde guardava coisas. Era Delibird, o Pokémon entregador.
— Oh, meu querido, perdão, não tinha te visto aí embaixo.
Delibird expressou o que parecia ser um “não há problemas” com um grasnado. Do saco, tirou um embrulho em papel pardo e o estendeu à Eva, junto com um protocolo de entrega a ser assinado. A mulher assinou o papel e pegou o embrulho, se despedindo de Delibird, antes dando a ele uma Berrie, como agradecimento.
Sentou-se à cama, a xícara do líquido preto e quente em uma mão e o embrulho na outra. Leu a inscrição nele e seu peito pareceu comprimir o coração por um milésimo de segundo. Bernardo quem tinha enviado, de Cormil. Como seu garoto tinha chegado longe!
Bebeu um gole do café e sentiu-se mais desperta. Rasgou o papel do embrulho e uma caixa deu a vez. Dentro dela, um engradado com os espaços ocupados por cápsulas cheias dum líquido. Sem perceber, Eva prendia o ar nos pulmões, mas logo o soltou, também sem notar. Tinha um papel dobrado no canto da caixa. Com mãos trêmulas, Eva o abriu e reconheceu de imediato a letra do filho.
Oi, mamãe, espero que esteja bem! As notícias são boas!
Um boticário disse que o que a senhora sofre é um efeito tardio de energia de algum Pokémon que entrou em contato com seu organismo, ou algo do tipo, não entendi direito. Algo como que os humanos caçaram este Pokémon... Enfim, mas ele me afirmou que era só eu perguntar que você recordaria direta e rapidamente...
Aquele pareceu o gatilho ideal para abrir as comportas de lembranças de Eva. A mulher começou a lembrar de coisas de sua infância e de uma situação específica pela qual passara...
ANTERIORMENTE
Do que ocorreu com Eva
DO TEMPO EM QUE TUDO ERA MAIS BARATO, lá ia Eva, pequenina, 8 anos, junto com seus melhores amigos: Marcelo Baker e Skier. Com o consentimento dos pais, despreocupados naquela época de ruas e caminhos tranquilos, foram escoltados pelo então Cubchoo de Skier.
Foi nessas andanças juvenis que conheceram um dia Sue Swimmer[2], uma garotinha de mesma idade que eles, loira e meiga. Atravessaram as rotas e trilhas tranquilamente, vez ou outra um Pokémon selvagem os atacava, mas o pequeno ursinho resfriado dava um jeito, até chegarem na pequena aldeia litorânea em que os Swimmer viviam, onde o sol já oferecia muito calor em contrapartida à Montevasca.
Desde então, tentavam vez ou outra ir visitá-la e sempre eram muito bem recebidos por toda a família. Desta vez não foi diferente, quando avistaram as casinhas de azulejos, Sue veio correndo na direção deles e os puxou para dentro de sua casa, onde Paul — que mais tarde seria apelidado de O Velho do Mar, quando os fios brancos na cabeça tomassem o comando —, seu pai, os aguardavam com um banquete dos deuses marítimos. Tudo de alimento que o mar e lagos adjacentes pudessem oferecer, estava na mesa, um almoço fresco e gostoso.
Enquanto esperavam a digestão, sentados em volta da mesa, Sue narrava um encontro que tivera:
— ...eu estava montada tranquila nas costas de meu Milotic, nadando perto da beira-mar, quando vi um garoto, todo de terninho preto, sentado em posição fetal na areia quente.
— Ele devia estar fritando! — exclamou Marcelo Baker
— Foi o que eu disse pra ele, Baker! — respondeu Sue, em contrapartida. — Ele era esquisitão e ficou naquela posição, ignorando minhas perguntas, até uma hora que levantou todo bravinho e tentou avançar pra cima de mim, mas parou quando olhou pra mim...
— Hummmm, então ele te achou bonita! A Sue tá com namoradinho novo! — caçoou Eva. Ela, Marcelo e Skier riram.
— Não tô não! — bramiu Sue, meio encabulada e com as bochechas ardendo.
— Não liga pra ela, Sue, continue sua história — pediu Skier, segurando a risada.
— Bem, mas só se vocês pararem de gracinha... — disse Sue, olhando com gravidade para os amigos e se recompondo. — No fim ele se apresentou, disse que se chamava Santiago e que tinha...
— Ah, chega dessa historinha, vamos logo para o mar. Estou louca para dar uns mergulhos! — sugeriu Eva e todos concordaram animados, se levantando no mesmo momento.
Prenderam na testa os óculos de natação e correram da casinha, pela areia, até a orla em uma espécie de corrida para ver quem chegava primeiro; depois competiram em quem mergulhava o corpo primeiro na água fria, mas isso não foi problema com o sol batendo seu calor com força nos corpinhos infantis.
Após algumas aulas práticas com a Swimmer, os outros três aprenderam a nadar e as ondas não eram mais problema para eles. Foram confiantes, batendo os braços cada vez mais para longe da borda do mar.
Quando os braços dos três que não faziam parte dos profissionais Swimmer se cansaram, puxaram os óculos para envolta dos olhos e descansaram alguns segundos.
— Estão prontos, fracotes? — indagou Sue, que, por viver aquela realidade natatória, estava mais acostumada e não se sentia nem um pouco cansada.
Os outros três afirmaram com a cabeça, animados e sorridentes. Numa cordinha presa ao pescoço de Sue, havia uma Pokébola. Ela apertou o botãozinho e dele surgiu seu Milotic, a comprida serpente marinha com cauda de escamas azuis e rosas. Cada um montou e se firmou em um ponto do corpo do monstro, puxaram todo o ar que puderam e o Pokémon gracioso mergulhou, imergindo todos ao mesmo tempo.
Em poucos segundos a serpente alcançou uma profundidade suficiente para verem alguns curiosos Pokémon como as águas-vivas Frillish e o que pareciam pedregulhos que nadavam, os Relicanth.
No momento em que passavam por corais, alguns formados de Corsola, Skier esfregou uma das mãos no corpo de Milotic, o sinal para ele subir e poder dar a chance do oxigênio ser processado pelas narinas humanas.
A serpente marinha imediatamente ergueu o corpo e deu impulso para poder emergir. Eva, que era a última na fila, foi pega de surpresa com o movimento, não conseguiu se segurar e escorregou. O espanto de ver os amigos subindo e ela ali parada, foi o suficiente para que ficasse sem reação e, consequentemente, seu corpo descesse ainda mais, muito próximo dos corais. Não demorou quando sentiu como se várias farpas começassem a penetrar a sola de seu pé direito. Quando olhou para baixo, desesperou-se por completo. Seu pé estava encostado em uma estrela-do-mar que tinha os braços tomados por espinhos. Mal deu tempo de pensar em uma reação, a estrela-do-mar contraiu-se e seus braços envolveram não somente seu pé, como tornozelo e parte da perna. Antes mesmo de sentir a dor, a aflição tomou conta de Eva e ela abriu a boca. No mesmo instante borbotões de água salgada entraram por sua boca e diretamente engolidas. Era o fim.
Lá em cima, os outros três emergiram junto com Milotic, respirando ar puro. Não demorou muito para perceberem a falta de Eva. Olharam ao redor e viram bolhas de ar aflorando na água.
— Ela está sufocando lá embaixo! Vou atrás dela! — gritou Marcelo, se soltando das costas da serpente marinha e mergulhando.
— O que ele está fazendo?! — Sue estava desesperada. — Nunca vai chegar a tempo de salvá-la! Vamos Skier, pule para a água!
Skier obedeceu, desmontou e ficou flutuando. O Pokémon mergulhou e levou consigo sua treinadora. Marcelo nadava cada vez mais para o fundo e viu um vulto passar em uma velocidade absurda ao seu lado. Era Milotic e Sue.
Milotic rapidamente chegou até onde Eva estava, já desacordada, com a estrela-do-mar presa em seu pé. Sue a segurou em um dos fortes braços de natação enquanto com o outro permaneceu presa em seu monstro de bolso que voltou com urgência para fora d’água.
Marcelo e Skier que aguardavam, ajudaram a colocar Eva no dorso da serpente marinha.
— Arceus, o que é isso no pé dela?! — disse Skier, em pânico.
— Subam logo e vamos voltar para beira-mar, lá alguém poderá ajudá-la — ordenou Sue.
Assim fizeram. Ao chegarem na areia, deitaram a menina desfalecida no solo e Sue gritou pelo seu pai que apareceu apressado. Paul levava um cinto de Pokébolas e de uma delas retirou um Marshtomp, prontamente comandando:
— Marshtomp, utilize o Tapa de Lama no adversário, mas com cuidado para não machucar a garota!
O Pokémon anfíbio do pântano deu impulso no braço e o enfiou areia abaixo e quando o retirou, o mesmo estava envolto em lama e energia terrena. Avançou então para perto de Eva e atacou a estrela-do-mar que se contraiu e soltou a perna da menina.
EVA ACORDOU ZONZA, A BRANQUIDÃO do lugar em que estava quase cegando seus olhos acostumados anteriormente à negritude do desfalecer.
A visão saía e entrava em foco, mas pôde notar que enfiado em seu braço havia uma agulha conectada a um tubinho transparente que levava até um saco pendurado cheio de líquido ao lado da cama em que repousava.
Depois da visão, a segunda coisa que pôde notar era a dor lancinante que vinha de seu pé direito.
Sua audição também voltou a funcionar e ela ouviu duas pessoas conversando ao seu lado. Uma era sua mãe, identificou sua voz doce. A outra não reconheceu; era de um homem que falava naquele momento:
— ...estamos dando o soro antitoxina que irá combater e eliminar as toxinas que este Pokémon injetou no corpo de sua filha. Os Mareanie são estrelas-do-mar que destroem corais vivos e graças à recente superpopulação desses seres no mar, seu consumo de corais se tornou desenfreado, e isso levou a vida de recifes ao estado de ameaça ao ecossistema, e, por esse motivo, sua espécie está sendo quase totalmente eliminada dos litorais de Toran...
— Não sei como isso possa parecer um alívio para a população da nossa Região, doutor, e minha filha continua debilitada graças a estes seres — disse sua mãe.
— Apenas quis te acalmar quanto à futura existência da espécie e o porquê disto, pois mais para frente não precisaremos mais nos preocupar com isso. — O médico riu. — Mas a senhora tem razão, o importante aqui são as pessoas. Bem, aos humanos, essas estrelas-do-mar causam graves ferimentos por conta das neurotoxinas que liberam no sangue e afligem muita dor nos músculos, assim como náuseas e vômitos. É importante sua filha seguir aqui no hospital pelo tempo necessário e tomar os medicamentos que remediarei para casa, pois especialmente esta toxina que Mareanie produz, pode levar à morte os tecidos da epiderme, causando primeiro ressecamentos e depois a própria pele se desprende, deixando estas partes do corpo vulneráveis...
ATUALMENTE
Finalizando a carta
Então, ao que parecia, todas as toxinas que aquela Mareanie injetou em seu sangue não foram destruídas e as que sobraram, se esconderam e só foram se manifestar anos mais tarde...
Eva suspirou profundamente e o papel em sua mão tomou forma novamente.
A carta de Bernardo continuava...
O boticário criou estes antídotos. As inscrições de como usá-los estão em um papelzinho colado no engradado. Faça tudo conforme ali diz e melhore!
Deve estar se perguntando por que esta caixa chegou antes de mim. Tenho algo a fazer. Acho que uma amiga minha, que me acompanhou durante toda a jornada, deva estar correndo perigo, agora que nos separamos, pois a ideia inicial era eu voltar à Montevasca para te entregar este encomenda. Mas um receio recaiu sobre mim devido algumas circunstâncias ao qual nos separamos e temo que o pior possa acontecer com ela!
Isto é algo que decidi fazer, sem a intromissão de ninguém, como você sempre me ensinou e aconselhou.
Mas não se preocupe, quando eu voltar, vou querer saber que papo é esse de efeito tardio e riremos novamente, vivendo uma nova vida plena!
de seu filho,
Bernardo Baker.
O âncora do noticiário sensacionalista da TV anunciava:
— ...a tensão está cada vez mais densa, os Rocket tomam a cada momento as cidades, aparentemente pacíficos, mas não dá para prever qual será o próximo passo. Em contrapartida, temos informações de que os Revolucionários não estão felizes com esta outra causa por supostamente serem os responsáveis pelo sumiço de um de seus líderes, chamado Roger. O Estado afirmou que entrará em ação caso um embate ocorra, prometendo que a segurança de todos os cidadãos de Toran será mantida...
Naquele momento Eva temeu pelo conselho que tinha dado ao seu filho. Com toda essa confusão acontecendo na região, queria ele ali, ao seu lado, para protegê-lo.
Olhou novamente para a carta de Bernardo.
...papelzinho colado no engradado... melhore!
Aquilo pareceu despertá-la. A mulher puxou o papelzinho colado ao engradado e leu as inscrições nas letras miúdas do boticário.
Antídoto
— Tomar 1/3 de vidrinho por dia.
Os ingredientes misturados farão gradativamente a eliminação da ação das toxinas que ainda estão em seu corpo.
P.S.: Seu filho é uma ótima pessoa. O solo de Toran tem gratidão pela ótima criação que deu a ele.
ass. Lean.
Eva sorriu para si mesma daquela finalização e pegou uma das cápsulas transparentes, girando a tampinha no sentido contrário, para abri-la. O cheiro amargo do antídoto pareceu encher seu arredor.
Seus dedos suavam e tremiam segurando a cápsula. Eva tomou o gole conforme o prescrito e sentiu o líquido arranhar por entre sua garganta, correr pelo esôfago e assentar.
O sabor forte e poderoso despertou seus sentidos e sua pele arrepiou-se.
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