Notas iniciais
Inspirado na música "O velho e o mar" do Rubel.

29 de Janeiro de 2017, não betada.

Ele estava cansado, seu corpo pedia apenas o descanso de uma cama quentinha, a idade já pesava nos ombros do senhor de barba branca que ainda, em seus plenos 86 anos, comandava um barco de pesca. Seus olhos estavam cansados, cheios de olheiras e marcas da idade que já havia chegado, seu corpo magro que outrora fora forte e belo sentia a leve brisa marinha que fazia questão de embalar e adentrar sua camisa branca.

O senhor parou com o barco em alto mar, um ofego tomou conta de seu corpo, a visão ao longe que ele detinha fazia seus olhos duvidarem de sua própria visão que já não era tão boa como antes à medida que abandonava o leme e caminhava pelo convés do pequeno barco de pesca, o barco não tinha o melhor dos motores e seu dono não detinha coragem para trocar o velho barco e comprar um mais novo, porém ainda assim o velho motor dava conta do recado. Seus olhos percorreram o horizonte, seus pés trêmulos e cansados o levaram até a popa, um sorriso se formou em seus lábios enquanto a brisa marinha daquele fim de tarde e os cânticos o embalavam em uma canção de ninar silenciosa que era trazida pelo vento.

O céu se tingia em tons alaranjados, vermelhos, roxos e azuis claros até se tornarem escuros, em alguns cantos pequenos pontinhos de luz se formavam enquanto o sol dava lugar a lua e junto dele, um pouco ao longe, a figura de uma mulher sobre as águas atraia a atenção do velho pescador de maré alta. Ela tinha os cabelos do tom da noite, a pele morena, seu corpo coberto por um vestido azulado enquanto um sorriso preenchia seus lábios rubros que cantavam uma canção convidativa ao velho senhor que se sentia jovem novamente.

A voz da mulher preencheu seus ouvidos, com calma ele apoiou os pés na popa do barco, seus olhos admiravam a bela visão antes de seu corpo ceder e cair de encontro a água que, em um primeiro momento, estava fria porém logo se tornou acolhedora para seu corpo cansado. Seus olhos aos poucos se fecharam, o canto da mulher ainda lhe era acolhedor para um velho marinheiro cansado que apenas buscava seu descanso em uma cama quentinha e o encontrou, porém não em uma cama e sim no mar, no seu velho e saudoso mar.


O velho homem finalmente era parte do mar, o mar era finalmente parte do homem. Ambos agora eram um só.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.