Notas iniciais
Capítulo baseado na música Monsters do Matchbook Romance. Aqui é tudo nosso, quem for plagear, saiba que nossa vingança será maligna!
- Menina, o que aconteceu entre você e eu? – perguntou a voz. A menina loira, parada no meio do quarto, mexeu a cabeça, procurando de onde vinha aquela voz masculina, mas não achando. Achou pura ilusão, mas continuou a tremer de medo.

Largou a faca no chão, completando aquele círculo macabro feito de seu próprio sangue e deixou o livro aberto em cima de seu colo, enquanto sentava-se dentro do círculo. Mas a voz não parou...

- Eu afastarei todos seus medos, desde que você não sinta mais medo de mim – a voz continuava. A menina apertou os olhos, querendo parar de ouvir aquela voz. Seu dedo sangrando não foi à boca, embora ela tenha se segurado bastante para não estancar o sangue com a língua – Não vou a lugar algum... Se você abrir os olhos, talvez você me verá.

Mas quando ela finalmente tomou coragem, ele já não estava lá. Por que tinha a abandonado? Agarrou o livro com mais força.

- Quem... Quem são vocês? – ela perguntou, com um fio de voz, fazendo todas as vozes rirem, cada uma de uma maneira diferente. A que sempre se comunicava com ela ficou quieta e foi a primeira a falar algo.

- Nós? – perguntou ele, sério.

- Nós somos – começou uma voz em deboche.

- Nós somos os agitados – aquilo não fazia muito sentido, mas as vozes continuavam a falar.

- Nós somos os monstros debaixo da tua cama – os olhos dela fecharam-se novamente com aquelas imagens. Por que as falas deles tinham de parecer tão engraçadas quando não eram?

- Nós somos um erro – continuou outra voz.

- Nós somos as vozes dentro da sua cabeça. - Acredite no que você está vendo – disse a voz mais séria. Ela abriu os olhos novamente, mas nada estava lá. Piscou até que a forma se materializasse. Um homem com cabelos negros e compridos, olhos escuros, estendia sua mão pálida como a neve para que ela saísse do círculo – Você me traz de volta à vida – disse a figura, olhando-a com tal amor, tal admiração. A garota não mexeu um músculo para tentar alcançá-lo – Venha, minha garota. Minha menina. Você sempre confiou em mim – ele sorria com melancolia.

Oh, meu Deus. Era ele.

Encostou um de seus dedos na mão dele, afastando-se ao notar o quanto eram geladas, ainda permanecendo dentro do círculo. O homem trincou os dentes, mas a garota não percebeu.

- Você morreu – ela afirmou, com total convicção em suas palavras. Ele trincou os dentes mais uma vez, desviando seu rosto, mas logo voltando a olhar para a garota com amor.

- Voltei para você, minha menina – ele disse, ainda com um sorriso.

- Você morreu... Por minha causa – ele cerrou os punhos, controlando-se.

- Mas voltei.

A garota sorriu, deixando aquelas lágrimas tão humanas escaparem pelo canto de seus olhos. Jogou-se nos braços dele, sem pensar, jogando todo seu peso em cima do corpo gelado da criatura, sentindo o cheiro selvagem que ele parecia emanar. Mordeu os lábios, ainda chorando.

Aquele choro o enojava.

- Menina – ele repetiu, beijando o pescoço dela. A garota, tão nova para aquelas carícias arregalou os olhos, tentando olhar para ele, mas ele logo cravou as presas em seu pescoço, fazendo o sangue dela descer por sua garganta. O sangue dela era quente, mas não delicioso como os dos rapazes e das mulheres que ele costumava beber. Aquele sangue tinha muito sofrimento contido.

- Não! – ela sussurrou, mas ele continuou a beber, sentindo todos os sentimentos dela passando por seus lábios, indo para seus cérebro. Tantos sentimentos ruins que o faziam quase derramar suas lágrimas de sangue para sujar o vestido da garotinha. Ele largou-a, antes de morrer, vendo seus olhos se fechar, ouvindo seu coração desacelerar...

- Você sangrou por mim – disse a garota, passando a mão em seu rosto, duro como mármore. As vozes que ele tinha criado já não existiam na mente dela, ela estava em paz – Eu sangrarei por você.

O vampiro engoliu em seco, abraçando a garota, postando-a próxima ao seu corpo, tentando ler mais alguma coisa de sua mente, mas suas memórias já não estavam mais presentes ali. Mordeu seu próprio pulso, entregando-o a ela, esperando que ela mordesse... Mas tarde demais. Suas lágrimas de sangue desceram por seu rosto.

- Vingança... – suspirou uma voz próxima de si, uma voz mais sábia, a capa negra que ele usava arrastava-se ao chão, seus cabelos ruivos compridos balançavam-se com o pouco de vento que entrava pela janela – Pode ser tanto doce quanto amarga, desde que você saiba apreciá-la – ele disse um tanto sarcástico – Mas vingar-se de uma garotinha foi a gota d’água para você, não, Vincent? Foi erro meu transformá-lo? – perguntou ele, retoricamente, levantando uma sobrancelha.

- Minha irmã – ele continuou abraçado ao corpo, espalhando beijos por todo seu rosto, seu pescoço, unindo suas mãos e beijando-as.

- Por que não beija os lábios? – perguntou o vampiro ruivo.

- Porque seria um beijo mortal – disse ele, ainda chorando, sem desviar seu olhar do corpo da garota loira em suas mãos – E isso eu já não posso mais dar... ----------------------------- Reviews não tiram pedaço e fazem bem à saúde! Deixe um review! *-*