O Valor Do Amor
13 Capítulo 13
Notas iniciais
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Esme enrosca-se na cama junto dele.
- Levas-me à ópera na sexta? – pergunta docemente. – Vem cá a minha cantora preferida.
Carlisle sorri.
- Claro que sim, amor.
- E depois podemos ir jogar? – pergunta.
Carlisle suspira.
- Vá lá. – pede Esme fazendo beicinho. – Já não jogamos desde novembro.
- Tu não jogas, porque eu nunca joguei.
Esme encolhe os ombros.
- Tu percebeste. Leva-me lá.
- No sábado. Sair da ópera e ir para as casas de jogos é demasiado cansativo.
- Está bem. Pode ser no sábado. Convido o meu irmão e a Rosalie.
- Porque é que não vais com eles e me deixas em casa a descansar? – pergunta.
- Porque gosto que vás comigo. Mesmo que não jogues. Gosto de te ter ao pé de mim. E as línguas maldosas ainda dizem que ando à procura de amante se for sem o meu marido.
- E ligas às más-línguas?
- Não. Mas não gosto de ser difamada. E a tua irmã e a Irina adoram faze-lo.
Carlisle suspira.
- O que aconteceu desta vez?
- Andam a dizer que tenho um caso com o primeiro-ministro só porque dancei com ele na passagem de ano.
Carlisle franze a sobrancelha. A verdade é que também sentiu ciúmes quando a viu com o primeiro-ministro, primeiro a dançarem depois a conversarem os dois sozinhos num canto do salão.
- E são só línguas maldosas? – pergunta.
Esme faz um ar escandalizado.
- Claro que são. Achas que alguma vez te trairia?
- Não, desculpa.
- Isso é veneno da tua irmã. Ela não gosta de mim e faz de tudo para que tu também não gostes.
Carlisle baixa os olhos e Esme percebe que já fez asneira.
- Desculpa. – murmura. – Eu não queria dize-lo.
- É a verdade. Só disseste o que todos dizem. Eu apenas não gosto de pensar nisso. Gostava que se dessem bem. Como duas cunhadas.
Esme aconchega-se nele.
- Prometo que falo com ela a próxima vez que for à corte. Não te quero deixar triste, meu amor. – dá-lhe um pequeno beijo nos lábios.
O ar pensativo de Carlisle não desaparece.
- Estás bem? – pergunta Esme ao fim de alguns segundos a observa-lo.
- Preciso de falar contigo.
- Sobre o quê?
Carlisle senta-se na cama fazendo Esme também se sentar.
- Esme, eu estive a pensar e acho que está na hora de termos filhos.
Esme é apanhada de surpresa.
- Filhos?
- Eu sei que tomas um chá para impedir a conceção. Mas eu preciso de um herdeiro e mais importante do que isso sempre quis ser pai.
- Meu amor, ainda somos tão novos…
- O tempo passa depressa. Em breve será tarde demais.
Esm vê-se obrigada a recorrer a uma discussão.
- É para isso que me queres? – pergunta. – Eu pensei que me amavas e afinal só me queres para parir os teus filhos.
- Esm, não é nada...
- Não me toques. – levanta-se da cama. – Queres uma esposa apenas para ter filhos, é? Então escolheste mal.
- Esme…
Esme força as lágrimas a saírem.
- Casei enganada, enganei-me este tempo todo. Pensei que me amavas, que me querias, afinal só me queres para ter filhos. Nunca pensei, Carlisle, nunca.
- Meu amor…
Esme sai disparada do quarto e fecha-se no quarto de hóspedes.
Sabe que na manhã seguinte basta correr para ele, abraça-lo, beija-lo, pedir-lhe desculpa, dizer que o ama, para tudo ficar bem.
Deita-se, mas não consegue dormir.
Pensa naquilo que Carlisle lhe pediu. Um pedido tão simples, o primeiro pedido que lhe faz desde que casaram e ela irá recusa-lo. Uma coisa que qualquer homem deseja da esposa, que quando casa espera que aconteça.
Porque não satisfaze-lo? Porque não ter um filho?
“Talvez uma criança não seja assim tão má”, pensa, “depois de nascer terá quem o amamente e amas para tomarem conta dele, não terei que me preocupar.”
Rosalie tinha-a avisado. Um homem quer sempre filhos do casamento e Carlisle não seria exceção.
Fecha os olhos e adormece. Sonha com um rapazinho, o seu filho, um menino igual ao pai, com os mesmos olhos, o mesmo tom louro de cabelo, o seu pequeno Carl.
...
Na tarde seguinte passeia com Rosalie no parque central. Já não conversavam há tanto tempo que Esme decidiu convida-la para um passeio.
- Eu avisei-te. – diz Rosalie assim que Esme a conversa com Carlisle.
- Eu sei. – murmura Esme sem paciência para discutir a questão.
- E vais tentar?
- Não. – Esmee encolhe os ombros. – Eu não gosto de crianças, é um facto. E os bebés só comem, dormem e choram. E ainda por cima são feios.
- Não são nada. O filho da rainha é lindo, devias vê-lo.
- Já sabemos o teu gosto por tudo o que é pequeno.
Rosalie ri.
- Tu tens um cachorrinho, também tens de tomar conta dele. Um bebé é a mesma coisa.
- Não queiras comparar.
- Não, não tem comparação. Os bebés são muito mais queridos.
- Também quando o tiver posso entrega-lo às amas.
- Então mais vale não o teres. Um bebé precisa da mãe. Precisa que a mãe lhe dê atenção. Logo, precisa de ti.
Esmee suspira.
- Tu, por acaso, percebes alguma coisa disso?
- Tenho aprendido bastante com a rainha.
Esme suspira.
- Tenho de pensar bem. E tu, o que andas a fazer?
Rosalie encolhe os ombros.
- Já quase nenhum homem vai na minha cantiga. Andam atrás de mim, mas já não me dão presentes, parece que querem ir para a cama primeiro.
Esme ri.
- Faz como eu. Seduz um e casa.
- Não, já disse que só caso quando me apaixonar.
Um sorriso aparece no rosto de Esme. “É bom ter alguém que nos ame.”
- Que sorriso é esse? – pergunta Rosalie.
- Nada. – Esme encolhe os ombros. – Estava a pensar se queres vir comigo às casas de jogos no sábado à noite. O Carlisle vai levar-me.
- Talvez. Depois digo-te. Muito gostas tu de esbanjar o dinheiro do homem.
Esme ri.
- Sou duquesa. Agora tenho outro tipo de vida.
Rosalie suspira.
- És a pessoa mais ambiciosa que conheço.
Esme encolhe os ombros.
- Depois diz-me se queres vir ao não.
Despedem-se com um beijo na bochecha e Esme volta para casa a pensar na conversa com Carlisle
...
- Achas que ele me perdoa? – pergunta Esme a Leah.
- Porque não havia de perdoar, senhora?
Esme encolhe os ombros.
- Ontem disse-lhe coisas que se calhar não devia ter dito. – murmura.
- Vai ver que ele já esqueceu tudo.
- Cada vez que discutimos costumamos conversar logo de manhã. Se calhar desta vez deixei passar demasiado tempo.
- Não diga isso. Vou buscar-lhe o chá.
- Não. Hoje não. Já não tomo mais. – diz séria. – Sabes para que serve o chá?
- Não, minha senhora.
- Para não engravidar. Acho que já chega. Casei com um duque e devo dar filhos a esse duque. Já não tomo mais, que se faça a vontade de Deus.
Esme deseja boa noite a Leah e caminha até ao quarto de Carlisle. Ele desaperta a camisa em frente ao espelho. Esme abraça-o por trás.
- Desculpa. – murmura encostando a cabeça ao corpo dele. – Desculpa-me, meu amor.
Carlisle vira-se para ela e abraça-a.
- Não tenho de te desculpar de nada.
Esme sorri aninhando-se nos braços dele.
- Pensei no que me disseste. Acho que podemos tentar.
- A sério?
- Sim. – Esme beija-o. – Deixei de tomar o chá. A partir de hoje não tomo mais.
Carlisle beija-a de novo.
- Quer dizer que podemos ter um filho?
Esme assente.
- E podemos começar já.
Carlisle sorri e cobre a boca dela com a sua.
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