O Vírus
1 Pensamos que éramos os únicos.
Os policias Dantes e Alice estavam discutindo novamente sobre a comida. Xavier entrou no meio da briga e mandou os dois calarem a boca enquanto Jaqueline ria dessa briga estúpida. Só estávamos há uma semana presos no laboratório e já tivemos milhares de brigas.
Deitei na marca e fechei os olhos e relembrei dos meus últimos dias em um mundo normal.
— Estagiaria, onde está Paloma? – O escritor chefe do jornal São Paulo perguntou para mim.
— Ela está doente – Digo olhando para ele.
— Puta merda! – Ele gritou furioso – O que aconteceu com todos os meus jornalistas? Todos estão doentes ou ocupados com outras matérias...
— Talvez, eu possa ajudar! – Murmurei.
— Você? A estagiaria?
— Eu faço faculdade de jornalismo... Estou no ultimo ano...
O editor começou a andar e eu o seguir tentando convencer — ló que eu sou uma boa jornalista.
— Se o senhor me dê apenas uma chance... Eu sei que não irei decepcionar — ló.
Ele parou e olhou para mim.
— Estagiaria, o que você fez aqui além de fazer café?
Eu não deveria ter dito aquilo, eu sei que prometi para Carolina que não falaria. Mas, que se dane... Era cada um por si agora. Era minha grande chance.
— Além do meu café ser o melhor de qualquer um aqui... Eu fiz a matéria sobre o Aborto de Luana. A matéria que o senhor tanto gostou...
— Não, foi a Carolina que fez!
— Não, fui eu que fiz... A Carolina se esqueceu de fazer e eu acabei fazendo de bobeira e quando ela me procurou desesperado... Eu dei a minha matéria para ela... Senhor Abreu, eu sei que eu sou boa no que faço e sei que o senhor e todo mundo vão gostar... Eu apenas quero um voto de confiança e alias eu sou a única jornalista disponível.
Ele abriu um enorme sorriso mostrando seus dentes brancos e perfeitos.
— Te darei uma chance estagiaria... Eu ainda não sei o seu nome...
— Taynah Freire – Disse sorrindo o cumprimentando.
— Então Taynah, escute muito bem o que falarei... A matéria que te darei é muito importante, pessoas matariam por ela, até eu... Mas como terei que ir para Inglaterra daqui cinco horas não terei tempo para fazer... Escute bem, a matéria é inédita, em nenhum jornal, nem na televisão ou na internet rolou esse assunto... Seremos os primeiros sortudos a fazer — lá. Por acaso a senhorita conhece Laura Pereira?
— Ela não é uma cientista?
— Isso mesmo... A nova cientista prodígio... A filha da mãe descobriu a cura para o HIV!
— O que? A cura?
— Sim... E já estão fazendo os testes em dez mil infectados.
— Dez mil, isso não é muito?
— Taynah você não poderá questionar quando fizer a entrevista. Formos o jornal premiado. Sabe quanto ganharemos por essa noticia? – Não respondi – Milhares de reais, depois do nosso jornal, o mundo inteira fará manchetes falando sobre o assunto, mas nós seremos os primeiros. Voltando a falar sobre a cura... Laura criou um novo vírus, deu uma de brincar de Deus e criou um vírus que mata o vírus do HIV... O virus foi batizado como 139P. É o melhor, não tem nenhum efeito colateral. Já foi testado por apenas duas pessoas e em menos de 24 horas, eles estavam curados. Agora, ela está testando em base de pílulas... Todavia, eu quero a matéria inteira. Cada pequeno detalhe... Você tem 6 horas para estudar sobre a Laura e ficar por dentro de tudo... Um carro te buscará às 8 horas e você terá que está pronta. Entendeu?
— Sim... – Disse sorrindo.
— Pessoal... – Kevin gritou me fazendo sair do trans.
Todos nós corremos até a sala de controle.
— ...Termos movimentação – Ele disse olhando para o painel.
Ficamos espantados assim que virmos três seres humanos correndo – ultimamente, todos os “seres humanos” que víamos estavam infectados. Uma mulher – que deveria ter a minha idade – e duas crianças, uma de colo e a outra deveria ter uns cinco anos. Elas estavam atrás do hospital e entraram dentro do banheiro químico tentando escapar dos infectados.
— Precisamos ajudar-lós – Eu disse.
— Tem muitos... – Jaqueline disse – Não daremos contar.
Eu sabia muito bem que aquilo se tornaria uma discussão e perderíamos tempo. Sair de fininho e peguei a menor metralhado que estava na parede. Fui até a porta e coloquei meu dedo no botão, ele identificou minha digital e abriu, logo quando eu sair à porta se fechou.
Subi de fininho as escadas até chegar ao estacionamento do hospital, me concentrei a não fazer barulho. Eu tinha que chegar ao primeiro andar do hospital e ir até a saída traseira. O estacionamento estava com a iluminação precária, ficava piscando sem parar e havia muitas goteiras, alguns corpos despedaçados espalhados para o chão.
Ouvi um barulho atrás de mim e virei rapidamente apontando a metralhadora para o dono do barulho.
— Calma sou eu – Nathan disse abaixando minha arma.
— Você me assustou.
Ele me entregou o Receptor de Vozes – que era praticamente um fone de ouvido que conseguíamos ouvir um aos outros, mas era mil vezes melhor que o comum.
— Eles haviam percebidos a minha ausência?
— Não... Eu vi você saindo.
— E por que não me impediu?
— Por que era a coisa certa a ser fazer.
Eu sorri e depois voltei a ficar séria.
Nathan e eu trocamos poucas palavras desde o dia que o conheci. Ele era bem caladão e na dele. Sempre fumando um cigarro e cantarolando algumas canções antigas e sempre estava escrevendo ou desenhando em um caderno preto.
— A direita de vocês – Kevin gritou.
Nathan virou rapidamente e deu um tiro bem no meio da testa de um infectado – o melhor modo de matar sem gastar muitas balas.
— Bom tiro, garoto da pizza – Xavier disse.
Nathan fez uma careta. Xavier sempre chamava os mais novos com apelidos idiotas, meio que querendo zomba de algum modo com a gente – como eu e Nathan éramos os mais novos, pois eu tinha 22 anos e ele 25 – Xavier o chamava de o garoto da pizza e eu de a pequena jornalista.
— Vamos logo... – Nathan disse andando na frente – Kevin, nós dê todas as movimentações.
— Ok... O primeiro andar está livre!
Andamos mais rápido com menos cuidado. Chegamos ao primeiro andar perto da recepção. O lugar estava acabado, com coisas jogadas, corpos no chão e bastante sangue.
— Vocês terão que passar pelo o refeitório... Tem uma criatura ao lado das mesas.
— Por favor, tragam algo para comer – Dante disse.
Nathan e eu fomos até o refeitório.
— Qual é o esquema?
— Você abre e eu atiro.
— Ok... – Eu abri a porta.
O infectado nós viu e correu em nossa direção.
— Nathan, atire! — Nathan não conseguia atirar.
— Minha arma... Está descarregada. – Ele disse mexendo nos bolsos.
Eu apontei a metralhadora na cabeça do infectado e dei um tiro.
— Nada mal, pequena jornalista. – Xavier disse.
— Belo tiro – Nathan disse carregando a arma.
Eu sorri.
— Vamos... Não podermos perder tempo.
— Jesus Cristo! – Kevin exclamou.
— O que houve? – Nathan e eu perguntamos ao mesmo tempo.
— Eles capturaram a mulher! E... Meu Deus! Corram! As crianças ainda estão lá.
Nathan e eu corremos para fora do hospital, vimos três infectados comendo os órgãos da mulher. Senti náuseas, mas conseguir controlar. Dei um tiro na cabeça de um dos infectados – ele caiu em cima do corpo da moça, chamando a atenção dos outros infectados.
— Deixe esses comigo... Pegue as crianças.
Os infectados correram para nós.
Nathan deu dois tiros na cabeça de um e dois tiros que acertou o joelho do outro. O outro que ainda estava vivo afastou-se até nós. Eu corri para pegar as crianças e ouvir mais um tiro.
A menininha de cinco anos estava encolhida no chão chorando com o bebezinho no colo. Eu a acalmei e peguei o bebezinho no colo.
— Nathan, pegue a no colo e não deixe ela ver a moça.
Ele me obedeceu — pegou a menina no colo com muito cuidado e a ninou um pouco. Voltamos para o laboratório subterrâneo com mais facilidade.
Fale com o autor