O Universo de Game Of Thrones!
1 A ÚLTIMA FILHA!
Notas iniciais
*A protagonista é uma personagem original que criei para ilustrar com mais desenvoltura os acontecimentos.
*Esta é minha primeira "fanfic", então gostaria que comentassem o que acharam!
DRUSSILLA.
Algo abriu caminho entre dois passantes que seguiam lado a lado e em seguida desapareceu nas sombras.
Os olhos de ambos ― muito brancos contra as trevas profundas de Asshai. ― arregalaram-se com vividez. Por mais que a escuridão fosse a única lei real na cidade, aqueles que a habitavam há certo tempo já eram capazes de orientar-se por suas ruas sinuosas, de modo que era muito incomum algo passar invisível de tal forma, ou melhor, seria, pensaram. Seria em qualquer outra cidade que não fosse Asshai. Os dois se entreolharam dizendo palavras que não podiam ser ouvidas e seguiram caminho.
Drussilla encarou sorrindo enquanto eles se afastavam. A confusão nos olhos daqueles dois lhe dera um prazer que não sentia há semanas e que possivelmente aumentaria quando contasse sobre seu feito à Sua Senhora. Relembrava as palavras carregadas de rouquidão: “Quando for uma sombra vivendo numa cidade que se banha nas trevas, então estará pronta para aprender”. Uma sombra. Era como sua mãe era chamada antes de render-se à sedução da luz do suposto deus verdadeiro.
Drussilla balançou a cabeça. Pensar nos mortos não trazia qualquer benefício ― especialmente para alguém passando tão perto da rua dos necromantes. ― qualquer um sabia da existência de Magias poderosas feitas a partir do luto e Drussilla não desejava saber de Magias poderosas, a não ser que ela mesma as fizesse. E contra todas as suas vontades, a lembrança da mãe retornara. Ela a ensinaria as antigas artes concedidas a família pelos Antigos. A ensinaria a dobrar a mente e embaralhar os sentimentos, a enxergar o futuro nas estrelas negras e viajar dentro da própria escuridão.
A garota virou uma curva e praguejou. Se ainda tivesse sua mãe não precisaria servir a Senhora. Não precisaria dividir a comida e a tão cobiçada água doce que demandava tanto esforço para conseguir. Não precisaria esgueirar-se de casa em casa até ser expulsa. Os mercadores diziam que Asshai era maior do que as maiores cidades tanto em Essos quanto em Westeros, porém ainda haviam aqueles sem casa. Haveriam em qualquer lugar. Se ao menos eu fosse de algum grupo, pensou, dos aeromantes, talvez. Dos feiticeiros ou dos bruxos. Que sorte se fosse dos Umbromantes. Mas não, ela era algo diferente. Algo ― segundo Sua Senhora. ― mais poderoso e antigo. O quê? Ela não sabia. Especialmente sem sua mãe para…
Um assovio tirou Drussilla de seus pensamentos. Ela olhou na direção do som e nada viu, mas quando voltou a encarar o caminho à sua frente deparou-se com um home. Ele estava coberto por um grande manto negro e usava uma máscara branca cujo nariz estendia-se como uma lâmina diante do rosto. Um necromante, soube Drussilla. A garota desviou do homem sem pressa e procurando manter a mente limpa de pensamentos mórbidos que denunciariam sua posição. Parecia estar dando certo, a cabeça dele se movia, mas não na direção dela. Drussilla respirou fundo por um instante antes de sentir a presença atrás de si.
Outro necromante.
E, num piscar de olhos, eles preenchiam toda a rua. Drussilla notou, graças aos olhos treinados, se tratar de uma ilusão, pois os homens agiam em sincronia perfeita. Sentiu-se aliviada, porém não permitiu que seu corpo demonstrasse novamente. Seguiu em silêncio, dançando entre as formas altas do mágico até virar uma esquina onde finalmente soltou o ar. Estava calma, apesar de sentir o medo latejar fracamente em seu interior. Sombras não têm medo, dissera Sua Senhora. Drussilla praguejou. Podia ter desaparecido como a Sombra que estava destinada a ser, mas sucumbira ao medo, logo, não era digna dos conhecimentos da Senhora.
A garota pisou com raiva. Virou-se em busca da familiar fosforescência verde pálida do Rio Ash e avançou até ele. Conforme se aproximava sentia-se cada vez mais sozinha e cada vez menos invisível. As pessoas não se aproximavam do rio, o que tornava aquelas que o faziam, alvo de grande interesse, mas ela aprendera ― com a mãe. ― a acessar o rio pelos locais menos vigiados. Atenção não era algo que Sombras desejavam.
Drussilla seguiu até o último lugar escuro antes da claridade morta do rio lamber o chão. A garota observou a indiscreta Casa de Luz na outra margem. Estava vazia, aparentemente. Uma a menos, ela pensou direcionando o olhar para as outras casas, as escuras e cheias de segredos como todas as outras e arfou. Seu alvo, a ponte, parecia vazia. Não que isso fosse alguma garantia, afinal já acontecera de ela encontrar um Adorador ou um Obstinado oculto dentro da pedra negra, por sorte ambos eram relativamente pacíficos, do contrário haveriam problemas, já que Sombras não deviam portar armas e sim conhecer a Magia de seu ser.
Conhecimento que a Senhora insistia em lhe negar.
Tentando ignorar seu receio, Drussilla avançou e, com um elegante e ágil movimento, a garota desapareceu debaixo da ponte aterrissando numa pequena porção de pedra negra onde a água esverdeada não alcançava. Ninguém a vista. Perfeito. Ela, então, encarou o rio. Alguns diziam que a cor envenenada era fruto de um líquido que as pessoas expeliam ao morrer e que corria até Asshai por ordem dos deuses. Outros que foi uma maldição dos Senhor da Luz que, por a cidade aceitar as trevas, ele a deixara sem água doce. E havia aqueles que, como Drussilla, apenas lidavam com a situação em vez de tentar descobrir o porquê dela.
Mesmo que para a garota, a situação fosse diferente, afinal, não importava a versão, todos concordavam com uma coisa: o Rio Ash era mortal para todos que se atrevessem a beber ou se banhar em suas águas. Para todos… todos exceto Drussilla, se algum dia teve qualquer dúvida de que era especial, ela se foi quando descobriu que podia mergulhar no Ash sem correr perigo. Ela era única capaz disso desde que sua mãe partira em nome do Senhor da Luz.
Com o coração batendo de ânimo, Drussilla pulou dentro do rio. Em Asshai muitos se perguntavam como seria a sensação de tocar a água amaldiçoada. A maioria acreditava ser quente como fogo, mas Drussilla sabia ser justamente o oposto, pois sempre que ela mergulhava sentia o frio se aglomerar em seus ossos. Era doloroso, mas não mortal. A garota fechou os olhos e deixou-se afundar até os pés tocarem o fundo. Água entrou por seu nariz, contudo não lhe fez mal. Um tremor balançou seu corpo; Drussilla abriu os olhos e impulsionou-se para cima. As mãos negras como a noite abrindo caminho para a superfície.
Algo estalou em seus ouvidos quando Drussilla alcançou as margens ― então cobertas de grama. ― do Rio Ash. Ela agarrou as plantas e acomodou-se por um instante. Estava em outro lugar agora. Uma floresta nas Terras das Sombras aos pés de uma grande montanha onde, do outro lado, jazia Stygai, a cidade cadáver onde Sua Senhora vivia. Não importava em qual ponto do rio ela entrasse, sempre acabava no mesmo lugar. Com um suspiro, a garota levantou e seguiu em direção a montanha.
As altas folhas de erva-fantasma abriram-se para ela formando um caminho até o sopé. A maioria das pessoas ficaria receosa em passar tão perto de uma planta tão cercada de histórias. Elas a temiam, embora não soubessem bem o porquê. Alguns povos, em especial os dothraki, acreditavam que chegaria o dia em que a erva-fantasma dominaria toda a vegetação dando fim ao mundo. Drussilla não acreditava nisso. Haviam outras coisas com um potencial muito maior para apresentar o mundo a seu fim e algumas se escondiam logo à frente nos penhascos da Terra das Sombras.
Finalmente a garota alcançou a base da montanha e, sem cerimônia, começou a escalar. Seus braços conheciam a localização de cada pedra, cada ponto de apoio, cada pedra solta graças as centenas de vezes que subira. Ela lembrava de como as primeiras vezes foram difíceis, já que, até então, sua mãe ― a quem a própria montanha dava passagem. ― a acompanhava. Drussilla caíra incontáveis vezes, mas sempre se levantava, pois, a Senhora entre as pedras, era tudo que lhe restava. Então, quando alcançou o pico pela primeira vez, sentiu-se absolutamente feliz, assim como todas as vezes que repetira o feito. Incluindo aquela.
Drussilla espiou as ruínas ao longe. A descida costumava ser fácil, especialmente se ignorasse os rugidos dos dragões ao longe. A garota nunca vira um, apesar de saber que existiam em abundância nos abismos perto da borda do mundo e, claro, conhecer a história da lendária família que ousou montá-los para conquistar todos os continentes há trezentos anos. Todos em Asshai diziam que eles eram a maior força existente. Maior do que os Umbromantes, maior do que os emissários de R'hllor ou do que qualquer exército humano. Eles sim podem destruir o mundo, pensou.
― Eles não podem destruir o mundo ― disse uma voz familiar. ― Eles vão!
Assustada, Drussilla virou-se na direção da voz. Uma silhueta pequena, não muito maior do que a de uma adolescente, jazia parada de costas para ela. A luz quase inexistente revelava uma pele ligeiramente esverdeada com cabelos semelhantes a casca de árvore pairando sobre a cabeça. Drussilla ajoelhou-se logo que notou do que se tratava.
― Minha Senhora ― falou de cabeça baixa. ―, eu voltei como prometido e trouxe a água…
― Pare! ― ordenou a Senhora. ― Isso já não importa mais.
― O que isso quer dizer?
― Há muitas coisas acontecendo nos Reinos do Homens ― prosseguiu a Senhora, a voz envelhecida crocitando como um corvo. ― Luzes estão se apagando, profecias estão se dissipando, cidades estão queimando e vidas sendo esmagadas antes da hora. Há pouco, os membros restantes do meu povo se foram e agora cabe a mim garantir o equilíbrio da existência… antes que seja tarde demais.
― Minha Senhora… ― começou Drussilla sem saber como continuaria.
― Sua mãe morreu ― as palavras perfuraram a carne de Drussilla com mais força do que mil espadas fariam.
― Minha mãe já estava morta ― sibilou.
― Não, você sabe que não! ― a Senhora fez menção de olhar para a garota, mas foi apenas isso. ― Ela havia ascendido para um novo tipo de vida. Um onde a luz era a lei em vez das sombras e ela tinha que fazer isso, era o dever dela neste mundo, mesmo que isso a forçasse a abandonar você. Talvez goste de saber que ela morreu em paz, há milhares de quilômetros daqui, em uma terra gelada e lutando por seu deus vermelho, mas em paz de qualquer forma.
Drussilla mordeu o próprio lábio até verter sangue, apenas para não chorar. Não por ela.
― Sua mãe foi uma excelente serva ― Drussilla encarou o céu. Não queria ouvir sobre sua mãe e com certeza não queria ter sabido sobre sua morte falsa nas mãos de um deus falso. ― tanto para mim quanto para o Senhor da Luz. Tenho certeza que você também teria sido.
A garota ergueu a cabeça, abalada. Seu coração bateu rápido.
― O que quer dizer com “teria sido”? ― perguntou com a voz trêmula.
― Eu sou a última filha de uma linhagem quase extinta e meu tempo neste mundo está acabando. ― anunciou a Senhora. ― Devo usar o pouco que me resta para fazer mais uma coisa antes de me juntar a meus irmãos e irmãs na natureza selvagem e estou ansiosa para isso, por mais que eles me tomassem como louca apenas por enxergar a vontade dos deuses com mais clareza do que eles. ― ela olhou para o céu. ― Depois que eu acabar, caberá a você, Drussilla de Asshai, manter vivo o meu legado.
Drussilla engoliu em seco.
― Eu estou pronta? ― indagou.
― Não! ― afirmou a Senhora depois de algum tempo. ― Mas, para o que se aproxima, ninguém está.
Foi então que uma criatura imensa emergiu das nuvens. Drussilla mal conseguia vê-la, mas sabia que era tão negra quanto o próprio céu. Seu corpo movimentava imensas massas de ar que fizeram a garota temer acabar sendo derrubada. Apesar do medo, ela acompanhou, maravilhada, a coisa descer sobre a cidade em ruínas ― tomando um extremo cuidado na hora de tocar o chão. ― e rugir com a força de mil leões enquanto, de sua boca, uma labareda maior e mais brilhante do que qualquer fogo inundava o céu de Asshai.
― Um dragão ― murmurou ela.
― Não ― corrigiu a Senhora. ― este é o dragão. Aquele cujo fogo mudará o mundo.
*
― Podemos nos aproximar? ― sussurrou Drussilla caminhando ressabiadamente atrás de sua Senhora, mas sem tirar os olhos da imensa criatura que as encarava.
― Fique tranquila, minha jovem! ― disse a Senhora. ― Drogon não nos fará mal, precisa de nós.
A garota franziu a testa e encarou o dragão que havia abaixado a cabeça à altura de uma pessoa. Lhe parecia loucura a ideia de que uma fera como aquela precisasse da ajuda de alguém. Por outro lado, se havia um lugar onde algo tão poderoso quanto um dragão buscaria ajuda, seria em Asshai. Mais especificamente na Senhora. Drussilla não sabia exatamente o que ela era, porém sabia que era antiga o bastante para falar de tudo com nostalgia.
― Pare! ― Drussilla freou instantaneamente. ― Ele está abalado. É melhor que converse com alguém conhecido.
E Drussilla ficou para trás, olhando, desconcertada, enquanto Sua Senhora se aproximava do dragão de braços abertos e ainda mais quando a criatura esticou o pescoço em direção a ela fazendo-a parecer um bebê recém-nascido abraçando uma montanha viva. O abraço sinistro durou alguns minutos. Drussilla teve a impressão de que ouviu a Senhora dizer algo numa língua estranha e sibilante antes de se afastar.
O dragão grunhiu e recuou revelando que, debaixo de seu corpo, havia o de um humano cujos cabelos eram tão brancos que pareciam brilhar na escuridão. A Senhora bufou e seguiu em direção ao corpo, convidando Drussilla com um gesto de cabeça. A garota correu para caminhar a seu lado onde, provavelmente, era mais seguro. Conforme se aproximavam, a temperatura oscilava quase no mesmo ritmo em que o peitoral do dragão se movia. Sem pânico, pensava Drussilla, Sombras não têm medo, Sombras não têm medo…
― Está enganada, criança! ― disse a Senhora. ― Você é a única Sombra que restou e se está com medo, então todas estão. ― ela fez uma pausa e seu rosto moveu-se como quando alguém sorri. ― Mas acalme-se, pequena, hoje não é o dia de sua morte.
Eram palavras importantes, contudo a jovem não teve tempo para contemplá-las, já haviam alcançado o corpo ― que só então revelou-se um cadáver. ― com um punhal cravado em seu tronco. Agora Drussilla via se tratar de uma mulher, uma moça, talvez com pouco mais de vinte anos e bonita. Claro que parte de sua beleza jazia perdida nas trevas e em sua expressão morta, apesar de calma, mas qualquer um que olhasse ainda veria.
― Quem é ela? ― perguntou Drussilla.
― Uma Targaryen ― as palavras foram ditas com uma trivialidade assustadora. Como assim ela era uma Targaryen? Os bravos homens que ousaram unir-se aos dragões haviam encontrado seu fim nas terras estrangeiras do Leste. ― A última de sangue puro. A única pessoa no mundo capaz de suportar o poder da noite que se tornou meu por direito quando minha irmã mais velha deixou este mundo.
Dezenas de perguntas aglomeraram-se na mente da jovem Sombra, contudo aquela que portava as respostas estava ocupada dando voltas ao redor da Targaryen morta, analisando-a.
― Chegue mais perto ― ela chamou e Drussilla obedeceu. ― Ouça-me, minha jovem e preste muita atenção. Não importa o que aconteça, não importa o que você veja… não saia do lado dela e não tente me impedir se isso passar por sua cabeça, você entende?
A garota assentiu com os olhos arregalados. A Senhora, então, ajoelhou-se sobre o corpo da mulher e passou as mãos por seu tronco até alcançar o punhal e retirá-lo. Em seguida, estendeu as mãos para o céu cantarolando numa língua estranha. O dragão moveu-se para trás da Senhora, a boca aberta expondo suas chamas douradas. Drussilla só percebeu o que aconteceria quando Sua Senhora gritou uma palavra gutural e com ares de antiga:
― DRACARYS!
A garota fechou os olhos, aterrorizada, assim que as chamas atacaram a Senhora. Ainda sentia o chão tremer com o impacto do fogo. Ela pensou em correr, mas de que adiantaria? O dragão a reduziria a pó antes que pudesse achar um esconderijo. Não. Ela disse para eu ficar aqui, relembrou, não importa o que aconteça. Com cada parte de si tomada pelo desespero, Drussilla forçou-se a abrir os olhos e o que viu somente aumentou seu medo.
Sua Senhora não estava morta, muito pelo contrário, nunca parecera mais viva. As chamas dançavam ao redor dela como folhas ao vento. Até então, a garota nunca a vira de fato. Sabia sua aparência devido as próprias especulações ― que estavam erradas. ―, a “senhora” não era velha. Na verdade, parecia ter pouco mais de dez anos. Os cabelos eram folhas e a pele um tipo de casca de árvore, mas ainda assim… uma criança. Uma criança que sorria em meio ao fogo. Uma criança que trazia nos olhos um brilho ancestral.
Drussilla já vira ilustrações de seres como ela. Rodeados dos Primeiros Homens e dos Ândalos há mais tempo do que qualquer um viveria. Qualquer um, exceto eles, os porta-vozes dos deuses Antigos… os Filhos da Floresta. No caso, a filha. A garota relembrou o que Sua “Senhora” havia dito há pouco: “Eu sou a última filha de uma linhagem quase extinta” e tudo fez sentido. A Targaryen também se encontrava intacta. Mas isso não é uma grande surpresa, pensou, no final a única coisa que realmente queimou foi o vestido dela.
Um gemido trouxe Drussilla de volta à cena diante de si. Sua “Senhora” estava com os braços, envoltos pelo fogo, erguidos. Em suas mãos havia uma adaga negra que a garota conhecia, já vira comerciantes vendendo-as e anunciando como obsidiana e, quando o comprador parecia interessado, como vidro de dragão. A criança cantava tal qual se estivesse em agonia e os ventos acompanhavam sua voz. Drussilla notou uma faísca azul crepitando no interior da adaga e crescendo até tomar conta do material, só então a “Senhora” cravou-a no peito da Targaryen.
No instante em que a lâmina perfurou o coração da mulher, as chamas ao redor dela tornaram-se azuis e queimaram ainda mais forte. O dragão exalou um som que se assemelhava a um gemido. Com um sorriso, a “Senhora” debruçou-se sobre o corpo sussurrando algo no ouvido do cadáver. Enquanto falava, o fogo diminuía de forma estranha como se estivesse, de alguma maneira, entrando no corpo da mulher e somente quando a última fagulha desapareceu, a “Senhora” afastou-se do rosto dela.
Por um segundo nada aconteceu. A “Senhora” encarou Drussilla e sorriu, logo antes de ser arremessada para longe por uma força invisível. Drussilla fez menção de ir até ela, mas chamas azuis bloquearam seu caminho e, como notou em seguida, todo o espaço ao redor formando um tipo de espiral circular. De repente a temperatura baixou drasticamente e o dragão rugiu alto. Drussilla virou-se devagar e quase caiu para trás quando viu a mulher ― até então morta. ― em pé, de frente para o dragão.
A criatura abaixou a cabeça e regozijou-se de um carinho em seu queixo, mas bufou quando seus olhos encontraram Drussilla. Sua dona, então, virou-se na direção da garota. Os cabelos que naquele momento realmente brilhavam de tão brancos, caíam à frente dos seios. A pele ainda mortalmente pálida se banhava na luz do fogo. Sua expressão estava vazia, porém um sorriso macabro se formava, singelo, em seus lábios; e os olhos, que há pouco jaziam parados e sem vida, agora brilhavam num tom cristalino de azul.
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