O Unicórnio de Um Coelho

9 Mais sobre você quando não tiver ninguém vigiando – parte1.


Notas iniciais:

Olá! Bom dia, tarde e noite!
Alguém quer um ‘combo’ hoje?!
Pois bem, meus caros clientes! Só hoje temos uma leva de dois capítulos light de volume. Isso mesmo! Eu disse DOIS!
Antes de se servirem aviso que vou responder todos os comentários.
Sobre este capitulo: Reescrevi varias vezes! Esses dias eu não estava ‘animado’(sei lá porque) e nada do que fiz aqui estava bom... Era aquele doce, eu não tinha outra ideia para o dia deles e já tinha os fatos aqui que não estava me agradando, então refiz e refiz e refiz( mas de 3X) até chagar nisso!! Ufa!
Perdoe se estiver denso (eu acho que está, e só vocês para dizerem se é cisma minha).
Também são duas partes porque – para o meu gosto – estava loongo demais. E acho que a segunda parte guarda coisas mais interessantes, hehehe.
Enfim:
Musica do capitulo: Calling me- Aquilo.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=fMmWksDGLFg
Boa leitura!

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Depois de subirem em um ônibus não demorariam em chegarem mais ao centro da cidade. Sentaram-se juntos. Francis, na janela, sabia aquele percurso de cor de tantas outras vezes que ia o centro da pequena cidade para comprar algo a pedido da mãe ou para passar o tempo. E Jack, que estava com o capuz do moletom sobre a cabeça desde que saíram da casa, observava o menino mais novo de soslaio, pensando que podiam ter pegado um taxi e ficado mais a sós, mas Fran parecia muito mais acostumado com o aquele transporte, por isso nem mencionou.

— Francis — Jack resolveu puxar uma conversa depois que o ônibus já tinha parado duas vezes e ninguém tinha falado algo. O garoto se virou para ele, curioso. — Porque você não conversa comigo?

O unicórnio reagiu com um enrugar do cenho, confuso por um rápido instante.

— Ah... E-eu... — gaguejou e silenciou-se, buscando uma resposta significativa. Suspirou jururu: — Eu não sei o que perguntar. Não costumo ficar conversando com as pessoas, então... Desculpe — e envergonhou-se.

Jack estranhou, dando com um sorriso, e resolveu ajuda-lo um pouco:

— Não quer saber nada de mim?

— Quero.

— Então é só perguntar.

—Mas... — Francis olhou-o incerto.

Então o veiculo parou em um cruzamento e uma senhora, que ia descer no próximo ponto, parou ao lado deles, chamando o olhar do menino e fazendo-o ficar em silencio, voltando-se para janela. Não era feliz para Francis ter plateia para as conversas que tentava manter.

— Você ainda mora com seus pais? — perguntou depois que a mulher saiu de perto.

— Moro.

— Sério? — Fran mostrou-se surpreso.

— Sim! Mas, por que perguntou isso? Achou que não? — Jack riu e Francis ficou sem graça.

— É que você parece ser como o Charlie. Sempre está em algum lugar sem se preocupar com a casa ou os pais... Capaz de passar dias fora.

— Entendo... É que normalmente meus pais estão ocupados ou fazendo algo fora de casa, então não ligo muito de estar em lá. Basta deixa-los mais ou menos cientes de onde estou.

— Eles são casados?

— São — Jack respondeu, estranhando a pergunta até se lembrar do que sabia da historia dos Audrey: — Ah, seus pais se separaram, não é?

Francis concordou com a cabeça, entristecido ao virar o rosto para os carros da rua.

— Faz alguns anos. Mas dizem que foi melhor assim. A mãe achou alguém que faz o possível por ela e que tenta nos ajudar.

— Aliás, onde seu padrasto está? Digo, todas as vezes que estive na sua casa não cheguei a vê-lo e David mal fala alguma coisa.

— Ele trabalha para uma transportadora. Sabe, é motorista. Estava em casa há uns dias, mas depois teve que viajar de novo, isso explica porque não o encontra.

— David só o chama de Stan, como se fosse só alguém que conhece.

— Eu sei. Ele não gosta muito de ficar espalhando que Stan é só um motorista. Mas é ele que cuida de nós dois e sempre apoia o David nos esportes. Sério, Stan gosta de torcer por ele nos jogos de vocês! Eu me sinto mal por David não dar atenção para isso.

Jack apenas assentiu. Havia surgido um incomodo ao falarem do irmão de Francis, mas agora entendia melhor por que a casa dos Audrey também estava meio vazia. Sobre Kelly, ele já sabia que a mulher era enfermeira de um dos hospitais da cidade de algumas visitas que fez ao local depois de brigas e precisou fazer curativo ou para acompanhar algum colega.

Durante um novo breve silêncio, o moreno acabou passando as mãos nos cabelos, tentando mudar os pensamentos dos amigos que tinha e do que estava fazendo ao escolher ficar com Francis – o menino zuado pelo próprio irmão nas conversas do grupo – e percebeu uma coisa:

— Acho que vou cortar meu cabelo — pensou alto.

— Por quê? Gosto dele assim. — Fran o olhou levemente espantado.

Jack riu, sabia que ele gostava, como não saberia depois dos ‘afagos’ que recebia quando estavam juntos? Contudo, tinha que explicar o motivo.

— É que você não é o único, Fran — e deu dois tapas leves na coxa do menino, deixando a mão ali. Francis continuou o encarando, confuso. Então Jack continuou com um leve desconforto em ter que dizer: — Eu deixei ficar assim pelo Samuel. — E a expressão do unicórnio se esvaiu. — Não que eu não goste. Mas... Ahn, minha mãe também me perturba pelo jeito que está. Vai ser melhor.

Francis apenas olhou para frente, concordando com um balançar de cabeça. Apesar de gostar de como Jack estava, não dava para dar uma razão contra se aquela característica era por algo que o babaca de Sam gostava, agora só pensaria nisso. Jack sabia o que estava fazendo.

***

Depois de chegarem, escolheram uma lanchonete da rua cheia de lojinhas e sentaram-se numa mesa afastada da varanda coberta e com vista para avenida. Enquanto esperavam o pedido de milk-shakes chegarem, conversavam sobre videogame, cujo mais velho tinham descoberto que Francis passava horas em alguns jogos. Naquele momento o menino estava mais solto para conversar e até rir com ele quando contava alguma historia engraçada. Jack podia ouvi-lo o resto da tarde, ficar perguntando mais detalhes, ele simplesmente queria saber melhor de Francis e ver aquele brilho enquanto o menino falava sobre si com sinceridade.

— Não conheço muitos lugares para ir de noite — Francis dizia distraído com uma porção de batatas fritas. — Acho que fui só a uns três ou quatro lugares — então sorriu torto e deu uma olhada para Jack. — Mas nenhum foi como naquela festa... Recebi o panfleto na porta de um show e resolvi ir por curiosidade.

— Lá era meio afastado, não? — o unicórnio concordou com o coelho. — Fui com a intenção de não conhecer ninguém mesmo, relaxar, fazer o que quisesse o resto da noite. Foi bem legal no começo. Conheci algumas pessoas, fiz umas coisas, mas aí a diversão chegou a um limite... E foi quando vi você chegar.

Francis afrontou os olhos azuis, bem parecidos com a cor do céu daquele tarde. Jack desviou o olhar para as mesas atrás dele, dando um sorriso acanhado que tentava escapar depois de perceber a forma mais lenta que disse a ultima frase. E Fran sorriu também, mas depois notou que Jack mudou seu jeito. Após olhar o resto da varanda da lanchonete, ficou mais sério e direcionou o olhar para a rua ao lado.

— O que foi? — o menino perguntou.

— Não... — começou, mas Fran olhou para trás, observando as poucas pessoas no local e, por fim, notando um trio de garotas em uma mesa a alguns metros deles. Uma delas, sentada de costas para eles, virou-se naquele momento e seus olhares se encontraram. Todas sorriram e riram enquanto Francis voltou-se para Jack, que as tinha olhado novamente. — Percebeu? — Jack ficou meio sem graça, dissimulando dar atenção ao que restava do seu milk-shake.

Sim, o unicórnio tinha percebido que elas não queriam ficar sozinhas no passeio da tarde de sábado, e tentou não dar atenção, porém não dava para conter sentir um incomodo em si.

— Quer ir embora? — Jack interrompeu os pensamentos do garoto sobre o que era aquilo que sentia, e ele respondeu logo com um balançar de cabeça, negativo. — Então? Vamos conversar com elas? — o moreno provocou e Francis o olhou mais incisivo:

— Por quê? Deixa elas lá.

— Fran, você que olhou para elas também. É meio que falta de educaç... — Jack silenciou-se com um olhar sem humor lançado para ele. — Tá! Então vamos para outro lugar? — estendeu a mão, segurando a de Francis sobre a mesa. — Porque se não vamos falar com elas, aposto que elas vão vir até nós.

O unicórnio suspirou, acabou com a comida que tinha e levantou-se, sendo seguido de Jack.

[...]

— Sinto por isso — o mais velho falou. Os dois já estavam caminhando pelas ruas, observando as vitrines de lojas em silencio. — Você parece bem ciumento.

— Eu não sou.

Jack riu da resposta, mas não deu comentários, bastava observar que não era primeira vez que Francis mudava.

— Francis, você já viu um bichinho e instantemente gostou dele, quis poder tê-lo? — O coelho falou despretensioso, parecendo desviar completamente o assunto, mas chamando a atenção de Fran. — Acho que é isso que acontece. As pessoas olham a aparência da alguém e desejam algo dela. Mas elas não têm ideia da historia ou de quem são esse alguém de verdade. Só querem ter a oportunidade de se aproximar. Como encontrar um coelhinho ou um unicórnio na rua, quem resistiria deixa-los passar? — disse com graça, olhando as reações do menino ao lado, que tentava entender aquela conversa. Jack sorriu: — O que quero dizer, é que só porque olham, gostam e se aproximam, não significa que vão continuar desejando alguém ou que vão roubá-lo de você. Não faz mal dar a oportunidade de conhecer as pessoas antes de guardar uma impressão.

Notas Finais:

Você estava andando pelas minhas ruas quando vê uma blitz. Um alguém elegante (vulgo, eu) está esperando e te encarando logo que surge. Você tem duas opções: pode passar direto por esse momento e conferir a parte dois sem remorso, afinal, não me deve nada, ou dar uma pausa aqui e conversar algo.
Abraços! Confira a continuação.
(Sabe o que lembre e que estava me esquecendo de lembrar? Eu tenho uma imagem de referencia para o Samuel. :D. Será que querem ver? [Se bem que pode ser meio fora do que possivelmente imaginaram :T] )