Notas iniciais
Bom, amadas e amados que chegaram a este capítulo, eis aqui o fim de tudo, ou melhor, o encerramento. Respirem e uma boa leitura.

Mesmo que toda a tecnologia tivesse avançado em seis anos, que o contato através da distancia tivesse sido facilitado pela internet sem fronteiras ou burocracia, e que o medo de vôos e viagens sozinho tivesse sido superado graças a frases marcantes que sempre ecoavam em sua mente, as fotografias nos quadros pendurados na parede da pequena sala do minúsculo apartamento ainda pegavam Francis de surpresa e o jogava contra suas lembranças e saudade imensa.

Miriam era a principal alimentadora dessas situações, sendo fotografa e ganhando descontos em impressões, sempre que o visitava trazia mais imagens para ele incluir num álbum enorme que ela mesma deu no natal depois que se formaram no colégio, e isso já fazia cinco anos. Na parede estavam apenas as fotos principais como decoração e para o rapaz se lembrar de tudo que aconteceu em sua velha cidade, já que tinha se mudado para fazer a faculdade de designer e onde tinha um trabalho para se sustentar.

Numa fotografia da formatura do ensino médio, além de Miriam, estavam Evan e Nicolas, graças aos amigos de classe o terceiro ano do colégio foi mais festivo e Francis aprendeu a ser mais social, tendo segurança suficiente para não se preocupar com o resto da escola e descobrir quem ele podia ser.

Em outra foto, com um amontoado de gente sorrindo, havia Charlie (o melhor amigo de seu irmão David) e outras pessoas em um restaurante comemorando, estes eram seus colegas do curso de tecnologia de informação. O que aprendeu neste momento de sua vida fez Francis ter a luz de ir para designer e trabalhar em paz e sozinho na maior parte do tempo.
Não longe deste quadro, o unicórnio era obrigado a ter uma das mais novas imagens da família do irmão mais velho. Bianca estava com os cabelos mais curtos e era mais bonita sendo a feliz mãe de uma menina de três anos, que apertava com amor em sua bochecha, e David logo atrás, sorrindo pela cena. O irmão tinha mudado naqueles anos, ou simplesmente crescido, afinal era pai de uma família, subgerente da oficina e esportista popular nas horas vagas, e por isso perseguir ou apoiar intensamente Francis não era prioridade alguma quando se encontravam, apesar do Audrey caçula ser o padrinho da pequena Celeste.

Às vezes, quando via os retratos com a mãe, Francis ficava triste em pensar que Kelly passava muito mais tempo sozinha com Stan (o padrasto) continuando suas viagens e sem ele morando na mesma casa há mais de dois anos. Mas Bianca tinha iniciado a rotina de sempre visitá-la com a neta, então não era tão terrível como parecia.
Contudo, era o unicórnio que não tinha ninguém perto. Seu coração até grunhia e choramingava ao ver Jack Robinson com ele nos momentos importantes registrados, como se tivesse estado ali 100% do tempo, mas era apenas impressão. Uma fugida de final de semana, uma licença medica imprevista, um acumulo de horas de serviço a ser descontado ou ele faltava aceitando as consequências, era assim que coelho dava um jeito de escapar de seus treinamentos e trabalho enquanto estava a apenas um estado de distância. Era um esforço admirável e que tinha implicações para Jack, por isso Francis não podia exigir mais de alguém que o amava e tentava seguir seu sonho sem deixá-lo de lado.

Havia passado um ano desde que Jack iniciou a especialização e começou a passar temporadas em outros países, trabalhando com o departamento de relações internacionais da secretaria de segurança do país, assim pararam abruptamente de ser ver e a distância entre eles crescia, somando meses e milhas afastados.

― Tem certeza que vai continuar aguentando isso? ― Will, seu pai de sangue, estava no apartamento em uma visita rápida. O senhor tinha percebido quando o filho parou encarando o auto-retrato em um dos quadros da parede que continha apenas o unicórnio e o coelho deitados em algum lugar muito felizes.

Francis não respondeu, continuou olhando a foto e Will insistiu em falar sozinho:

― Sabe, quando conversei com Jack pela primeira vez nos nós demos bem o suficiente para mim esquecer meus preconceitos do namoro de vocês. Afinal, nós dois trabalhamos pela segurança do país e ele está passando por tudo que já passei. Claro que nos entenderíamos. Mas... Não acha que está perdendo muita coisa preso nisso?

― Ele me ajudou mais do que vocês. E eu amo ele de verdade.

― Francis, você tem vinte e dois anos, mora sozinho e está numa faculdade! É brilhante ter conseguido tudo isso enquanto olhamos para o seu irmão. Só estou dizendo que pode ter experiências melhores com outras pessoas e aproveitar sua juventude, se tirar essa coleira... Mesmo que seja por um tempo. Eu quero que tente, vai ver o que estou dizendo! Além disso, Jack não vai parar agora que começou com essas viagens, ele não vai ter tempo de planejar vir até você e nem poder satisfazer a necessidade de ter companhia que você está ignorando.

O unicórnio o olhou já irritado com tamanha incompreensão do pai, cujo já se divorciava de uma terceira esposa naquele ano.

― Eu tenho o JJ.

― O basset? ― Will riu, lançando um olhar para a poltrona onde o cachorro dormia. ― Você o adotou do abrigo, já teve ter oitenta anos, e ele nem liga se você está aqui ou não.

― Ele passou por coisas suficientes para ser assim, o compreendo perfeitamente ― e o amava.

O animal de estimação não era nada agitado, mas ficava feliz quando passeavam e quando ele voltava de noite para dormirem juntos na cama espaçosa.

― Também estou preocupado, Francis. Se você continuar assim, vai acabar como um tiozinho que vive no quarto, sozinho e rodeado de JJ’s. Eu sei que você tem brecha profissional para trabalhar em casa e a distancia das pessoas. Eu não quero isso porque, com certeza, você vai acabar voltando a ser como era antes: isolado, irritante e com suas crises. E nem o Jack ou sua mãe vai suportar tudo isso de novo a essa altura da vida.

― Para de falar besteira. Jay não é igual você. ― Francis se afastou. ― Nada volta a ser como antes, eu estou bem e vou continuar bem. Não precisa se preocupar. Faça como você sempre fez. Aliás, você não tinha um lugar para ir?

O pai sorriu e suspirou, abrindo mão de sua tentativa de esclarecer o filho do futuro.

― Tenho sim. Foi bom te ver. Te mando noticias e espero que você me mantenha atualizado do que anda fazendo ― o homem deu um abraço no filho e se encaminhou para porta: ― Ah! E pense no que estou te falando. O mundo é grande e com mais pessoas além do Jack.

Com isso o encontro e conversa terminou.

Três meses depois, Francis saiu da aula matinal de sábado com pressa e ansioso, pegou o carro e quase não teve paciência para encher o tanque. Uma hora de estrada depois, tocou a campainha de um apartamento de classe alta e ouviu um grito de susto e risos vindos de dentro. Logo a porta se abriu e a visão esmagou Francis, tirando seu ar e fazendo seu rosto doer graças ao tamanho de seu sorriso instantâneo. Jack sorriu da mesma forma ao encará-lo em sua porta e a intensidade do azul dos olhos dele aqueceu seu corpo, podia sentir a presença física do coelho, finalmente estava ali.

― Francis. ― Jay disse seu nome com um costumeiro sorriso torto e charme que por muito tempo o unicórnio só via nas vídeos chamadas.

Ouvi-lo presencialmente, sem a interferência dos ruídos eletrônicos, era mágico depois de meses distante. Francis deu um largo passo e abraçou-o com força, mergulhando no contato físico, no cheiro e no calor, tomando um antídoto para o veneno que a saudade se tornou. O mais velho podia estar com o mesmo corte de cabelo baixo e organizado, mas estava maior, mais forte ao apertá-lo de volta e com uma áurea evoluída de orgulho e respeito, completamente fascinante e excitante se Francis pensasse que era só dele. Conseguiu dar um beijo no pescoço dele, que fez o coelho rir e arrepiar, mas antes de alcançar seus lábios, foi afastado:

― Que cabelo é esse, Fran? ― Jack o olhou com um sorriso divertido e estranhamento. ― Não parecia tão cumprido quando nos vimos online na ultima vez.

O menor apenas sorriu.

― Tio! Eu fiz um desenho também! Igual os seus! ― Um menino de oito anos surgiu sacudindo uma folha de papel e chamando a atenção de Francis, que foi solto para ver a arte enquanto Jack fechava a porta.

― Estão muitos bons! ― elogiou, vendo logo um sorriso do irmão adotivo de seu namorado. ― Logo vou pedir a sua ajuda em alguns projetos.

― É mesmo?! Sim! Sim! Sim! ― empolgo-se o menino e Grace o chamou, pedindo para ver o desenho e cumprimentando Francis com um olhar e sorriso a distancia.

O unicórnio virou-se e Jack ainda estava ali, pertinho, como imã que não vai para muito longe.

― Você desenha melhor que o Dean ― Jay comentou. ― Está o iludindo.

― Ele ainda vai ficar muito bom. Eu era bem ruim e olha aonde cheguei!

― Que mentira ― abraçou-o de novo ― Só não teve parâmetros para saber o quanto era e é bom e ninguém via, mas agora todo o mundo vai ver. Adoro seus desenhos, Fran. ― Francis não reagiu, acolhido naquela temperatura, sorrindo contra o tórax de Jack. De repente, as mãos dele se ergueram e alisaram as laterais de seus cabelos castanhos compridos, puxando as mechas para trás. Sabia o que o moreno pensava: ― Eu sei, já dá para prender um rabinho.

― É! E são macios... ― Jack respondeu ainda intrigado e analisando por um tempo. ― Francis, acho que me acalmam... Gosto disso ― O coelho sorriu ao ser olhado e pegou o unicórnio pela mão, levando-o até o escritório. ― Eu devia ter te encontrado na sua casa depois daqui, lá ficaríamos mais a vontade para matar a saudade. Mas você estava na aula, não? ― o Unicórnio concordou. ― Está muito cansado?

― Nenhum pouco ― e riram.

O quarto Jack havia se transformado no quarto Dean e Jack, a maior parte da decoração mudou e incluía uma montanha de brinquedos e livros, mas ainda havia espaço para o irmão mais velho passar algumas noites com a família. E, naquele momento enquanto o garoto era distraído pela mãe no quarto, só restava o escritório livre na casa.

E foi para onde Jack levou Francis, assim que trancou a porta do cômodo logo agarrou seu namorado, sendo recebido igualmente com intensidade e falta, seu coração ainda batia agitado mesmo depois de anos e sempre que estavam juntos o tempo parecia não ter passado nenhum pouquinho, era como se ainda fossem aqueles adolescentes aceitando que tinha a capacidade de amar incondicionalmente outra pessoa e aprendendo que quando se quer, se faz algo ou faz acontecer, e era assim que as coisas funcionavam para vida evoluir.

O coelho descobriu que dava um prazer estranho segurar as mechas longas e castanhas que não escapavam dos dedos e que podia conduzir o unicórnio com muito mais eficácia, principalmente para abrir espaço até o pescoço e morde-lo o suficiente para ouvir algum grunhido. Agora entendia a atração que Francis tinha quando se conheceram e ele ainda tinha os cabelos pretos mais cumpridos. Afastou-se do beijo com um sorriso ainda sacana, deslizando as mãos dos cabelos para segurar o rosto do unicórnio:

― Conseguiu ficar intocado por um mês antes disso Fran? ― E o rapaz o olhou com um sorrisinho arteiro, até sexy. ― Ah, Francis... Era uma condição séria para você cumprir. Você costumava ser um menino certinho.

― Costumava até ser desviado por você ― olhou para baixo, para corpo ainda oculto pela camisa e jeans, tão próximo. ― Mas eu me esforcei, Jay! Só aconteceu uma vez, no banho, e eu estava pensando em você. Você tem obrigação de dar o premio ― e encarou os olhos azuis seriamente.

― Está bem ― riu, cedendo extremante fácil, depois o beijou, mas não correspondeu ao anseio de prolongá-lo e deixar-lo mais intenso. Recuou: ― Francis, antes do premio, você precisa saber que existe um pequeno detalhe que está me causando alguns problemas...

A mudança de assunto amenizou a excitação do unicórnio, qualquer problema que Jack resolvesse lhe contar era sério, deu sua atenção preocupada:

― Que problemas? O que é?

― Eu tenho uma colega de trabalho, você sabe, a Suzie, um pouco mais velha, mais experiente e praticamente ela tem me ajudado. Só que ela é louca. ― Francis deu um riso nervoso, mulheres loucas podiam não ser nada confiáveis se envolviam Jack. ― Ela pesquisou os meus registros sei lá porque e sabe que meu anel na mão esquerda é falso, desde então tem dado em cima de mim nas horas fora do serviço. É um problema enorme.

― Sério? ― Francis ficou indignado.

― Sim, mas fique calmo. ― Jack segurou os ombros do menor. Fran o olhou com estranheza ao ver que por alguma razão ele estava se divertindo ao lhe contar aquele problema, “qual era a graça?”. ― A aliança foi uma boa dica, só tê-la fez o mundo de velhos conservadores e burocráticos confiarem em mim, era como dar um sinal de que sou alguém que mantém um compromisso mesmo sendo novo. Só que a Suzie e a forma que ela me olha às vezes nas festas e encontros fazem eles me perguntarem da minha família e mulher. ― Jack riu afetado. ― Eu mal consigo mentir uma frase dizendo o que querem ouvir e depois me afasto, fugindo de mais curiosidade, e isso é um problema! Porque estou lá para fazer contatos e conhecê-los, é algo recíproco e tem que envolver honestidade. Porém, sempre que me perguntam eu penso instantaneamente em você e não consigo imaginar alguém fictício nesse papel só para agradá-los.

Na pausa, Jack observou Francis até a pista fazer sentido nas analises mentais e ele chegar a uma conclusão. O unicórnio recuou, receoso e o olhando com duvida, o mais velho sorriu, continuando a falar:

― Sei que brincamos algumas vezes de fazer planos para nos casar e como seria nossa vida assim, mas... O momento seria ótimo para esse anel ser de verdade e eu poder ser honesto com todo mundo. Então, seu premio é a minha pergunta: ainda quer se meu marido no papel?

― Claro! Mas... ― olhou preocupado para Jack, que sorria. ― Isso não vai causar obstáculo para você, no seu trabalho e tudo mais?

― Provavelmente em alguns lugares será mais difícil que outros, mas espero conseguir mais apoio de gente influente e que entenda que com quem eu fico não interfere em nada. E em vez de me hospedar nas embaixadas, posso alugar um apartamento ou uma casa e você vai poder estar comigo em todo pais que eu estiver!

― Vou? ― disse atordoado e em duvida com o plano.

― Sim! Você mesmo deu a ideia de vir até mim depois que se formar e trabalhar a distância, podendo aprender coisas únicas nos diferentes lugares em que estivermos. Vai ser uma experiência útil para você também e vai estar pertinho de mim.

― Caramba, Jack ― Francis deu um espaço, refletindo ao dar poucos passos no escritório. ― Eu nunca pensei que chegaria a estar... Em outro país. Casado, sim, mas ir tão longe daqui? ― riu apreensivo e vendo o olhar de Jack feliz, observando-o com atenção. Era uma maneira de ficar perto dele muito mais tempo e descobririam coisas no mundo juntos. Isso fez o unicórnio aceitar que era possível aquele futuro. ― Acho que aceito.

O coelho foi até ele, agarrando-o de novo em um abraço forte e muito longo.

― Ah, Francis... ― sussurrou ― Sentir seu corpo tá mexendo fácil comigo. Nós deviamos ir para sua casa imediatamente. Eu preciso te ensinar umas coisas de francês mais útil entre as pessoas. ― Sorriu com o menino concordando com vontade.

FIM

Notas finais
Nessas ultimas palavras, eu disse os detalhes finais que queria e o que me lembrei, indicando que caminho as coisas seguiram. Mas as coisas nunca são fáceis e tenho certeza de que mostrei apenas um lado bom do futuro, acredite comigo que entre as linhas narradas e depois delas existirá novos altos e baixos e testes em um ciclo sem fim, sempre uma nova batalha para ficar vivo... Novamente: Muito Obrigado por ler e pelo incentivo de concluir a vida de Jack e Francis! Que eles tenham feito alguma diferença ou, no mínimo, entretido você de forma digna (e dramática). Em 2020 vou por a vida de cabeça para baixo, então podem não me ver mais com frequência ou me perderem completamente de vista sem nunca saberem que fim levei. MAS foi por isso que pedi que aproveitassem enquanto estávamos aqui (postando os capítulos), por que a vida é assim, uma passagem entrelaçada com o destino e acasos com outras pessoas e a gente nunca saber quanto tempo esse contato ira durar. Bom, um tchau! E fiquem bem! Ah, e se puderem não se esqueçam do Melvin e nem do Unicórnio de um coelho. Abraço! [Momento que tranco a porta dessa casa que morei por anos e tenho que deixar a vizinhança] * Estarei revisando aos poucos. * É permitindo que divulguem com boa intenção,ficaria feliz (e com saudade gritante sempre que essa história for notada ;-; ). * Preparem-se para marcar a história como lida.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!