O Ultimo Sonho
1 O Início - parte 1
Notas iniciais
Como eu queria me sentir normal. Quer dizer, não é o que você está pensando. Eu não sou deficiente mental ou físico, apenas desejava me sentir como as outras garotas.
Minha mãe sempre me dizia que era besteira.
__Pra que ser igual se eu posso causar a diferença? _ Dizia ela.
Claro que eu sempre concordei com essa frase não é mesmo? Pééém. Errado! Eu não conseguia me aceitar, nunca me agradei com meu corpo e nem com meu jeito de ser. Eu não sou tão feia como posso estar parecendo, dizem que tenho o rosto bonitinho. Mas eu queria mais. Queria que os meninos olhassem para mim como todas as meninas. Queria atenção.
Eu sou alta demais.
Desengonçada, desajeitada, porém engraçada era como meus amigos me descreviam. Menos um, que considero meu melhor amigo. Ele sempre me disse que a minha altura me faz diferente. E que bastava apenas eu querer ser alta que eu iria me aceitar.
Hoje agradeço muito a ele.
Mas não estou aqui para contar de nossa amizade. Estou aqui para mostrar que pode ser tarde demais para acordar. Não, não é que você esteja acordando tarde ou dormindo demais. Mas quero dizer que uma vez que você entra no mundo dos sonhos, você pode se perder da realidade. Sonhar nunca é demais. Ao não ser que você sonhe demais.
Meu nome é Juliana e tenho 17 anos. Como disse anteriormente, sou bastante alta para minha idade. Meu maior medo é ficar sozinha, deve ser por isso que não me aceito. Quero ser a melhor! A melhor em tudo.
Meu último ano nessa dura etapa da vida, chamada escola. Planejava ser o melhor ano da minha vida. Afinal, seria o último ano com meus amigos juntos na escola. Não podia vacilar.
Planejei o ano com muita cautela, pensando em tudo. Elaborei metas, objetivos e tempo para cumpri-las. Estava chegando o primeiro dia de aula do último ano.
Acordei tarde, aliás, tarde demais. Tinha de estar na escola 07:00hs, bastava acordar 06:15hs. Ops! Meu relógio fail apitou 06:55hs. Definitivamente, percebi que meu ano seria péssimo.
Dei um pulo sobrenatural da cama, e fui direto para o banheiro. Escovei ligeiramente os dentes, vesti uma calça preta colada, que realçava minhas pernas ossudas. Peguei uma blusa branca do Guns N’ Roses, e coloquei minha jaqueta azul marinho com branco por cima da blusa. Calcei meu all star preto desbotado, e fiz um penteado que assentasse com minha cara de banana.
__Não vai tomar café?_ Perguntou minha mãe, enquanto passava manteiga no pão.
__Estou super atrasada, mas não tenho tempo. Não posso chegar atrasada logo no primeiro dia de aula._ Respondi.
__Você vai ficar magra demais desse jeito Juliana!_ Alertou meu pai. Muitos adolescentes podem odiar o fato de seus pais se preocuparem com você. Mas eu amava o jeito carinhoso do meu pai. Outro motivo para ser considerada anormal.
__Pai, odeio sair sem comer, mas olha só!_ Exclamei apontando para meu relógio.__ Já é sete e cinco. Daqui dez minutos fecham o portão.
__Então venha cá._ Pediu meu pai.__ Não diga que irá sair sem dar um beijo no rosto de seus pais?
Sorri, e caminhei em direção ao meu pai e dei um beijo na sua bochecha. Depois fiz o mesmo com minha mãe.
__Tchau, amo vocês!_ Disse quando já estava saindo de casa.
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