O Ultimo Conto Maldito
6 Capítulo Sexto-Katherin Lagrange
Notas iniciais
Empurrei a garota para cima da moto e estávamos a alta velocidade a mais menos trinta minutos quando avistei aquele pequeno bairro do suburbio de La Bella.Casas de madeira podre e úmida espalhadas por um barranco de barro,esse era o bairro dos trabalhadores que tinham uma família grande para sustentar,esse era o bairro de L\'Amour.Reduzi a velocidade e entrei numa das ruas,em meio às casas bolorentas eu a vi.Escondi a moto num corredorzinho ao lado dela e eu fiquei observando-a.
-Que lugar é esse? — a garota perguntou.
-Essa é a minha casa.
Andei em direção à porta e a empurrei,com um rangido ela se abriu,de la de dentro saiu um ar de velharia e mofo,eu respirei fundo sugando aquele fedor.Tudo estava exatamente como naquela noite.Me sentei na cadeira de madeira que havia estado por tantas vezes com aquele homem e fechei os olhos.
-Essa...essa é sua casa?Você morava aqui com a sua família? — me perguntava a menina.
-Isso não é da sua conta. — respondi secamente.
-Eu preciso saber!Você me salvou!Poderia ter me matado naquela noite na ruela!Me deixou viva!Agora precisa me contar,precisa falar comigo! — disse ela de uma só vez.
Ambas sabíamos que aquilo era verdade,eu a havia salvo por uma razão.Algo em minha garganta doía e ansiava para sair,aquilo eram as lembranças,que eu havia guardado por tanto tempo e que agora precisava contar a alguém.
-O que você acha que eu sou,Clarisse? — esse era seu nome.Clarrise Platinez.Eu abri os olhos a encarando e percebi que estava surpresa por eu te-la chamado assim.
-Você...é uma assassina. — ela respondeu aos sussurros,como se tivesse medo do que aquela palavra pudesse despertar.
Eu sorri amargamente.
-Qualquer um pode se tornar assassino.Eu fui treinada para isso.A Associação Kushmann é uma agência enorme que se encarrega de \'limpar\' os países de problemas para o governo.Até problemas como um dono de empresa que esteja lucrando demais e atrapalhando alguma outra mais vantajosa para alguém de autoridade política.E o fato é que estamos espalhados por todo o mundo em inumeros grupos e subgrupos que até mesmo eu desconheço.Alguns desses agentes são chamados de \'vigias\'.Basicamente,só o presidente da Associação pode reconhece-los e eles estão sempre espalhados para assegurarem de que o serviço de todos os outros grupos está indo como o desejado.
Alejandro sorriu para mim.
-Foi um prazer vigiar você,Kei.Fácil como tirar doce de uma criança.
-Foi um prazer ainda maior para mim me sujar com o sangue podre dos seus coleguinhas. — eu sorri de volta e ele deu um soco raivoso na mesa.
Continue meu relato.
-Há alguns anos atrás surgiu uma empresa concorrente à Kushmann.Eles tinham um sigilo ainda maior e mais profissional e pegaram muitos clientes importantes da Associação.Todos os grupos da AK ficaram encarregados de descobrir tudo sobre o diretor da concorrencia e logo acharam nome e endereço.Primeira regra da profissão:Seja minucioso nas informações,as verdadeiras serão sempre as falsas. — eu sorri amarga.Nunca me esqueço disso.
-Não eram as informações corretas... — murmurou Clarisse,atenta.
-Não.Não eram.Mas era perfeito.Uma casinha num bairro pobre.\'Ele realmente quer se camuflar\' pensaram os agentes.Entraram no meio da noite.Um homem alto e forte,mas totalmente pobre e com evidentemente,um operário,não entendeu o que estava acontecendo.
“-Então encontramos você,seu desgraçado! — berrou um homem jovem.
-Quem são vocês?O que estão fazendo na minha casa?Saiam!!! — o homem parecia corajoso,mas suas mãos eram trêmulas.Atrás de si uma mulher de estava agachada,protegendo uma farta barriga de gestante com as mãos.Nenhum dos homens viu quando ela pediu para uma garotinha de cabelos claros se esconder dentro do armário de madeira.
-Ora essa,Felix,não se faça de idiota! — o jovem deu um soco violento no rosto do homem alto que caiu em cima de uma mesinha,quebrando as pernas de madeira.”
Nesse momento nossos olhos,meu e de Clarisse,se desviaram para uma mesinha de centro em pedaços no chão.
“-Não sou quem vocês pensam!Por favor,vão embora!! — o homem já havia perdido o restante de sua coragem mas tentou em vão acertar um soco no que parecia ser o \'chefe\' daquela trupe,quando estes seguraram os braços da mulher grávida e a arrastaram.Ela gritava,chorava e implorava para que deixassem seu marido em paz.
-Então esconde uma familia aqui,seu miserável??? — os homems chutavam o homem enquanto riam.
-Façam o quiser comigo,mas deixe minha esposa em paz!! — seu olhar era raivoso,mas sabia que nada podia fazer além de implorar clemência.
-Oh,não seja tolo.Você acha mesmo que queremos você? — o jovem líder sorriu sedento e tirou uma faca amolada de madeira adornada de dentro do casaco.Se aproximou da mulher que ofegava enquanto lágrimas escorriam por suas bochechas rosadas.
-NÃO!SEUS COVARDES!FIQUEM LONGE DO MEU FILHO!!!!! — ele tentava se mover e se soltar,mas os agentes se asseguraram de que ele estava imóvel como um animal empalhado,e seguraram seu rosto para que olhasse a mulher jogado no chão,muda.
-Se certifiquem de que ele está olhando.Não quero que perca esse espetáculo. — a lâmina se aproximou da barriga da mulher e desceu lentamente por ela.Foi rápido.O sangue se espalhou e escorreu com maior velocidade ainda,ao som do homem que chorava e gritava insano.A faca foi em direção ao seu pescoço esguio e por um segundo antes do seu inevitável fim ela olhou para a garotinha dentro do armário,que observava tudo engasgada nos soluços e lágrimas que tinha que engolir para não ser ouvida,suas mãos tapando a boca para não gritar.Ela olhou sem nenhum medo nos olhos verdes-claros,apenas olhou e sorriu docemente.Sua boca para soltar uma palavra muda que nunca foi dita.\'Je t\'aime\' Eu te amo.
Eveline Lagrange era seu nome.”
-A garotinha...a garota...era você... — ela tapou as bocas rapidamente e seus joelhos cederam caindo no chão.
-Um dia eu fui aquela garotinha,assim penso. — como queria esquecer tudo aquilo,foi isso o que pensei durante tanto tempo que acabei atrofiando o que tinha sido durante dez anos de minha breve vida como Katherin Lagrange.
-E o seu pai?E você?O que houve?Ele não era quem os homens pensavam!
-Não.Eles perceberam isso depois.
“Um celular tocou e o jovem assassino o atendeu.
-Esse não é o homem certo.Soltem-no,Alejandro. — uma voz grave disse do outro lado da linha.”
-Oh,eu conheço muito bem essa história,minha querida.Faz tanto tempo!Estou mesmo envelhecendo. — Alejandro me olhou com um sorriso cínico no rosto.
A primeira coisa que minha mente infantil pensou a partir daquela noite era que eu precisava me vingar daquele homem arrogante.Mas agora que minha mão era tão lavada de sangue quanto a dele o que eu poderia fazer?
-Meu pai foi solto e largado em seu desespero.Eu sai do ármario depois de algumas horas de inconsciencia mas ele ao menos me olhou.Eu sabia que nunca mais voltaria a ser um homem são.A loucura o acometeu como o sangue na roupa de minha mãe.Adormeci em seus braços desfalecidos e no seu ventre murcho durante dias.Depois disso os homems da Associação me recolheram.Eles tinham que apagar o ocorrido,queimar o arquivo errôneo sem mais sangue.Meu pai não poderia contar nada pois não sabia nem o próprio nome.E eu,bem,eles tinham um plano pra mim. — sorri comigo mesma. — Um plano chamado \'Kei\'.
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