O Uivo de um Alfa

7 O Inicio de uma Guerra.


Não me dei ao luxo de ficar muito tempo naquele campo aberto, muitas coisas estavam para acontecer e agora minha companheira tinha visto Ester, sabia e sentia que uma grande guerra estava por vir, caminhei junto com ela o caminho todo sem abrir a boca, meus olhos fitavam a mata enquanto andávamos para a cabana, quando chegamos, entrei e dei de encontro com meu pai, ainda assim não disse nada somente acenei com a cabeça, o maxilar duro e preso, não queria falar.

Depois que entramos ouvi meu pai falar sobre a punição e aquilo deixou meus olhos tristes, somente ouvi, não opinei, minha mãe estava falando com Sarah e quando meu pai virou as costas comecei a sair da cozinha e fui em direção a porta, não esperei para tirar a roupa, somente me deixei transformar, meu corpo pesava e eu sentia uma dor que não me pertencia, eu sabia que naquela forma eu conseguiria algumas respostas, deixei meu extinto de lobo guiar meu corpo por entre as arvores, ouvia no fundo da minha mente minha companheira me chamando e meu pai perguntando onde eu estava, não respondi, fechei minha mente e com ela fechada parecia falar comigo mesmo naquela forma.

— “Kirian... Sei que está ai, então ande e me guie, porque eu não sou um alfa de verdade.” – Quando disse isso foi como se ouvisse uma movimentação na mata, mas não reagi, quando notei a movimentação era na minha mente.

— “Não se menospreze criança...” – A voz dele soava grave em minha mente.

Ainda estava deixando meu corpo de lobo me levar para qualquer lugar longe daquelas brigas, enquanto o corpo me levava para longe, meu olhos fitavam de modo breve em segundo plano, logo o lobo se encontrava em uma colina, abaixo um precipício, ele se deitou bem na ponta, os olhos se fecharam e eu deixei o corpo aos poucos relaxar enquanto aquela voz voltava a falar comigo.

— “Quando eu descobri que eu podia me transformar, algo dentro de mim se rebelou, eu sentia ódio por ser diferente, sentia ódio porque eu era um ser que foi rejeitado, eu fui o primeiro Alfa... Eu era o único de uma vila toda que tinha isso dentro de mim e por ser o único eu me isolei e me tornei um lobo solitário que logo viria a morrer, mas algo... Algo me fez temer, me fez sentir vontade de ficar, em uma das minhas caminhadas eu me perdi em uma floresta densa de mais para sair, perigosa de mais para algumas pessoas... Mas claro eu não era um ser normal não é?” – Ele fez uma pausa e parecia respirar fundo enquanto eu via as imagens dele naquele lugar – “Eu me coloquei naquele perigo porque não tinha nada a perder e enquanto eu andava algo naquela mata me chamou atenção, era como se a energia daquele lugar me barrasse, como se ela me fizesse querer ficar longe, mas ela conseguiu o contrario eu queria estar próxima daquilo, queria sentir mais! Então eu me obriguei a entrar mais e quanto mais fundo eu ia mais aquele lugar parecia me repelir, foi quando eu resolvi parar e me deixar morrer naquela floresta, mas no meu segundo dia lá, eu já estava cansado e completamente perdido em meio a devaneios de fome e sede, não sentia mais vontade de voltar a forma humana e sentia que minha consciência aos poucos ia me deixando, dando lugar ao lobo que eu deveria ser...” – Ele parou de falar e isso me fez suspirar e erguer a cabeça de lobo e sentia algo se aproximar dali.

Me coloquei em posição de ataque e o que eu vi foi nada mais nada menos que minha companheira, o que era estranho era que ela tinha os olhos lilases como o meu e logo ela se deitou ao meu lado, como se quisesse ficar somente um pouco mais próxima de mim, então nada falei somente deixei meu corpo cair no chão novamente, no fundo da minha mente eu sentia ela tentar falar comigo, mas eu ignorei e falei comigo mesmo novamente.

— “Continue Kirian...” – Assim que falei ouvi uma risada triste soar na minha mente.

— “Ficou interessado na minha historia, criança?” – Depois dessas palavras somente deixei um sim soar baixo na mente e pude ouvir ele suspirar e continuar a falar. – “Eu queria ser somente um lobo criança... Um animal sem consciência, um animal que age por instintos, mas não era para mim ser assim, então em meio a um devaneio de fome e sede eu senti e ouvi uma movimentação na floresta, mas eu não conseguia ficar em alerta eu somente deixava minha mente vagar, eu seria morto se não me movesse, mas deixei ser assim eu me deixei ser fraco naquele momento e me deixar morrer... É difícil se deixar morrer criança, porque seu instinto é se proteger e naquele momento eu não queria me proteger, mas o que me aconteceu foi, como eu posso dizer? Diferente? Não, essa palavra não cabe no que aconteceu... Hm, foi extraordinário, mas eu estava alucinando então posso culpar minha mente...” – Ele parou de falar e isso me fez soltar um longe bufar, queria ouvir mais.

Mas mesmo querendo ouvir mais a presença da minha companheira fazia minha mente doer e quando abri para ela um turbilhão de imagens sem sentido algum abordaram minha mente o que me fez ganir de incomodo e isso chamou atenção dela que no mesmo instante começava a falar.

— “Pedro? Porque fugiu?! Eu estou preocupada por favor fale comigo... Ester, ela bem ela esta na minha mente e ela esta me contando algumas coisas...” – Não respondi nenhuma das perguntas dela somente falei baixo e determinado.

— “Sarah, preciso ficar um tempo sozinho, preciso entender o que Kirian quer me contar, eu preciso compreender o porque eu fui escolhido e pra isso eu preciso ficar sozinho.” – Não a olhei mas sei que ela ficou tremendamente magoada e isso doeu em mim, ela nada disse somente se afastou e me deixou só novamente, eu voltava a fechar minha mente.

— “As vezes você é bruto de mais criança... Isso pode te machucar.” – Repreendeu Kirian na minha mente, mas logo ele voltou a contar sua historia. – “Como eu estava dizendo, eu poderia culpar minha mente por me mostrar aquilo, mas eu sei que foi real... Em meio as arvores eu vi grandes olhos vermelhos e carregados de ódio e prontos para matar, quando ergui minha cabeça e fiquei olhando aquilo com os olhos cansados eles mudaram se tornavam azuis tão claros que deixaria qualquer pessoa apaixonada, eu sentia a pena naqueles olhos, sentia a preocupação mas o que não esperava era que quando aquele par de olhos saíssem das sombras aparecesse uma menina com as roupas rasgadas e os cabelos bagunçados, ela me olhava com curiosidade e eu sentia algo no meu peito me dizer que eu tinha que cuidar dela, então quando tentei levantar, ela soltou um som com os lábios e os olhos dela voltavam a serem vermelhos, eu sentia um calor tão forte perto dela que abaixei a cabeça e me encolhi deixando de tentar levantar, mas logo aquele calor foi embora e o que eu sentia era braços magros me abraçando pelo pescoço e acariciando minha cabeça, ela falava que iria cuidar de mim...” – Ele ria quando falava aquela ultima parte e logo eu fiquei em duvida, falei baixo na mente dele. – “Era a Ester?” – Assim que perguntei ele ficou mudo e longe da minha mente.

O que aconteceu depois dele ficar mudo me deixou perdido e com certo medo, eu senti o meu corpo doer e se sentir cansado, meu corpo sentia falta de alimento e uma sede que não conseguia descrever, eu sentia algo segurar meu pescoço, mas ao invés de sentir medo eu me senti bem, me senti protegido, eu não conseguia entender, mas sabia que eu estava somente de espectador naquela cena, então ergui a cabeça e quando fiz isso meus olhos de lobo deram de cara com duas grandes orbes vermelhas, elas ficaram me olhando e aos poucos eles mudavam para um azul tão limpo que uma paz invadia meu corpo e uma lufada de ar quente saia cansada, os olhos se fechavam e me deixavam na escuridão, mas algo estava estranho aquele calor voltava e eu senti meu corpo ser erguido, mas não sentia mãos me segurando, não tinha mais vontade de abrir os olhos, senti que meu corpo era levado para longe, sentia folhas roçarem no meu corpo e logo fui colocado no chão, assim que isso aconteceu eu senti o local diferente, aquele chão era diferente, parecia mais mole talvez mais confortável que a grama, abri os olhos e me vi em um quarto todo negro, era iluminado somente por uma pequena janela mas não conseguia ver o que havia do lado de fora, tentei me mover mas não consegui, logo aquela mesma garota voltava a me encarar, mas ela trazia uma tigela de comida e outra de agua, choraminguei assim que senti o cheiro e ela sorriu, me deixou se servir e comi famintamente como um lobo mesmo, assim que sentia algo se aproximar um rosnado brotava, toda vez ouvia uma risada quando isso acontecia, assim que terminei de comer me deixei cair na cama, os olhos lilases fitavam aquela garota enigmática e eu não sabia o porque me sentia tão bem próximo dela, mas logo aquele mistério iria acabar, eu conseguia ouvir a voz dela e ela soava de certo modo inocente.

— Eu sei que você não é somente um lobo... Sei que você queria morrer, mas... – ela pareceu confusa com isso e suspirou. – Mas eu senti que você não deveria morrer... Meu Senhor não pode te ver aqui, então se recupere e vá embora dessa floresta, não quero que nenhum mal te aconteça.

Quando ouvi aquelas palavras meus olhos a fitavam curiosos, farejei o ar e o cheiro de enxofre era muito forte, então balancei a cabeça, logo sai da cama e comecei a rodeá-la, cheirando a mesma, ela não tinha cheiro de humana, então me afastei e sentei, coloquei a cabeça de lado e abaixei as orelhas como se fosse um cachorro curioso, logo ela riu e se sentou a minha frente, se eu ficasse em pé eu seria maior que ela.

— Está confuso? Eu sou um demônio, guardiã de um dos portões para o inferno, meu Senhor é o próprio Lúcifer... Não posso sair daqui.

Certo, ouvir aquilo foi realmente interessante, estava começando a ficar interessado na historia de Kirian, sempre ouvi coisas do tipo em livros de fantasia e tudo mais, nunca imaginei que seria real, então a garota levantou e colocou a mão na minha cabeça e algo dentro de mim vibrou e pulou um sentimento que eu nutria por Sarah, era idêntica aquela sensação, ela era a companheira de Kirian, era Ester, ele tinha que convence-la a sair dali, então logo me transformei, era um jovem ainda, cabelos curtos e mal cortados, corpo não tão musculoso mas moreno pelo sol, estava claramente nu por conta da transformação, a garota por outro lado deu dois passos para trás e o coração dela era audível.

— Companheira... – Foi somente o que Kirian disse para ela, era possível notar os olhos dela começarem a ficar marejados.

Ela balançou a cabeça e fez um não, se aproximou dele e colocou a mão quente no meu rosto o que fazia o corpo todo se encolher com a sensação de senti-la daquele modo, um suspiro pesado brotou nos lábios dela e logo ela falou baixo como se o confortasse com aquelas palavras.

— Não... Sou uma guardiã, não sou... Sua companheira... Sou um demônio guardião – Assim que falou essas palavras o chão tremeu e ela se encolheu rapidamente, um grande portal surgia na frente dela.

Do portal saia um homem como qualquer outro, ele usava roupa de peles e os olhos dele eram tão azuis e tão calmos, o rosto dele parecia ter sido esculpido e a perfeição era somente o que poderia descreve-lo, o rosto forte e um semblante sério, não era um homem muito magro, mas se via que ele era muito poderoso, era possível sentir o poder emanando dele e logo ele virou aqueles olhos azuis para a pequena garota que estava a minha frente e um frio percorreu minha espinha, quando tentei me mover meu corpo todo foi paralisado e eu somente conseguia observar.

— Guardiã... Quem é este que adentrou meu território? – A voz dele era questionava e parecia que tudo tremia ao meu redor quando ele falava.

— Oh! Estrela do Amanhecer, perdão... Ele é somente um lobo... Ele entrou em nosso território e teria morrido se eu não tivesse o pego... – Ela falava baixo e a cabeça estava abaixada em sinal de respeito.

Ele não falou nada mais ficou me observando, afinal eu estava nu e ainda assim estava muito debilitado com dor e ainda sentia uma fome inimaginável, ele deixou aquela sensação de paralisia passar e meu corpo ia ao chão sem força alguma, mas ainda conseguia deixar a cabeça erguida, eu não iria abaixar a cabeça para ele naquele momento.

— Um lobo? Está ficando louca com a solidão? É apenas um garoto... – Enquanto ele falava ia se aproximando.

— Senhor, ele se transforma em lobo... – Falou ela baixo e com medo de contrariar seu senhor.

Não iria deixar ela se passar por louca em um momento daqueles, então o que fiz foi nada mais que me transformar em um lobo bem maior do que o normal, o rosnado surgiu de modo instintivo no fundo da garganta e ele começou a rir quando via aquilo, ele juntou as mãos e bateu palmas enquanto falava se mostrando completamente intrigado com o que via.

— Meu pai não tem mais o que inventar... Um homem que vira lobo... Mas... – Ele respirava o ar próximo a mim e balançou a cabeça brevemente. – Não sinto cheiro de magia nele...

Quando falava isso eu dava um passo em direção a garota e ficava a frente dela, virada para o homem que estava ali, ainda rosnava para ele em sinal de que ele estava ameaçando algo importante para mim, mas isso somente o fez rir e mover a mão da esquerda para direita, quando isso aconteceu meu corpo voou em direção a uma das paredes negras o que me fez ganir de dor, os olhos dele se tornavam dourados e ele me olhava como se eu não fosse nada.

— Acha que uma CRIANÇA como você vai conseguir me impedir de fazer qualquer coisa? – Ele gritava em minha direção, meu corpo todo se encolheu e eu gani mais alto.

— Guardiã, porque ele está te protegendo?! – perguntou se mostrando nervoso com aquela situação.

— Ele acha que sou a companheira dele. – A voz dela saia distante e triste.

Novamente o homem se colocava a rir vendo aquela cena, lobo ele balançou a cabeça e deixou meu corpo cair, senti algum osso quebrando mas não me deixei ganir, meu corpo todo se contraiu fortemente e ele suspirou intensamente, ele se aproximava da garota e a pegou pelo pescoço, ela não reclamou e não fez um som sequer, ele a ergueu e respirou profundamente enquanto falou baixo e de certo modo achando engraçado.

— Você tem o mesmo cheiro dele... Como se você pertencesse a ele... Hm... – Ele parecia pensar no que iria falar e logo suspirou novamente. – Acho que se eu mata-lo, eu resolvo esse problema.

Quando ele falou isso ela se moveu no agarre dele e fez uma feição de dor como se tentasse imaginar ele morrendo, ele riu quando isso aconteceu e então a soltou se aproximando de mim que estava encolhido no chão sentia que tinha ossos quebrados por essa razão não saia dali, o rosnado se tornava mais alto a cada passo que aquele homem se aproximava.

Mas logo tudo ficou negro e quando meus olhos se abriam eu estava naquele precipício novamente, sentia um alerta percorrer meu corpo todo e me virei para olhar a floresta no fundo da minha mente ouvi Kirian falar baixo e de certo modo triste.

— “Criança, outro dia termino de contar minha historia, mas se você sente também... Tem algo acontecendo na clareira principal.” – Quando ele parou de falar abri minha mente e varias vozes vieram de encontro a mim.

— “Alfa! Onde você está!?” – Era a voz de John na minha mente.

— “Filho?! Precisamos de ajuda!” – Agora era minha mãe e ela estava realmente preocupada.

— “Pedro?!” – A voz de meu pai soou fraca no fundo da minha mente.

— “O que está acontecendo?” – Falei enquanto começava a correr em direção a clareira.

— “Estamos com uma ameaça de invasão aérea... Precisamos de sua ajuda” – Era novamente a voz de John.

Não falei mais nada, minha mente procurava a de minha companheira e quando consegui encontra-la senti ela relaxar e também começar a ir para a clareira, quando cheguei lá o que vi foi vários lobos rosnando e um barulho ensurdecedor acima de nos, quando olhei para cima e o que via eram dois helicópteros sobrevoado o local e neles vários homens de preto, um deles eu conseguia distinguir, era o professor com cara de toupeira, ele estava rindo enquanto apontava para a minha matilha, meu corpo começou a vibrar e logo eu me aproximei com passos pesados uma única frase escapou da minha mente.

— “Se mantenham calmos, ele não vai nos pegar... Não comigo aqui” – Minha voz soava em dois tons como se duas pessoas falassem, eu sabia que Kirian falava ali também.

Não demorou muito para que minha companheira se aproximasse de mim e ficasse ao meu lado os olhos dela estavam lilases como o meu e ela roçou a bochecha na minha enquanto sua voz soava em minha mente, a voz dela estava em dois tons também, Ester estava falando por ela também.

— “Juntos novamente, Companheiro.” – Logo após falar era possível ver o lampejo de vermelho nos olhos dela.

Virei meu corpo em direção aos vários lobos que estavam ali e eles me davam passagem, assim como o helicóptero continuava a sobrevoar o lugar, um uivo escapou de meus lábios o que fez o professor mesmo lá dentro tremer e esconder-se atrás de seus capangas, estava esperando ele descer e nos enfrentar, mas isso não aconteceu, mas logo uma rajada de balas via em nossa direção o que eu não esperava era que as mesmas eram feitas de prata e vários dos meus se machucavam, eu conseguia ouvir os gritos de dor de cada um enquanto meu corpo começava a ferver de raiva, uma das balas me atingia e a dor era lancinante mas aquilo não iria me derrubar, logo ergui a cabeça e uivei novamente, mas logo meu corpo ia voltando a forma humana e novamente se transformava em uma semi-forma, meus olhos fitavam o helicóptero e um grito saia em direção aos mesmos.

— Covardes! Nos enfrentem sem armas, seus bastardos! – Quando terminei de falar algo me acertou na altura da cintura, uma dor sem precedentes subia pelo meu corpo e logo as tropas daquele professor começava a se afastar.

Meu corpo caia no chão ajoelhado e levei a mão a altura da cintura e quanto ergui a mão ao invés de sangue, algo prateado escorria pelos meus dedos e ardia ao tocar minha pele, minha companheira veio em minha direção e me olhou nos olhos, quando ela via aquilo ela dava dois passos para trás e logo vários vinham em minha direção, não consegui ver mais nada, somente o negro da inconsciência me fazia começar a tombar para trás, eu sabia o que estava escorrendo de mim, era prata liquida, aquilo corria no meu sangue agora e a minha recuperação seria mais lenta do que eu poderia imaginar.

Quando abri meus olhos estava em um quarto totalmente branco ao fundo ouvia o bip de vários aparelhos, quando virei o rosto via um monitor que mostrava meus batimentos cardíacos, virei para o outro lado e em uma poltrona estava Sarah aparentemente dormindo, meu corpo doía em todas as partes e quando ergui um pouco o rosto consegui ver que onde eu havia levado um tiro tinha um pequeno cateter, ele estava drenando aquela prata do meu corpo, eu deveria estar dopado porque não sentia dor, quando voltei a deitar a cabeça fechei os olhos e logo ouvi alguém entrar no quarto, me mantive do mesmo modo para ouvir o que era falado.

— A prata já esta no sangue dele todo... Eles acertaram uma grande veia que levou boa tarde do material pela corrente dele... Não sei como ele ainda está vivo, mas ainda tem muita prata ali dentro... Não sei se ele vai conseguir se levantar depois disso... Se prestar atenção as pernas dele estão rígidas de mais. – Quando ele falava isso meu coração acelerou e o aparelho do lado monitorou isso e avisou o aumento de batimentos.

Quando senti o medico se aproximar meus olhos se abriam e eu tentava mover as pernas, sentia o movimento mas precisava ver, me sentei forçadamente e olhava como que não queria ser repreendido, meu pai estava com ele e provavelmente algo no meu rosto fez os dois se afastas, eu conseguia mover meus pés e dobrar as pernas, olhei para o medico e logo ele falou nitidamente exasperado com tudo aquilo.

— Pedro, deite-se, preciso fazer exames de sangue em você... – Depois de falar isso eu bufei e voltei a me deitar.

— Estou aqui a quantas horas?! – Ninguém respondeu, virei o rosto para fita-los e ergui a sobrancelha.

— 3 Dias. – Respondeu meu pai.

— Aconteceu alguma coisa na minha ausência?! – Perguntei preocupado.

— Sim, tivemos mais dois ataques e perdemos alguns da matilha... Eles aparecem com intervalo de um dia... Eles têm revezado, alguns estão vindo pelo mar e outros de helicópteros, estamos tentando intercepta-los, mas é muito difícil. – Respondeu meu pai, logo ouvi um movimento do outro lado do quarto.

— Companheiro... Graça aos Céus, você acordou! – Falou Sarah nitidamente preocupada comigo.

— Acordei Companheira... Doutor, preciso que faça logo esses exames, precisamos cuidar de uma guerra. – Falei em um tom ríspido com o mesmo.

Depois de algumas horas no quarto, meu pai me colocou a par da situação, perdemos cerca de 7 lobos e as mulheres estavam querendo lutas mas não iria ser possível, não podíamos perder nossas mulheres, acabamos entrando em um conceito e decidimos que elas iriam participar da guerra, afinal a terra era delas também. Depois de sair do hospital fomos diretamente para a casa do meu Tio Walter, quando chegamos lá havia varias armas sobre uma mesa e os computadores estavam a todo vapor, olhava as telas e não conseguia compreender o que era tudo aquilo, mas sabia que iriamos vencer aquela guerra, eu tinha que vencer aquela guerra.