Notas iniciais
No fim do capitulo tem a imagem de como é a marca.

Assim que ouvi meu pai falar aquilo meu coração deu um salto, eu também sentia algo por vir e não era nada bom, então andei de um lado para o outro, os olhos apertados e o rosto tenso, estava tão perdido em pensamentos que não senti meu pai colocar a mão em meu ombro, só notei quando ele me balançou e me fez olhar para ele.

— Acorde Pedro, precisamos avisar a matilha, vá buscar Sarah nos encontre na clareira principal. – não precisei ouvir mais nada.

Corri para a porta e tirei a roupa que me deram rapidamente, assim que terminei de tirar a roupa, me transformei em lobo e peguei a mesma com a boca e comecei a correr, minha mente tentava achar Sarah em todo o lugar e somente agora notei que conseguia falar com ela mesmo que ela não estivesse em sua forma de loba.

— “Sarah! Onde você está?” – falei em sua mente enquanto corria, meu tom mostrava o quão preocupado eu estava.

— “Pedro, calma, estou na horta ainda... O que houve?” – falou ela enquanto meu coração ficava mais calmo em saber onde ela estava.

Me enfiei na mata e comecei a correr até encontrar a horta, ela estava abaixada junto as plantas e com uma cara confusa, quando cheguei próximo a ela encostei o focinho nela e bufei, ela pegou minha roupa e ouvi ela falar, mas não em minha mente ela falou para que todos ouvisse.

— O que houve Pedro?! – assim que ela falou todos ergueram o corpo rapidamente, eles sentiam a agitação da reserva.

— “Estamos com suspeita de um ataque, venha, temos que ir para a clareira principal.” – falei agitado enquanto ficava a olhando, estava preocupado com ela, com o risco que ela corria naquele momento.

Ela não falou mais nada, somente segurou minha roupa com uma mão e com a outra ela tocou minha cabeça, logo começamos a andar eu em forma de lobo e ela em forma humana andando ao lado dela, meus olhos fitavam tudo a minha volta e quando ouvia cada pequeno barulho um rosnado brotava em minha garganta e para me acalmar ela mexia na minha cabeça, bufei novamente, quando chegamos a clareira vi varias pessoas se transformando, aqueles vinte lobo que eu tinha visto uma vez tinha virado mais de cinquenta, fora as crianças que estavam em forma humana, sentadas ao lado de alguns lobos, quando chegava a clareira sentia a energia ao meu lado mudar e logo via minha companheira em sua forma de loba, ela era tão linda que me fazia suspirar, aqueles pelos brancos sedosos, me aproximei dela e andei flanqueado ao lado dela, meu rosto roçava no dela e ela fechava os olhos retribuindo, sentia o olhar de meu pai e fui ficar ao lado dele, ao meu lado estava Sarah, minha mãe estava ao lado do meu pai e John também estava lá, uma loba marrom claro estava sentada ao lado dele juntamente com o menininho que havia brincado com meu pai hoje mais cedo, meu suspiro pesou brevemente enquanto ouvia a voz de meu pai ecoar, parecia que ele falava em voz alta e toda a floresta ecoava a voz dele.

— “Meus amigos, mais uma vez nos reunimos aqui em meio a esta clareira que tanto vivenciou, essa mesma clareira que viu a primeira transformação de nossa matilha, que nos ajudou a entender o que éramos e qual era o nosso proposito, assim como vivenciou tantas guerras, mas sabemos que sempre vamos nos reerguer... Venho informar que nossa reserva está ameaçada, algo muito grande esta por vir e todos nós sentimos.” – ouve um burburinho de vozes e alguns lobos se moviam, meu olhar percorria cada lobo naquele local, me fazia olhar cada pequeno movimento ali como se eu estivesse analisando um traidor. – “Como eu estava dizendo... Algo grande está por vir, hoje tivemos uma visita próximo a praia onde o nosso guarida interceptou a pessoa e ela se retirou, mas algo me diz que essa pessoa ira retornar e não vai demorar.” – enquanto meu pai falava meus olhos se estreitavam, algo estava estranho, eu via um lobo mesclado em marrom e branco se afastar lentamente do grupo.

Meu pai também notou e me olhou de canto, eu desci andei lentamente por fora entre alguns lobos e quando o em questão virou eu avancei o segurando pela nuca com os dentes, fazendo ele ficar parado no lugar, meu pai se aproximava e o olhava lentamente, sua pose de alfa me dava breves calafrios, mas sabia que ele nunca iria me machucar, ele olhou o lobo por um tempo que não consegui contar e suspirou enquanto falou pesadamente, aquela voz que fazia nosso ser vibrar a sensação era de tremor pelo corpo todo, meus olhos se fechavam e eu continuei segurando o lobo.

— “Quem é você lobo que ousa se infiltrar em nosso meio?! Está buscando que tipo de informação? Diga-nos seu nome.” – quando meu pai parou de falar meu corpo tremeu e eu apertei mais o pescoço do lobo que rosnava.

— “Não devo satisfação a você...” – quando ele falou aquilo minha mordida foi mais forte, prendendo o couro dele entre os dentes furando a carne e o machucando. – “Responda o que foi perguntado!” – rosnei em sua mente enquanto ficava ali segurando ele.

— “Me chamo Paulo... e todos vocês vão ser presos...” – quando ele falou isso ouvi um estrondo e por instinto meu corpo se encolheu e eu o soltei.

Quando o soltei ele saiu correndo e meu pai me olhou aos poucos os machos e até algumas fêmeas incluindo Sarah se alinham deixando os mais fracos dentro daquele circulo que formávamos, um homem aparecia no inicio da trilha que dava para a horta, ele estava todo de branco, os cabelos eram ralos e escuros e seus olhos pareciam os olhos de uma toupeira, ele se aproximava enquanto eu conseguia sentir Sarah tremer quando o olhava, via ela se colocar em posição de ataque e logo eu bufei me colocando em posição também, cabeça abaixada e orelhas para trás, os dentes amostra e as patas dianteiras batendo na terra enquanto ele se aproximava e ria.

— Quanta amostra aqui! Vejo que nos demos bem Richard! Até a nossa amostra que fugiu está ali... Olá pequena lobinha! – o homem falou enquanto um outro aparecia, ele parecia um guarda roupa de tão grande que era, vestia-se de branco também e tinha os cabelos longos e loiros, os olhos eram azuis como o de Sarah.

— Ninguém vai falar conosco? Vai ser fácil assim... Como tirar doce de criança... – falava o homem com olhos de toupeira, o sotaque dele era estrangeiro e parecia não estar habituado a falar o português.

Enquanto ele falava aquilo, meu corpo vibrava e parecia se encher de energia, meus olhos ardiam e minha vista se tornava vermelha, algo dentro de mim pedia passagem como se quisesse tomar conta do meu ser, então deixei aquela raiva tomar conta de mim, meus olhos se apertavam e logo meu corpo tremeu, um uivo forte e pesado foi solto por mim e eu senti todos os lobos uivando junto comigo, quando o uivo sessou uma ventania passou pelas arvores e logo vários lobos selvagens começavam a aparecer entre as arvores, eles rosnavam e avançavam pesadamente em direção aos homens, meu corpo lobo se transformou me deixando em uma semi-forma assim como vi nas lembranças de Sarah que o maldito Nicolas havia ficado também.

— Ninguém aqui é amostra... O que vocês querem?! Se retirem da minha reserva... – não era eu falando... Era... Como poderia explicar?! Era algo dentro de mim, como se meu corpo fosse de algo maior do que eu.

Senti uma agitação atrás de mim e sabia que meu pai sabia o que acontecia comigo então depois eu pediria explicações, meu corpo todo estava tremendo mas aquela forma não demonstrava aquilo, os passos que meu corpo dava marcavam a terra e os homens espantados começavam a se afastar mas o maldito que havia chamado Sarah de lobinha estava com um sorriso nojento nos lábios, queria tira-lo dali, então minhas mãos fecharam-se em punho e rosnado brotou do fundo da minha garganta fazendo ele dar um pulo e cair sentado no chão, eu sorri com a reação, os lobos selvagens se aproximavam cada vez mais fazendo uma roda, deixando somente os dois ali no meio, o guarda roupas que o dos olhos de toupeira havia chamado de Richard tinha uma feição assustada mas nada dizia ele somente parecia observar e logo o outro falou de um modo que mostrava que ele estava assustado e com muito medo, eu sentia o cheiro do medo dele.

— Hoho... Veja o que temos aqui... Um verdadeiro Alfa... Ou será um alfa antigo que tomou conta do pequeno corpo de um qualquer? Isso seria bom ser estudado... Muito bom... – ele falou enquanto sorria e tremia ao mesmo tempo. – P-pena que não tenho tempo de estuda-los, mas eu vou voltar... Se vou voltar... – ele falou novamente enquanto gaguejava, virou para Richard e se levantou. – Ande seu idiota nos tire daqui...

Assim que ele falou aquilo um lobo selvagem pulou para ataca-lo, e o brutamonte que estava ao lado dele acertava o pobre lobo que saia canino dali, provavelmente teria quebrado uma pata e isso me deixou raivoso, eu mesmo me aproximei ou quem estivesse dominando meu corpo avançou, a mão em forma de garras acertou em cheio o rosto dele deixando uma grande marca enquanto o outro eu me abaixei e rosnei em sua cara ameaçando uma mordida nele, assim que fiz isso senti o homem o pegar pelo braço e um helicóptero jogar algo parecido com uma corda, ele a segurava e rapidamente aquilo subia, ainda tentei pular para puxa-los e tentar acabar com aqueles idiotas, mas não foi possível, meu corpo tremeu e logo vi tudo ficar escuro.

Quando minha consciência foi voltando, sentia que estava em um lugar mais confortável que o chão, acordei em um salto puxando a respiração, me sentando automaticamente, assim que fiz isso ouvi um grito tanto da minha mãe quanto de Sarah, meu peito queimava e ardia imensamente como se eu tivesse me queimado e quando olhei vi algo como uma tatuagem sobre meu peito, era algo como uma pata de lobo e o meio da mesma em vez de ser a almofada típica das patas era a cabeça de um lobo, fiquei olhando aquilo e quanto encostei senti quente, meus olhos vagaram pelo lugar até parar em meu pai que me olhava com certo orgulho e medo, quando virei o rosto vi minha companheira, ela parecia tão preocupada e ainda assim sorria para me aliviar, olhei novamente envolta e via minha mãe com os braços cruzados e nitidamente preocupada com tudo que tinha acontecido, testei minha voz e falei receoso da resposta.

— O que aconteceu? – falei baixo e meu pai suspirou pesadamente enquanto me olhava e olhava a tatuagem.

— Você é o novo alfa... Por denominação... Você parece ter parte da alma do nosso primeiro Alfa... Parte de Kirian... – enquanto ele falava eu olhava a tatuagem em meu peito, balancei a cabeça e voltei a deitar colocando a mão no rosto.

— Nada podia ser melhor agora... Sou parte do primeiro Alfa, isso quer dizer que sou uma reencarnação ou algo do tipo? Era ele que tomou a conta do meu corpo? – eu não queria repostas, estava somente me habituando a tudo que estava acontecendo, mas ainda assim ouvi respostas e não era a voz do meu pai.

— Uma antiga historia conta que de tempos em tempos Kirian volta em um dos nossos filhotes e ele já nasce para liderar que essa parte dele somente desperta quando uma grande guerra esta por vir ou quando a pessoa que tem parte de sua alma quer muito defender sua matilha, foi o que aconteceu com você Alfa Pedro... Ele despertou dentro de você e logo ele vai começar a falar com você, mostrar coisas para que você entenda... Juntamente dele, também temos que lembrar que a companheira de Kirian tinha certos poderes que são um mistério para nossa matilha... – falava a voz de um senhor, eu me sentei na cama e via que era um dos anciões da matilha, eu ficava o olhando e ele sorriu. – Seus olhos estão como os do nosso primeiro Alfa, ou como eles eram descritos em tantas historias.

Fiquei curioso e levantei da cama, pisando forte no chão, eu sentia todo o meu corpo quente e ele estava diferente, quando cheguei ao banheiro e olhei no espelho não me deparei com os habituais olhos verdes claros e sim em um tom lilás, fiquei olhando para o espelho e pisquei varias vezes para ver se eu não estava vendo coisas a mais naquele espelho, mas nada mudou a não ser que eu começava a notar uma barba por fazer se formando no seu rosto e os cabelos que estava maior e bagunçado atrás da cabeça, respirei profundamente e voltei ao quarto sem olhar ninguém, caminhei até a minha companheira e tomei o rosto dele nas mãos, fiquei a olhando por alguns segundos intermináveis, via como os olhos azuis dela me reconheciam como companheiro e como ela estava tão preocupada comigo, mas algo estava diferente em mim e eu sei que ela conseguia sentia, então a tomei em um beijo, sem importar quem estivesse ali e senti quando fiz isso uma energia se formar envolta nos dois, era visível e palpável aquela energia, meus olhos se abriam e eu separava o beijo enquanto ficava o olhando, os lábios dela estavam abertos e ela estava vermelha, ela tocava minha tatuagem e respirava fundo enquanto ia fechando os olhos, depois de um tempo naquilo virei o corpo ficando de costas para ela, olhava os demais no quarto meus olhos agora lilases se estreitavam, minha voz se tornava forte, um tom que somente um alfa conseguia tomar.

— Onde está o lobo que se intitulou Paulo... E quem eram aqueles malditos que entraram na reserva? – a pergunta não foi direcionada a ninguém em especifico, mas logo meu pai deu um passo a frente, seus olhos orgulhos mostravam que eu era um bom alfa – pelo menos até agora – ele falou baixo enquanto me olhava.

— Ele está preso em uma das nossas casas... E eu não sei, acho que sua companheira consegue nos ajudar, eles pareciam conhece-la... – rosnei ao lembrar daquele monstro chamando minha companheira de lobinha naquele tom nojento e isso me fez bufar.

Sentia minha companheira se encolher onde ela estava, sentia que aquilo a deixava desconfortável e logo me virei novamente para ela, sentei na cama e a chamei, ela se aninhou ao meu colo e escondeu o rosto, fiquei tocando os cabelos dela enquanto falei de modo delicado para ela, não queria que ela ficasse magoada e acabasse chorando.

— Companheira... pode nos dizer quem eles eram? – Quando falei isso ela me apertou contra o corpo dela e ergueu o rosto, parecia não querer que víssemos o rosto dela, talvez porque doesse lembrar.

— O que me chamou de lobinha... é o professor... não lembro o nome dele... mas eu o chamava de maldito... E o outro é meu irmão... – quando ela falou aquilo todos travaram, inclusive eu que mantive os braços rígidos envolta do corpo dela.

— Como assim seu irmão? – Falou minha mãe enquanto olhava para Sarah no meu colo, enquanto isso ela escondia o rosto e falou baixo.

— Eu o considerava assim... quando eu era apenas uma criancinha ele cuidava de mim e me protegia por ser maior e mais forte... depois que eu fui crescendo, ele foi mudando, ficando mais do lado do professor... ele não fala com ninguém diretamente... Ele falava somente comigo... – ela falava embargada quase chorando enquanto me apertava e escondia o rosto, realmente devia ser doloroso lembrar do que acontecera com ela todo esse tempo. – Ele... depois da minha última ousadia de me fingir dopada e fugir depois de uma sessão... de... de... exames e tentativas de ‘reprodução’ ele me mandou uma mensagem mental... jurando me caçar porque eu o abandonei...

Aquilo era informação de mais, eu ouvia palavras do tipo ‘exames’ e ‘reprodução’ que me deixava completamente em nervos, meu corpo relaxou um pouco quando ela acariciou meu braço, abaixei o rosto e fiquei a olhando, ela tinha lágrimas nos olhos, ela havia sofrido mais do que eu poderia imaginar, ela tinha passado por brutalidades e havia sido ameaçada por uma pessoa que ela considerava irmão, estávamos encrencados e isso era um fato.

— Precisamos saber mais sobre eles... Precisamos proteger a reserva e vamos começar isso amanhã... Porque todos precisamos recuperar as forças... – falei enquanto ergui os olhos fitando cada um ali, queria deixar todos cientes de que aquela noite provavelmente seria a única que poderíamos tentar dormir em paz. – Pai, peça para Walter reforçar a segurança, todos que tentarem entrar, matem...

— Tudo bem Alfa, falarei com ele... – meu pai me chamou de alfa o que me fez tremer rapidamente, suspirei e ele continuou. – Vamos deixar os dois agora... Eles merecem um tempo juntos.

Depois dessas palavras a porta se fechou assim que todos saíram do quarto, me levantei com ela no colo, mas logo me deitei novamente, comecei a puxar coberta sobre nossos corpos e logo a puxei mais para mim, ela se aninhou ao meu corpo e virou o rosto para ficar próximo ao meu, logo senti ela começar um beijo, retribuía ele de bom grado, a mão se aninhava nos cabelos dela e logo virei o corpo lentamente ficando sobre ela, afastei o beijo e falei baixo contra os lábios dela.

— Companheira... – quando falei isso ela tocou a lateral do meu corpo e pediu por mim, meu corpo tremeu ao seu pedido, os lábios foram de encontro aos dela novamente.

Minhas mãos foram para a lateral do corpo dela e logo as mãos subiram por dentro de sua blusa... Nos enroscamos a noite toda e quando demos conta a magia dos lobos tomava conta do quarto, ela ofegou e sentiu algo queimar em seu corpo, ela olhava para o braço direito e a mesma marca que tinha em meu peito tinha no braço dela, ela sorriu cansada e suada e me abraçou falando delicadamente enquanto começamos a cair no sono de modo lento.

— Nossa união é oficial agora meu companheiro. – ela sussurrou, mas a voz dela estava longe, eu havia caído no sono.