Notas iniciais
Ok, eu postei o prólogo pra dar vontade de ler. Mas, pela falta de reviews, acho que não deu certo. Agora sim, com vocês, Henrico Berardinelli, meu lindo, meu gato, meu cachorro. E, sim, garotas, ele é só meu.

PRIMAVERA – INGLATERRA – 1796

Os raios de sol entraram pela fresta aberta nas cortinas vermelhas de veludo, ricamente adornadas com fios de ouro. Estas mesmas cortinas haviam sido tão apressadamente fechadas na noite passada que uma boa parte ainda restava aberta.

Henrico Berardinelli era o dono do quarto que, em alguns aspectos, assemelham-se á um bordel pela quantidade de seda e vermelho que ali havia: a mobília era toda em madeira muito bem polida, tudo mantinha-se limpo graças aos empregados da casa.

O homem era jovem, vinte e três anos, e muito bonito: sua altura chegava a um metro e oitenta, a pele era branca, mas corada, olhos verdes brilhavam acima das bochechas e do nariz perfeitamente reto, os cabelos negros como a noite atingiam-lhe os ombros e eram ondulados. O jovem não matinha uma barba, o que destacava o belo sorriso que encantava a todas.

Henrico vinha de uma região não muito rica da Itália, porém, sua família era influente no circulo de amizades do rainha da Grã-Bretanha, George III e era exatamente no palácio da família real inglesa que Henry agora vivia.

O rapaz era o sétimo filho do sétimo filho, vindo depois de seis garotas. Assim, Henry Berardinelli era um lobisomem, uma criatura enorme, forte, de pelagem negra, dentes afiados como lâminas e olhos vermelhos e cruéis.Apenas ele e sua família sabiam sobre isso e o segredo já estava tornando-se insuportável para a família, um peso, um estorvo. E, somado ao vício do rapaz em álcool e à quantidade de mulheres com quem se relacionava, seus pais o mandaram para viver na Inglaterra, longe de seus problemas. Porém, como era de se prever, a distância de casa apenas o aproximou mais das bebidas, festas e, principalmente, das mulheres. Como nesta manhã.

Henry dormia profundamente na enorme cama de casal, acompanhado de duas becas mulheres, uma era a duquesa de um lugar longe, perdido no meio da terra natal do rapaz e a outra vinha da França e não falava muito pouco de inglês, e com um horrível sotaque. Ambas dormiam apoiadas sobre o peito nu de Henrico.

Finalmente, a nesga de sol bateu sobre o rosto do rapaz, ele piscou e a mulher ruiva, a italiana, virou-se para o outro lado, saindo de cima de Henry. Ele abriu os olhos, virou a cabeça e viu as duas belas jovens ao seu lado, cobertas apenas pelos lençóis brancos. O rapaz franziu a testa, tentando se lembrar como havia acabado nessa situação, mas sua cabeça doía pelo esforço. Dor de cabeça, falta de memória... álcool. Só se lembrava de ter ingerido uma quantidade muito alta de bebidas alcoólicas na noite passada e sabia que, se a rainha descobrisse que havia descumprido com as ordens de sua mãe, não se daria bem.

Henry sabia que não devia se relacionar com mulher alguma por apenas uma noite, foram ordens expressas, e, agora, lá estava ele com uma duquesa francesa loira chamada Gabrielle e a outra, bom, quanto a outra ele só sabia que era italiana e ruiva.

O rapaz puxou o braço detrás da cabeça da francesa, o mais delicadamente que pôde, mas a mulher acordou e tentou abraça-lo. Henry esquivou-se do abraço, deixando Gabrielle com um biquinho, que, assim que ele levantou-se da cama e deixou à mostra o corpo muito bem trabalhado, sumiu, dando lugar a um sorriso.

-Bonjour, Henry! Nossa nuit foi marravilhosa! Mais me desculpe pela taça...–Ela começou a tagarelar com aquele inglês enrolado, Henry falava esta língua, mas se fosse conversar com Gabrielle, poderia chamar a atenção dos empregados. A mulher ruiva ainda dormia no canto da cama, com a barriga para baixo.

Henry jogou-se sobre a duquesa e a beijou para que calasse a boca, sentiu a moça derretendo em seus braços. Ele até havia gostado da companhia das duas, eram lindas, mas teriam que sair. Ele ergueu a cabeça, a francesa arfava, com os braços ao redor do seu pescoço, pedindo por mais. Infelizmente, ele não poderia dar mais.

-Je suis désolé, Gabrielle, mais –Ele pediu desculpas na língua da moça e depois desejou ter prestado mais atenção às suas lições de francês, não sabia como manda-la se vestir e partir. –Você e sua amiga, vocês têm que ir.

A voz de Henry era baixa, um tanto rouca, mas era uma voz normal, embora as mulheres dissessem que, ao pé do ouvido, sua voz deixava qualquer um arrepiado. Gabrielle pareceu decepcionada, mas levantou-se, acordou a ruiva e, sem pudor ou palavra alguma, as duas colocavam as peças de roupa enquanto o rapaz assistia da cama.

Tudo que Henry sabia sobre o vestuário feminino era como tira-lo e, ainda assim, fazia por instinto. Mas até mesmo o mais leigo neste assunto notaria que as moças estavam demorando-se, tentando tirar algum proveito da situação. Henrico suspirou, levantou-se enrolado no lençol branco, apoiou as mãos espalmadas nas costas das mulheres que levavam os sapatos e as meias nas mãos e, gentilmente, as levou para a porta, abrindo-a e praticamente jogando-as corredor afora.

-As senhoritas me desculpem, mas realmente precisam ir. – Gabrielle saiu com o nariz empinado, mas a ruiva, que até agora Henry não desconfiava qual era o nome, deu-lhe um tapa na bochecha e lançou-lhe um olhar superior.

-Tu és um cão. –O jovem lobisomem riu com seus perfeitos dentes brancos.

-Não imagina o quanto, minha cara.

O rapaz fechou a pesada porta de madeira do quarto e se jogou na cama de dossel, começando a sentir a dor de cabeça causada pelos exageros da noite passada. Tudo a sua volta rodava, sentia a cabeça doer e estava prestes a adormecer novamente quando a porta abriu-se com estrondo.

Henry sentou-se assustado na cama, cobrindo-se com os lençóis, os olhos verdes arregalados e o coração disparado como uma bateria. Pela porta aberta, entrou o Rei. Aquele a quem o povo apelidou de o Louco. George III. O homem era alto, tinha uma postura imponente apesar dos olhos ansiosos e um tanto loucos, aquele rei era doente e não precisava ser próximo à ele para saber-se disso. Toda a população o acusava de insano.

-Bom dia, Henrico! Vi aquelas mocinhas saindo de seu quarto. Foi exatamente o que a sua mãe disse-me para deixar você fazer. Duas ao mesmo tempo, Henry? Ah, sim, olá! – O Louco olhou para o seu lado e falou com o vazio, provavelmente estava em um de seus delírios. O rapaz italiano observava, boquiaberto, o rei enquanto ele tagarelava sem parar sobre como sua grande amiga havia proibido o seu garotinho de dormir com mil garotas e entupir-se de álcool.

-Mova-se, rapaz! Já é tarde no dia e o senhor dará um passeio a cavalo com meu filho, George. Apresse-se!

-Ahn, senhor... –Henry sentia-se pouco à vontade em pedir ao Rei da Grã-Bretanha que se retirasse de seus aposentos.

-Ah, sim, sim. Acho que precisa se vestir. Vamos, vista-se! –Vermelho como uma pimenta das Índias, o rapaz levantou-se enquanto o rei o observava colocar suas roupas, espalhadas de qualquer jeito pelo chão. Henrico passou as mãos pelos cabelos negros, colocando-os para trás e seguiu George para fora do quarto, fechando a porta ao sair.

Notas finais
E aí gostaram? É só o começo e, por isso mesmo, eu quero saber o que acharam. Se estiver bom assim, eu continuo assim, se não estiver, eu me mato e... brinks, eu tento melhorar. Reviews, pelo amor da glória. Ah e feliz Páscoa.