O Trono de Gelo e Fogo
1 Prólogo
Notas iniciais

O sol havia nascido há poucas horas atrás, Mya Stone acordou cansada havia dormido no quarto de Sansa Stark novamente. Mya e Sansa eram grandes amigas e conversavam horas sobre qualquer coisa antes de dormir, dormirem juntas no quarto de Sansa começou porque as noites frias de inverno estavam se alongando e exceto por um fogareiro de chumbo instalado próximo aos pés da cama o quarto era muito frio devido a sua amplitude, janelas e principalmente porque o Ninho da Águia era a última construção no cume da montanha que ultrapassava as nuvens.
Stone olhou para o lado e Sansa Stark dormia pesadamente, Mya se levantou e procurou suas botas de montaria enquanto amarrava os cadarços de sua calça de couro, sentou em uma cadeira para calçar os pés em seguida colocou sua camisa de ráfia e uma lã por cima e por fim o casaco de couro com peles no pescoço e no punho que a deixava aquecida nas idas e vindas pela montanha. Suas luvas de couro estavam enfiadas nos bolsos do casaco, Stone lavou o rosto afilado e seus olhos azuis na água que encontrou perto da banheira de banho de Sansa. Ela se olhou no espelhou e passou os dedos nos cabelos pretos e curtos para arrumá-los, se despediu da sua amiga que continuava dormindo.
— Até mais Passarinho — disse Mya, depois beijou a testa da garota Stark.
Precisava descer depressa do Ninho da Águia para os Portões da Lua na base da Lança do Gigante. Ela passou a noite toda conversando com Sansa Stark em seus aposentos e agora estava atrasada para seus afazeres, desceu até a dispensa do castelo e continuou sua descida por uma das seis correntes que eram usadas para alçar mantimentos e outras cargas pela íngreme montanha. Esse não era o caminho usado por visitantes ou pelos nobres que viviam no castelo, mas era melhor descer pendurada em um cesto do que encarar cento e oitenta metros de escada a baixo estando sonolenta e com o estomago a roncar. Ao chegar ao Castelo Céu, Mya cumprimentou os rapazes que já estavam atarefados com suas idas e vindas pela Lança do Gigante, ela se dirigiu aos estábulos passando por uma série de rampas equipou um equino com uma sela, acenou para o guarda da torre e passou pelo portão que já estava aberto. Começou a descida pela longa escada sem montar na mula porque o vento era muito forte e não havia parapeitos nas estreitas laterais da escadaria de pedra suja de musgo. Após seis metros de descida Mya Stone chegou a uma depressão em forma de agulha. Ali o caminho começava a se alargar e algumas árvores cresciam ali e aqui em pequenos grupos na encosta da montanha, ela montou em sua mula e acelerou o passo para descer até o Castelo Neve que ficava no meio da escadaria de pedra entre o Castelo Céu que ficava acima e o Castelo Pedra que ficava logo abaixo. Neve era o menor castelo da subida composto por uma única torre fortificada com uma fortaleza e um estábulo de madeira com um muro de pedra solta na frente e ao lado o abismo. Para subir até o Ninho da Águia um atacante teria de primeiro passar pelo Portão da Lua enquanto saraivadas de pedra e flechas eram lançadas do Castelo Pedra. Se passasse seria encurralado em uma íngreme subida ladeada por espessas árvores que afunilavam até se depararem com os muros do Castelo Neve onde para a esquerda havia a montanha incólume e a direita um abismo mortal. Um jovem cavaleiro com o rosto cheio de espinhas a cumprimentou oferecendo um naco de pão e um pedaço de queijo Mya os pegou e enfiou tudo na boca enquanto trocava de montaria pegando uma nova mula. Imediatamente continuou a descer até Pedra, a descida era mais tranquila naquele trecho. O caminho era bem mais largo ali com uma espessa floresta de ambos os lados, ao longe Mya Stone conseguia ver as duas torres redondas e a fortaleza feita de pedra no meio do castelo com suas muralhas repletas de lanças de ferro e homens andando para lá e para cá. Manteve o galope até passar o Castelo Pedra e chegar aos Portões da Lua. Lá estavam alguns comerciantes descarregando as mercadorias compradas por Lorde Petyr Baelish.
— Onde estão as caixas chegadas de Myr? — disse Mya arfando e colocando as mãos nos joelhos para ajudar a recuperar o fôlego.
— Bem aqui minha senhora — disse um homem de pele escura e cabeça careca sem barba no rosto.
— Graças aos Sete Deuses. — Mya chegou perto do homem de Myr estendendo a mão.
— Aqui está — ele soltou uma chave na mão dela. — São para você essas ricas sedas? — sorriu.
— Quem dera —, ela respondeu enquanto examinava os cantos das caixas de madeira revestidas com couro.
— Essas coisas caras são para uma Lady não para uma bastarda como eu. — O comerciante de pele escura levantou as duas mãos como se estivesse se rendendo.
— Ainda faltam mais seis caixas com especiarias das Ilhas de Verão e bolo de limão de Porto Real. — Disse o homem.
— Vamos encontrar os seus carregadores no meio do caminho — Mya propôs.
— Sim, aí seria bem mais rápida a entrega — ele respondeu.
Mya Stone pediu a escolta de dois soldados do Portão da Lua e uma carroça, seguiu com o comerciante em direção ao porto de Ancora Velha, ela queria entregar logo as sedas para Sansa e vê-la provar cada vestido enquanto ambas se deliciavam com as iguarias chegadas da capital.
Fale com o autor