O Trono de Gelo e Fogo
5 Jogo Duplo
Notas iniciais

Mais uma noite havia chegado ao castelo, Iris e Myrcalla estavam levando bolo de limão e leite para Sansa, as dispensas do Ninho da Águia estavam repletas de mantimentos e especiarias trazidas dos quatro cantos do mundo. Havia creme de frutas doces e amargas das Ilhas de Verão, carnes defumadas em pequenos rolos que podiam ser comidas cruas, mariscos da costa de Pentos que a velha cozinheira dizia serem afrodisíacos, caixas de vinhos, cervejas escuras e bebidas fortes. Myrcalla pegou uma bandeja de bronze e colocou três bolos de limão, em seguida tomou uma taça de vidro e a encheu de leite com mel gelado, enquanto Iris provava um marisco de Pentos que a velha cozinheira cozinhava para o deleite de Lorde Baelish.
— Tire as mãos daí mocinha — a velha e carrancuda cozinheira bateu com uma colher de pau na mão de Iris.
— Ei! O que pensa está fazendo? — disse Iris irritada.
— Deixe-a Iris —, Myrcalla interveio. — Vamos logo ou a senhora Sansa ficará entediada.
— Hun! — A velha ameaçou falar alguma coisa, mas não saiu nada de sua boca murcha.
Iris pegou mais três mariscos e ficou olhando para a cozinheira que não retribuiu o olhar continuando a mexer no caldeirão.
— Vamos, venha logo — Myrcalla segurou Iris pelo pulso e a puxou.
— O que pensa que está fazendo? — disse Iris se soltando em um solavanco. Myrcalla limitou-se a observá-la, não queria derrubar a bandeja que segurava.
Myrcalla era uma jovem camponesa de Ferrobles, seus cabelos eram negros e densos com olhos amendoados puxados como as pessoas de Asshai. Seus avós vieram pelo Mar Estreito e desembarcaram em Âncora Velha. Sua avó era conhecida pelas poções curativas que fazia, alguns moradores de Ferrobles diziam que ela até executava feitiços invocando os espíritos das chamas.
— Não estrague meu vestido. — Iris saiu andando e comendo a carne branca do marisco de Pentos.
— Calma Iris, não quis ofendê-la. — Disse a garota de olhos amendoados.
— Então ande logo camponesa, não era você que estava com pressa de servir. — Percebendo sua rispidez Iris sorriu para amenizar as feições.
A garota de Asshai havia sido mandada para servir a Senhora Lysa aos doze anos de idade por seus pais que eram agricultores. Após sua mãe ser acometida de uma grave febre, Myrcalla de Asshai como veio a ser conhecida, foi aceita por Lady Lysa como aia de companhia devido a sua bela aparência e seus bons modos. Em seguida ela foi escolhida por Sansa Stark para acompanhá-la.
— Toma, — Iris ofereceu um marisco à Myrcalla de Asshai.
Iris pegou a bandeja da mão de Myrcalla com cuidado para não sujar seu vestido de cetim roxo de ombreiras bufantes.
— Que delícia, a velha caprichou no tempero, — disse a garota de Asshai. — O que o senhor Petyr fará depois de comer todo aquele caldeirão?
— Talvez ele vá até nosso quarto. — Iris mordeu o lábio inferior —, e coma outra coisa.
— Um Lorde não se mete com camponesas. — Disse Myrcalla.
— Eu não sou camponesa, — Iris retrucou.
— Falava de mim mesma — disse Myrcalla entristecida.
Iris da Casa Redfort uma das principais casas nobres do Vale de Arryn, era altiva de pele clara com pequenas sardas nas maçãs do rosto. Seus olhos tinham a cor do ouro envelhecido e seus cabelos eram loiros arruivados. Iris Redfort era filha de um primo de Sor Horton Redfort, sendo de um ramo menor da nobre casa. Mesmo assim, se orgulhava de suas origens e de pertencer a uma linhagem antiga do Vale que descendia dos Primeiros Homens.
— Pare com essa lamúria — Iris passou a bandeja de volta a Myrcalla.
— Os nobres são humanos como todo mundo — disse Iris. — Se não fosse assim não teríamos tantos bastardos por aí.
— Tem razão. — A Asshai’i sorriu com um olhar iluminado.
— Dizem por aí que o senhor Petyr tem negócios com casas de prostituição na capital. — Disse Myrcalla sussurrando.
Iris a olhava com olhos semiabertos e com a ponta da língua entre os lábios quase saindo de sua boca, o que lhe conferia a aparência de uma víbora. Daí o seu apelido de “Iris Língua de Cobra”. A origem do apelido foi porque Iris havia espalhado por todo o Vale que seu primo de segundo grau Mychel Redfort na época um simples escudeiro, havia tomado a virgindade de Mya Stone. Houve um grande reboliço no jardim interno do Ninho da Águia, Mya atacou Iris com um punhal mais foi detida por Sor Lothor. Os Redfort exigiram que a bastarda fosse punida mais Lady Sansa interveio em favor de Mya Stone.
— Não fique repetindo isso por aí garota — Iris pareceu cuspir as palavras.
— Tudo bem. — Disse a outra garota. Começou a subir as escadas que levava ao aposento de Sansa.
— Você e aquela bastarda da Mya sempre falam o que não devem. — Disse Iris.
Diferente de Myrcalla, Iris Redfort não era uma simples aia. Ela era Dama de Companhia, foi trazida por Sor Horton logo após a recusa de Lorde Baelish em renunciar ao cargo de Protetor do Vale. Todos no Ninho da Águia acreditavam que Iris estava lá para espionar o senhor Petyr Baelish.
As duas garotas chegaram ao corredor, passaram pela pesada porta de madeira do quarto e seguiram pelo cômodo. Sansa Stark estava sentada a uma mesa com um candelabro de seis velas e um grande livro à sua frente. Ela usava uma grosa pele sobre os ombros que pendia até o chão, seus cabelos estavam soltos. Myrcalla se aproximou sorrindo e colocou a bandeja em um pequeno aparador e serviu um bolo de limão e a taça de leite com mel para sua senhora que agradeceu com um aceno de cabeça.
— O que você está lendo? — inquiriu Iris.
— Acho que é uma espécie de diário de minha tia Lysa, tem muita coisa escrita aqui. — Sansa estava absorta nas páginas.
— É mesmo... E ela disse onde escondeu as joias? — a loira sorriu.
A garota Stark e Myrcalla também começaram a rir.
— Se eu soubesse onde as joias estão já teria fugido.
— Não sem me levar junto — disse Myrcalla enquanto pegava na mão de Sansa.
— E eu seria a Senhora do Vale — a voz de Iris soou divertida.
— Diga-me Iris — Sansa começou —, o ouro do Ninho da Águia não está com Petyr? — E pensou; — será que ela desconfia que eu achei o baú da minha tia? —Sansa Stark tinha olhos brincalhões enquanto falava.
— Lady Sansa, eu não descobri nada sobre as joias ainda. — Iris arregalou os olhos e fez um círculo com a boca.
Sansa Stark não sabia dizer, mas ultimamente alguma coisa na garota loira a intrigava. Iris sempre confidenciou segredos a sua senhora, agora parecia está ficando mais reservada como se estivesse em dívida com outra pessoa. Sansa havia conquistado a confiança de Iris a fazendo confessar que foi Mindinho quem a enviou para vigiar todos os seus passos no castelo. Logo após o incidente entre Iris e Mya Stone no jardim houve discórdia entre Sansa e Iris porque Mya Stone foi poupada de ser castigada devido à intervenção da garota Stark e Lorde Petyr.
— Você anda muito dispersa Iris. O que está acontecendo? — Sansa se virou e segurou as mãos de Iris.
— Nada... está tudo bem, minha querida Senhora.
— Espero que você não tenha se arrependido de nosso trato. — Disse Sansa fitando-a.
— Minha Senhora quer mais um bolo de limão? — Myrcalla interveio com um olhar tenso que passou rapidamente de Iris para Sansa.
— Obrigada. — Sansa soltou as mãos de Iris e pegou o bolo. — Myrcalla, coloque as pedras quentes debaixo do meu colchão para aquecê-lo.
— Sim, minha Senhora.
— Depois você pode se recolher. — Concluiu Sansa.
— Iris sente-se aqui ao meu lado — ela apontou um banco acolchoado.
Myrcalla pegou um tenaz e pegou as pedras aquecidas que estavam dentro do fogareiro de chumbo e as colocou debaixo do colchão de penas onde ficariam os pés de Sansa, em seguida ela bateu os travesseiros e esticou o lençol e forrou uma grossa pele por cima. Ouviu o barulho de batidas na porta, caminhou em sua direção para abri-la.
— Sim? — exclamou Myrcalla. — As batidas continuaram.
Ela abriu a porta e viu profundos olhos azuis a olhando de cima.
— Sou eu Myrcalla — disse Mya Stone. — Tudo bem? Onde está a Sansa?
— Está lá — Myrcalla apontou para onde ficava a mesa.
— Iris está conversando com ela procura ficar calma Mya. — Falou e saiu do aposento.
Mya Stone começou a andar em direção à mesa, o que Sansa tanto sussurra aos ouvidos dessa meretriz? Pensou. O quarto tinha o formato de “L” ao entrar se podia ver a cama no centro, mas era impossível visualizar a outra extremidade onde nos fundos havia a área de banho e bem ao pé da cama um fogareiro de chumbo e ao lado uma mesa com duas poltronas e um banco acolchoado. Mya hesitou enquanto tirava as luvas de couro marrom, continuou a andar fazendo barulho com os saltos da bota.
— Passarinho, cadê você? — Mya sorria.
— Oh! Venha aqui — Sansa respondeu animada.
Stone se encostou à parede e cruzou os braços.
— Começou sem mim — Mya fez uma careta com a boca.
A garota Stark se levantou, foi até Mya e a abraçou.
— Pare de resmungar e sente-se ao meu lado. — Disse Sansa pegando na mão de Mya. — Venha.
Elas andaram para a mesa e a garota alta vestida com calças de couros justíssimas de cabelos pretos e olhos azuis lançou um olhar de desprezo para Iris Redfort que devolveu com um olhar de asco.
— Esse bolo de limão é meu — disse Mya.
— Como queira. — Iris respondeu desviando o olhar da Garota das Mulas.
Lady Sansa olhou para a garota de cabelos loiros arruivados como se ordenasse algo e Iris desviou o olhar brincando com a mão perto da boca.
— Sansa, finalmente os rapazes terminaram de subir as caixas de Myr.
— E o que tem dentro delas?
— Sedas e vestidos finíssimos — Mya Lambeu os dedos — O Lorde quer você bem vestida suponho.
— Para quê ou quem? — indagou Iris.
— Diga a Petyr que quero fazer meu desjejum com ele amanhã. — A ruiva apontou um dedo para Redfort.
— Sim, Sansa — retrucou Iris.
Mya mastigava o bolo e começou a fazer sons com a boca e a gesticular.
— O que? Ao menos termine de comer. — Iris Redefort cruzou os braços.
— Eu disse... — Stone ainda comia. — Que fui com o mercador buscar as mercadorias no porto. — Engoliu. — Ele disse que trouxe muita comida e bebida.
— E daí?
— E daí, que ele suspeita que haverá um banquete. — Mya mordeu outra vez o bolo.
— Por que... ele trouxe muitas lonas — mastigou por um tempo e engoliu —, madeira e cordas e ... começou a mastigar e olhou para Sansa com os olhos azuis iluminados, e depois para Iris que continuava com os braços cruzados e uma expressão de poucos amigos. — Nossa que gostoso — disse Mya por fim.
— Continua sua mula. — Iris arfou e suspendeu os ombros.
— É claro Língua de Cobra. — Mya fechou a face e se levantou.
Mya Stone era mais alta que Iris, e sua calça de couro justa delineava os músculos de suas pernas. Músculos conseguidos subindo e descendo a montanha da Lança do Gigante.
— Já chega. — Ordenou Sansa, com autoridade na voz.
As três garotas se entreolharam.
— Mya? — Sansa segurou Mya pelo pulso.
Mya Stone tinha o mesmo gênio impetuoso de seu pai, o falecido Rei Robert Baratheon. A garota bastarda até tentou ser uma garota dócil, mas depois dos boatos de que ela havia entregado a sua virgindade ao então escudeiro Mychel Redfort, passou a ter um comportamento leviano e a andar bebendo pelas tavernas do Vale de Arryn. E também passou a ser muito agressiva quando soube que Mychel foi elevado a cavaleiro e propôs casamento a Ysilla Royce.
— O tal comerciante acha que será levantado um pavilhão em algum lugar do Vale. — Disse Stone. — Disse isso porque as lonas e as madeiras não vieram para o Ninho da Águia comigo, outros carregadores as levaram para Ferrobles.
— Então o que será que Petyr estará tramando? — Iris interveio colocando o polegar no queixo e o indicador na maçã do rosto.
— Você foi até Ferrobles? — Sansa inquiriu Mya.
— Não tive tempo Passarinho.
Sansa e Iris trocaram olhares.
— Não podemos fazer nada além de suposições — disse Stark irritada.
— Não ouvi nada sobre pavilhões e banquetes por aí — Disse Iris. Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro com a mão no queixo. Mya e Sansa há observavam curiosas.
— A colheita! — Exclamou Iris, apontando o dedo para Sansa.
Ela se aproximou da garota Stark até ficarem face a face.
— O que quer dizer Iris?
— O Festim da última colheita. — Disse Iris com um sorriso.
— A última colheita do verão é comemorada em Ferrobles.
Mya se inclinou para frente na poltrona e apoiou os braços nos joelhos.
— E você acha que o senhor Petyr iria fazer um pavilhão para uma festa da plebe? — Mya voltou a se encostar quase se deitando na poltrona.
Iris Redfort olhou para Mya Stone com descaso e um sorriso arteiro nos lábios. Ela se abaixou na frente de Sansa e colocou as mãos sobre seus joelhos.
— Não iria, mas... — Iris falava olhando para Sansa. — Nós podemos ir até lá e tentar descobrir alguma coisa, além de nos divertimos um pouco.
— Sua cobra maldita. — Stone pareceu brincar com as palavras. — É perigoso para Lady Sansa sair do castelo.
— Ela pode dizer que é “Alayne Stone” lá. — Disse Redfort.
— O que diremos a Petyr? — Sansa questionou.
— Ele não precisa saber.
A garota de vestido roxo se ergueu e voltou para o banco acolchoado sentando-se e cruzando as pernas. Sansa não queria ficar em dívida com Iris, ela não confiava o suficiente na sua dama de companhia para deixá-la em posse de qualquer segredo seja ele qual fosse.
— Não é uma má ideia. — Sansa se pronunciou.
— Lothor pode nos escoltar. — Disse Stone.
— E Albar também, ele me deve um favorzinho. — Iris colocou a ponta da língua entre os lábios.
Será que Sor Albar também a montou? O pensamento passou pela cabeça de Mya. Maldita Língua de Cobra.
— Acho melhor não falarmos com Lothor sobre isso. — Disse Sansa.
Havia um boato no Ninho da Águia de que Mychel o primo de segundo grau de Iris Redfort a estava montando como se faz com uma égua. No dia em que Mya tentou apunhalar Iris no jardim do castelo, todos pensaram que o motivo do atentado teria sido o fato de Iris ter contado que Mychel havia tomado à virgindade da garota bastarda. Mas a verdade é que Stone havia descoberto que Iris e Mychel estavam envolvidos sexualmente ao mesmo tempo em que ele flertava com Mya.
— Albar e Donlowey então? — a garota Redfort sugeriu.
— Quem é esse Donlowey?
— O ajudante do ferreiro no castelo Pedra — respondeu Mya.
Iris levantou uma sobrancelha.
— Você... — Iris engoliu seco —, a Senhora já o viu.
Sansa franziu o cenho e passou a mão nos cabelos ruivos.
— Alto loiro e forte —, ela continuou — e sabe manejar uma espada.
— Seu primo Mychel — Sansa sugeriu.
Mya Stone a olhou incrédula, a senhora ruiva fez um sinal com a mão para tranquilizar a sua amiga.
— Posso falar com ele se não houver problemas para Mya. — Retrucou Iris, mas pensou: Se essa égua não quiser trepar com meu primo de novo.
A Garota das Mulas não disse nada levou à mão a boca e mordiscou as unhas depois olhou para Sansa e para Iris como se fosse dizer algo.
— Tudo bem Mya? — Sansa perguntou sorrindo.
— Tanto faz. — Stone bateu com os dois braços nos apoios da poltrona.
O quarto estava bem aquecido pelo fogareiro de chumbo e a noite já estava avançada, Sansa Stark se levantou e deixou a pele que usava sobre a poltrona e ficou apenas com sua camisola. Ela se deitou na cama se cobrindo.
— Iris vá logo dizer a Petyr que desejo fazer o desjejum com ele amanhã.
— Agora mesmo Senhora. — Disse Iris.
A garota loira fez uma reverência e se dirigiu para a porta.
— Mya apague as velas da mesa e sente-se ao meu lado.
Mya começou a tirar as botas e colocar junto do fogareiro para secá-las e depois tirou seu casaco de couro.
— Ainda tem água do seu banho aqui? — disse apontando para a banheira.
— Sim, e este caldeirão em cima do fogareiro está com água quente. — Disse Sansa.
O caldeirão estava cheio ainda, Mya o pegou e jogou dentro da banheira que ainda tinha água com sais de banho que Sansa havia usado. Terminou de despir-se e entrou na banheira. Sansa não se importava de dividir comida com Mya ou a deixar tomar banho em sua banheira, elas eram muito amigas e naquela prisão que era o Ninho da Águia Mya, Iris e Myrcalla a ajudavam a manter certo nível de liberdade.
Enquanto isso, Iris estava no Alto Salão conversando com os guardas para saber onde Petyr Baelish estava. Ninguém soube dizer ao certo. Ela se dirigiu até a sala onde havia uma grande mesa quadrada, estava vazia e as velas já estavam pela metade, Iris girou nos calcanhares e foi para a Sala de Reunião do Conselho do Vale de Arryn, também estava vazia. A garota cruzou a Sala do Trono e se dirigiu ao corredor da ala leste do castelo, subiu a escada de pedras azuis em direção ao quarto de Lorde Petyr. Ela chegou à porta que estava entreaberta. Colocou a cabeça loira pela fresta para espiar, não dava para ver muita coisa por que o quarto era bem grande. Iris entrou no quarto devagar e encontrou Petyr Baelish na sua mesa com dois dedos na têmpora e um sorriso de canto de boca.
— Senhor — disse Iris fazendo uma mensura.
Mindinho continuou sorrindo.
— A Senhora Stark solicitou desjejua em sua companhia amanhã.
— Diga a sua Lady que estou à disposição — respondeu Baelish.
Petyr estava com o seu casaco aveludado longo e sua camisa de seda abertos, sobre a mesa havia alguns livros. A garota se aproximou e se inclinou colocando os cotovelos na mesa ficando com o rosto apenas alguns centímetros de Mindinho.
— Diga-me meu Lorde — a voz de Iris era quase um sussurro.
— Me chame de Petyr. — Disse o homem.
— Petyr, o que planeja com todos aqueles homens e cordas, madeiras que mandou para o Vale?
Um sorriso sínico apareceu no rosto de Mindinho e ele se inclinou para frente ficando mais próximo de Iris Redfort.
— A curiosidade é uma coisa interessante quando se pergunta aquilo que já sabemos a resposta. — Baelish tocou com a ponta dos dedos o queixo da garota Redfort.
— Eu ouvi o comentário por aí, quando fui pegar mariscos de Pentos. — Iris olhou em volta e viu um prato cheio de cascas de ostras.
— Prefiro as ostras de Braavos, mas as de Pentos são famosas por deixar um homem com um grande ardor muito rapidamente.
— Então, sobre o pavilhão que estão montando no Vale de Arryn haverá um banquete? — Iris tinha olhos risonhos.
— Acho que é por isso que se pede tanta comida, você não acha? — disse Petyr —, a questão é para qual ocasião seria o tal banquete. — Ela só pode dizer a Sansa até onde eu desejar que tenham conhecimento.
— As garotas sempre gostam de festa Lorde Baelish. Desculpe-me Petyr — Iris passou a língua nos lábios. — Agora eu sei que haverá um banquete a questão agora é: para comemorar o que? — Ela pensou.
Petyr tinha um quartilho na mão direita e bebericou um pouco do líquido escuro que estava nele. Era um homem experiente e sabia que a garota na sua frente estava jogando um jogo duplo, os interesses dela passaram de lhe trazer informações sobre os passos de Sansa Stark a coisas mais elevadas como saber segredos sobre os negócios que Mindinho mantinha na capital e sua lista de favorecidos e subornados no Conselho do Vale. Baelish sabia que Iris era ambiciosa e inescrupulosa, mas claramente ela não sabia com quem estava jogando.
— E então... o que vamos comemorar na ocasião? — Iris pegou o quartilho de Petyr e bebeu da cerveja preta que estava nele.
— A vida... e sua continuidade. — Lorde Baelish soltou um riso rouco. — Afinal a vida deve seguir seu rumo. No momento oportuno eu revelarei a Sansa minhas intenções. — Pensou Baelish.
Iris Redfort sabia o quanto Petyr Baelish podia ser obscuro em seus atos e palavras. Ele desconfia que eu esteja ajudando Lady Sansa com seus planos de fuga. Ela pensou. Mas A garota de olhos dourados tinha seus próprios interesses e estratégia para acender a nobreza do Vale de Arryn ou até mesmo do próprio Ninho da Águia. E ela estava aprendendo muito observando Petyr legislar.
— Imagino que vocês estão planejando algo para fazerem na minha ausência? — demandou Mindinho.
— Lady Sansa quer ir ao Vale no festival da colheita. — A garota respondeu. — Eu podia contar o que descobri aqui e ...
— Não, é melhor a nossa loba se aventurar um pouco — sugeriu Baelish, mas pensou: Afinal o que sabe o povo do Vale sobre o torneio... nada.
— Não se preocupe, estarei de olho em cada passo dela.
Iris se endireitou e começou a andar em direção a porta quando Petyr Baelish disse:
— Depois de falar com a sua senhora poderia dizer a alguma criada para me trazer mais ostras. Estou com um grande apetite. — Passou os dedos pela ponta da barba do queixo.
— É claro meu Senhor. — Iris fez uma reverência.
Iris se apressou em seu caminho de volta para o quarto de Sansa e chegando não bateu na porta entrou e a viu sentada sobre a cama junto de Mya com o corpo coberto da cintura para baixo.
— Lady Sansa, consegui falar com Lorde Baelish. — Iris disse.
— Obrigada. — Disse a garota ruiva sem olhar para Iris.
— A Senhora deseja mais alguma coisa?
— Não.
— Então vou me retirar estou cansada e vou dormir um pouco. — Iris falou já se dirigindo a porta novamente.
Ela saiu às pressas rumo à cozinha os corredores eram iluminados por archotes aqui e ali, retirou um de seu suporte e foi escada a baixo. Chegou à cozinha e encontrou a velha cozinheira tomando uma sopa e fazendo um alto ruído com a boca desdentada. Pegou um prato colocou em uma bandeja, em seguida uma faca, pegou dez ostras e as abriu espalhando vinagre e limão por cima. Lavou as mãos e as cheirou para ver se não estavam fedendo, pegou a bandeja percebeu que a velha não tirava os olhos pretos de cima dela. Iris fez um sinal com a língua para fora da boca e saiu pela porta em disparada. Passou um pequeno salão onde havia alguns criados deitados sobre fardos de trigo e começou a subir a escada em forma de espiral, no meio da subida topou com Mya Stone que abriu os dois braços para impedir a sua passagem. A escada era larga havendo espaço para três pessoas subirem lado a lado, Iris tentou desviar, mas Mya deu um salto para o lado e a bloqueou e de novo para o outro lado e se repetiram seis vezes antes de Iris entender que não conseguiria passar.
— Sua cobra mentirosa. — Disse Mya cruzando os braços. Ela estava vestida só de camisola.
— Saia da frente Mya, estou levando o jantar do Lorde.
— Mas disse à Sansa que iria se recolher.
— Eu havia esquecido que o senhor Petyr me pedira algo. — Iris fitou a garota alta de cabelos curtos parada na sua frente.
Stone pegou uma ostra e colocou tudo na boca de uma única vez.
— Ora vamos saia da frente sua mula — disse Iris exasperada.
— Cuidado... — Mastigou —, com o que fala ao Lorde... — Mastigou novamente —, sobre nossas aventuras Língua de Cobra.
Mya Stone estava terminando de mastigar a carne branca da ostra e fitou a outra garota com olhos duro como uma parede de gelo azul.
— Eu sou amiga de Sansa tanto quanto você. — Disse Redfort
— Não é não. — Mya retrucou imediatamente.
Começou a descer a escada rumo à cozinha mantendo os olhos fixos em Iris quando estava virando a curva apontou-lhe o dedo em riste.
— Maluca. — Iris deixou escapar pelos lábios não mais que um sussurro.
Continuou seu caminho até os aposentos de Petyr Baelish quando chegou, ele ainda estava na mesa segurando uma pena escrevendo nem se quer a olhou fez um sinal para que ela se aproximasse. Iris foi para o lado direito e colocou a bandeja na mesa, Mindinho soltou a pena e deu uma longa olhada para a garota loira arruivada. Fez sinal com a cabeça para que ela se servisse, Iris pegou a ostra.
— Para onde irá viajar desta vez Petyr?
— Porto Real, tenho assunto a tratar com a rainha — Petyr respondeu.
— A rainha também solicita seus favores? — Iris tinha um sorriso malicioso nos lábios.
— Eu sou um mero servo do Conselho Real. A rainha manda e eu obedeço.
— Eu nunca estive na capital. — A garota rodopiou nos calcanhares vislumbrando algo.
— Dizem que lá os dias e as noites são bem quentes, é verdade?
— Há sim, tão quente como você está agora — os olhos verdes acinzentados de Baelish dançaram nas órbitas.
— Porque você anda me evitando? — perguntou Iris olhando para o chão.
— Não querida, engano seu. — Petyr se levantou da cadeira e foi até onde a garota estava.
Ele pegou o rosto dela entre suas mãos e a olhou nos olhos.
— Estou atarefado com as conspirações de Lorde Royce para que eu abandone o Vale e Lady Sansa a própria sorte.
— O seu pai lhe disse de que lado sua família está? — questionou Baelish.
Iris Redfort colocou suas mãos nas de Petyr.
— Do seu lado, o Forte Vermelho apoia sua legítima ascensão. Eu disse a Sor Horton tudo conforme o senhor havia me instruído.
— Psiu... — Mindinho colocou o dedo em frente dos lábios. — Não precisa ficar lembrando-se do passado, minha querida.
Desde que Mindinho ficou sabendo da morte de Lady Catelyn Stark ele desenvolveu uma forte predileção por garotas novas como objetos de seus desejos sexuais. Ele era um homem de vasto conhecimento devido ao seu oficio como dono de vários bordeis na Baixada das Pulgas em Porto Real. Mas até mesmo Petyr sabia que nenhuma prostituta por mais singular que seja chegaria aos pés de uma garota nobre, e eram essas suas favoritas. Garotas bem-nascidas e com cheiro de leite fresco, garotas exclusivas que seriam só dele e de mais ninguém. Baelish tinha forte atração por Sansa Stark mais não poderia tê-la, então voltou sua atenção para Iris Redfort e Mya Stone. Com Iris as coisas foram mais rápidas já com a garota bastarda era mais difícil devido a sua proximidade com a garota Stark.
— Você é especial para mim — disse Mindinho e beijou a garota nos lábios. O beijo durou um bom tempo e quando finalmente Petyr afastou o rosto a garota Redfort estava com as bochechas rubras.
— Como eu o desejo. — Ela disse antes de beijá-lo novamente.
Começaram a se acariciar, Iris passava as mãos no peito de Mindinho, e ele a agarrava pela cintura. Petyr fez um movimento e colocou a garota de costas para ele e a segurou com o braço esquerdo e com a mão direita jogou os objetos que estavam em cima da mesa ao chão, depois debruçou a garota e começou a beijar sua nuca.
— Vamos logo — disse Iris arfando. Ela começou a levantar o vestido de cetim enquanto Mindinho desamarrava os cordões de sua calça.
— Comi muitas ostras e agora preciso me saciar. — Disse Petyr.
— Estou ardendo de desejo. — Ela respondeu.
— Eu também — disse ele.
Iris estava de costas para Mindinho com o corpo debruçado sobre a mesa quando ele a penetrou e os dois gemeram alto. A garota gostava de falar obscenidades quando se entregava ao prazer, Iris gostava de se sentir forçada e ter seus cabelos puxados levando palmadas nos glúteos como uma égua. Petyr percebeu assim que colocou os olhos na garota do Forte Vermelho que ela seria um passatempo muito apetitoso em suas noites no castelo.
Petyr estava em um movimento frenético por trás da garota de cabelos loiros arruivados, ele já estava chegando ao ápice do ato sexual. Ambos sabiam que deveriam parar ali, pois a garota não poderia engravidar isso traria muitas complicações para Petyr e seus interesses. Era por esse motivo que sempre que tinham relação sexual Mindinho e Iris paravam no momento exato e ele saia de dentro dela e jogava sua semente no chão.
Os dois estavam arfando depois do esforço e Petyr foi para a cama e deitou-se, Iris o seguiu deitando-se com a cabeça sobre o peito dele. Ficaram assim por algum tempo até adormecerem.
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