O Trono de Gelo e Fogo
27 Caminho Sem Volta
Notas iniciais
— Quem é você? — haviam duas imagens embasadas na sua frente — O que quer dizer? — ela voo até a figura sinistra que montava um cavalo esquelético de olhos vermelhos.
— Há sempre um Stark em Winterfell! — O manto ensanguentado tremulou ao vento e o som foi como o de mil trovões.
Sansa ouviu tropel de cavalos, milhares, homens gritavam e aço afligia aço.
— Vingança! Vingança! — O rosto por baixo do capuz era marcado por profundos arranhões em ambas as maçãs do rosto.
— Eu te ordeno, que me diga. Quem é VOCÊ! — Tamanho o brado de Sansa que pareceu com o som de muitas águas.
— Passarinho!
O susto foi tão grande que se não fosse a forte mão do Cão de Caça a segurá-la, Sansa teria caído de sua sela.
— O que foi? — A típica expressão de desconfiança de Clegane estava sondando o rosto da futura Senhora de Winterfell.
Sansa hesitou, mas no fim disse:
— Nada, apenas um sonho... — Ela pegou o odre e bebericou um pouco do vinho. — Creio que estamos chegando — limpou os lábios com um lenço que trazia dentro de sua manga.
— Acredito que sim —, Sandor apontou com o braço esquerdo em riste. — Vê aqueles montes? A ravina onde marcamos fica a leste. — Fumaça saía em círculos de seus lábios, Sansa deu-lhe um meio sorriso. — O quê?
— Onde está seu cachimbo, velho cão? — ela sorriu amenizando o clima de preocupação que as rugas na testa do homem demostravam. — Eles são todos iguais quando se trata dos encantos de mulher, até mesmo Petyr.
Sandor não respondeu nada apenas continuou olhando para frente.
— Fique calmo, aqui ainda é o Vale de Arryn, até o ponto de encontro não haverá perigos para encararmos.
— Este é o meu medo. Tudo está calmo demais.
Este é o meu cão, forte, destemido e sempre alerta, como um cavaleiro deve ser.
— Devemos nos apresar neste campo aberto. — Sandor tocou os calcanhares e Estranho começou um meio galope.
A montaria de Sansa vinha com um pouco mais de peso, mas ela também acelerou o passo. Antes que Mya Stone tivesse saído, Sansa despachou algumas coisas com ela em um cavalo de carga, sua fuga foi muito bem planejada e executada, Sandor e Sansa viajavam apenas com o necessário.
O plano era chegar ao ponto de encontro que poucos no Vale conheciam, Sandor se guiava pelo mapa desenhado por Stone e apesar de Sansa nunca ter ido a esta parte das montanhas ela dizia que encontrariam fácil a ravina se seguisse o mapa. A estrada que tomaram estava vazia e ao final da tarde a pouca iluminação que havia no céu os abandonou, uma tremenda escuridão se abateu a região, saíram da estrada e seguiram por uma trilha bastante rudimentar que subia sinuosa por entre faias repletas de samambaias, grossos carvalhos, pinheiros-márcias e grandes freixos entre outras plantas que em sua maioria estavam cobertas pela neve. Montando Estranho seu grande corcel de guerra, Sandor Clegane seguia lado a lado com sua Senhora, Sansa Stark que após ter parecido ficar catatônica em cima de sua égua cinzenta e depois trocar algumas frases gentis, não falou mais nada. O caminho por entre as árvores começou a estreitar ainda mais e uma descida pedregosa e escorregadia se revelava por debaixo de grossas raízes e musgo escorregadio o que demarcava o início do Rio Choroso por onde a neve quando derretida no início de cada verão descia em torrentes até Lagongelado.
Estamos nos aproximando do flanco direito do Portão Sangrento. Apesar dos perigos devo seguir por este caminho e chegar ao meu destino custe o que custar.
Como a Trilha era estreita demais para seguir lado a lado Clegane desmontou e deixou seu cavalo na retaguarda enquanto guiava a montaria de Sansa pela trilha subindo com cautela por entre o leito seco.
— Não consigo enxergar nada com esse breu. — Ele largou as rédeas da égua e foi até Estranho e voltou com uma tocha que havia preparado antes da viajem.
Sandor sabia que era arriscado acender fogo ali em um lugar que lhe era estranho, mas era mais perigoso se perder pelas montanhas repletas de animais selvagens.
Ao olhar para a garota montada na sela não conseguiu ver a luz de seus olhos, sua cabeça balançava de um lado para o outro como se estivesse dormindo e prestes a tombar, com calma ele se aproximou dela:
— Passarinho...
— O que foi? — Sansa não estava dormindo, talvez só com os olhos fechados já que não se podia ver nada além de escuridão naquele buraco.
— Fique alerta com tudo por aqui, há selvagens nessas bandas.
Uma densa escuridão se abateu sobre eles, os cavalos avançavam muito devagar um forte vento vindo do Leste soprava por entre o estreito corredor formado por montanhas geladas. No topo da trilha Sandor visualizou um clarão alaranjado contra as paredes rochosas que formavam uma cunha.
— O que acha? — Sansa quis saber.
Cão de Caça pensou um pouco e moveu a cabeça algumas vezes
— Acho que são eles —, ele apagou a tocha que tremeluzia já fraca e andou para fora da trilha.
Começaram a seguir por entre as árvores o que tornou o avanço ainda mais penoso, mas Clegane não queria se arriscar Sansa estava ao seu lado segurando em seu braço. Os cavalos estavam amarrados um ao outro e Sandor guiava ambos com a rédea de Estranho. Algo ronda essas terras, não foi o acaso que me fez tomar esse caminho, pensou a jovem Stark. Além de algumas corujas da neve não se ouvia nada, quando estavam já a uns poucos metros do acampamento Sansa viu apenas silhuetas de homens próximos da fogueira, se abaixou junto com seu acompanhante atrás de uma rocha e observou por mais um tempo.
— Selvagens?
— Não, estão usando armaduras e mantos trabalhados. Veja aquele estandarte.
Sansa viu parcialmente quando tremulou ao vento, triângulos vermelhos sobre um campo branco e na esquerda o falcão azul dos Arryn e mais embaixo um campo verde.
— Onde está a bastarda de Robert?
— Não fala de Mya assim, Sandor — Sansa o repreendeu. — Vamos continuar.
— A essa distância deve haver sentinelas guardando o acampamento, avancemos com cautela. — Clegane conferiu o cinto da espada.
Eles andaram cerca de uns cinco metros em linha reta já era possível ouvir as vozes das pessoas quando de um canto escuro Sansa percebeu um ruído de um arco sendo tencionado e em seguida uma voz inquirindo:
— Quem vem lá? — uma flecha com penas de ganso acertou uma castanheira bem na altura da cabeça de Sansa, era o tiro de aviso.
Sansa tirou o capuz de cima da cabeça e disse:
— Sansa Stark de Winterfell.
Imediatamente os dois vigilantes saíram de entre as árvores e se revelaram, aqueles eram rostos conhecidos. Lembro-me de tê-los visto na taberna na noite do Festim da Última Colheita, pensou.
— Levem-me até seu senhor — ordenou aos dois.
Os homens se entreolharam e a Sansa pareceu que estavam ponderando sobre a presença de Sandor Clegane ali.
— O que foi? Acharam que uma senhora como eu viajaria sozinha por estas terras? — os encarou com intrepidez.
— Não Senhora, nos perdoe. — Eles abaixaram as armas e começaram a seguir rumo ao acampamento.
A ravina era entre duas montanhas escapadas com mais de trinta metros de altura, não havia saída do outro lado apenas rocha, liquens e neve, em ambos os lados o topo era repleto de árvores impossíveis de se identificar devido a distância e a escuridão. Os homens do falcão montaram tendas encostadas dos dois lados e fizeram uma fogueira no centro, nos fundos da ravina estava uma tenda um pouco maior e foi para lá que levaram Sansa e Sandor.
Era uma tenda de guerra, feita de peles de carneiro e armação de madeira, dentro havia um pequeno braseiro, mas ali, o fogo ardia abundante. Em pé estavam Sor Harrold, Mya Stone e dois outros homens.
O Falcão sorriu com covinhas nas bochechas quando seus olhos encontraram os de Sansa, mas quando passaram para Sandor Clegane, os lábios de Harry fizeram um muxoxo, é como se percebesse a desfeita, Cão de Caça soltou um riso fungado em tom de desprezo.
— Está é uma boa noite, Minha Senhora — ele estendeu os braços para fora da capa como quem pede um abraço.
Sansa se limitou a olhá-lo.
— Realmente está é uma bela noite, mas o inverno está chegando — se aproximou retirando as luvas e estendendo as mãos para as chamas. — Qual o pagamento exigido por ele? Carne ou ouro? — ela percebeu que Sandor a seguia de perto. — Não importa, todos homens desejam o poder, mas aí está um garoto não um homem.
— Mya, me contou que precisava de mim.
— Dizem que andas falando por aí que é o futuro senhor de Winterfell?
Harrold se aproximou ainda mais do braseiro, Cão de Caça fez o mesmo. O Jovem Falcão o olhou rapidamente com incredulidade como quem ia pedir que saísse, mas disse:
— E, não seria, após o nosso matrimônio — aquilo pareceu uma sugestão e não uma pergunta para Sansa.
Ela olhou em volta da pequena tenda, uma única e estreita cama, pensou antes de falar:
— Diga-me cavaleiro — um sorriso amigável veio no lábio de ambos —, costuma exigir prêmios antes das suas vitórias nos torneios?
O sorriso de Harrold deixou seus lábios e deu lugar a uma expressão confusa, levantou um dedo como se fosse falar e foi interrompido.
— E meu tutor legal não está aqui, para selar o acordo — se aproximou. — Vejo que esperava mais deste encontro. — O encarrou com ternura — Meu bom senhor, tudo será cedido no tempo certo. A um longo caminho até o Norte e muitos perigos rondam a minha vida, mas se realmente tenho o seu favor me ajude a chegar ao lar de meus pais e irmãos e serei eternamente grata. — Sua fama de conquistador e de pai de bastardos é maior que sua fama como guerreiro... bravo amador, fará bem a sua parte. — Agora, se não se importa, gostaria de descansar um pouco — estendeu a mão para se apoiar no braço de sua amiga e caminharam para a cama disposta no canto da tenda.
Harry entendeu que Sansa queria ficar sozinha e saiu da tenda seguido por Sandor Clegane para a fogueira no meio do acampamento improvisado. Um vento frio chicoteava as chamas, mas mesmo assim, Harrold ficou muito próximo do fogo, já Cão de Caça preferiu se manter afastado.
— Problemas com o fogo? — Sor Harrold passou a mão de forma a desenhar uma cicatriz no rosto.
— ... com irmão mais velho — limpou a garganta e escarrou na neve.
— Sabe que caminho é esse que Lady Sansa quer tomar?
— Não conheço essas bandas garoto. — Sandor percebeu desgosto nos olhos do Jovem Falcão. — Só sei que passar o Portão Sangrento sem a porra de um salvo conduto é impossível, ao menos até hoje nenhum exército passou por ele a força. Não seremos os primeiros para o nosso azar. Na fortaleza Clegane ao estudar o Vale de Arryn percebi as vantagens estratégicas naturais dessas terras, de um lado cercado por montanhas e do outro o mar. Não é necessário ser Aegon O Conquistador para ver que entrar ou sair dessas terras na marra, é loucura.
Por uma fresta nas peles da tenda improvisada, Sansa ouvia Sor Harrold e Sandor discutindo sobre planos e o tempo que levariam para achar um caminho entre as Montanhas da Lua que em menos tempo os levasse ao Norte.
Não era preciso ser um gênio militar para saber que nenhum lugar era intransponível, mesmo a grande Muralha pode ser transposta sem autorização, ou os selvagens nunca atacariam Westeros, pensou Sansa enquanto via Sandor se exaltar e Harrold fazia o mesmo. Essa aventura não é apenas para escapar do Ninho da Águia, mas não posso contar a eles isso. Sansa não havia contado a ninguém, mas quando recebeu o último corvo que veio trazer a mensagem de seu meio-irmão Jon Snow, ela subiu até a mais alta torre do castelo e lá enquanto escrevia várias mensagens ficou um bom tempo na companha do corvo e ao encarrar a ave viu que os olhos negros passaram a ficar rubros como sangue e como se atravessasse eras da terra, e o animal crescesse em sua mente ela passou para uma escuridão infinita onde primeiro inalou uma forte névoa cálida e vermelha que queimou todo o seu ser em seguida sentiu muito frio e no meio daquela atmosfera azulada enxergou o que se parecia com o rosto atribulado de Jon. Segundo Myrcalla, eu permaneci em estado catatônico por cinco dias sem comer sem beber, mas para mim foi um piscar de olhos.
— Sansa — era Stone, com uma expressão cismada. — Não ouviu nada do que falei, não é?
— Desculpe-me Mya. Estou cansada e com medo de tudo dar errado.
— Acalme-se, a deixarei para que durma um pouco — quando se virou sentiu um leve toque em seu braço.
— Pode ficar aqui essa noite? — Sansa pediu com gentileza.
— Aqui? Pode entrar alguém e...
— Não, não vai. Está muito frio e preciso que me aqueça com seu corpo.
Os tons inapropriados das palavras fizeram pairar um silêncio entre as duas moças.
Mais tarde o frio se intensificou e os homens lá fora alimentavam a fogueira e ferviam vinho condimentado para poder se aquecerem, colocaram troncos grosso e se assentaram próximos uns dos outros, ninguém queria ficar sozinho em uma tenda na neve ali, por causa dos penhascos que formavam a ravina o vento vinha em fortes rajadas, graças aos Sete não estava nevando.
Dentro da tenda onde Sansa dormi com Mya, o braseiro estava fumegando e debaixo de grossas peles Mya tremia, mas Sansa estava com a testa suada e não se movia exceto pelo seu peito que subia e descia demostrando que respirava normalmente. Que lugar é este? Após ter inalado aquele ser carmim em seu sonho com Jon Snow, Sansa sentiu seu próprio eu se modificar e seus sonhos a guiavam rumo a um tempo que ela não viveu. Dragões e livros de magia, grandes pedras erguidas para o céu formando círculos. Havia algo a mais nela ou era outra existência. Como se voasse sentiu o som do vento e visualizou a uma longa distância as torres do Portão Sangrento, suas penas marrons a levavam cada vez mais alto e o grito da águia a levou para os bosques entre as montanhas onde sentiu a fluidez das águas calmas de um riacho que corria em estreitos fios de margem congeladas e raízes de árvores mortas. Sentiu sua visão escurecer e uma súbita fraqueza, preciso de calor, sentiu algo abrasador a seu lado e com suas garras frias segurou com força aquela massa cálida. Uma voz desconhecida em sua cabeça, disse: Como beber a vida, e era bom.
Acordou no meio da noite com o bater de dentes incessante de sua amiga que se encolhia para longe de onde ela estava, se levantou e de pés descalços caminhou pela tenda passando por Harry, Sandor e mais dois homens que se amontoavam perto da abertura, prendeu a respiração quando teve que passar por cima das pernas longas do Cão que soltou um resmungo, mas se encolheu em sua capa e não abriu os olhos. Fora dali a noite estava limpa, um céu negro e sem estrelas contrastava e com as chamas bruxuleantes da fogueira, não desejo ser vista, pensou quando se moveu por detrás das tendas menores para evitar alguns homens que bebiam e comiam junto ao fogo acolhedor. Sem saber o porquê, andou até uma clareira e parou por um instante, porque estou aqui? Aquilo não era imprudência nem tão pouco planejado, nada parece real, estarei sonhando? Como que em resposta imediata, contemplou um céu vermelho e purpura e as nuvens que formaram olhos fantasmagóricos. Quem é? Gritou em desafio, mas o grito daqueles olhos era como mil pássaros, um clamor de guerra, contemplou um caminho entre as montanhas e no fim uma caverna e pedras vertendo sangue. Quem são esses? Havia ali homens sem rostos e sem insígnias em seus peitos, mas algo lhe dizia que eram ferozes, gente de guerra.
— Sansa! — Ouviu o seu nome ser dito.
Quando abriu os olhos estava ao ar livre e Mya lhe cobrindo os ombros com um coberto de peles e Sandor, Hardyng espreitando as árvores de espadas na mão.
— Não há nada aqui! — Esbravejou Clegane.
— Nem por aqui — rebateu Harrold.
— Que porra está acontecendo aqui? — Sandor olhava fixamente para a Stark.
Pela primeira vez em dias viu um momento de excitação na expressão de Sansa.
— Não é hora nem lugar para isso senhor — o Jovem Falcão disse com voz firme.
Clegane o ignorou completamente, caminhou alguns passos para ficar cara-a-cara com sua Senhora.
— Você não está vendo elfos na bruma ou imagens no fogo, não é?
Todos se entreolharam.
— O que quer dizer com tudo isso?
— Eu faço as perguntas aqui Minha Senhora — o tom de Clegane pareceu irritado.
— Eu não sei como vim parar aqui fora — Sansa disse educadamente.
— Sete Infernos, está possuída pela loucura do Rei Louco....
Mya Stone se interpôs.
— Calma isso é sonho dos vivos, ela sonhou e saiu andando enquanto ainda dormia.
— Viu, está tudo explicado, minha bela noiva não é doente, ou é?
— Ora cale-se. Eu não sei que merda está acontecendo aqui, mas é bom que a Lady durma e sonhe dormindo deitada na cama como todo mundo ou eu vou amarrá-la ao meu pé e não vai conseguir sair sem meu consentimento. Esteja ela dormindo acordada ou sonhando dormindo. — Clegane fez uma cara de quem não entendeu a própria fala.
Mya foi levando Sansa de volta a tenda e os homens as seguiram.
— Está pálida — parou para examinar a face da sua amiga com mais cuidado.
— Eu não sei — Mya tinha um semblante confuso. — Depois que nos... — Olhou por sobre o ombro para ver a que distância Sandor e Harrold estavam.
— Eles sabem, fale —, lufadas de ar quente saiu de sua boca.
— Não sei, senti o calor de meu corpo fugindo, mas não consegui acordar deste estranho pesadelo.
— Foi só um sonho ruim, Mya.
Quando voltaram ao acampamento viram que em volta da fogueira muitos homens estavam preocupados, por quanto tempo fiquei naquela clareira? Se perguntou mentalmente. Voltou para a tenda de Harrold e se aconchegou nas peles, dois homens do Bando do Falcão, chamados Klaus e Olaf, reacenderam o braseiro e deixaram o fogo crepitando.
— Partiremos ao entardecer, até lá descanse um pouco está bem? — Harrold se atreveu a beijá-la na fronte.
Ela não conseguiu descansar, mas ficou sentada coberta pelas peles e tomando um caldo de carne de cervo que Mya trouxe entre suas andanças para arrumar tudo na carroça que levava as poucas provisões do grupo de viajantes. Algumas horas se passaram até que Sandor Clegane retornasse:
— Temos que ir agora.
Sansa Stark se estava mais disposta e calçava suas grossas luvas.
— Já sabemos quanto tempo até atravessarmos as terras do portão?
— Não mais que três dias se... Não tivermos nenhum problema.
São os selvagens, a face norte das montanhas é cheia deles, eu li sobre isso nos livros do esposo de minha tia Lysa.
Os dois caminharam para fora da tenda e Daxy, Corsar Redfort e Zaggor começaram a desmontar a tenda onde Sansa havia pernoitado. Os homens do Bando do Falcão, era assim que eles gostavam de ser chamados eram habilidosos em armar e desarmar tendas já que Harrold Hardyng viajava muito para participar de seus estrupidos torneios, algo que Sansa acharia galante e poético quando era ainda uma criança, mas agora entendia que na guerra e na vida belos cavaleiros com rosas e armadoras brilhantes muita das vezes não eram valentes o suficiente para enfrentar o perigo quando este se apresenta.
— Partimos agora então o mais depressa que conseguimos. — Se segurou no pito da sela de sua égua enquanto Sandor fazia uma concha com as mãos para que apoiasse seu pé e subisse na sela da montaria. — Haverá mais que selvagens pelo caminho acredito...
Sansa Stark com um grupo de oito tomou a dianteira partindo primeiro que os outros, estavam neste grupo; Klaus de Pedrarruna, Zigg o Bravoosi que arremessava facas, Malconn o Escuro ou o Caolho, Haldor e Turin Waynwood ou O Primo, porque era primo de Sor Harrold que também estava na comitiva, Sandor Clegane e Mya Stone que vinha guiando a pequena e estreita carroça na retaguarda.
Começaram circulando uma larga rocha coberta de liquens amarelos, verdes e roxos em sua base, os animais escorregavam e o passo era lento apesar da trilha de cabras ser bastante larga e esculpida sobre a pura pedra cinzenta. As árvores pelo caminho eram largas e muito antigas deixando pilhas de folhas podres e enegrecidas pelo frio e pela neve em suas raízes.
— Não consigo ver nada a não ser pedra, e mato, ou... e adivinhe, mais pedras — disse Turin,
O Jovem Turin Waynwood também era ruivo e com alguns pelos crescendo no buço o que ele dizia ser um bigode, ele nunca tirava o gorro da cabeça o que dificultava ver seus cabelos, exceto pelas pontas em sua testa ou saindo pelas orelhas.
Sansa tocou a égua com seus calcanhares e se emparelhou com o belo corcel branco de Harry.
— Quem é esse Waynwood?
— O Turin? É meu primo. Quando crianças nos enviaram para Harrenhal. Ele é meu primo. — Harry balançava na sela e sorria com covinhas no rosto.
Sansa olhou para as costas do jovem Turin que seguia um pouco mais na dianteira.
— E ele é um cavaleiro também? Um bom cavaleiro ou é mais assim como você? — antes que percebesse como falou já havia dito as palavras.
Sor Harrold se empertigou na sela e pigarreou algumas vez como se tentasse esconder o nervosismo.
— Turin é um excelente escudeiro, apesar de já ter vencido algumas justas em torneios menores se fazendo passar por mim. — Fez uma carreta de desaprovação — é claro que o fato de usar minha armadura e meu escudo intimidou seus adversários.
O terreno finalmente ficou plano e era possível ver Lagongelado lá de cima e as copas das árvores encimadas por brancos chapéus de neve.
De repente alguém assobiou alto e todos pararam, era o Caolho que vinha na retaguarda junto com Mya.
— Vamos esperar pelos outros aqui Harry — ele se referia ao resto do Bando do Falcão. Olaf Torsën, Daxy Snow, Dunn Stone, Corsar Redfort, Kool Kruger e Zaggor Manwoody o Dornes.
— É melhor continuarmos — gritou Clegane. — Bebericou um pouco do liquido vermelho escuro de seu odre.
— Não —, retrucou Mya. — A partir daqui entramos em território selvagem. Não estamos mais na estrada por onde o senhor veio com Arya Stark.
Cão de Caça franziu o cenho.
O que terá acontecido entre minha irmãzinha e Sandor neste longo caminho até mim?
Todos desmontaram e procuraram algum resto de grama verde para colocar os cavalos para pastar chutando alguma neve aqui e acolá.
— Vamos ter que esperar por muito tempo? — quis saber Sansa.
Mya veio se aproximando mascando um pedaço de pão preto.
— hmmm... acredito que não — disse com a boca cheia. — Podemos vê-los daqui — apontou com a mão para o pé da montanha onde a trilha das cabras começava.
— Não estou vendo nada.
— Eles ainda não começaram a subir Passarinho.
Sansa fez um muxoxo com a boca e procurou um lugar para se sentar, achou um canto na carroça ao lado Haldor Waynwood.
— O senhor também é parente de Sor Harry? — ela tentou ser educada mais Haldor não parecia muito mais velho que a própria Sansa.
O jovem ruivo de olhos negros a olhou com um vinco na testa depois olhou para a paisagem e suspirou.
— Sou o irmão mais velho de Turin, mais velho e mais bonito — alisou o cavanhaque e deixou um meio sorriso canastrão nos lábios. — Vejo que tem um arco longo — fez um bico com os lábios apontado para a égua cinzenta de Sansa que pastava em um arbusto meio congelado e tinha preso a sela o arco. — Sabe atirar?
— Pratiquei um pouco em alvos imóveis — Ela percebeu que os olhos dele passavam de seu rosto para seu colo com frequência. — Homens, mesmo sem nada a mostra sempre querem ver se os volumes são reais.
— Sabe de uma coisa — deu um salto da carroça para o chão — venha comigo. — Eu sou melhor com o arco que com a espada ou a lança. — Correu até seu garrano marrom e pegou uma haste com muitas curvas e a colocou no chão por entre as pernas e esticou uma corda de cânhamo.
— Isso é um arco? Muito pequeno, não acha. — Ela segurou o arco recurvo e viu que era leve e mais fácil de se usar se estivesse montada em um cavalo.
— Dei-me isto, eu mostro como funciona. — Haldor sacou três flechas e as cravou no chão. — O alvo será aquela árvore ali — atirou acertando o centro do tronco de um pinheiro-marcial. — Viu, ai está! Por causa das laminas recurvadas eu consigo lançar a flecha com tanta força quanto o seu arco longo, mas é mais leve — balançou o arco e o jogou de uma mão para outra e depois para Sansa. — Vá em frente — fez sinal com as mãos para que ela tomasse posição para disparar.
Ela pegou uma flecha de penas negras e a colocou na corda, se preparou e levantou os braços, mas quando puxou sentiu a enorme tenção das lâminas recurvadas.
— É muito duro.
— Tente empurrar a empunhadura ao invés de puxar a corda e não demore muito para fazer o disparo ou seus dedos ficarão em frangalhos se precisar dar mais de vinte disparos em algum momento.
Sansa fitou o alvo que estava a uns cinquenta passos, respirou fundo como Clegane a havia ensinado fez um movimento simultâneo com os braços o esquerdo empurrando e o direito puxando, sentiu os músculos das costas se contraindo e quando os dedos tocaram sua orelha soltou o ar dos pulmões e a flecha que passou ao lado do pinheiro-marcial onde Haldor cravara a seu disparo.
— É, eu também não dominei na primeira tentativa. A arte dos senhores dos cavalos para lá do Mar Estreito.
— Senhores dos cavalos — Sansa fez uma cara de dúvida.
— Isso mesmo, Dothrakis. Os Senhores dos Cavalos que sempre lutam montados com suas espadas curvadas e seus arcos pequenos, porém de grande alcance.
Sansa gostou daquele arco e ficou um bom tempo na companhia de Haldor Waynwood que não era um escudeiro, nem cavaleiro, era apenas um galante trovador e curtidor da vida, era isso que ele dizia sobre si mesmo e seu inseparável amigo Zigg, que arremessava facas tão rápido quanto se disparava uma flecha confirmava tudo com acenos de cabeça quando Haldor dizia: “Não é Zigg”, e Zigg do outro lado balançava sua cabeça cheia de cachinhos negros em sinal positivo. Mas Turin dizia que Haldor era um relaxado e que nunca seguia as ordens do senhor seu pai enquanto Turin e Harrold tiveram uma vida dura em Harrenhal, Haldor estava por aí viajando nas terras de Braavos e Qarth de onde voltou com ares mais vadios ainda. “Haldor o dorminhoco” Ou “Haldor bom de cama” era assim que Turin chamava o seu irmão mais velho porque vivia dormindo por onde se encostava e também porque Haldor assim como Harrold já era pai de alguns “bastardos catarrentos”. Turin os deixou praticando com o arco e foi pegar as flechas que não acertaram a árvore e depois de algum tempo Mya Stone chamou:
— Sansa! — Mya estava parada na beira do caminho olhando para o vale lá em baixo.
A Stark entregou o arco para Haldor e foi até onde Mya estava e viu algumas pessoas bem pequenas subindo pela trilha de cabras.
— São eles — era Harrold que também havia se aproximado junto com Clegane.
— Sim — respondeu Mya.
— Bom — o Jovem Falcão se dirigiu a Cão de Caça — avançaremos mais que o planejado então.
Mya olhou para o céu e não havia sinais de nuvens nem de nevasca.
— Precisamos aproveitar o bom tempo. Se a neve nos pegar nessa altura estamos fodidos. — Com isso todos foram preparar suas montarias.
Vendo que todos estavam ocupados, Sansa foi até Haldor e aos sussurros ofereceu dois dragões de ouro e seu arco longo em troca do arco recurvo de madeira negra e arabescos de cobre, ele deu de ombros e aceitou a negociação. Dali mais um tempo a parte retardatária do bando de Hardyng já estava guinando na curva. De supetão, Klaus Nikolas, que havia escalado a rocha, saltou entre eles com a respiração entrecortada.
— Há uma movimentação a leste Harry — parou com as mãos nos joelhos para recuperar o folego.
— Calma homem — falou Hardyng.
— O que acha? — Quis saber Clegane com sua desconfiança costumeira.
— Se forem selvagens pode ser um bando de dez ou quinze — arfou.
— Matamos todos então.
— Calma aí amigo — Haldor veio mascando alguma coisa. — Se estão a leste passaremos ocultos seguindo a trilha até a antiga estrada dos suprimentos que desemboca em Torre Alta.
— De que porra cê tá falando. — Cão de Caça não sabia sob que se tratava.
— Existe uma construção em ruínas nessas montanhas que data de antes da invasão ândala.
— Isso mesmo — completou Mya Stone — e nós vamos passar a noite lá. Se tivermos problemas as ruínas da torre será um lugar fácil de ser defendido.
Ouvindo isso, Sansa serrou os punhos na empunhadura do seu novo arco.
— E o que estamos esperando? — Haldor pareceu animado com a possibilidade de uma perseguição.
O bando partiu não tão depressa por causa da carroça com suprimentos, mas mantiveram um bom passo atravessando uma sinuosa estrada que de um lado era ladeada por rocha neve e vegetação e do outro ora abismos ora um outro paredão.
— Quanto mais até a Torre Alta — inquiriu Sansa.
— Não muito — respondeu o dornes.
Sansa ficou olhando a espada curva na cintura do dornes e Zaggor percebendo falou:
— Gostou da minha cimitarra? — deu dois tapinhas na bainha.
— Parece uma grande faca.
Zaggor soltou uma gargalhada, uma brisa vinda do Norte começou a soprar e a curva na montanha se acentuou ainda mais para a esquerda e depois para a direita novamente, era um constante ziguezague.
— Está faca princesa — disse o dornes de repente — é grande para fazer grandes cortes, veja só. — Ele ticou um lenço de seda que tinha enrolado envolta do pescoço e o jogou no ar, antes que o vento o levasse ele sacou a cimitarra em um movimento muito rápido e cortou a seda em duas. — O que achou agora? Princesa.
— Magnifico senhor, sua espada e muito afiada — ela não havia falado da boca para fora. — E ainda me parece que é bem mais leve que uma espada de dois gumes. — Sansa ainda estava aprendendo sobre o aço, tudo era novo para ela.
— Vejam! — Bradou Harry, lá da dianteira — Torre Alta!
O que Sansa viu fui só um monte de pedras e uma árvore no canto que mais parecia um fantasma. Ela sentiu algo gelar sua nuca e estendeu a mão em forma de concha para aparar um fino floco de neve.
— Vamos apertar mais o passo. Vai começar a nevar.
Todos seguiram com um trote mais acelerado, mas Turin, Corsar e Dunn Stone ficaram para trás para colocar mais um cavalo na tração da carroça e avançarem mais depressa. Sansa e os outros chegaram mais rápido as ruínas, Ali se via uma base de pedras quadradas que formavam um octógono na face norte o resto da parede que ainda estava de pé tinha uns oito metros de altura, não deu para levar os cavalos para cima por que a escada até a entrada era íngreme e os degraus estavam congelados e muito escorregadios. Turin ficou entre as árvores vigiando os cavalos que ficaram escondidos em um abrigo de folhas e galhos improvisado, a uns vinte metros para leste, Corsar Redfort e Dunn o bastardo, estavam atentos a tudo que se mexesse na floresta a oeste o abismo e o vento faziam a vez de sentinelas.
— Daxy precisamos de uma fogueira — ordenou Sor Harrold. — Zigg e Kool improvisem um abrigo coletivo. Não quero ninguém desgarrado a não ser nossos vigias. — Correu e saltou para cima de uma grande pedra caída e depois para cima de uma das paredes arruinadas — Não sofreremos ataques vindos do Oeste. — Assobiou.
— Ficarei de vigia aqui — Olaf respondeu — consigo ter uma excelente visão daqui. — Entre uma janela arruinada e algumas vigas apodrecida ele achou um buraco e se enfiou nele com um cachecol cobrindo seu rosto.
Os homens limparam o lugar e improvisaram uma tenda grande o suficiente para abrigar a todos que estavam na torre. A neve já caía quando a pouca luz que o dia trazia sumiu dando lugar as profunda e densas trevas daquela noite invernal.
Na fogueira, o Caolho e Zaggor Manwoody estavam fervento vinho condimentado e o cheiro de bacon frito com tomates secos tomava conta do ar. Mya levou comidas para os rapazes que estavam de guarda, Sansa, Sandor e Harrold se sentaram em pedras a beira do fogo e comeram o suficiente para matar a fome. As primeiras seis horas já haviam se passado quando Klaus de Pedrarruna retornou com um saco de maçãs em sua maioria meio podres que achou na floresta e um molho de capim seco para os cavalos.
Na fogueira Harry se aproximou de Lady Sansa para conversar, ele estava empertigado sobre a saída dela do Ninho da Águia.
— Porque Albar não concordou com a sua viagem para o Norte?
Sansa se levantou e andou até a parede destruída para olhar a noite.
— Com a morte de Lorde Nestor, Albar assumiu a responsabilidade dos portões da lua. E Petyr Baelish é o Lorde Protetor do Vale.
— Mas Lorde Petyr não é o seu parente sanguíneo, é? — se encostou na pedra e apoiou uma pena na base da parede.
— Não, ele não é Harrold. Eu fugi de Porto Real. — Algo lhe dizia que Sor Harrold já sabia a história. — mas... quem contou.
— É por isso que está fugindo? — fez uma careta com os lábios para baixo.
Sansa fez uma expressão de descrença.
— Fugindo? De onde?
— Petyr anunciaria nosso noivado quando eu vencesse o torneio do Vale. Agora não haverá torneio.
— Ora Sor, então eu não posso está em fuga se meu captor não estava no ninho.
Harrold deixou escapar um sorriso nervoso antes de falar:
— Não me tome por um tolo senhora. Ninguém no Portão da Lua deve ter autorizado essa sua aventura.
Eu não posso ser levada de volta, pensou Sansa ao ver a decepção manchar os olhos claros do rapaz, mas Hardyng continuou:
— A morte do pai de Albar foi muito estranha e sem contar que tudo aconteceu em um tempo propicio. — Jogou o capuz da capa para trás e passou as mãos enluvadas no rosto. — Me disseram que ele caiu na subida...
— Foi o que aconteceu — Sansa falou com ênfase.
— Pode falar o que quiser senhora, mas Lorde Nestor conhecia aquela subida como as linhas da palma de sua mão.
— Sim Harrold, e era velho e estava nevando. Eu disse a ele que conversaria depois que descesse para o Castelo Lua. Ele não me ouviu.
Hardyng andou para um lado e para o outro e sua respiração mostrava um certo nível de nervosismo ou ansiedade, como ele sabe de tanta coisa? Sansa buscou Mya Stone com os olhos e a viu perto da fogueira gargalhando junto ao Cão de Caça. Sandor não abriu a boca, então...
— Harrold Hardyng, eu não voltarei para aquela prisão — se encarraram por um longo momento até que Harry quebrou o gelo com um sorrisinho de canto de boca.
— Eu duvido que tenha matado uma barata, senhora, mas não diria o mesmo de seu cão.
Ciúmes? Achei uma brecha na sua armadura cavaleiro.
Sansa deu seu melhor sorriso e se aproximou calmamente de Harrold segurando sua mão entre as suas.
— Por favor, meu senhor, salve-me de meu tormento — sussurrou. — Petyr, ele tentou várias vezes e eu sempre o afastei. — Prendeu o ar para que seu rosto ficasse rubro. — Sua respiração acelerou, ele entendeu o que quis dizer. — Sandor Clegane já havia tentado me ajudar em Porto Real, mas tive medo que o ferissem por minha causa. O senhor é um cavaleiro e pode fazer o que muitos não conseguiram. — Recostou a cabeça no peito dele o abraçou. — Agora me prometa o céu a lua e as estrelas, mas principalmente me leve até Jon.
Harrold afagou sua cabeça e disse:
— Me perdoe. Deixarei o passado no passado — a tomou pela mão direita. — Venha, vamos nos abrigar e descansar um pouco. — As coisa que a senhora deve ter passado nas mãos daquele facínora, se eu pudesse... eu... eu...
Ela se virou para ele e o beijou.
— Só de estar aqui comigo agora já me sinto mais segura — continuaram rumo a tenda.
Sansa percebeu que os olhos de Sandor Clegane brilhavam com fúria dentro da escuridão de seu capuz. Um bom cão está sempre mostrando os dentes.
Naquela noite onde todos estavam juntos sobre a mesma tenda, Sansa sonhou o velho e conhecido sonho que tivera várias vezes no Ninho da Águia, O lobo negro pelas montanhas e a mulher segurando uma coroa de ferro e bronze com o manto todo manchado de sangue, no final sua tia Lyanna e o lobo branco a encontravam na frente de uma árvore-coração. Sansa queria sentir a sessão que sentira quando sonhou que era uma águia voando sobre a imensidão do céu cinza de inverno e sua mente escureceu a levando para lugares profundo onde vozes lhe diziam muitas coisas. Ele visualizou o corpo de Mya inerte recostado em uma pedra envolto em uma grossa pele e caminhou até ela, o corpo estava quente e a convidava, Sansa mergulhou em um turbilhão de emoções e viu Mya Stone em algum lugar bebendo cerveja e depois a visão mudou, corpos se entrelaçavam e se inflamavam no desejo carnal. Estou sonhando? Havia um homem com ela, Harrold? A visão ficou mais real e parecia a Sansa que ela estava se vendo, Mya? Mya? A Stark chamou e quando sentiu uma mão em seu ombro acordou.
— O que quer a essa hora? — perguntou Sansa.
— Eu ouvi você me chamando.
— Mya, todos estão dormindo, eu também estava.
As duas se assentaram enroladas em suas capas e peles.
— É estranho, eu estava sonhando e vi claramente você dentro do meu sonho.
— Xiii — fale mais baixo, Mya — eu também vi o que você estava sonhando. Me pareceu mais uma lembrança. Quem era aquele homem?
Quando Sansa levantou o rosto viu que os olhos azuis de Mya estavam perplexos com o que ela havia acabado de falar. Alguma coisa lá fora chamou a atenção das duas.
— Você ouviu isso? — saiu do meio das peles e caminho para fora do abrigo.
Perto da fogueira estavam assentados Turin, Corsar, Daxy e Haldor quando se aproximou uma velha anã que se não fosse os cabelos brancos esvoaçantes Sansa teria dito se tratar de uma criança. Mya e a Stark se aproximaram com cautela, mas Turin as percebeu e as chamou com um sinal de mão.
Sansa se sentou perto do rapaz ruivo para ouvir.
— Ventos, ventos do inverno chegam a minha montanha — disse a velha anã levantando seus bracinhos esqueléticos e brancos. — Me deixem se aquecer um pouco belos rapazes e terrível senhora, prometo que os deixo em paz logo, logo.
Sansa pois a mão em concha em um ouvido de Turin e perguntou:
— Quem é essa?
— Não ouviu o que ela disse? Ela é a dona da montanha.
Ao encarar a anciã, Sansa percebeu seus olhos rubros como os olhos de Fantasma o lobo de Jon.
— Um bocado de comida e um odre de vinho pelos seus sonhos mãe da floresta — Daxy passou a um chifre de vinho saindo fumaça para a velha intrusa e em seguida começou a despedaçar o coelho que cheirava muito bem.
Sobre a luz da fogueira todos estavam com olhos arregalados e se entreolhando, até que depois de tomar um longo gole da bebida a velha soltou uma gargalhada.
— Ah, os jovens dessa nova era não sabem negociar.
Sansa estava desconfiada, não com medo, aquela simpática velhinha a fazia lembrar-se da velha ama e suas histórias sobre cavaleiros e dragões, mas o que uma senhora que parecia já muito avançada em idade e ainda por cima anã fazia ali no meio do nada? Apesar das roupas maltrapilhas não se parecia ser selvagem, não parecia humana.
— Meu jovem — continuou a velha. — Seus lábios é sua música pelos meus sonhos, começou a sorrir para Haldor —, ele virá com a juventude e com a paixão e eu com ossos e muitas e muitas eras.
Quanto anos terá essa anciã? Sansa se questionou.
— A qual canção deseja ouvir — pegou um instrumento de sete cordas e dedilhou tirando um agradável som.
A velha abaixou o rosto e começou a balançar a cabeça para lá e para cá antes de dizer:
— Cante ao amor cante a balada de Beren e Lúthien.
Haldor sorriu e fez um barulho de estralo com a língua e começou a dedilhar seu instrumento e a música saiu suave por seus lábios e para Sansa a velha anã estava gostando tanto quanto ela própria. Depois de ouvir a música e de comer todo o coelho destrinchado por Daxy, a anciã deu algumas voltas na fogueira fazendo o que a Stark julgou ser uma dança e então começou a falar:
— Ontem à noite deitada debaixo dessa árvore — levantou os braços para mencionar a árvore-coração que estava em suas costas. — Sonhei com um homem com escamas de dragão que vem pelas águas sobre um feitiço de fogo, mas o homem é metade lobo frio e metade quente como dragão.
Oh, céus que enigma difícil, sobre quem fala essa senhora?
— A bela senhora — continuou a anã — de terrível olhar quer com seu irmão se encontrar, mas terá que se encontrar com o dragão. — Os olhos cheios de ruga fitaram Sansa com ardor.
Neste momento o coração da Stark quase lhe saiu pela boca e sua respiração demostrou seu nível de estres. O Jovem Haldor segurou sua mão passando segurança.
— Morte! — Gritou agitando os braços — Fria morte é o beijo desta senhora que os homens perseguem e morrem, morrem.
A velhinha parou de falar e encheu um pedaço de pano com bacon, tomates secos e milho, pegou um odre e balançou no ar para ver se estava cheio, Sansa foi até Turin perguntar quem era aquela senhora e neste momento de desatenção junto com uma brisa soprada que fez o fogo rugir a anã desapareceu assim como apareceu. Todos ficaram se olhando, a Stark andou pelo terreno e não achou nada.
— Viu isso? — questionou a Mya.
Mya, deu de ombros e os rapazes pararam de cochichar entre si, foi aí que Daxy falou:
— Já a encontrei outras vezes quando ainda viajavam pelo Norte. — Os olhos dele demostravam que aquilo já havia acontecido a muito anos atrás.
Sansa ficou visivelmente tensa e os outros se entreolharam nervosamente até que Haldor se interpôs.
— Acalme-se senhora. Não é por querer que Daxy disse isso. Não há motivo para se alarmar — ele a abraçou e começou a conduzi-la de volta a tenda. — Vamos, entre e descanse um pouco. Amanhã teremos uma grande jornada para fazer. — Deixou Sansa entrar na frente e quando Mya passou deu uma piscadela e girou nos calcanhares para tomar o caminho de volta para a fogueira.
— Quem era aquela Mya? — olhou desconfiada para a expressão de “eu não sei da bastarda”. — Ah, tanto faz tudo que quero é chegar a Winterfell.
O resto da noite pareceu passar tranquilamente, quando todos se levantaram o céu estava manchado de cinza e negro perene. Fizeram o desjejum e lavaram o rosto com água de neve derretida no fogo da fogueira, selaram os cavalos e partiram vagarosamente por que agora a trilha descia a montanha e o cascalho por baixo da neve fazia os animais escorregarem. Dois dos rapazes tiveram que desmontara e ajudar Mya com a pequena carroça até chegarem a uma densa floresta que olhando do pé da montanha parecia mais uma caverna de tão juntas que as copas das árvores eram naquele trecho.
— Esse é o único caminho? — Sansa não se sentiu a vontade de seguir pela antiga trilha. — Não podemos dar a volta por cima?
— Muito arriscado. — Klaus havia desmontado e ido até dois carvalhos que serviam de umbrais para o início da trilha.
Olaf de Perdarruna fez o mesmo.
— Essa trilha está aqui desde os Primeiros Homens ou... antes —, ele olhou em volta procurando alguma coisa ou algum sinal.
— Tem certeza que é essa a entrada? — Perguntou Harrold enquanto descia de seu corcel branco.
Olaf chutou alguns galhos, folhas e neve revelando um rustico piso de ardósia vermelha por debaixo, e em seguida Klaus achou uma imagem esculpida em uma rocha escondida no meio de algumas urtigas e samambaias bravas.
— Que criatura é essa? — Sansa avançou lentamente com a égua para a trilha. — Parece uma criança mais as orelhas são pontudas e as feições de adulto. Parece com a velha anã. — Ela olhou para dentro da floresta e o caminho da trilha pareceu se fechar em uma agonia indescritível e depois está tudo normal com árvores frondosas dos dois lados do caminho.
— Viu aquilo? — Ela apontou para o meio da trilha.
— Não vi nada, Passarinho — Sandor passou a diante e tentou em vão ver alguma coisa naquela escuridão. — De qualquer jeito iremos por aqui, tenha cuidado — ele deu meia volta com Estranho que relinchava baixo como se estivesse assustado.
— Avancem homens, fiquem alertas. — Sor Harrold tomou a frente na descida.
A verdade é que ali todos estavam assustados não só os animais, mas os homens também. Sansa Stark viu que Daxy e Corsar seguravam a rédea com a esquerda e mantinham a destra sobre o cabo de suas espadas. Zaggor, pegou uma lança longa que estava na carroça e Kool também tinha uma, eles mantinham-se nas laterais da trilha sempre protegendo Sansa com seus corpos e armas, pode haver animais perigosos nessas terras. Sandor Clegane vinha logo atrás, a trilha era estreita deixando espaço para três cavalos andarem lado a lado em alguns trechos e em outros apenas um por vez.
— Quase não há neve por aqui — Mya olhou para cima e não viu nada além de um emaranhado de galhos e folhas escuras.
Turin passou a cavalo para a traseira da fila.
— Mas o que é esse pó no ar?
Haldor fez o cavalo girar e também foi até o fim da fila.
— Também percebi.
— É só poeira — o Caolho disse de algum lugar lá na frente.
— Poeira? Na neve? — Zigg achou aquilo incoerente.
Sor Harrold Hardyng olhava a frente com o cenho franzido e lhe pareceu que as árvores da direita haviam fechado a passagem e outra se abrira na direção oposta.
— Viu aquilo Olaf? — ele apontava para o nada.
— Só vejo árvores e adivinhe? Mais árvores.
Sansa se virou na sela para falar com o Cão de Caça e disse:
— Estamos perdidos Sandor?
Cão de Caça parecia assustado olhando em todas as direções e seu garanhão de batalha batia os cascos na pedra nervosamente.
— Este lugar é a porra de um lugar amaldiçoado pelos Sete Infernos. Vamos sair logo daqui.
— Essa trilha é segura, acalmem-se. — Disse Mya Stone por fim.
Eles seguiram floresta a dentro e para Sansa parecia que tudo girava e era impossível saber onde estavam, parece que estamos andando em círculos. Ela cochilava e acordava na sela da malhada e sempre ouvia os rapazes discutindo sobre já terem passado por ali ou que já havia se passado um dia que estavam andando naquela trilha e assim se passou um longo período até que Sandor veio até ela segurando as rédeas da sua égua e pedindo que ela desmontasse, fez o que lhe pedia e se assentou tonta em um galho na frente de uma fogueira que ela não sabia de onde saiu. Turin lhe trouxe um pedaço de coelho assado, bacon e damasco seco, sua cabeça girava e ela quase não tocou na comida, por que seus olhos foram se fechando e ela caiu sobre braços fortes que a levantaram muita acima do chão e a levaram para o meio de algumas peles, Sandor, aparou minha queda...
— Ei... Acorde temos que continuar — Haldor a olhava com um tom curioso nos olhos azulados. —
Quanto tempo será que dormi? Sansa olhou em volta aturdida tudo era muito barulhento e sua cabeça doía como em um dia de ressaca, mas ela não se lembrava de ter bebido nada muito forte.
— Acabei de me deitar aqui. Porque já estamos de partida tão depressa?
— Acabou de se deitar — Haldor deu um tapa no ombro de seu irmão que franziu o cenho em resposta. — Está aí a algumas horas, Senhora Stark. O Caolho achou uma adaga trabalhada em uma parte mais à frente da trilha.
— Haldor, a adaga era de Zaggor — respondeu Turin com um tom monótono em sua voz.
— Não pode ser.
— Por que não? — Turin colocou os punhos na cintura abrindo sua capa e exibindo seu gibão com o falcão dos Arryn, a roda sobre o campo verde dos Waynwood e os triângulos vermelhos sobre o campo branco dos Hardyng. — Ora vamos me responda?
— Ele não foi bater o terreno mais a frente — Haldor chamou Zaggor com um aceno de mão. — Você perdeu sua adaga?
— Sim, a perdi você a encontrou?
— Não, ele a encontrou — apontou para onde Turin estava com a adaga em seu sinto da espada.
— Não foi você quem achou Turin, foi o Malconn. — Haldor pareceu cuspir as palavras com agressividade.
— Quê? Não foi nada disso. Harry venha aqui — Turin estava com a mão no botão da adaga.
Para Sansa, aquela discussão não estava levando a lugar algum.
— Parem já com isso. — Harrold pareceu pensar antes de falar — algo ou alguém está brincando com as nossas mentes. Zaggor a sua adaga ainda está na sua cintura. — Apontou com a mão enluvada para o cabo da arma que se projetava para fora da capa do dornes.
— Então de quem é essa... — quando Turin levantou a arma viu que era feita de vidro de dragão e com o cabo enrolado em raízes secas. — Mais que porra é essa — jogou a arma no chão.
Isso parece com as histórias que a velha ama contava sobre Os Filhos da Floresta.
— Acalmem-se rapazes — ela se levantou e caminhou para o lado de Hardyng e quando chegou bem perto disse: — Tem mais alguém nos ouvindo. — Harrold a olhou assustado. Ele colocou o dedo na boca pedido silêncio. — Vamos sair desta floresta o mais rápido possível.
— Sim. — Harrold girou nos calcanhares e começou a gritar ordem para que todos montassem e seguissem trilha a dentro.
O caminho era fácil de seguir as pedras avermelhadas apesar de gastas e em alguns pontos encobertas por folhas secas, marcavam bem o caminho a ser seguido. Depois que percorreram uma boa parte do caminho pararam novamente para dar água para os cavalos e se esticarem um pouco, Cão de Caça se aproximou de Harrold e falou baixo para que as garotas não ouvissem que ele havia avistado um movimento nas árvores a oeste da trilha e em seguida visto uma grande sombra. O Jovem Falcão também mencionara que tinha visto ao que ele julgou serem selvagens ou talvez um javali.
— Pedirei aos homens que fiquem alertas — disse Harry dando dois tapinhas no ombro de Clegane —, e você faça o mesmo.
Voltaram a montar e a seguir com um trote lento pela trilha que continuava a descer floresta a dentro a cada passo o caminho se tornava ainda mais escuro e quando olhavam para cima o único vislumbre que tinha do céu era através de pequenas frestas entre as folhas das árvores, onde podia-se tapar o céu com um dedo, Sansa olhava para cima e por várias vezes se viu largando as rédeas e deixando a égua seguir a esmo.
— Vamos parar aqui. — Harrold vinha voltando pelo caminho a pé. — Há uma clareira a frente onde teremos algum conforto.
— É melhor continuar — Estranho pisoteou o chão quando Sandor desmontou — os animais estão inquietos nessas bandas. Pelos Sete Malditos, só falta alguém tocar fogo nessa floresta amaldiçoada.
— Ninguém vai tocar fogo em ninguém, mas vou fazer uma fogueira e assar um bacon. — Turin saiu aos saltos para fora da trilha em busca de lenha.
— Não vá muito longe, Turin. Haldor, prepare o seu arco, não queremos nenhuma surpresa. — Piscou um dos olhos.
Acho que gosto um pouco mais de Sor Hardyng agora que o vejo em ação. Disse mentalmente enquanto caminhava até Mya na carroça para esperarem os homens limparem a clareira e colocarem alguns troncos para que se sentassem ao redor de um fogo.
— Começou a fazer um pouco mais de frio aqui, não acha? — Sansa se enrolou na sua capa e encolheu os ombros.
— Uma nortenha reclamando do frio, Westeros vai acabar — Mya começou a tirar o cabresto do cavalo para deixar o animais descansar livre. — Mas, agora que disse percebeu que há bastante neve nas raízes mais nas copas das árvores não?
É verdade, Sansa olhou intrigada para tudo aquilo.
— Não sei, algum vento forte pode ter trazido essa neve toda pelo caminho — ela se virou para olhar para trás e viu que o caminho por onde veio com os outros não existia mais. — Mya! — Sansa levou as mãos ao rosto, Mya a segurou pelos ombros assustada e ao mesmo tempo tentando conte-la.
— O quê? O que foi? — A garota alta de cabelos curtos e negros se virou e teve a mesma visão que Sansa e sentiu um nó na garganta e sua respiração entrecortada. — Harry! Sandor... — Mya tropeçou e suas nadégas estatelaram-se no chão quando tropeçou e caiu apontando nervosamente para o caminho de onde vieram.
As presas e com espadas na mão Sandor, Hardyng, Caolho e Zaggor avançaram.
— Mya, Sansa o que foi? — Harry levantou a garota alta de pernas musculosas. — Vamos, mulher diga-me alguma coisa.
— Pela minha cara feia — Clegane estava parado em frente a um emaranhado de árvores e espinhos do tamanho de facas de cortar queijo.
Harrold soltou Mya sentada na carroça junto com Sansa e foi até lá examinar aquilo tudo, ele pegou uma machadinha da cintura do Caolho e deu alguns golpes, pegou o galho parou e olhou por algum tempo Sandor não fez nada apenas foi para perto de Sansa e não embainhou a espada.
— Não pode ser por aí que passamos — jogou o galho fora e devolveu o machado a Malconn o Caolho. — Essas árvores estão aí a séculos.
— Harrold — Malconn chutou algumas folhas e o Jovem falcão viu as pedras vermelhas que demarcavam o caminho desaparecerem por baixo das moitas de espinhos. — Acho melhor não nos demorarmos por aqui.
— Os animais precisam descansar.
Clegane embainhou a sua espada média.
— Estamos armados o que esses merdas da floresta podem fazer? Nos atacar com sementes. — Sandor pegou uma maçã no cesto da carroça e deu uma mordida e começou a tirar alguns cadarços de couro de um embrulho de panos onde por baixo se encontrava sua armadura. — Me ajude com isso garota — Mya se levantou e começou a ajudar o cavaleiro a se vestir.
Sandor tirou sua capa e por baixo usava uma cota de malha que cobria do pescoço até as extremidades da suas longas pernas e braços, um casaco longo de couro negro e por baixo uma grossa camisa de lã. Mya começou afivelando o peitoral e as ombreiras com altos defletores e depois as manoplas de ambos os braços por último as grevas para proteger dos pés até a metade da coxa. A armadura era de uma cor cinza quase negra e estava bem polida, havia também um gibão metade amarelo e metade cinza com os três cães negros da casa Clegane e do outro lado do peito o lobo cinza dos Stark, mas Sandor não o vestiu, chamaria muita atenção naquele lugar lúgubre, ao invés disso ele voltou a colocar a longa capa negra por cima dos ombros.
— Todos façam o mesmo! — Harrold também começou a se equipar, apesar de já está usando ombreiras, manoplas e grevas, ele vestiu um peitoral prateado com um falcão esmaltado em branco sobre o peito e no ombro esquerdo foi acoplado um defletor que era esculpido no metal para imitar uma asa de falcão. Por último um gorjal que pareciam com penas se derramando sobre seu peito.
Zaggor não usava armadura de placa, ele achava que limitava seus movimentos então, por cima de sua fina cota de malha vestiu uma peitaça de couro escamada com duas cobras de aço entrelaçadas em dois círculos infinitos, suas ombreiras também eram de couro e uma longa saia com arrebites prateados protegia sua cintura até os joelhos onde começavam as botas marrons com serpentes de aço subindo na parte da frente. Klaus e Olaf Torsën usavam cotas de malhas acobreadas e ombreiras e manoplas também no mesmo tom. Dunn Stone não tinha armadura apenas sua negra cota de malha e um meio elmo redondo rodeado de arrebites com uma proteção para o nariz. Daxy Snow usava um colete de couro fervido e tinha pedaços de uma armadura que cobria seu braço esquerdo do ombro até a mão. Kool o armeiro, usava cota e um gorro de malha, mas trazia um machado de duas laminas nas costas, um martelo de combate, e duas machadinhas. Os dois estrangeiros Malconn e Zigg das facas não usavam nada além de roupas de couro negra e Corsar Redfort tinha um peitoral cônico sem nenhum símbolo nele, ombreiras arredondadas e longas luvas de couro com arrebites quadrados as suas botas marrons também tinham. Turin assim como Harrold, tinha uma armadura mais ornamentada com entalhes no peitoral de duas asas abertas e manoplas com grandes espinhos nos cotovelos, já o irmão Haldor Waynwood, usava apenas couro negro fervido, “e melhor ser veloz”, ele dizia.
— Mya, abandone a carroça. Levem apenas o necessário. — Com a possível ameaça todos concordaram com Sandor que era melhor saírem logo daquela floresta.
A garota das mulas selou o cavalo, pegou sua clava de batalha e um escudo redondo, colocou um alforje no lombo de sua montaria e alguns dos homens também abasteceram seus cavalos com exceção de Harrold e Sandor.
— Todos prontos?
Todos estavam reunidos na clareira para discutir se seguiriam na escuridão ou se ficariam ali mesmo com todos os riscos.
— Acho melhor ficarmos por aqui — desse Clegane — não quero que Estranho quebre uma pata.
— Eu também concordo com Sandor, mas partiremos se houver grande necessidade. — Turin olhou para Sansa e Mya.
Eles acham que somos um fardo, mas eu tenho isso, ela olhou para seu novo arco que estava na sela da malhada.
— Deixem os animais aqui perto. Não queremos que sejam roubados. — Harrold apontou um canto da clareira que tinha uma rocha com aproximadamente oito metros de altura e uns quarenta passos de cumprimento. — Haldor fica lá em cima com seu arco, Turin estará com você. — Os dois irmãos subiram na pedra e se sentaram um de costas para o outro. — Kool, acenda a fogueira.
— Deixe a senhora perto do fogo e nós ficaremos dispostos em círculo se algo vier a nosso encontro cada um defendera um lado. — Clegane desembainhou a Mordedora, sua longa espada de aço valiriano.
— Defesa em círculo — o plano do Cão de Caça agradou Daxy Snow.
Todos se despuseram na clareira de forma a desenhar um círculo com Sansa, Mya e a fogueira ao centro. Se deitaram com os pés para fora e as cabeças voltadas para o centro, em caso de ataque cada um levantaria já com espada em mãos e defenderia o centro sabendo que um amigo estaria combatendo do outro lado. Haviam a disposição do grupo apenas cinco escudos redondos de madeiras com laterais e coroa de ferro ao centro, Daxy, Kool, Dunn, Klaus e Olaf se despuseram cada um em pontos estratégicos com os escudos para defender a Senhora Sansa e Mya Stone caso fosse necessário.
— A noite parece estar se arrastando nesta merda de lugar. — Clegane cochichou para Harrold que estava mais próximo dele.
O Jovem Falcão não respondeu de imediato, apenas apontou com os olhos e Cão de Caça mirou sua visão para onde Harry havia apontado.
— Está vendo aquilo? — disse aos sussurros, Sandor balançou a cabeça positivamente. — Selvagens?
— Me parecem muito grandes para serem selvagens — Clegane se lembrou dos pobres miseráveis que abateu na estrada quando escoltava Arya Stark até o Ninho.
Uma silhueta quase da altura do Montanha se móvel entre as árvores e outras um pouco menores a seguiram, Harrold soltou um pequeno assobio e os homens no círculo responderam com o mesmo som. Todos estão acordados, há algo errado, Sansa pressentira. Ela não sabia o que era, mas passou a mão em sua adaga e fingiu estar dormindo.
— Prepare-se, o ataque vira primeiro do nosso lado — falou Harry para Clegane que apenas confirmou com um aceno de cabeça novamente.
De repente, as folhas começaram a fazer mais barulho, estalidos de gravetos quebrando ganharam o ar, gritos e urros vieram à tona, os homens levantaram com suas espadas na mão foi Harrold quem primeiro cortou o que ele julgou ser um urso, aquilo saltou para cima dele com garras e com cabeça de animal, mas quando atingido no peito com um movimento vertical de baixo para cima urrou como um homem. Sandor se engalfinhou com dois de uma só vez enquanto a Mordedora descia sobre o ombro de um à sua direita ele chutava o outro com a esquerda, quando a coisa se desequilibrou uma flecha dispara por Haldor acertou seu pescoço. O ataque desorganizado se espalhou, mas os homens do Bando do Falcão mantiveram suas posições cortando tudo que se mexia de encontro ao grupo. Dois dos atacantes conseguiram subir a rocha e Turin saltou a frente para encará-los, ele segurou sua espada bastarda com as duas mãos e com um golpe cortou uma garra, mas foi empurrado para o chão pela outra criatura que pulou para cima dele já morta com duas flechas cravadas nas costas. Haldor ainda soltou uma de suas piadas, “Eu sempre te salvo irmãozinho”, em seguida ele apoiou mais uma flecha no polegar e disparou em outra criatura que havia rompido o círculo e se aproximava de Sansa, deu-lhe uma piscadela e beijou a palma da própria mão e depois soprou para ela. Algo no sorriso deste homem é ao mesmo tempo galanteador e triste, qual deles será de verdade? Enquanto pensava Sansa tomou coragem e se levantou do chão com seu arco, Sor Hardyng protestou gritando para ela ficar abaixada, mas Sansa não lhe deu ouvidos. Usando o arco negro colocou três flechas enfiadas no chão e mais uma encaixada na corda de cânhamo, Dunn Stone estava de costas para o chão com um inimigo sobre si, não posso errar, a vida dele depende disso, pensou Sansa antes de disparar a flecha que alvejou o pescoço do alvo. Como treinei com Sandor no Ninho da Águia, mesmo com todo aquele barulho ela procurou manter a calma e procurar outro alvo e achou um em cima da pedra onde Haldor e Turin lutavam ferozmente, mire pequeno e erre pequeno, a flecha passou de raspão na cabeça de Kool e acertou a barriga da criatura, Sansa pegou outra flecha e antes que disparasse Mya passou por ela aos gritos e começou a espancar com a clava um dos ursos que haviam derrubado Klaus, vendo tudo ali do lado Zigg arremessou uma faca na testa de um inimigo e segurando a garra de outro, deu-lhe repetidas facadas na barriga.
— Mantenham a posição! — Esbravejou Clegane com sua voz metálica.
Ao se virar viu o gigante se aproximando pelo seu flanco esquerdo, Sandor o viu segurando um machado de duas laminas e percebeu que aquilo não era um urso e sim um homem que usava a cabeça de um urso e as garras também. Ele desferiu um golpe de cima para baixo que foi aparado com facilidade pelo gigante selvagem que abrindo os braços empurrou Harrold para um lado e Clegane para o outro.
— Maldito ogro — praguejou Hardyng enquanto lutava para se manter em pé e golpeava ao mesmo tempo.
O gigante usando a cabeça de urso como elmo investiu mais uma vez com um giro de corpo ele rodou o machado, mas Cão e Caça saltou por cima do golpe e lhe feriu o braço esquerdo na altura do cotovelo, em seguida deu uma chuva de golpes variando entre a esquerda e a direita do oponente que recuou, mas usando o cabo do machado e seu largo ombro empurrou Sandor e levantou o machado para um golpe vertical que parti-lo-ia ao meio se não fosse uma esquiva para a esquerda onde o braço ferido do oponente era fraco. Clegane girou a mordedora sobre a cabeça e o próprio corpo em um rodamoinho de aço e tecido negro, o selvagem levantou o machado a direita, mas o golpe da Mordedora veio da esquerda e abriu caminho do ombro até a barriga do gigante que caiu de joelhos no chão. Quando este tombou os demais desistiram do ataque e se dispersaram entre as árvores cada um para um lado.
— Vamos prossegui-los — gritou Turin saltando de cima da pedra. Zaggor e Corsar se juntaram a ele.
— Não! — Gritou Harrold em respostas.
— Porque não Harry, ele não tem aço nas mãos podemos acabar com eles — Corsar falava ofegante pelo esforço que acabara de fazer lutando contra cinco selvagens.
— Nós não sabemos para onde foram e se o covil desde ogros é aqui perto. Reforços podem estar a caminho e estaremos mais descansados se não empreendermos uma perseguição nessa escuridão.
Sandor veio andando com a cabeça de urso pendendo de sua mão esquerda.
— Olhe essa merda — levantou a cabeça até a altura de sua própria — pensam que são ursos esses animais.
Corsar pegou uma garra que estava no chão e também há exibiu para o grupo:
— Exceto por alguns poucos machados vagabundos e essas garras, não tinham armas.
— Isso não vai parar. Aumentem o fogo, essa noite ninguém dormi. — Ele olhou para Sansa e com o dedo em riste disse: — Da próxima vez me obedeça, senhora, não há quero pondo sua vida em perigo.
A noite foi longa, mas não houve mais surtidas por parte dos homens-urso era assim que Sansa os chamara, todos ficaram alertas e se quer voltaram a se deitar. Algumas horas se passaram e quando um pouco mais de luz começou a passar pelas frestas das folhas como longas e finas lanças brancas o Bando do Falcão montou e cavalgou pela trilha a pleno galope, a princípio, forçaram uma corrida até os cavalos ficarem ofegantes depois diminuíram o passo, fazendo esse revezamento até alcançarem o limiar do outro lado da floresta e voltarem a céu aberto. Conseguimos sair daquela floresta amaldiçoada, Sansa pensou enquanto olhava para a neve que caia lentamente em rodopios.
— O que é aquilo? — Daxy apontava algo e seus olhos estavam perplexos.
Todos vislumbraram uma grande estatua de pedra coberta em parte por musgo liquens e neve, mas era possível ver sua horrível face com dentes pontiagudos e seios e barriga arredadas.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Deve ter sido feita pelos Primeiros Homens. — Turin olhava para cima.
— Voltem para a mata agora, vamos, vamos. — Sandor desmontou e se escondeu entre as árvores, todos o imitaram.
— O que foi? — Sansa quis saber.
— Lá em cima da pedra Passarinho. — Sansa olhou para onde Clegane apontava e viu três homens desfazendo alguma coisa que ela não conseguiu ver dali de baixo.
— Vamos segui-los e descobrir onde se escondem — Zigg passou a rédea de seu garrano para Mya e se esgueirou pelas árvores.
— Dunn e Corsar, sigam Zigg e se der alguma coisa errada — Passou a mão pelo pescoço de um lado para o outro —, voltem e nos contem.
— E enquanto isso Harrold, ficamos aqui? — inquiriu Sansa.
— Sim, eles sabem por onde viajamos e quantos somos é melhor apagar os rastros. — Sandor soltou um riso fungado.
Ele tem prazer em matar, uma verdadeira cria da guerra.
Ficaram ali mesmo, sem fogueira comendo apenas maçãs e dando aveia com sal para os cavalos. Estava frio e ficar parada não ajudava em nada a se aquecer. Sansa já não estava sentindo os dedos dos pés e apesar de ter coberto o rosto com uma lã grossa seu rosto estava gelado e o desconforto de ficar ali em pé esse tempo todo a estava deixando com dor nas costas e impaciente.
— O Chão está coberto de neve aqui — Sansa falou sem pensar.
Todos se olharam, mas foi Haldor quem respondeu:
— Diferente da trilha por onde viemos, não é mesmo? — ele tinha um sorriso faceiro no rosto que lembrou a Stark do sorriso de Mindinho.
— Aquilo era magia senhor? — Ela tirou a lã do rosto para falar com mais clareza.
— Sim, existem mais coisa entre o céu e a terra que os meistres podem explicar.
— Haldor.... — Harrold soltou em tom repreensivo.
Sansa ignorou o Jovem Falcão.
— Vamos continue — pediu a Haldor.
Ele se aproximou dela e olhando desconfiado começou a falar:
— Existe um homem em Ferrobles que já atravessou essas bandas. E ele conta que uma feiticeira o fez prisioneiro por um ano inteiro.
— Mas porque fez isso? — Sansa percebeu a falta de proposito naquilo.
Haldor deu de ombros sem respostas, nesse momento um barulho conhecido foi ouvido por todos e Harrold fez o mesmo barulho com os lábios em respostas. Passado mais algum tempo Zigg, Dunn e Corsar se aproximaram por entre as árvores.
— E então? — Clegane se adiantou.
— Há uma gruta atrás desta montanha — apontou para a direção oposta de onde havia saído. — Só existe uma entrada e feita por uma ponte de cordas de um lado para o outro da montanha. Em baixo é um precipício vazio.
— Mas podemos passar por lá sem sermos notados, mas sem os cavalos. — Corsar abanou as mãos no ar.
— Sem cavalos? — Clegane não gostou da ideia. — Estranho não ficara aqui nesse lugar amaldiçoado.
— Eu não disse que iriamos abandonar os cavalos Clegane. Vamos fazer uma surtida e matar os selvagens enquanto dormem.
— Alguns de nós fica e monta guarda se os que forem não voltarem até o cair da tarde...
— Não há outro jeito Sor Harrold? — Sansa tocou a manopla no braço do cavaleiro.
— Não minha Senhora, pode ser que se partimos daqui agora seremos nós os caçados — seus olhos eram tenros, mas com um ar de firmeza.
— Como se caça um urso? — Mya quis saber.
E foi Clegane quem respondeu indo em sua direção enquanto retirava a sua grossa capa:
— Você o espera ir se deitar na sua toca e solta os cães para rastrear e levá-lo até ela. — Sua voz deixava clara sua satisfação em caçar os selvagens.
Haldor se aproximou dando um tapinha no ombro da garota alta de olhos profundamente azuis.
— Sim, e se lançando em cima do animal aturdido e o matamos.
— Eles estão no seu covil agora. Não percamos mais tempo aqui — Corsar começou a se preparar.
Sansa não gostou muito da ideia de ficar ali esperando homens que entrariam em uma caverna e sabe lá se voltariam a sair dela, então protestou:
— Não façam isso — ela ficou exasperada e suas bochechas ficaram quentes. — Sandor, Harrold vamos embora daqui agora. — Todos ficaram se olhando por um momento e a ruiva de Winterfell continuou: — Não gosto da ideia de ficar aqui esperando — A maioria ali não sabia, mas —, não temos só os selvagens, Sor Albar e os homens do Portão Lua já devem estar a minha procura.
Encarando a Stark Harold não entendeu nada, mas Cão de Caça sabia quais eram os temores da jovem senhora.
— Eu falo com ela. — Ele a pegou pelo braço e a levou um pouco mais para dentro da floresta onde não poda ser ouvidos pelos outros. Quando já estavam em uma distância segura começou a falar: — Eu sei que teme que os homens do castelo venham em nosso encalço.
— Sim, se Albar vier serei capturada e levada de volta — ele olhou por sob o ombro para se certificar que os outros estavam longe e não ouviam nada. — E você quer me abandonar aqui sozinha, não tem palavra senhor?
Sandor a segurou pelo braço com violência e sua respiração ficou ruidosa como a de um cão raivoso, ele quase colou seu rosto no dela para falar.
— Não me tome por uma cretino Passarinho. Aqui o senhor sou eu e quem defende a sua vida é a minha espada e isso garante a sua segurança.
— Como pode me salvar se não estiver aqui? — os olhos azuis ficaram baços —, mas não vou chorar — mesmo com isso, pareceu-lhe que Sandor era duro como o aço e que não a ouviria.
O cavaleiro negro a soltou e olhou para o horizonte com o pensamento longe daquele lugar, longe daquele momento. Ele enfiou a mão na parte da frente de sua armadura na altura do pescoço e entre os dedos tinha um cordão de couro com uma placa de metal que mais parecia a ponta de uma flecha, ele quebrou o cordão apenas com um simples puxão e foi até Sansa novamente, passou seus enormes braços em volta do pescoço dela, será algum tipo de amuleto? Ela se perguntou enquanto segurava entre os dedos aquele pedaço de metal com uma escrita nele.
— Mesmo não estando aqui prometo que manterei a sua segurança. Sabe se defender e não estará sozinha. Meu parceiro das horas difíceis estará com a senhora. — Sansa não compreendeu o que o Cão de Caça quis dizer com meu parceiro.
— Se os homens do vale acharem seu rastro o que acredito ser improvável nessa merda de floresta — A ruiva o censurou com os olhos — ou se eu não voltar... — Ela pensou em interrompê-lo, mas não o fez — se ficar em perigo, suba em Estranho e diga as palavras gravadas nesse pedaço de metal. Ele a levara daqui para um lugar seguro mesmo que a porra de seu pulmão exploda. — Sansa não sabia o porquê, mas acreditou em cada palavra que Cão de Caça havia lhe dito.
Ainda devo significar alguma coisa para ele, para me entregar o seu cavalo assim, Sansa sabia que Clegane tinha um apego pelo animal que havia passado por tantas batalhas com ele. Também devo lhe dar algo, ou soarei fria e sem cortesia, ela se aproximou com cautela dele que não se mexeu, apesar da altura de Sansa, Cão de Caça era mais alto duas cabeças. Devo parecer natural não oferecida, colocou os braços entre os dois e inclinou um pouco a cabeça para o lado e fechou os olhos, ele vai saber o que fazer, como naquela noite na Fortaleza Vermelha. Antes que terminasse seu raciocínio, sentiu a áspera barba dele sobre seu buço e suas mãos acariciaram seus braços e iriam envolve-la, mas ela abaixou o rosto, ele vai parar não deseja tomar meu favor e sim que lhe seja dado de livre vontade. Foi o que aconteceu Sandor Clegane ficou parado a olhando com cara de cachorro pidão, mas nada fez para que o momento continuasse.
— Está tudo bem aí? — Harry apareceu descendo um leve relevo que dava no baixio onde Sansa e Sandor se encontravam. — Temos que ir logo ou perderemos o elemento surpresa. — Ele mencionava a possibilidade de os homens-urso caçarem de noite e dormirem de dia.
Clegane apenas passou por Sansa e seguiu colina a cima, ela ficou sozinha com Harrold. O Jovem Falcão se aproximou com cuidado abrindo os braços e com um sorriso amigável passou a mão na testa para retirar uma mexa do seus espeço cabelos ruivos.
— Bem, estou indo, deseje-me sorte — Sansa se limitou a olhá-lo até que o sorriso dele sumiu e o dela apareceu.
— Vá com toda sorte e a proteção dos Sete, meu senhor. — Pareceu a Sansa que Harrold esperava mais do que aquelas palavras. — Precisamos voltar para junto dos outros — ao passar por ele, ela tocou o peitoral da armadura e ele pós uma mão sobre a dela e seus lábios se moveram nervosamente. — Ele quer um beijo ou até mais.... — Se olharam por um longo período até que a determinação do cavaleiro o abandonou e ele a guiou pela mão até o bando.
Partiram para o covil dos homens-urso, Sandor, Harrold, Turin, Klaus e Olaf de Pedrarruna, Malcon de Meeren ou o Caolho e Corsar da Casa Redfort. Os outros se embrenharam mais para o mato onde ao pé de uma montanha virada para o sul, improvisaram uma tenta coberta com folhas e abrigaram animais e suas provisões, Zaggor Manwoody e Haldor ficaram no comando enquanto Harrold estava ausente. Não demorou muito para Sansa se recostar em uma pedra e ficar entediada, como seria se me fundisse com Estranho como no sonho com Jon e o Corvo, o pensamento lhe veio à mente enquanto olhava os olhos negros de Estranho, o grande corcel negro de batalha parecia está a encarando e dentro de seus olhos um calor atrativo a envolvia e ela se deixou levar pelo mar que pulsava entre seus grandes músculos e a força brutal em suas patas.
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