O Trono de Gelo e Fogo
19 Asas de Corvo
— Avise-o que estou a caminho — Jon já estava em Atalaia a quase um mês, por várias vezes os homens de Stannis foram buscá-lo dizendo: O rei deseja falar com o Lorde Comandante. — Mal sabe ele que eu morri para a Patrulha.
Jon precisava digerir toda a mudança que havia acontecido repentinamente em sua vida, eu quero evitar falar com Stannis, será que ele desconfia de algo? Ele sabia que estava sozinho naquelas terras, não sei se os homens de Reed ficarão ao meu lado em um eventual desentendimento...
— O que estas fazendo? — Jon indagou quando estava andando por uma trilha de tabuas no meio do pântano que ligava a torre de Howland a torre onde Stannis estava instalado.
— Acompanhando-o, Vossa Graça.
Vossa Graça? Jon parou para responder a mulher de Asshai, mas quando encarrou os olhos rubros as palavras sumiram e ele continuou o caminho.
— Não fale dessa forma por aqui, não quero causar más interpretações. — Jon, colocou a destra sobre a cabeça de lobo branco que servia de pomel na empunhadura de Garralonga. — Não posso ser morto agora, não sem ver minha doce irmã uma última vez. — Fantasma está sendo bem tratado? — os cranogmanos haviam prendido o lobo com uma coleira no quarto onde Reed dormia.
— Sim.
Só não conseguiram prender o maldito corvo! Jon tentou pegar o pássaro de Mormont e prendê-lo, mas a astuta ave corax comeu grãos e fugiu para a floresta e depois voltou com seu grasnado incessante. E agora fazia círculos voando acima da cabeça de Jon gritando; “grão, grão”.
Alguns homens de Stannis estavam para fora de suas tendas naquele trecho do terreno acidentado, tudo por ali fedia a turfa molhada e a neve não parecia chegar ao solo, se é que à solo por aqui! A sensação de flutuação incomodava, muitos dos soldados feridos vomitavam e batiam os dentes de tanto frio. Não estão se dando bem com o menu daqui, o Targaryen sorriu internamente com o pensamento sórdido, quando passou pelas redes de folhas que camuflavam o terreno seco viu alguns rostos conhecidos, Sor Bells Fylagund e os mercenários do exército contratado por Davos. O cavaleiro caolho acenou para Jon quando o viu passar, na contagem dos homens que eram de cinquenta quando partiram de Castelo Negro agora, só se viam vinte e dois. O bastardo Bolton está mesmo acabando com Stannis pouco a pouco.
Em seu caminho dentro da torre, encontrou com, Mattos, Dale capitão do Espectro, Allard que estava com ataduras em volta da cabeça e dos antebraços, Devan o escudeiro do rei, os mercenários Yr, Kronn e o feroz Lynn. Só esses é que aparentavam não estarem gravemente feridos, Jon subiu as escadas, podia ver o rei de costas e seu cabelo ralo em uma galeria logo acima de onde ele estava.
— Chamou-me — a voz saiu seca e sem emoções.
Stannis se virou com uma expressão pacífica, seu queixo estava baixo e quando percebeu que Jon não estava de joelhos ele olhou para frente e sua face endureceu. Melisandre se limitou a sorrir sutilmente.
— Bem, Lorde Snow já faz muito tempo que está aqui em companhia de Howland Reed. — Colocou as mãos nas costas — me pergunto se finalmente resolveu aceitar minha oferta? — fitou a mulher vermelha que até ali, não havia falado nada.
— Não senhor.
— Então por que veio? — Stannis parou de lado e encarrou os frios olhos cinzas de Jon. — O fato de ter ficado um mês trancado naquela torre me diz algo perturbador...
— E o que seria esse pensamento, senhor? — Jon estava usando uma capa longa verde, roupas cranogmanas. — Não perca a calma — pensou, enquanto por debaixo da capa colocava a mão sobre o cabo da adaga.
— Vejo uma nova altivez em você, passou tempo demais com a senhora Melisandre — os dentes bateram uns nos outros com força.
— Vim trazê-la até vos — franziu o cenho e acenou na direção de Melisandre.
— Davos lhe falou, está conosco?
— Não, senhor. Sabe que não posso — mentiu, olhando em volta para ver e constatar que ali a maioria era de homens do rei e se fizesse algo imprudente seria muito difícil escapar.
— Já cheguei até aqui sem a ajuda da Patrulha, agora que minha sacerdotisa voltou, tenho uma chance de sair deste lamaçal. — A boca de Stannis fez um arco com as pontas para baixo. — O que sabe sobre a fortaleza no meio do pântano?
— Que não se deve ir contra ela de frente — deu de ombros. — Eu poderia ajudá-lo a conquistar o fosso.
— Ah sim, brilhante observação — deu longos passos exibindo as pernas magras nadando em suas botas.
Ele perdeu peso, deve ser a dieta de sapos e rãs. Refletiu Jon, passando os dedos na adaga oculta.
— Acha que não experimentei isso na prática? Me diga tem alguma solução ou só veio contar anedotas? — apoiou os braços na madeira que servia de parapeito e olhou com um ar de desconsolo para os homens no salão inferior.
— Não fui eu quem quis vir, o senhor mandou Sor Davos a minha procura.
— E por que ele não está aqui? — o rei pareceu desconfiado quando levantou uma das finas sobrancelhas.
— Houve contratempos em Castelo Negro ele resolveu ficar e falar com os senhores de outras casas do Norte.
— Alguns patrulheiros se amotinaram contra o Lorde Comandante — finalmente a Asshai’i falou.
— Fizemos um plano de batalha envolvendo o povo dessas terras, mas como você, Howland e seus vizinhos são teimosos e não desejosos de glórias. — Moveu a cabeça repetidas vezes em sinal de negação — me diga Snow, que homem resiste a um rei? — voltou para mesa cabisbaixo e abriu uma pele onde havia pintado um mapa das regiões pantanosas.
Não se pode ver nada nessa maldita escuridão, Jon foi até a pequena e instável mesa e pegou algumas velas para acendê-las no archote mais próximo. O Baratheon o olhava com impaciência com um dedo sobre um ponto do mapa.
— Na última investida, conseguimos chegar até este ponto — bateu duas vezes com o dedo. — Os Bolton vieram pelo flanco e tivemos muitas baixas, havia algo na água que reagiu ao fogo das flechas inimigas.
— E porque subiram essa colina no meio de um pântano? Para serem vistos mais facilmente pelos arqueiros! O senhor não está em mar aberto sor...
— E o que o grande Snow — disse com os dentes serrados — faria em meu lugar?
— Meu nome não é... — Jon pensou e relaxou. Ali não era hora para dizer que era um Targaryen.
O rei o olhou de soslaio e depois posou dois dedos nas grandes entradas que saiam de sua testa.
— Por que me trouxe de volta a garota que lhe enviei?
— Ela não é minha irmã, eram amigas de infância. — Jon observou o mapa mais de perto. — Jeyne é seu nome, fingiu ser minha irmã a pedido de um tal Lorde da Moeda de Porto Real, Peter ou Petyr não me lembro... conheces?
— Ah sim, Petyr Baelish um dos lacaios dos Lannister. Qual o interesse dele nisso tudo?
— Eu não sei, mas preciso resgatar minha meia-irmã no Vale de Arryn. Sansa não é minha irmã — o pensamento trouxe um sorriso feliz ao rosto do Targaryen.
— Do que ri, Snow?
O maldito insisti em me subjugar. Ele ouviu bicadas na madeira e se virou em direção a janela era o corvo de Mormont, Jon o reconheceu por causa do chumaço de penas cinzas logo acima do bico. “ Stark, grão, dragão, dragão”
— Bom... não posso ajudá-lo com seu resgate — se aproximou e deu uma tapinha no ombro do Targaryen. — Os olhos de Stannis pareciam querer dizer outra coisa.
Temos interesses em comum, um rei sabe negociar. Ele espantou a ave negra com as mãos. “Dragão, grão, grão”.
— Dragão... — Stannis franziu o cenho e apontou com um dedo para o alto.
— Eu ouvi grão — deu de ombros e fez cara de desentendido. — Maldito animal por que o Fantasma não o devora...
— Eu irei para o Ninho da Águia, mas preciso de alguns homens. Podemos se unir em um único proposito aqui, o que acha?
Stannis parou por um momento divagando, a expressão do rei mudou com a perspectiva.
— A Patrulha...
— Não — Jon o interrompeu empolgado. — Mas posso conseguir que os homens de Reed lutem por nós para defender suas terras e ganharmos a fortaleza. Depois disso estarão livres.
— E o que pedes em troca? — se aproximou cruzando os braços.
— Me dará devido suporte para que eu chegue ao Vale de Arryn e resgate minha irmã.
Por algum motivo mórbido que Jon não conseguia explicar, havia um novo brilho nos olhos do Baratheon parado a sua frente. Esse homem tem um plano oculto, toda vez que falo em minha irmã seus olhos parecem ganhar uma nova vida, os pensamentos dele eram de desconfiança, mas não havia nada concreto.
— Seria algo vantajoso, meu senhor, se dois Stark estivessem ao nosso lado. — Melisandre apareceu entre os dois homens com um largo sorriso nos lábios. — As grandes casas do Norte se uniriam a causa com mais facilidade. — Seus olhos rubros se moveram na direção de Jon.
Stannis pareceu meditar sobre tudo aquilo enquanto andava pela sala com a mão a frente dos lábios.
Parece-me que está tramando algo após a tomada do Fosso Cailin. Jon observava cada gesto do rei quando:
— Acredito que tenham razão — Stannis disse ainda com uma postura pensativa. — A filha legítima de Eddard Stark pode ser a chave para a reinvindicação destes territórios. — Levantou os olhos com uma dura expressão.
Jon tencionou o maxilar, chave para o norte, filha legítima, será que planeja algum tipo de aliança usando Sansa como espólio?
— Já que você é um bastardo e não aceitou ser reconhecido — finalizou o rei.
Aquele momento durou um bom tempo até que o nortenho resolveu falar novamente:
— Irei até Howland e falarei com ele sobre seus homens — andou em direção as escadas. — Eu preciso jogar o jogo dele até que ela esteja em meus braços — pensou o Targaryen.
Jon olhou da escada para Stannis que ainda o mirava com seus frios olhos azuis e Melisandre que havia estado a seu lado todo o tempo. Será que ela revelará meu segredo? Ele a encarrou até que ela fez um sinal positivo com a cabeça, não contará, está do meu lado agora. A troca de olhares trouxe uma sensação de alivio ao seu coração.
Ao sair fora da torre Priston o acompanhou, ele havia retornado das regiões da assolação onde alguns soldados Bolton estavam atacando um pequeno castro na região da Casa Cray. Eles seguiram discutindo sobre a possível tomada da fortaleza dos Primeiros Homens, era assim que os cranogmanos chamavam Fosso Cailin. Jon e o arqueiro concordavam em muitas estratégias para atacar os Bolton, e a guerrilha era a mais cogitada.
A princípio, os cranogmanos não queriam se juntar a luta armada de Stannis Baratheon e por duas semanas Melisandre, Stannis e Jon conversaram com Reed e com os senhores de outras casas de Atalaia da Água Cinzenta. Os primeiros a se juntar a causa do rei foram os Cray, a Casa Blackmyre, os Greengood, os Quagg e Boggs. No fim de muita conversas e promessas do rei a Casa Fenn e Peat também prometeram auxilío na tomada da fortaleza do pântano. Muitos perguntavam a Jon se iriam morrer ali, e ele nada respondia. Os homens de Celtyng treinavam os soldados de Stannis a moda cranogmana, a luta deveria ser sem armadura e com arcos e adagas, usando camuflagem e com muita paciência. O fato era que Fosso Cailin não podia ser tomado pelo lado de fora, um homem em pé no muro vale por dez. O Targaryen se lembrou dessa lição que aprendeu quando enfrentou os selvagens que tentaram escalar a Muralha sob o comando de Mance Rayder. Então vamos trazê-los para fora.
— Prixton — Jon chamou o rapaz loiro e magro como uma lança. — Me ajude com esses... — Ele não sabia o nome daqueles calçados.
— Vou ajudá-lo senhor. — O jovem Prix se aproximou ajoelhando-se para calçar aqueles sapatos finos e leves no pé esquerdo de Jon.
— Me parecem luvas para pés — o Targaryen falou com um ligeiro ar de desconfiança. Olhando para aquele calçado que era uma mistura de couro, seiva de borracha e tecido.
— Quando estiver correndo sobre a lama irá me agradecer. — Prix, como era mais conhecido, era o primogênito de Priston Celtyng e como seu pai era um excelente arqueiro.
O garoto dos pântanos mostrava a todos como se esconder entre as folhagens e usar seivas venenosas nas pontas de suas flechas, sua preferida era o limo viscoso que saía da pele de um sapo colorido. “Basta uma gota, um arranhão e em poucos minutos o inimigo está com alucinações que o fariam se jogar da muralha para a boca dos crocodilos que rodeiam o fosso”. Todos os cranogmanos se gabavam de conhecer bem a natureza, eles valorizavam muito uma cultura já esquecida nos Sete Reinos, o conhecimento dos Filhos da Floresta.
Jon estava voltando do campo de treinamento quando encontrou com Stannis Baratheon que o observava de cima de um terraço na torre principal.
— Estou impaciente com tudo isso, precisamos tomar a fortaleza o mais breve possível. — Disse as palavras sem olhar para Jon que se aproximava pela escada lateral.
O ruído de ordens sendo dadas e espadas se chocando tirou por um breve minuto a atenção de Jon, o rei rangeu os dentes em sinal de impaciência.
— Precisamos de mais homens. — Terminou de subir as escadas tirou as luvas e se debruçou sobre o parapeito imitando o rei.
— E quem virá? — as palavras saíram de forma sofrida.
— Os selvagens estão nas proximidades e Sor Davos deve ter... — Foi interrompido abruptamente.
— Onde estavam os selvagens quando saímos do Castelo Negro e vários homens foram mortos pelo maldito frio do Norte? Onde estavam os nobres Karstark, Umber e Glover? Além de escondidos em seus malditos castelos! — Jon percebeu que apesar da dureza no falar os olhos de Stannis estavam marejados.
— Precisa pedir ajuda, envie mensageiros! — Exasperou-se.
— Para onde! — Gritou se voltando para olhar Jon nos olhos. — Não meu jovem, estamos sozinhos nessa batalha.
— O Senhor da Luz nos dará a vitória — a mulher vermelha surgiu subindo as escadas do lado opostos de onde Jon havia vindo, Stannis se virou para encará-la.
— Tomara que o Senhor da Luz saiba lutar na lama — chacoteou Stannis.
Melisandre se limitou a sorrir para ambos os varões.
Jon tinha um plano e mesmo sem a aprovação do rei ele havia mandando dois mensageiros, um para a Muralha a procura de Sor Davos e outro para Guardamar. Iria contar-lhe o que fiz, Melisandre, Stannis e ele, estavam em mais uma discussão sobre batalha, suprimento, armamento e chances de vitória já se passara um mês e alguns dias que o impasse e o desânimo preenchiam os corações dos homens e principalmente daqueles que estavam feridos. Dura é essa missão, o Targaryen queria fugir dali, então virou as costas para o rei e saiu. Stannis ficou boquiaberto com a atitude desrespeitosa, mas foi impedido pela umbromante de interromper o devaneio do homem.
— Mulheres! — Priston apareceu bebendo um corno de vinho condimentado.
Jon pegou o corno da mão do arqueiro sem prévio aviso e deu uma longa golada.
— Como sabe? — Se encostou na parede próxima apoiando as costas e um pé, cruzando os braços e baixando o olhar.
— Seus olhos brilhantes — fez um sinal de explosões com os dedos.
Jon riu disso.
Preciso responder à mensagem de Sansa, ela deve estar se questionando se eu recebi ou não a sua mensagem. Ele pensou enquanto tomava mais um gole da bebida quente e cheia de especiarias.
— Preciso mandar uma mensagem para o Ninho da Águia.
— Não temos corvos aqui bonitão, terá que mandar um mensageiro. Vai demorar um pouco mais para a mensagem chegar até a fortaleza Ândala. — Celtyng encarrou o homem a sua frente com um ar de descrença que logo mudou quando a expressão de Jon se manteve firme. — Eu não acredito que fala sério? — balançou a cabeça negativamente.
— Preciso avisar a minha... — Jon parou para pensar —, avisar Sansa Stark que estou aqui, e logo irei buscá-la. A mensagem deve ser entregue a ela, apenas a ela.
— Será uma missão quase impossível.
Eu sei, mas tenho que tentar, tenho que encontrá-la. Jon pegou a mensagem que havia escrito.
— Guarde-a a salvo e só entregue a ela... — Parou quando viu Melisandre se aproximar. — Pelo dragão de Gelo.
— Por que não manda o seu corvo, meu senhor — parou deixando as mãos postas à frente do corpo. — Seria questão de algumas horas para a mensagem chegar até Sansa Stark.
Está acontecendo alguma coisa aqui e só eu que não estou sabendo o quê. Desde que havia chegado em Atalaia o Targaryen havia parado te ter alucinações sexuais com a sacerdotisa de R’hllor. Tudo não passou de bruxaria e ilusão, Jon se consolou internamente.
— Não sei como fazer o Corvo de Mormont levar uma mensagem.
— Sabe sim —, Melisandre começou a andar em direção a entrada da torre.
Jon e Celtyng a seguiram.
— Da mesma forma que faz com seu lobo — os olhos vermelhos o olharam risonhamente.
Como essa maldita mulher sabe dos meus sonhos de lobo?
— Há um poder em você Jon Targaryen — começou a subir as escadas rumo a sua pequena cela.
Jon esbarrou em alguns homens que vinham descendo, Sor Justin era um deles, mas não quis se deter ali por que queria mandar a mensagem para Sansa o mais rápido possível. Ele nunca havia estado daquele lado da torre, ali tudo era escuro e raízes e samambaias apareciam nas paredes do estreito corredor, e o chão estava repleto de pequenos animais que furtivamente se escondiam em frestas no chão ou nos rodapés. Eles entraram na pequena cela que estava servindo de quarto a mulher vermelha, não havia lareira só dois braseiros onde o fogo ardia alto e forte, Melisandre foi logo até a única cadeira que havia no cômodo e a arrastou para que ficasse de frente para a cama onde se sentou e acenou para que Jon sentasse na cadeira.
— Ira me mostrar uma visão no fogo? — se assentou.
— Xiii... — A mulher parecia impaciente. — Olhe-me nos olhos.
Jon e o arqueiro deram uma rápida troca de olhares entre si, não saia desta cela, pensou. Ele se concentrou nos olhos rubros da umbromante, o calor do braseiro a sua direita vinha em lufadas de ar quente na sua face e aquilo era relaxante. O que irá acontecer aqui? Os olhos, estão em chamas... agora estão negros como de um corvo. Em um momento Jon se viu olhando para si mesmo sentado na cadeira desacordado, Priston o fitava parado atrás da porta e a mulher vermelha continuava sentada a sua frente, não conseguiu entender até que sentiu algo se aproximar dele, era cálido e puníceo. Quem está aí? Seu pensamento ecoou como um alarido de trombeta. O corvo Jon, voe até o corvo, a mancha vermelha parecia se mover em alta velocidade e de repente passou pelas árvores e pelo teto de alguma edificação e aterrissou no quarto de Howland Reed, Fantasma, sentiu algo o puxar para dentro do lobo, não, o corvo, o corvo dizia o borrão vermelho que começou a se fundir com a sua carne. Uma sensação causticante tomou conta de sua cabeça e ele percebeu que de alguma forma Melisandre o estava levando até o corvo. Senhora, o que está fazendo? A visão mudou, o corvo, voe com asas de corvo, voou para a janela da cela onde seu corpo estava desacordado. O vento era frio e os barulhos da noite chegavam-lhe aos ouvidos. “ Priston, mensagem” ouviu o corvo de Mormont crocitar na sua cabeça, o atarracado arqueiro se aproximou com um pequeno embrulho enrolado em tiras de couro. Quieto! Oh, oh, Jon ouvia Celtyng lhe disser, mas não conseguia respondê-lo. A mensagem senhor, leve-a para sua amada, ele olhou por cima do ombro e viu a névoa carminada em suas costas. Para onde vou? A noite ganhou formas nos olhos e o forte vento tocava-lhe o corpo, que sensação é essa? Pensou, e ouviu uma resposta; vá em direção do Ninho da Águia. Um forte ardor tomou suas costas e ao olhar por sobre as asas negras viu um ser horrível todo avermelhado que mais se parecia com uma fumaça. A velocidade era tanta que a neve parecia passar em lentos anos de queda livre até o solo que não podia ser visto daquela altura.
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