O Trono de Gelo e Fogo
16 A Fuga

Arya percebeu quando Mya subiu pelas correntes e rapidamente se jogou em cima de uns fardos de arroz que estavam no chão da dispensa da cozinha, preciso me esconder. A Stark mais nova era rápida no pensar e no agir, se escondeu dos olhos da garota alta que se vestia como um homem.
— Onde Lady Sansa está? — perguntou a uma das servas da cozinha.
— Ela passou mal e está com o cavaleiro no quarto de Lady Lysa — respondeu a mulher sem se virar.
Ao ouvir isso Mya jogou o que parecia ser uma clava junto dos talheres que estavam em um barril cheio de água quente e louça suja e saiu correndo.
Passou mal uma ova, ela se jogou nos braços dele aquela maldita ruiva. Arya estava com fortes desconfianças de que Sandor estava totalmente envolvido com a sua irmã mais velha. Depois que os pegou juntos no quarto ela ficou furiosa, mesmo não querendo admitir para si mesma, Arya já estava se sentindo deslocada das outras pessoas do Ninho da Águia, ela queria mais, ela queria ir a Braavos.
— Calada velha — Arya se preparava para descer no mesmo cesto que Stone havia subido. — Eu corto tua garganta fora.
O cesto começou a ser puxado para baixo Arya pensou rápido e se lançou nas correntes se segurando com mãos e pernas até escorregar e ficar dentro do cesto em segurança. Maldito Cão, vou fazer pior que matá-lo... vou abandoná-lo sem dona. Estou de volta à ativa. Antes de fugir Arya foi ao quarto de Sansa e pegou as roupas de Mya, tirou seu vestido suntuoso e se vestiu de calções e casaco de couro, pegou uma grossa capa e Agulha e decidiu fugir do Ninho. Eu não vou bancar a ridícula neste maldito castelo.
Quando desceu no Castelo Céu um homem gordo com grossas suíças no rosto a olhou de cenho franzido.
— O que está olhando preciso ir ao portão idiota —, Arya continuou em frente. — Se parar eles vão descobrir. — Farejou no ar o cheiro de um estábulo.
Ao entrar no ambiente percebeu que não havia cavalos só mulas. Pelos deuses do Norte, vou ter que descer em uma dessas coisas. A Stark já estava selando um animal quando terminou de pensar, sua respiração estava acelerada com a excitação da fuga. Dois homens passaram por ela, Arya baixou a cabeça para não ser reconhecida ali puxou as rédeas da mula fazendo o animal ficar entre ela e os homens e prosseguiu para as rampas. Apesar de ter feito o caminho uma única vez Arya se lembrava bem dele. Por que Sandor... puta-que-pariu não é hora de sentimentalismo garota. Se repreendeu mentalmente quando montou na mula e começou a passar pelos portões onde havia dois guardas no passadiço armados com longas lanças.
— Deuses! — Exclamou Arya quando se deparou com a escada e a neve que caía furiosa. — Calma como águas paradas, se aquela mula da Mya consegue eu consigo — avançou descida a baixo.
Seguiu muito devagar no começo, mas após alguns degraus tomou coragem e acelerou a mula, quando chegou em uma depressão muito estreita, desceu da montaria para guiar a mula pela direita dos degraus quebrados ali naquele trecho do caminho parecia ter havido um deslizamento de rochas. Quando o caminho começou a alargar novamente árvores apareceram ladeando a estrada e Arya montou e acelerou o trote da mula até chegar em outra fortificação que ficava no meio da escadaria. Não posso parar aqui tenho que continuar. Cobriu o rosto com um grosso lenço de lã e puxou o capuz do casaco para cobrir-lhe a cabeça. Por favor, por favor, ela viu que o portão estava fechado e havia uma movimentação de homens no pequeno pátio.
— Abram o portão! — Gritou um homem de cima da torre.
Devem ter me confundido com a bastarda. Arya não era tão alta quando Mya mais com aquelas roupas e a capa não tinha como ter certeza.
Naquele pedaço, o caminho estava bem mais limpo, porém a visualização estava ruim o vento chicoteava de ambos os lados em rodamoinhos. Isso está ficando perigoso, mesmo assim Arya acelerou ainda mais a mula, ela tinha pressa. Ela ainda tinha que bolar um plano para roubar um cavalo e passar o último portão o que sempre estava fechado.
O céu já estava ficando escuro quando no meio da nevasca ela conseguiu visualizar tochas nas torres do castelo que ficava na base da escadaria. Estou quase lá, só mais esse e chegarei aos portões...
Enquanto estava pensando, a mula deu um zurro e escorregou se estatelando no chão, Arya se desiquilibrou e caiu da sela, mas segurou firme as rédeas e ficou presa na face do abismo:
— Aaah! — Gritou de dor, ela havia machucado o antebraço na queda e sangue escorria de uma ferida. — Não posso morrer aqui.
A mula ameaçou escorregar de novo Arya soltou as rédeas e se agarrou a pedra nua, balançou o corpo para pegar impulso e se arremessou para poder colocar os pés sobre uma raiz que se projetava do meio das rochas. Conseguir! Respirou fundo e começou a subir de volta para o caminho. Ao subir ela ficou um pouco de joelhos na neve para recuperar-se do susto, em seguida pegou a mula pelas rédeas e continuou a descida a pé até tomar confiança para montar novamente, ela passou por Pedra e chegou ao Portão da Lua que estava com a portinhola aberta, mas havia um guarda armado a seu lado. E agora como faço para passar sem ser reconhecida? Arya deu meia volta e se dirigiu para os estábulos, se era para forçar a sua saída então era melhor um cavalo dos grandes. Covarde e Estranho estão nos estábulos, pensou.
Os homens estavam agitados todos correndo para dentro de um grande salão, Arya não conseguiu juntar informações sobre o ocorrido, ela foi para os estábulos e logo localizou a baia de Estranho, o grande corcel de batalha estava quieto e bem alimentado, mas quando a garota colocou as mãos na trave da porteira ele se agitou. Inferno, não vou conseguir montá-lo sem Sandor está presente. Estranho tentou morde sua mão e Arya entendeu que realmente não conseguiria domar o cavalo de pelos negros. Ela viu que Covarde estava na baia do lado, abriu a porteira e pegou uma sela para aparelhar o animal, preciso sondar esse forte para ver se não existe outra saída que não seja o portão principal. Arya se sentou no feno e pensou um pouco, já sei, a passagem lateral por entre os muros. Pegou as rédeas de Covarde e começou a guiar o cavalo branco, Arya se lembrava que a passagem era baixa e estreita, mas era possível passar com um cavalo se não houvesse alforje ou cavaleiro nele.
Arya circulou por detrás do estábulo e passou logo, entrou na passagem secreta entre os muros da fortaleza dos Royce, ela foi rápida e contou com a ajuda da neve que caía furiosa e o céu já escuro. Quando chegou na grande porta de aço tateou com as mãos em busca da barra de abertura quando a achou teve que fazer uma enorme força para levantá-la, dali em diante Arya teria duas opções seguir para o Portão Sangrento ou para algum dos portos do Vale de Arryn. Se for ao portão não me deixarão passar, lá sempre está fechado. Continuou guiando Covarde pela lateral do muro para ficar longe da visão das duas torres na cabeça do portão. Se for para a aldeia poderei pegar um navio até... olhou para a moeda de Braavos, depois fechou a mão bem firme sobre a moeda:
— Valar morghulis — Arya montou em Covarde. — A lista precisa ser retomada... — guardou a moeda braavosi. — Cersei, Ilyn Peyne, Meryn Trant, Mindinho, Roose Bolton... e alguns nomes devem ser acrescentados...
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