Notas iniciais
Contem cenas de sexo violento e ritual de magia.

Não dava para saber se era dia ou noite, a neve estava caindo em uma grande quantidade cobrindo o céu como um manto branco o vento leste soprava gélido e assobiava uma triste canção. Alguns irmãos da Patrulha se exercitavam com espadas no pátio próximos da grande fogueira, os construtores trabalhavam arduamente para manter o nível baixo da neve que se espalhava pelo chão na entrada do Salão dos Escudos e da Sala Comum.

O Lorde Comandante entrou no Salão Comum onde alguns homens faziam seu desjejum, se dirigiu diretamente para a mesa alta e tomou lugar na cadeira do meio. Grenn apareceu em seguida carregando uma bandeja com presunto, ovos, pão e cerveja com limão.

— Aqui está Lorde Comandante — Ele colocou a bandeja na frente de Jon e se assentou ao lado.

Jon olhou para a comida, será seguro comer? O perigo de ser envenenado estava óbvio, não era hora de confiar em ninguém.

— Eu já provei toda a sua comida — Green estendeu a mão e tomou um gole da cerveja do corno de Jon. — É seguro.

Jon cortou uma fatia do presunto e misturou com os ovos mexidos levando uma grande garfada a boca e bebericou a cerveja com um leve sabor cítrico no final. Ele se lembrou do Velho Urso que vivia dizendo: Só possuo todos os meus dentes por que toda manhã bebo cerveja com limão. Sorriu internamente. Ao observar o meio do salão Jon deu de cara com os olhos de lince de Sor Alliser que o encarava enquanto cochichava com alguns novos recrutas. O Lorde Comandante já sabia que cedo ou tarde teria de confrontá-lo, de alguma forma Jon sabia que Thorne fazia oposição a sua liderança. O motim fora só uma tentativa, Jon tratava a comida a sua frente como se fosse um adversário, fazia ruído ao usar os talheres.

As pessoas no salão começaram a parar de comer, Jon sabia que já estava na hora de interrogar os prisioneiros da Mata de Lobos. Theon e a garota haviam passado uma noite em uma cela de gelo. Jon não demonstrou misericórdia com nenhum dos dois, ele culpava Theon pela queda de Winterfell e o desaparecimento de Bran e Rickon. O Comandante da Patrulha da Noite havia dormido mal, ele estava intrigado com a garota que dizia ser sua irmãzinha. Jon Snow de alguma forma sabia que a garota não lhe era estranha, mas não era a sua Arya.

Jon terminou de comer e colocou suas luvas de toupeira, se levantou e se dirigiu para fora do salão, Grenn o seguiu. Ao passar pelo pátio de Castelo Negro fez um sinal com a mão para Rory e Elron:

— Traga-me os prisioneiros! — Gritou, e seguiu para a cela que usava como sala na base da Torre do Rei.

Jon sentia as cicatrizes da sua mão arderem com aquele frio, cedo ou tarde terei que confrontá-lo. Ele não podia aceitar que se opusessem a seu comando e a suas ordens. Isso geraria mais rebelados, um exemplo de punição deveria ser dado, afinal todos ali serviam a Causa do Reino dos Homens. Eram soldados da Longa Noite, da Vigília Noturna o Escudo do Reino de Westeros.

— O que quer? — ao entrar pela porta Jon avistou Clydas que vinha a seu encontro.

— Senhor Comandante, tenho uma mensagem que chegou do Ninho da Águia. — Estendeu o pequeno papel para Jon.

Jon o pegou com curiosidade, os Arryn se mantiveram neutros todo esse tempo o que querem os parentes de Catelyn comigo? Pensar na esposa de Ned Stark trouxe a Jon um sentimento de negação e ele colocou o pedaço de papel dentro da pequena bolsa que trazia atada ao cinto.

— Não vai ler?

— Agora não tenho tempo para isso. — Snow colocou a mão na frente do rosto de Clydas como um sinal de que a conversa acabara. Ele continuou andando para a sua cela.

Ao abrir a porta flagrou a Senhora Melisandre sentada sobre seu cadeirão, ele a observou por um tempo.

— Deseja algo de mim Senhora? — Tirou a capa de suas costas com a ajuda de Grenn.

— Não, mas o Senhor precisará da minha. — Levantou-se e caminhou para perto da lareira e quando estendeu as mãos o fogo dobrou de tamanho.

Jon achou melhor não tecer nenhum comentário sobre aquilo e deu a volta pelo lado oposto da sala para não passar por detrás da sacerdotisa. Quando se assentou ele sentiu o quão quente estava seu cadeirão, mas se manteve frio aquela situação.

— Grenn... saia — ordenou sem olhar o companheiro.

Grenn olhou para a mulher vermelha e em seguida para Jon, e saiu pela porta fechando-a atrás de si.

— O que quis dizer com isso?

Melisandre se aproximou de Jon sentando-se na ponta da mesa e ficando de frente para ele.

— Acha que permitirão sua partida?

— Não pretendo ir a lugar nenhum a não ser que vá prestar auxílio a Stannis...

— Não é isso que fará — se inclinou para frente exibindo o colo branco enfeitado com o colar de sempre e seus redondos seios.

Jon Snow estava prestes a questioná-la, quando:

— Lorde Comandante — Elron e Rory entraram pela porta sem aviso previu, estavam trazendo os prisioneiros.

Jon se levantou do cadeirão e pegou Theon pelo colarinho de sua esfarrapada vestimenta que Snow não conseguia identificar o que era. Greyjoy estava vestido com verdadeiros trapos e as pontas dos dedos de sua mão estavam azuis. Ele gemia e choramingava, mas o Comandante não conseguia entender o porquê.

— Diga-me Theon onde estão Bran e Rickon? Por que traiu Robb? — Sacudiu a cabeça de sua vítima para ver se as palavras tomavam um rumo.

— Não... não Theon, meu Lorde, Fedor. Agora sou Fedor.

Jon estava perdendo a paciência, ele pensou que estava sendo motivo de piada e esmurrou o homem até que sangue aparecesse entre seus dentes. Theon caiu de joelhos e Rory o levantou novamente.

— Está me irando, Theon. Eu não serei piedoso como Robb era. — Deu-lhe um chute entre as pernas.

Jeyne Poole ainda usava suas roupas esfarrapadas de lã que um dia fora branca, quando Jon se voltou para ela ouviu-se na cela um barulho de liquido sendo derramado e o cheiro forte de urina tomou conta do ambiente.

— Quem é você de verdade? — ao fazer a pergunta ele a segurou pelo pescoço com força para poder levantar seu rosto e vê-la com o máximo de atenção. — Jeyne? Pelo dragão de gelo, é você... responda? — Jon arfava por causa do nervosismo. — Preciso saber onde minha irmã está. Enquanto pensava largou o pescoço da garota.

O Comandante da Patrulha reconheceu a garota que era amiga de sua querida meia-irmã Sansa Stark. Na noite em que ele a capturou devido a escuridão e a neve, a sujeira e os hematomas no rosto, Jeyne não fora identificada de imediato por Jon.

— Por favor senhor não me machuque mais... — se ajoelhou na própria urina com as mãos postas. — Eu serei para o senhor, o que o senhor quiser.

Jon pensou um pouco naquilo:

— Jeyne, fique calma e me conte porque diz ser Arya Stark? — ele a ergueu e a sentou em um banco de madeira lançando sobre ela uma capa para aquecê-la. — Se Sansa estivesse aqui ficaria orgulhosa da minha gentileza.

Todos na cela ficaram em silencio para poder ouvir a história que a garota iria contar. A voz de Jeyne era baixa e ela estava se assustando com qualquer barulho a sua volta. Demorou um bom tempo para que ela começasse a falar com coesão.

Ela contou como foi entregue a tutela de Lorde Petyr Baelish logo após seu pai ser morto pelos Lannister. E sobre o plano de se passar por Arya já que Jeyne não era uma pessoa importante e poderia ser morta por qualquer capricho que seja. Arya estava desaparecida e Jeyne era a única pessoa que poderia se comportar como ela por que foram criadas juntas em Winterfell e seria fácil se parecer com a amiga de infância. Ela foi mantida a salvo por Petyr em um de seus bordeis onde aprendeu como satisfazer um lorde e depois de um longo tempo foi colocada em um navio que seguiria para o Ninho da Águia onde ela se encontrou com Sansa Stark a sua melhor amiga de infância.

— Então Sansa está viva? — Jon a interrompeu se levantando do cadeirão de supetão.

— Sim, Lorde Petyr a salvou quando o Rei Joffrey foi envenenado em seu próprio casamento.

— Maldito, — Jon caminhou de um lado para o outro com a cabeça baixa e os braços cruzados. — O que esse tal Petyr fez com a minha irmã? — A cela que não era lá grandes coisas pareceu diminuir ante o ímpeto que o Lorde Comandante demostrava. —Se esse bastardo abusou dela eu vou matá-lo.

— Nada Senhor, ele nos levou para o Ninho da Águia para a tia de Sansa. Depois de alguns dias me levou para Winterfell para se casar com Lorde Bolton no lugar de Arya para salvar Sansa. Eu concordo em salvar Sansa, ela é boa.

Jon percebeu algo de doentio na forma como Jeyne Poole falava.

— Onde está minha irmã agora?

— Sansa está no Ninho da Águia no Vale de Arryn.

Jon se voltou para as chamas da pequena lareira como se procurasse luz para seus pensamentos. Saber que Arya estava desaparecida desde a morte de seu pai não era uma boa notícia, já a parte que Sansa estava viva era ótima. Jon sofreu ao pensar na sua bela irmã sendo abusada por quem quer que seja e cerrou os punhos com tanta força que todos na sala ouviram o couro das luvas rangerem sobre a pressão.

— Quem é esse Lorde Petyr? Por que ele as ajudou? — disse asperamente, a paciência de Jon já estava no seu limite.

— Ele é o Senhor da Moeda em Porto Real...

Snow segurou Jeyne com as duas mãos obrigando-a a olhá-lo no rosto.

— Jeyne... — fechou os olhos —, preciso que me diga a verdade.

— Eu juro pelos Sete que não estou mentindo Senhor! — Choramingou — está me machucando, por favor pare.

Jon a largou.

— Petyr se casou com Lady Lysa e conseguiu abrigo para Sansa e eu no Ninho da Águia por que lá os Lannister não podem entrar.

— Rory, prepare meu cavalo, Elron leve Jeyne para minha cela no alto da torre e a tranque lá.

Rory saiu pela porta às pressas.

Jeyne ficou desesperada ao ouvir Jon falar e se jogou a seus pés implorando que ele não a machucasse. Elron a pegou pela cintura fina e a colocou por sobre os ombros e a levou aos gritos.

Por um tempo Jon ficou com as mãos apoiadas na mesa pensando o que faria com aquelas informações, se ele devolveria Jeyne para Ramsay e como resgataria Sansa do Ninho da Águia, Sansa era uma refém ou uma hospede lá? Não sabia as respostas.

Os olhos de Jon encontraram Theon encolhido no canto da parede.

— Maldito é tudo culpa sua — andou a passos largos e esmurrou o moribundo.

— Acalme-se Lorde Comandante. — Melisandre interveio com sua já conhecida altivez fazendo Jon se conter. — Este ser não é mais homem para lhe oferecer alguma ameaça. O senhor precisa de minha ajuda agora.

Jon não sabia o que responder.

O vestido vermelho esvoaçou com a leve brisa que passava pela única janela da cela e os olhos vermelhos da umbromante brilharam como chamas. Ela retirou da manga do longo vestido um frasco com liquido transparente e o derramou em uma bandeja de metal e levou ao fogo por alguns minutos, depois colocou as palmas das mãos no liquido que tomou uma tonalidade azulada. Theon começou a balbuciar palavras sem nexo, enquanto Melisandre se aproximava fazendo sinal para que Jon segurasse os braços de Greyjoy. A sacerdotisa vermelha colocou as mãos sobre o rosto do homem que começou a gruir de dor enquanto saía fumaça de sua face. O rosto de Theon ficou deformado, mas Melisandre o puxava para lá e para cá, Jon não conseguia ver o que ela estava fazendo, mas queria que terminasse logo, a cessão de tortura durou um bom tempo até que Theon desmaiou e Jon o deixou caído ali mesmo no chão frio.

Jon pegou o vaso de barro que estava no aparador e derramou um pouco de vinho em um corno e olhou para a mulher vermelha assustado bebendo tudo em um só gole.

— O que você fez com ele?

— Ainda não terminamos... — ela sorriu maldosamente.

Jon sabia que a mulher se lançaria novamente sobre ele, deuses quando aquilo iria acabar? Pensou na magia que ela acabara de fazer, e pensou que Theon merecia todo esse sofrimento antes de ser executado por ele. Jon já havia olhado nos olhos de Greyjoy e visto sua culpa por ter traído Robb seu meio-irmão. Quando deu por si Melisandre o beijava e o acariciava com a mão por sobre seu calção.

Melisandre sussurrou algumas palavras em outro idioma no ouvido de Jon e ele relaxou, na verdade não viu mais nada a sua frente. Ele a segurou pelos cabelos com força e a jogou de costas sobre a mesa espalhando os objetos por todo o chão. A umbromante arfou, Jon desatou logo os cadarços de seu calção e entrou nela apressado, o corpo branco se arqueou por dentro do vestido vermelho e os seios saíram pelo decote balançando em um movimento continuo. Snow segurou suas pernas e a mulher se segurou com os braços em volta de seu pescoço.

— Isso irmão... — sussurrou Melisandre aos risos.

— Aaarght! — Gruiu Jon como um animal quando a levantou da mesa segurando-a pelas pernas com os dois braços.

Jon levantou Melisandre da mesa e jogou-a de costas para a parede ficando de pé na frente dela e forçando seu membro viril ainda mais fundo para dentro da mulher.

— Um rei precisa aprender a magoar aqueles que ama... — ela enterrou os dedos nos cabelos negro de Jon e puxou com força para trás, ele se desiquilibrou e deu alguns passos se encostando na mesa para se equilibrar.

Foi a vez de Melisandre ficar por cima de Jon o deitando na mesa com um empurrão violento. Jon sentiu o corpo queimar e quis tirar toda a roupa, mas não havia espaço nem tempo para isso, A mulher vermelha já havia abraçado seu corpo com suas longas pernas e montava furiosamente nele. Ambos sabiam que a hora do prazer estava próxima.

— Quanto mais resistir... — levantou o rosto de Jon para perto do seu — melhor será.

Jon a estapeou e se levantou da mesa fazendo Melisandre cair no chão, a pegou pelos cabelos vermelhos e a levantou jogando-a de frente para a mesa e ficando atrás dela. Abriu ainda mais o decote vermelho até que ele caísse sobre o corpete que demarcava a cintura finíssima da sacerdotisa, levantou o vestido até a anca da mulher, Melisandre tentou resistir, mas foi em vão; o Senhor Comandante a segurou pela nuca forçando-a a olha para baixo enquanto a invadia novamente.

Jon sentiu todo o corpo ficar em êxtase, e os músculos de suas pernas tencionarem tanto que ficaram dormentes, ele esbofeteou as próprias pernas e a carne branca de Melisandre até ficar vermelha como o vestido que ela usava. Sem aguentar mais, Jon relaxou e deixou que aquele calor saísse dele e fosse despejado na sacerdotisa.

Jon deu por si ainda na sua cela, e Melisandre virava o corpo de Theon para poder olhar o rosto dele.

— Me ajude aqui! — Ordenou.

Jon se levantou, mas antes de ir ajudar a mulher de longos cabelos vermelhos passou a mão pelos próprios calções para verificar se estava sonhando ou se aconteceu mesmo alguma coisa entre a umbromante de Asshai e ele.

— O que estamos fazendo aqui? — Jon percebeu que seu membro viril estava semi-ereto. — Senhora o que fez com Theon?

— Os homens de Alliser estão vindo buscá-lo.

Jon percebeu que Melisandre estava rasgando e tirando as roupas esfarrapadas de Theon. Ele fez menção de ajudá-la, mas ela o mandou tirar as roupas.

— O quê? Isso é doentio Senhora. Como pode pensar em alguma coisa dessas ...

— Não estou pensando nada Jon Snow. — Se levantou com uma expressão séria. — Estou tentando ajudá-lo. Os traidores estão tramando contra sua vida. — Ela voltou a tirar as roupas de Theon.

— Por que devo tirar as minhas roupas?

Melisandre apontou para o rosto de Theon Greyjoy.

O Lorde Comandante ficou boquiaberto ao se ver ali deitado no chão, seu cabelo negro seu rosto sua barba tudo igual.

— Que merda de bruxaria você fez mulher? — Agarrou Melisandre pelo pescoço e examinou seu corpo. Ele buscava alguma marca no corpo dela que denunciasse se eles realmente consumaram algum ato sexual ali. — Não vejo nada...

— Dar a chance de ir resgatar sua irmã — sussurrou com muito esforço.

Jon a libertou, ele sabia que os irmãos da Patrulha não o deixariam sair de Castelo Negro para salvar Sansa no Ninho da Águia. A Patrulha não se mete em questões do reino de Westeros. E havia muitos na Muralha que desejavam mais um motivo para depor Jon de seu cargo e executá-lo como traidor da Patrulha.

Jon não disse mais nada e as pressas começou a tirar as roupas, seu gibão negro de couro fervido, a cota de malha a camisa de lã, cinto e o chaps de couro, suas botas, calções de grossa lã negra. Ele ficou apenas com uma camisa de ráfia e o calção íntimo do mesmo tecido.

Melisandre pediu a Jon que colocasse o corpo de Theon sobre a mesa, o Senhor Comandante não sabia dizer se a mulher havia limpado a mesa agora ou se foi ele na hora do... ou será que aquilo tinha realmente acontecido? Jon não sabia a resposta e ignorou o pensamento.

Eles vestiram Greyjoy com as roupas da Patrulha, Jon pegou Garralonga e nesse momento se lembrou da mensagem que Clydas o havia entregue. Vasculhou a bolsa que estava no cinto de Theon que havia sido seu e pegou a mensagem. Sentiu um cheiro familiar, um aroma adocicado, mas não era hora para ler a mensagem e a guardou no cinto de Garralonga atando a espada na cintura e se cobrindo com a capa vermelha da senhora Melisandre. Jon colocou Theon sentado sobre o cadeirão e saiu da cela, ele e a sacerdotisa decidiram passar um de cada vez pelo pátio para não chamarem a atenção. Sem dificuldades, devido a neve e o frio ninguém prestou atenção em ninguém, eles foram em direção aos estábulos.

...

Alliser Thorne havia pego Rory nos estábulos preparando a fuga de Jon Snow, esse motivo se somou a outros tantos que o Senhor Comandante já havia dado a muitos irmãos da Patrulha para se rebelarem contra seu comando. Sor Alliser se aproveitando da ocasião, juntou alguns patrulheiros antigos e recrutas novos e foi até a Torre do Rei. Chutou a porta e encontrou Jon Snow sentado no cadeirão lendo mensagens.

— Peguem o traidor! — Gritou apontando o dedo em riste.

A cela foi invadida por Corvos com suas adagas nas mãos, Jon se assustou e disse algo inaudível, esticou o braço para pegar algo ao seu lado, mas em um único movimento Thorne sacou sua espada longa e decepou o braço direito do Senhor Comandante que caiu no chão gruindo, os outros patrulheiros caíram em cima de Jon Snow sobre gritos de: Pela Patrulha! Pela Patrulha! Enquanto Sor Alliser apenas observava com seus frios olhos de lince.

...

O vento assobiava em seus ouvidos mesmo com o capuz da capa vermelha sobre a cabeça e um lenço enrolado no rosto, Jon Snow podia sentir o salpicar da neve que vinha em sua direção com violência. Ele usava roupas emprestada de um cavaleiro da guarda de Selyse, roupas que não eram apropriadas para o inverno no Norte de Westeros, como arma, mantinha apenas Garralonga atada na cintura uma adaga e sua força de vontade. Fantasma seguia ao seu lado saltando entre um banco de neve e outro, Melisandre vinha logo atrás. Eles seguiram pela Estrada do Rei até o Rio Último depois seguiram o rio entre as montanhas para despistar quem os seguissem, Jon queria ir até a Baía de Gelo e tentar ir até a Ilha dos Ursos ou pegar um navio e chegar no Gargalo de onde seria mais fácil chegar ao Vale de Arryn.

Jon avistou duas pessoas a sua frente e fez sinal para Melisandre frear sua égua cinzenta.

— É Sor Justin. O que faz aqui?

A égua de Melisandre passou por Jon fazendo ruído com o casco na neve.

— Eu pedi a ele que trouxesse a garota e nos levasse até Stannis.

— Não posso — o cavalo de Jon relinchou, ele o acalmou dando palmadinhas no seu pescoço. — Preciso seguir rumo ao Vale de Arryn. Estou grato que tenha salvado Jeyne. — Olhou para Justin Massey. — Eu havia me esquecido completamente dela...

— Stannis está com os cranogmanos — sorriu com a bochecha avermelhado. — Howland Reed está muito doente e deseja falar algo ao senhor antes do fim.

Jon não sabia o que pensar daquilo tudo, ele já ouvira falar do Senhor de Atalaia da Água Cinzenta, mas nunca o viu na vida. Uma coisa o intrigou:

— Sor Justin, ele contou alguma coisa sobre a batalha na Torre da Alegria em Dorne? — Jon tirou o lenço de sobre o rosto para poder falar com mais clareza.

— Não, mas ele é o único sobrevivente da épica luta já que Ned Stark está morto. Desculpe senhor. — Parou de rir quando percebeu que Jon não gostou do que ouviu.

— Já que é para o Gargalo que estamos indo é melhor não demorarmos mais aqui. Não sei até quando R’hllor manterá a magia no rosto de Theon. — Olhou para Jon com um sorriso de canto de boca.

— Jeyne... está tudo bem? — Jon se incomodou com o silêncio da garota pálida de cabelos castanho-escuros.

Jeyne apenas balançou a cabeça.

Snow olhou para ela e depois para Melisandre. Será mais um maldito truque? Mas parece tão real... pelo dragão de gelo! Como não havia certeza Jon resolveu deixar isso para depois.

Massey, Melisandre, Poole e Jon seguiram com dificuldade pelas montanhas até a Mata de Lobos onde resolveram passar a noite, se é que já era noite; e descansar um pouco naquele local era perigoso, mas o grupo não poderia avançar mais. A neve caía furiosa e não era possível enxergar mais que uns cinco metros à frente. Eles estavam muito próximos de Winterfell o que garantia mais perigo ainda, era certo que os homens de Bolton ainda estavam procurando por Jeyne e Theon. Sor Justin ficou com a tarefa de construir um abrigo em uma rocha escapada, ele cortou alguns galhos nas árvores e bateu a neve, fez uma estrutura de galhos mais densos encostados na depressão da montanha formando uma tenda grande o suficiente para esconder até os cavalos e depois colocou vários galhos com folhas espeças para camuflar e também segurar um pouco o frio. Jon saiu para caçar com seu lobo gigante, ele demorou um bom tempo para voltar trazendo apenas dois esquilos. Melisandre fez uma fogueira e esfolou a caça, colocando-a para assar em pequenos espetos improvisados.

— Quantos homens Stannis ainda tem? — Jon se recostou na parede de pedra. A chama da fogueira estava enfraquecendo devido ao frio.

— Acredito que uns três mil incluindo feridos — Justin Massey espetou o esquilo com sua adaga, parecia já está bem assado.

Jon observou que Jeyne abraçava as próprias pernas e fazia fricção com as mãos nas panturrilhas para aquecê-las.

— Como passaram por Fosso Cailin? Soube que Bolton mantem uma força de defesa lá? — Se serviu de uma coxa do esquilo que estava com um ótimo cheiro.

Sor Justin pigarreou e olhou para a senhora Melisandre, parecendo pedir uma permissão para continuar a falar o fato não passara despercebido por Snow.

— A verdade é que muitos morreram na travessia do braço de mar em Vila Acidentada. Quando atravessamos mandamos espias pelos ermos até o fosso dos Primeiros Homens. Só um retornou com vida. — Parou para limpar o bigode cor de palha sujo de sumo de carne. — Se os cranogmanos não tivessem nos encontrado iriamos tentar invadir a fortaleza no Gargalo. O Rei tem esperança de tomar Fosso Cailin e investir um novo ataque contra Winterfell enquanto o reforço viria do Norte com o comando de Sor Davos —, desenhou com um galho um círculo na areia escura perto da fogueira e fez uma flecha subindo para outro círculo maior, em seguida desenhou outra flecha descendo de uma linha horizontal. — Foi por isso que Davos voltou para a Muralha...

Ele foi interrompido por Jon que estendeu a mão e disse:

— A Patrulha não vai intervir nesta guerra, contaram demais com a sorte...

Fantasma entrou no abrigo e os cavalos ficaram assustados, Sor Justin foi acalmá-los enquanto Jon abraçou Jeyne que se jogou no seu colo de tanto medo que sentiu ao ver a boca do lobo gigante suja de sangue.

— Acho melhor vocês descansarem um pouco — apontou para Jon e Jeyne com o osso da pata de esquilo. — Eu fico com a primeira vigia. — Checou a espada puxando-a com a mão esquerda até aparecer um pouco da lâmina e saiu do abrigo.

Jon tentou abraçar Jeyne, mas ela fugiu ao toque dele.

— Calma Jeyne, Fantasma não morde. — O lobo branco havia se deitado próximo de Jon o que garantia um bom calor corporal.

Jeyne Poole tremia de medo ou talvez de frio, mas se aproximou de Jon aos poucos e se encolheu com os braços cruzados nos seios e encolheu as pernas ficando em posição fetal. Ele a abraçou e jogou a capa vermelha que era de Melisandre sobre os dois. Jon Snow ficou observando a sacerdotisa que estava sentada sobre um tronco com as mãos em forma de concha a frente do corpo, ela não parecia sentir frio apesar de usar apenas seu vestido e uma fina capa que pendia da própria roupa. Jon se pegou encarando-a, aqueles olhos vermelhos e enigmáticos o cativavam. Ele se lembrou do que aconteceu na cela, imagens iam e vinham na sua cabeça. Será que eu... Jon teve raiva de si mesmo, ele não queria fazer nada com uma mulher só por esporte ou mero capricho. O mundo já tem sua cota de bastardos preenchida. Os olhos começaram a pesar e ele adormeceu.

Jon começou a entrar em uma caverna úmida, fazia tanto calor que suas roupas desapareceram como fumaça, mas ele continuou a entrar pela caverna, ouviu um riso medonho e viu no fundo uma grande sombra. Quem está aí? Escutou apenas risos como respostas. Um cheiro forte como de ferro derretido invadiu suas narinas. Ele foi mais à frente e percebeu que da cintura para baixo estava coberto por um liquido carmesim muito espeço e quente, percebeu um barulho como um farfalha de assas enormes. Quem está aí? Mostre-se! Algo começou a se mexer nas sombras e chamas vermelhas tomaram conta do lugar, uma asa aberta na esquerda e outra na direita, uma cabeça de mulher com olhos vermelhos e logo a baixo seios de onde escorria o liquido onde Jon estava emergido. A criatura possuía escamas de dragão, metade mulher metade dragão. Era uma visão terrível. Uma forte garra o pegou pela cintura e outra pelo pescoço, e as asas o envolveram, Jon Snow ficou cara-a-cara com a criatura com rosto de mulher e escamas de dragão próximas de orelhas pontudas. Tentou se libertar, mas foi em vão, Jon começou a gritar: Não!

— O que foi?

Jon Snow acordou meio tonto e arfando como se estivesse em uma louca corrida a pé. Sua visão estava um tanto embasada e ele esfregou os olhos para poder enxergar melhor, viu Sor Justin parado na entrada do abrigo com seu sorriso de sempre e Fantasma sentado ao lado dele olhando para fora. Jeyne se mexeu acordando também assustada com alguma coisa, Jon olhou por sobre o ombro e viu o rosto de Melisandre, ela estava deitada atrás dele com o braço em volta de sua cintura. Imediatamente ele se levantou e a mulher vermelha abriu os olhos como se já estivesse acorda a tempos. Snow sentiu um frio na espinha. Que merda eu fiz a noite toda? Mas uma vez não havia respostas disponíveis para Jon. Ele não sabia o que era real e o que era sonho desde a cena na sua cela em Castelo Negro a transfiguração de Theon e agora Melisandre virando um dragão.

— Quer um pouco? — estendeu um odre de couro marrom.

Jon o pegou e bebeu um bom gole chacoalhando o liquido entre os dentes e depois engolindo.

— ... Da Árvore? — soltou um longo suspiro.

— Da Árvore... o melhor vinho comparado as melhores mulheres. — Pegou o odre e o ergueu como se brindasse com alguém.

Jon o olhou de soslaio.

Melisandre estava seria e não aparentava estar preocupada com nada a sua volta. Já Jeyne Poole ficava olhando para o chão como um rato assustado.

— Precisamos continuar a neve já deu uma trégua. A travessia do braço de mar em Vila Acidentada é perigosa ainda mais se for no escuro. Temos que chegar em no máximo uns dez dias. — Justin Massey saiu do abrigo guiando seu garrano.

Jon ficou próximo de Melisandre quando foram pegar seus cavalos.

— O que o preocupa meu Senhor? — Ela se quer se deu ao trabalho de olhá-lo.

Jon a olhou com o cenho franzido.

— ... aconteceu alguma coisa... entre... — Ele não sabia como entrar no assunto — sabe... — coçou a cabeça. — Acontece que...

Melisandre ficou parada com o queixo levantado e olhando Jon de cima para baixo, ela era duas mãos mais alta que ele.

Se não tem certeza, então... — Ela entortou os lábios em um sorriso de canto. Saiu andando.

— Espera, como assim? — Jon a segurou pelo braço.

— Como assim o quê?

Isso é um sim ou um não? — Fez cara de confuso.

— Sua pergunta não foi clara Senhor Comandante — deu um solavanco no braço para se soltar e continuou andando para fora do abrigo improvisado.

A Mata de Lobos parecia tranquila, as árvores estavam brancas de neve e o chão também, não se via animais por perto nem se ouvia barulho algum. Jon resolveu levar Jeyne em sua sela e colocar a pouca bagagem que o grupo possuía sobre o garrano que ela havia montado antes. Sor Justin derrubou o abrigo a golpes de machado para não deixar pistas de que alguém havia passado por ali, eles partiram em um galope mais rápido o máximo que suas montarias conseguiam naquela neve. Ficaram dentro da floresta o dia todo parando apenas para suas necessidades e as dos animais, um corvo posou no ombro de Jon e ele logo percebeu que se tratava do corvo de Mormont, a ave tinha plumagem diferente por cima do bico, ali crescia um tufo de penas cinzentas. Maldito animal! Jon imaginara se o corvo pôde segui-lo os homens de Sor Alliser também podiam, acelerou o passo. “ Grão, grão” crocitou a ave negra.

— Essa viagem vai ser longa — soltou uma lufada de ar.

Todos riram dele.

Jon se lembrou da mensagem que estava na pequena bolsa que trazia ao cinto junto com a pedra de afiar. E a pegou para ler enquanto cavalgava devagar em uma subida por entre árvores espeças. Ele desenrolou o papel e seus olhos cinzas estatelaram com o reconhecimento da caligrafia de sua meia-irmã Sansa Stark que escreveu:

Querido Jon

Venha buscar-me no Ninho da Águia no Vale de Arryn. Apresse-se por que meu algoz está em Porto Real e não tarda a retornar.

Eu só tenho a ti para recorrer, pelos deuses antigos e novos salve-me querido irmão.

Espero poder abraçar-te novamente em breve.

Levou o pedaço de papel próximo do rosto com as duas mãos e sentiu o conhecido cheiro cítrico-adocicado de essência de rosas de inverno.

Notas finais
Pessoal, você não estão deixando nenhuma linha que seja de critica ou comentário, já estou com a síndrome do autor que quer parar de escrever. A minha fic não foi baseada em nenhuma outra, tudo o que você ira ler aqui só eu tenho acesso nas minhas ideias que estarei postando em capítulos para vocês. comentem alguma coisa!