O Triângulo Psíquico

4 CDS - Central de Sobrenaturais


A turbulência do avião me fez tremer de novo. Eu queria que ele parasse, mas tentei pensar em outra coisa para não fazer o mesmo que fiz com o carro de Bryan. Senti estabilidade e percebi que já estávamos firmes no chão. Demoramos um tempinho para pegar as malas e descemos de lá, quase beijei o chão de felicidade de estar no solo.

- Como é bom estar no chão.- levantei as mãos para o céu. -

- É verdade.- ele riu, ele sempre ria de quase tudo que eu falava. -

Andei com ele até a entrada do aeroporto, nos afastando da pista de pouso. Estava tudo normal, até eu ouvir um grito fino se aproximando.

- Bryan! — uma garota pulou nele, — Que saudade de você

- Lúcia! — Bryan a abraçou de volta, percebi que era a tal Lúcia que ele havia falado. — Você está diferente. — a observou dos pés a cabeça. -

- Silicone. — ela riu. — Mas me conta, como você está? — eu achei que ela estava me ignorando, minha primeira impressão dela foi bem negativa. -

- Eu to bem, á propósito, essa é a Annabeth. — fez um sinal apontando para mim. — Annabeth, está é a Lúcia.

- Olá. — disse estendeu a mão para cumprimenta-la. -

- Oi! — ela apertou de volta. — Sabe, estava ansiosa para conhece-la, Bryan terminou comigo para ir te procurar.

Fiquei meio surpresa ao ouvir aquilo, Bryan havia deixado ela por uma garota condenada à morte, ele é um cara incrível, e isso me fazia perguntar a mim mesma mais um vez Por que um cara como ele, namoraria uma garota como ela?

- Lúcia. — ele disse como um cala a boca. -

- Eu sinto muito. — disse, mas eu não sentia muito. -

- Não, tudo bem, já superamos. — ela sorriu falsamente. — Então, vamos para o carro.

- Claro. — Bryan acompanhou ela e eu acompanhei Bryan. -

Andei até o carro, me sentindo extremamente culpada por estragar em todos os sentidos a vida de Bryan. Sentei no by Savings Sidekick\">banco de trás, achei que Bryan iria no by Savings Sidekick\">banco da frente, mas ele se sentou ao meu lado, enquanto Lúcia dirigia.

- Você vai gostar de Londres.

- Igual a como eu ia gostar de Lúcia. — sussurrei. -

- O quê?

- Não disse nada. — disfarcei. -

Senti a diferença de temperatura entre Saint Ville e Londres, a temperatura tinha caído. Mas a vista compensava tudo, as ruas bem calçadas, com postes bem iluminados, já estava a escurecer, tudo era bem detalhado.

- Sorria!- Bryan tirou uma foto minha, eu fiquei um pouco boba na foto. -

- Tira uma foto comigo? — ele aproximou o rosto do meu, fizemos careta na maioria das fotos. -

Percebi Lúcia olhar pelo retrovisor para a gente, estremeci.

- Acho que ficaram boas. -olhei as fotos na câmera. -

- Ah acabei de me lembrar, tenho uma coisa para você. — ele pegou algo na sua mochila. -

- Pra mim? — sorri. -

- Aqui. — ele me entregou uma caixinha rosa de lacinho. -

Segurei a caixa, não fazia ideia do que era, desfiz o laço e abri então.

- Uau. — era a caixa de um pequena tela, um produto da Apple. -

- É um Iphone 4, é um pouco moderno, mas bem fácil de utilizar, se precisar de ajuda, estou aqui.

- Obrigada Bryan, deve ter custado caro, nem sei como retribuir.

- Não se preocupe, a CDS paga tudo o que precisamos.

- Tipo, umas comprinhas em Londres?

- Tipo isso. — sorri para ele maliciosamente. -

Chegamos à uma mansão linda, com um grande portão preto e as paredes feitas com tijolos refinados, um jardim lindo. Com certeza eles tinham um bom decorador. O salão era meio vazio com um lustre preso no teto, uma escadaria imensa e varias portas fechadas.

- Uau!

- Pessoal chegamos! — Bryan gritou. Ele me parecia animado por voltar para casa. -

Quase cai para trás ao ver mais de uma dúzia de pessoas saindo das portas e descendo a escadaria.

- Bryan! — um garoto loiro o cumprimentou. -

Todos estavam cumprimentam Bryan, ele parecia ser muito querido por lar, como uma família, do qual eu o tirei.

- Oi. — uma voz infantil falou. -

- Oi! — ajoelhei ao lado da menininha. — Qual o seu nome?

- Julie, e o seu?

- Annabeth.

- É o nome mais lindo do mundo.- ela sorriu, mas tinha um olhar triste. — É o nome da minha mãe.

- É mesmo?

- É, mas agora ela mora no céu. A Ordem mandou ela para lá. — os olhinhos daquela garotinha tão inocente expressavam dor. -

Eu nunca havia ficado tão sentimentalmente tocada, eu queria por um sorriso naquele rosto, eu vi naquela pequena garota de grandes olhos azuis, a Annabeth criança triste e morta por dentro, por perder o pai.

- Julie.- segurei sua mão. — Eles mataram o meu pai também, mas eu não vou deixar eles machucarem mais ninguém que amamos.

- Você promete?

Eu... não pude dizer outra coisa. — Prometo Julie.

- Hey, vejo que já conheçam a nossa mascote, a Julie. — Bryan se aproximou. -

- Bryan! — o garoto a pegou no colo. — Você demorou tanto, perdeu 3 aniversários meus.

- Fico feliz que você ainda lembre de mim. Desculpe, prometo recompensar você.

- Quantos anos você tem Julie? — perguntei. -

- Nove.

Aquela velha culpa de destruir a vida de Bryan veio de novo. Abaixei a cabeça.

- Não precisa se sentir assim. — ele colocou a garota no chão. -

- Assim como?

- Culpada.

- Odeio quando você entra na minha mente.

- Não preciso entrar na usa mente para ver isso, a nossa conexão já é suficiente. — Ele olhou para a loirinha. — Julie, porque você não dá uma olhada naquela mala azul? Deve ter algo pra você lá.

Jule saiu em disparada até a mala acomodada no canto da sala.

- Quero te apresentar a Penny.

- Quem é Penny? — acompanhei os passos de Bryan. -

- Olá! — disse uma voz animada e simpática, se pondo na nossa frente. — Você deve ser a Annabeth.

- Sim, sou eu. — sorri para a mulher de cabelos de um negro quase avermelhado. -

- Eu sou a Penny. — apertei sua mão. — Sou responsável por vocês, lidero essa CDS.

- Legal.

- Você nem imagina como é bom te ver. -ela pós meu rosto entre suas mãos. — Você animará isso aqui de novo. — disse firme. — A sua chegada não é à toa, e por isso organizei uma pequena festa de Boas-vindas para você.

- Pra mim?

- Sim, para você e Bryan, todo mundo quer conhecer você. A garota que sobreviveu 3 anos ao coma graças ao seu poder e a ligação incrível com o meu aprendiz, vocês 2 são relíquias. — ela rotulou. -

- Só posso te agradecer.

- Bom, eu que te agradeço. — me pareceu sincera. — Mas agora, por que não se arrumam? Lúcia! — ela procurou Lúcia com os olhos. -

- Sim Penny. — ela surgiu. -

- Poderia fazer a gentileza de acomodar Annabeth em seu quarto para que possa se arrumar?

Lúcia me olhou nos olhos.- Claro!

- Enquanto a você garotinho. — visualizou Bryan. — Você conhece seu quarto.