O Trem das Sete

1 Todos os dias


Notas iniciais
Yo!!!
Gente minha primeira fanfic 100% IchiRuki
Hahaha geralmente isso não acontece comigo, mas fiquei feliz com o resultado dessa aqui

Tenho que dar créditos ao autor dessa fanart logo abaixo pois foi ela que me deu inspiração para toda a One kkkk Além de agradecer à BeeKuchiki que, não sei como, nunca desiste de mim hahaha

Espero muito que gostem, de verdade

Por mais que não gostasse, o garoto alto de cabelos ruivos rebeldes chamava atenção por onde passava. Não fazia isso de propósito. Se pudesse ter tido a opção da escolha teria herdado essa característica de seu pai e agora teria os fios escuros como a maioria da população do país. Sua altura também era considerada acima da média para um aluno colegial e isso não foi gene herdado de sua mãe.

Não era apenas o centro das atenções, mas das confusões também. A maioria das brigas que infelizmente conquistava no colégio eram por causa de garotas. Garotas que suspiravam por ele ao invés de outros, o que deixava esses “outros” furiosos. E, como se já não bastasse a aparência chamativa, seu nome não era o mais discreto. Kurosaki Ichigo. Sempre alvo de trocadilhos.

Por mais que fosse o dia de retorno das aulas após as férias do meio do ano letivo estava feliz. A felicidade era porque faltavam menos de seis meses para se formar no ensino médio. Não precisaria mais aturar aulas com colegas inconvenientes e poderia focar no que realmente queria para a sua vida: Medicina.

Quatro estações de trem separavam sua casa do colégio. Não era nada demorado, mas, por mais que estivesse acostumado, ainda achava irritante ficar de pé esbarrando nas mesmas pessoas todos os dias.

Na mesma proporção que alguns passageiros se iam, novos entravam no vagão parcialmente cheio. Ichigo permaneceu segurando firme nos apoios pendurados no teto do vagão, trocou o peso da perna e verificou as horas em seu celular. Estava até adiantado para sua primeira aula.

Abaixou a mão para recolocar o celular no bolso e começou a passear com os olhos pelo interior do trem. Parou repentinamente ao olhar por cima do ombro e achar um par de olhos violáceos logo atrás de si. Demorou um tempo para desviar, nunca havia visto íris tão grandes e coloridas quanto aquelas. O fios pretos e curto modelavam o rosto cuja pele clara parecia servir apenas para intensificar os belos olhos.

Kuchiki Rukia não parava de se perguntar o que aquilo tudo significava. Era apenas uma troca de olhares, mas por que tão longa? Estava acostumada com rapazes que olhavam para seu corpo e desviavam o olhar por não achar grande coisa. Imediatamente percebeu que aquele garoto ruivo não era apenas mais um. Ele não desvia o olhar e ela também não fazia questão.

Por quanto tempo ficaram assim ninguém era capaz de responder, mas o momento cessou quando Ichigo precisou descer em sua estação. A perna direita de Rukia deu um minúsculo passo à frente. Hesitando. Queria segui-lo. Assim que as portas se fecharam o ruivo deu mais uma olhada através do vidro. Seus olhares só se separaram depois que o trem se foi.

De segunda à sexta, a partir daquele dia, a mesma cena se repetia. Por mais que não fosse uma troca de olhares demorada como na primeira vez, todos os dias se encontravam. Apenas o fato de estarem no mesmo vagão já os deixava bem mais confortáveis. Em dias de chuva, a presença do outro parecia servir de abrigo. Quando estavam tristes era uma espécie de refúgio escondido. Quando sentiam preguiça servia como uma bela motivação para ir para a escola.

Com o passar dos meses, apenas por observações, conseguiram deduzir muita coisa um sobre o outro. Se a pequena brincadeira de detetive dentro do vagão tivesse uma premiação, Rukia estaria em primeiro lugar. Depois de um mês, pesquisando sobre o uniforme do rapaz, descobriu o nome de seu colégio e que ele estava no terceiro ano.

Seu nome ainda era um mistério. Em três meses teve certeza de que ele tinha uma irmã — provavelmente mais nova — devido às incontáveis ligações que atendia ou brinquedos de garota que ele tirava da bolsa e o deixava irritado. Se tinha uma namorada Rukia não fazia ideia e fazia questão de permanecer ignorante em relação à esse tópico.

Hideki. Yato. Taki. A cada semana Rukia imaginava um nome diferente para o ruivo misterioso. Mesmo sem ter provas, imaginou que ele fosse muito popular na escola. Um rapaz com aquela aparência em pleno terceiro ano deveria ser o senpai observado por muitas garotas. Daisuke, talvez?

Lamentava-se profundamente por ser um péssimo observador, perseguidor, e investigador. A única coisa que fazia bem era ser tímido. Se orgulhava de ser um bom aluno e um exemplo para suas irmãs mais novas, mas sua vida social era um fracasso e tinha ciência disso. Tão ruim quanto sua capacidade de socializar eram suas habilidades de detetive.

A única coisa que conseguiu descobrir sobre a garota no trem era a escola que frequentava. A mais cara e prestigiada da cidade, uma das melhores do país. Apesar de tudo, parecia ser uma garota simples. Diferente da maioria que conhecia, ela não usava muitos acessórios. Nunca apareceu com colares extravagantes, braceletes e nem laços de fita no cabelo. O mais chamativo era um pingente de coelhinho que vivia pendurado em seu celular.

Não podia negar que era ansioso. Queria saber o nome dela.Yumi foi o nome que ele inventou em uma quinta-feira. Aika na sexta-feira. Eri, esse ele imaginou depois de passar o fim de semana no quarto lendo muitos mangás. Na segunda-feira ela voltou a se tornar Misa.

Nenhum dos dois nunca falou para ninguém sobre o outro. Ambos não faziam ideia do que pensavam em relação à isso. Deviam ser só passageiros que coincidiam sempre no mesmo vagão, mas não eram.

Por mais diferentes que pudessem ser tinham algo em comum: um sentimento estranho por um total desconhecido.

E aquele foi, muito provavelmente, o semestre mais rápido da vida de Ichigo. Estava prestes a ingressar na faculdade de medicina que tanto almejava. Do mesmo modo que estava imensamente contente, um pingo de preocupação tocava seu coração diariamente. A universidade ficava na direção oposta à do colégio. Nada de pegar seu usual trem das sete. Nada de pular quatro estações. Nada de encontrar com os olhos violetas todos os dias.

Aquela era sua última chance. Antes da formatura era sua obrigação ir até ela e ao menos perguntar seu nome.

— Ichi-nii, posso mudar de canal? Vai começar meu anime favorito — a pequena Yuzu perguntou ao irmão quase em uma súplica.

— Ah, claro — respondeu indiferente.

Levantou-se do sofá para pegar o controle na mesa de centro, mas parou ao elevar os olhos e ver o que o noticiário transmitia. Falavam sobre Kuchiki Byakuya, o advogado mais renomado da cidade que conseguiu o cargo de juíz em Tokyo. Desde que estava na faculdade ele sempre foi um rapaz que servia de exemplo para a pequena cidade e agora se tornaria um ícone.

Mas o que chamou a atenção de Kurosaki Ichigo foi uma foto que usaram na reportagem. Byakuya com seus pais bem ao lado da garota do trem. Os sentimentos que o dominaram foram tantos que não soube qual reação esboçar.

Kuchiki. O nome dela.

Sorriu.

Jogou o controle remoto para irmã mais nova e saiu correndo para seu quarto. Ligou seu computador em tempo recorde e, sem dificuldade, conseguiu encontrar a garota do trem.

Kuchiki Rukia.

Achou que nada no mundo pudesse o deixar chateado pois aquela foi definitivamente uma realização importante. Estava indo tudo bem até achar outra notícia é se lembrar. Byakuya e a família se mudariam para Tokyo.

Enterrou o rosto nas mãos. Graças à sua timidez desperdiçou um semestre inteiro. Poderia ter tomado a iniciativa no segundo dia em que a viu. Praguejou mentalmente. Só tinha uma semana antes da formatura e a única coisa que sabia sobre ela era o nome. Não sabia nem sequer como era voz dela.

Passou o final de semana preparando sua mente. Seria a primeira vez que tomaria a iniciativa de falar com uma garota desde de que fora rejeitado no primeiro ano.

Finalmente era segunda-feira. Ichigo entrou no trem com um meio sorriso no rosto e o coração apertado no peito. A máquina se moveu. Segunda parada. A parada de Rukia. Estava ansioso, mas seu coração apertou ainda mais quando as portas do vagão se fecharam e não havia nenhuma garota de um metro e cinquenta dentro. Nenhum sinal dos olhos violáceos.

Engoliu em seco. Ichigo teve que ir para o colégio como estava. Quebrado. Não conseguia entender a brincadeira do destino. Depois de seis meses com medo era isso que recebia? Não estava disposto a aceitar isso. Não desistiria e, se fosse preciso, continuaria fazendo o mesmo percurso até depois da formatura.

A semana foi frustrante para dizer o mínimo. Rukia não apareceu em nenhum dos cinco dias. Ichigo chegou à conclusão de que ela já estaria em Tokyo à essa hora. Saiu da cidade pequena e foi para a capital com seu famoso irmão e pais incrivelmente ricos. Pegar o transporte público todos os dias não era algo para uma princesa.

A formatura era no domingo e Ichigo aproveitou esse último dia para ir à escola junto de seus únicos amigos. Keigo e Tatsuki eram os únicos com quem conversava no colégio e pretendiam manter a amizade mesmo após o colégio.

Os três subiram na mesma estação que Ichigo costumava pegar todos os dias. Conversaram durante o percurso sobre como as vidas deles mudariam a partir dali. Faculdade, novos amigos, novos desafios, arrumar um emprego e todo o início de uma vida adulta.

— O que está olhando, Keigo? — o ruivo seguiu o olhar do amigo até parar na porta do vagão.

Seu coração acelerou de uma maneira impressionante logo após quase parar de vez. A pequena Kuchiki estava na plataforma do lado de fora. Seus grandes olhos encaravam Ichigo intensamente e um sorriso logo se formou em seus lábios finos.

Ichigo tinha poucos segundos para decidir o que fazer. A porta logo se fecharia e precisava decidir entre continuar o percurso até a formatura com seus amigos ou se perseguia uma garota que sabia apenas o nome. Não foi uma decisão difícil.

As portas se fecharam e o trem partiu. O último passageiro a sair do vagão foi um ruivo apressado, ansioso, extremamente alegre e satisfeito. Não podia perder a oportunidade. Não depois de seis meses preso por sua timidez e uma semana que foi impedido de fazer qualquer coisa.

O castanho encontrou o violeta, o que resultou em uma palheta de cores e sentimentos que nenhum dos dois jamais pensou que chegariam a conhecer. Estavam parados um de frente para o outro há quase dois minutos inteiros sem falar absolutamente nada.

Ichigo achou-a incrivelmente bela com o vestido de alcinhas branco que usava e a bolsa roxa que caía sobre o ombro direito. Outro pingente de coelho, esse tinha uma flor em uma das orelhas. Plena e perfeita, eram os adjetivos que ele usaria para descrevê-la.

Já Rukia conseguiu se encantar pela milésima vez pelo mesmo rapaz com o mesmo uniforme que encontrava todos os dias. Os cabelos arrepiados pareciam mais rebeldes e mais laranjas que o normal. Os olhos definitivamente mais brilhantes e o sorriso com certeza mais lindo quando visto de perto.

— Oi, — conseguiu formar palavras depois de muito tempo reunindo coragem — sou Kurosaki Ichigo.

Ela fechou os olhos, sorriu e inclinou levemente a cabeça. Ichigo teve certeza de que aquele foi o sorriso mais lindo que já viu em sua vida.

— Kuchiki Rukia.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!