O Trato - SasuHina

4 Capítulo 04: Talvez eu te ame um pouquinho


Notas iniciais
Boa leitura :)

Enquanto dirigia até o apartamento da Haruno, Sasuke produzia uma desculpa para dar. Contar a verdade seria um claro atentado à sua vida. Contudo, todas as desculpas que pensava não eram boas o suficiente. Poderia usar o sexo como último plano, caso a situação saísse do controle. Essa era uma arma que costumava funcionar com a Haruno. O Uchiha só não sabia se a prática sexual poderia superar o ódio que Sakura devia estar sentindo. Quando parou o carro no portão da garagem do prédio, começou a procurar pelo controle. Seu celular não tocava mais. Isso lhe dava tranquilidade para pensar, mas, ao mesmo tempo, lhe apavorava. Estacionou o carro na respectiva vaga, desligando-o. Pegou o blazer que estava jogado de qualquer jeito nos bancos de trás e as chaves do apartamento. Já fora do carro, ligou o alarme.

Enquanto caminhava até o elevador — segurando o blazer jogado nas costas com um dos dedos – pegou o celular que estava no bolso da calça. 21:10. Suspirou pesadamente, como se sentisse que a tempestade estava para cair em sua cabeça. Verificou que havia 06 ligações perdidas de Sakura. Não havia mensagens no aplicativo do WhatsApp. Chamou o elevador esperando apenas alguns segundos até que ele chegasse ao térreo. Uma vez lá dentro, apertou o 14º andar. Chegando em seu andar, Sasuke colocou a chave na fechadura do apartamento 1405. Estava prestes a entrar quando escutou algo chocar-se contra a madeira. Fechou a porta de imediato, pois não esperava ser recebido desta forma – e antes que outro objeto fosse lançado contra si. Esperava que, ao menos, eles pudessem conversar como dois adultos.

— ONDE VOCÊ ESTAVA, UCHIHA SASUKE?! E COM QUEM ESTAVA?!

Sasuke ouviu claramente as perguntas feitas pela Haruno do lado de fora. Não teria como não ouvir, afinal, ela estava gritando a pleno pulmões para que todos os vizinhos pudessem assistir ao show. Odiava aquelas demonstrações de ciúmes de Sakura. Se Hinata estivesse aqui, as coisas seriam diferentes... Até em um momento crítico, ele não conseguia esquecer da Hyuuga. Respirou fundo, procurando organizar seus pensamentos. Era preciso contornar a situação que ele mesmo criou.

— Você precisa se acalmar, Sakura. Deixe-me entrar, sim? – com a voz mansa, o Uchiha começou a abrir a porta novamente, bem devagar. À medida que o fazia, viu os cacos de vidro no chão. No mínimo, um vaso havia sido quebrado.

— VOCÊ SÓ VAI ENTRAR QUANDO ME RESPONDER!

Outro objeto fora atirado contra o Uchiha. A Haruno não sabia ao certo o que tinha em mãos, mas não importava. Bastava feri-lo, assim como ele a feriu. Viu Sasuke fechar a porta novamente e mais cacos de vidro explodirem contra a madeira devido ao impacto, colorindo o chão. Sakura havia criado expectativas para aquela noite. No entanto, à medida que os minutos se transformavam em horas, tudo que havia planejado tornou-se cinzas. Tentou se controlar – não poderia destruir o apartamento inteiro, por mais que dinheiro não fosse exatamente um problema -, mas sua ira e revolta estavam em seu nível máximo.

— PARE DE AGIR COMO UMA HISTÉRICA, SAKURA! – assim como ela, o Uchiha gritava.

O moreno já não aguentava mais aquele drama desnecessário. Se Sakura continuasse com aquilo, ele sair dali e arrumar um lugar para passar a noite. Sasuke começou a abrir a porta novamente – e com muito cuidado, pronto para mais uma investida -, mas nada foi atirado em sua direção. Agora que a porta estava totalmente aberta, ele pode ver Sakura melhor. A rósea usava um vestido tubinho preto – que realçava sua cintura e pernas torneadas — e uma sandália salto da mesma cor. O cabelo estava solto, porém desalinhado. Sua expressão agora estava mais amena, mas Sasuke conseguia perceber que os traços de fúria ainda estavam presentes. Antes que o bate-boca continuasse para todos de seu andar, Sasuke entrou no apartamento, fechando a porta em seguida. Ficou em silêncio, as mãos no bolso da calça. Observou que o peito da Haruno subia e descia ora rápido, ora devagar.

— Vou perguntar de novo. – disse a Haruno caminhando até o Uchiha. – Onde você estava, porra?! E o principal, com quem você estava?!

— Estava trabalhando.

Essa foi a pior resposta que poderia dar.

Sentiu o peso da mão de Sakura em sua face. E ela não havia poupado forças. Seu rosto se moveu para o lado do tapa recebido. Quando a encarou novamente, as lágrimas já escorriam pela face da Haruno. Ela estava pronta para o próximo tapa, mas o Uchiha segurou seu pulso. Os olhos negros frios como uma nevasca analisavam a Haruno. Você não vai encostar em mim de novo. Isso era inaceitável. Com o primeiro tapa, Sasuke já havia entendido a lição. Ele estava mentindo de forma descarada e Sakura não estava disposta a aceitar sua confissão. Só que ele não poderia expor Hinata. A culpa por ter se atrasado ao jantar era total e exclusiva dele. Ele que fora procurar a Hyuuga e não o contrário. Era ele quem precisava de ver a Hyuuga mais uma vez. Só que não se arrependia do que tinha feito. Apenas precisava manter esse sentimento para si e demonstrar algum remorso para Sakura.

— Você não estava trabalhando. Nós sabemos disso, não é mesmo? – Sakura percebeu que o moreno ainda segurava seu pulso. – Por que não me conta a verdade?

— Essa é a verdade.

Sakura não estava disposta a continuar aquele jogo. Sentiu-se cansada e a última coisa que precisava era do Uchiha ao seu lado. Se ele queria continuar com essa mentira, que assim fosse. Ela mesma poderia descobrir onde Sasuke passou todo aquele tempo em que a fez de idiota. Deu as costas para o Uchiha, pedindo que ele a soltasse. Ela iria até o quarto dela e descansar. Naquela noite, o quarto que dividiam seria apenas dela. A Haruno iria ignorar o cheiro de Sasuke nos lençóis ou travesseiros. Era capaz de picotar tudo em pedaços miúdos com uma tesoura. O rancor ainda estava impregnado em sua alma como uma cicatriz. De uma coisa ela tinha certeza: Sasuke não passaria a noite naquele apartamento. Que ele durma até no inferno.

— Não quero te ver aqui. – determinou a Haruno.

É justo. Sasuke soltou o pulso da Haruno que caminhou até a porta. Sakura a abriu, fitando o Uchiha, fazendo um sinal com a cabeça para que ele saísse. Sasuke estava com o corpo quase todo para fora da porta, quando sentiu uma mão sobre a sua. Pensou que Sakura havia reconsiderado a sua decisão. Sorriu miúdo. Aquela batalha havia sido ganha com certa facilidade, mas não esperava pelas palavras que saíram dos lábios da Haruno.

— Me dê as chaves.

— Preciso delas, Sakura. – disse o Uchiha um tanto surpreso e confuso. – Para vir um tomar um banho e ir trabalhar amanhã.

— Eu não quero saber. Você pediu por isso e agora vai ter. – disse Sakura tão calma e tranquila como se não tivesse objetos contra ele minutos atrás. – Me dê a merda da chave, porra!

Sem alternativas, Sasuke entregou as chaves do apartamento na mão estendida de Sakura.

— Se eu quiser que você entre, vou deixar a chave na sua sala no Jornal.

*

Ele ainda não conseguia acreditar que a Haruno o havia tirado as chaves do apartamento. Pelo menos, ainda tenho meus cartões de crédito. Sabia que não poderia pedir guarita à Hinata – por mais que essa ideia fosse tentadora. Caminhou no estacionamento do prédio até seu carro, desativando o alarme. Uma vez dentro do carro, apoiou a cabeça no encosto do banco do motorista. De olhos fechados, começou a traçar seus planos. A princípio, iria procurar por um Hotel. Com certeza algum iria acolhê-lo. Não se lembrava de estarem comemorando alguma data festiva na cidade, afinal. Caso não conseguisse um Hotel, teria que pedir ajuda a alguém. E essa era uma das coisas que o Uchiha menos gostava de fazer. Pedir ajuda a terceiros. Ainda mais ele que aprendeu a se virar desde muito cedo.

Saiu com o carro da garagem do luxuoso prédio onde passou a morar com a Haruno, rondando pelas ruas de Konoha. Antes de iniciar a sua busca, passou em uma farmácia para comprar alguns itens básicos como escova de dentes, pasta dental, sabonete e desodorante, deixando a sacola no banco ao seu lado. Depois de meia hora, Sasuke já estava rogando todos os xingamentos possíveis. Aquele realmente não era sua noite. Todos os Hotéis da cidade estavam ocupados naquele dia. Por sorte – ou azar – encontrou uma modesta pensão no centro da cidade. Ela não era exatamente perto do Jornal, mas era o melhor que iria conseguir. Quem a atendeu fora uma senhora simpática de estatura mediana. O cabelo grisalho estava preso em um coque bem-feito e os olhos avelãs analisaram o Uchiha de cima a baixo. Sasuke apenas não soube dizer se seu olhar era de cobiça ou desconfiança. De toda fora, lhe fora oferecido um quarto por uma noite por um valor razoável. Sasuke realizou o pagamento via cartão de crédito, pegando as chaves do quarto com a senhoria. Não se deu ao trabalho de perguntar seu nome, pois aquela era uma situação extraordinária.

Após trancar a porta do quarto, abriu a janela. Na rua agora poucas pessoas e carros passavam. Tirou o celular o bolso da calça e apertou o botão lateral, de forma que a tela se acendeu. 23:00. Acho melhor ir tomar um banho e ir dormir. Observou que na cama de solteiro tinha além do travesseiro e algumas cobertas, uma toalha branca felpuda. Rezou para que a água do chuveiro fosse quente ou que a luz não acabasse no meio do banho. Após encontrar o banheiro – seguindo sua intuição e com a sacola da farmácia em mãos -, Sasuke trancou a porta e retirou suas roupas. Teve o bom senso de não demorar muito no banho. Após enrolar a cintura com a toalha e dobrar as roupas, foi escovar os dentes. Ainda com a toalha enrolada na cintura, voltou ao quarto. Como não tinha pijamas, decidiu que dormiria pelado mesmo. Deixou as roupas sob a cômoda ao lado da cama e a toalha estendida na cabeceira. Terminado seu ritual diário, o Uchiha apagou a luz e se deitou. O colchão não era lá muito macio, mas Sasuke pensou que seria apenas por aquela noite. E tinha que ser. Sua bateria do celular logo iria acabar estava em apenas 20%.

Antes de pegar no sono, se viu pensando em Hinata novamente. E um sorriso doce tomou seus lábios sem que percebesse. Se a morena estivesse ali os detalhes que observou não fariam tanta diferença. Perguntou-se se Hinata também estaria pensando nele. Trocaram um beijo rápido, mas Sasuke percebeu que ainda existia amor. Sasuke não havia esquecido o seu amor pela Hyuuga. Ele não a abandonou por falta disto, mas sim para perseguir uma condição melhor de vida. Só que isso não lhe trouxe a felicidade que tanto ansiava. Uma parte de sua vida estava incompleta e a resposta não estava em Sakura. Se estivesse na rósea, Sasuke não pensaria em Hinata com tanta frequência. Com o celular em mãos, Sasuke considerou a possibilidade de ligar para a Hyuuga. Mesmo que ela batesse o telefone na sua cara. Só que já estava tarde e, além do mais, não havia o que ser dito. O máximo que ele poderia contar é que fora expulso do apartamento de Sakura. E ele temeu que ela fosse rir dele, por mais que isso não fosse do feitio da Hyuuga.

No dia seguinte, Sasuke acordou com um pouco de dor nas costas. Com certeza é esse colchão. Sakura tem que parar com essa palhaçada. Após se trocar, caminhou até o banheiro novamente para poder lavar o rosto e escovar os dentes. Ao fitar-se no espelho, constatou que estava com a cara péssima. Como não havia o que fazer, escovou os dentes, jogou a água fria na face para despertar e voltou ao quarto. Antes de partir, prometeu a si mesmo que não voltaria ali. Quando chegou ao Jornal, percebeu que os olhares voltaram para si. Caminhou rapidamente para sua sala, fechando a porta. Tirou o celular o bolso e o colocou em cima da messa de trabalho. Enquanto ligava o computador, abriu a gaveta em busca do cabo para carregar seu celular. Quando conectou o cabo ao notebook e ao celular, viu que ele iniciou sua carga. Respirou mais aliviado, ligando para sua secretária pedindo que lhe trouxesse um café forte e sem açúcar.

Já com o café em mãos, Sasuke concentrou-se no trabalho. Não sabia ao certo quanto tempo havia se passado, mas, ao escutar a porta de sua sala ser aberta, deu de cara com a Haruno. Sakura simplesmente deixou a chave em sua mesa, como disse que faria, e partiu sem dizer nada.

*

Hinata ainda não conseguia acreditar em Sasuke.

Não em Sasuke, necessariamente, mas sim na audácia em vir até a sua casa e perguntar quem era Naruto. Como se isso fosse da conta dele. Havia deixado de ser há muito tempo, aliás. Havia se passado uma semana desde a vinda não desejada do Uchiha. Hinata contou a Tenten tudo que havia acontecido. Exceto pelo beijo e as sensações que Sasuke havia despertado novamente em si. Esses detalhes sórdidos Tenten não precisava saber. E muito menos Naruto. E ainda tinha Naruto para se preocupar. A morena encarava Tenten em silêncio, sentindo que o seu almoço permaneceria intocado até que fossem pagar a conta no restaurante. O assunto “Sasuke” lhe fez perder o apetite.

— Quem essa Uchiha pensa que é? – perguntou Tenten revirando os olhos antes de dar uma garfada em seu risoto de camarão. – Mas é mesmo muita audácia.

— Ele não entende que eu tenho o direito de seguir com a vida, como ele mesmo fez. – disse Hinata colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Mas, vamos mudar de assunto, por favor.

— Melhor mesmo. Sasuke é um assunto intragável. – concordou Tenten com um manear de cabeça. – Mas como estão as coisas com o Naruto?

— Estão... como deveriam estar. – respondeu Hinata como se pisasse em ovos. – Quero dizer, ele é o contrário de Sasuke, me faz bem. Eu apenas... não consigo me entregar por completo.

— Nâo me diga que ainda ama o Uchiha, Hina. – disse Tenten com a sobrancelha arqueada. – Ele não merece.

— Eu sei que não, mas... Nós passamos muita coisa juntos. É complicado, entende? – disse Hinata não conseguindo olhar diretamente para Tenten. – Imagine se você e Neji não estivessem mais juntos. Você conseguiria esquecê-lo em um estalar de dedos?

Como Tenten não respondeu, Hinata considerou que a amiga havia entendido seus sentimentos. Não seria tão simples, mas Hinata iria conseguir. Naruto era tudo que a morena poderia pedir. Além de educado, carinhoso, Naruto gostava de saber tudo sobre seu dia. Ele a escutava de verdade e não apenas a encarava com cara de paisagem. Ela iria se esforçar para retribuir o amor do loiro. Como não conseguiria mesmo comer, Hinata pediu ao garçom que levassem seu prato de volta a cozinha. Tenten a encarou com ar de reprovação.

— Não me olhe assim, faço um lanche mais tarde. – prometeu a Hyuuga estendendo o dedo mindinho para Tenten. – Promessa de dedinho?

— Estou olho em você, Hyuuga. – com uma careta, ela e Tenten selaram a promessa com seus dedos mindinhos.

*

Essa semana eu iria enlouquecer, pensou a Hyuuga enquanto tomava um banho. Dali a pouco Naruto a buscaria em seu apartamento para jantarem. A ansiedade da espera causava borboletas gostosas no estômago de Hinata. Fechou o registro, pegando a tolha estendida no box. Hinata ainda estava na rua quando Naruto ligou, perguntando se ela não gostaria de jantar. “— Depois podemos estender a noite indo a outro lugar”, foram as palavras do loiro. A morena corou ao imaginar onde seria esse outro lugar. Andou a passos rápidos até seu prédio, pois havia pedido a Naruto um tempo para ao menos tomar um banho e se arrumar. Após trancar a casa, jogou a bolsa no sofá e foi tirando a roupa enquanto caminhava até o banheiro. Antes de efetivamente entrar debaixo do chuveiro, escolheu um vestido e uma sandália de salto para usar. Com a toalha cobrindo seu cabelo, a Hyuuga agora nua procurava por seu creme hidratante. Enquanto distribuía o creme pelos seus braços, pernas e barriga, imaginou como seriam os toques de Naruto em sua pele descoberta. Esperava que eles a queimassem de desejo... que a levassem ao céu... como Sas...

Interrompeu o pensamento na mesma hora. Ela não pensaria mais nele. Ela havia decidido isso, mas nem demorou 10 minutos para quebrar seu propósito. Após terminar de se trocar e calçar as sandálias, Hinata voltou ao banheiro para fazer uma maquiagem leve e pentear o longo cabelo tão negro quanto uma noite sem estrelas. Estava terminando de passar o batom carmim quando escutou a campainha. Com um sorriso de orelha a orelha, Hinata largou o batom na pia e correu até a porta. Pelo olho mágico, identificou que era Naruto. Ao abrir a porta, Hinata foi de encontro aos braços de Naruto. O loiro aconchegou o corpo pequeno da Hyuuga ao seu, passando a mão em suas costas. Ficaram alguns minutos assim, apreciando a presença um do outro. Era como se palavras não precisassem ser ditas. Só que alguma palavra teria que ser dita, afinal, eles não agiram como dois mudos a noite toda.

— Oi para você também. – cumprimentou o loiro distribuindo um breve selinho nos lábios carnudos da Hyuuga. – Já está pronta?

— Preciso arrumar minha bolsa. Pode esperar uns cinco minutos?

— Claro. Posso te esperar lá dentro? – o loiro devolveu a pergunta apontando para dentro do apartamento.

— Sim, venha.

Após fechar a porta, Hinata pegou o loiro pela mão, o guiando até a sofá da sala. Enquanto esperava pela Hyuuga, o Uzumaki ficou a observar a decoração neutra da casa. Ao seu lado havia uma mesinha com um abajur e um porta-retrato vazio. Naruto pegou o objeto, imaginando o porquê de não haver uma foto ali. Seria uma foto deles..., cogitou o loiro. Hinata havia lhe contado sobre o que Sasuke havia feito e o quanto isso a havia magoado. Era claro que Hinata ainda estava ferida, mas ele queria ajudá-la no seu processo de cura. A morena havia ganhado seu coração com seu jeito carinhoso e gentil. Além de sua voz sempre tão melodiosa e alegre. Naruto sempre faria o máximo para vê-la sorrindo. De todas as mulheres com quem havia se relacionado, nenhuma se comparava a Hyuuga. Poderia ser exagero de um bobo inflamado pelo início de uma nova paixão, mas Naruto estava gostando dos sentimentos que Hinata lhe proporcionava.

A morena apareceu na sala cinco minutos depois com a sua bolsa devidamente arrumada e o cabelo preso em um rabo de cavalo alto. Com um sorriso pequeno, a Hyuuga aproximou-se do loiro, estendendo sua mão para que ele pudesse levantar. Naruto aceitou a mão estendida da Hyuuga e levantou-se do sofá. Enquanto Naruto dirigia pelas ruas de Konoha, ambos decidiam o que iriam comer. Optaram por um japonês não muito longe de onde estavam. Hinata não se opôs a essa escolha, pois essa era uma de suas comidas favoritas. Ao final da noite, enquanto Naruto pagava a conta, pensou na proposta feita por ele. Não faria mal ir até a casa do loiro, não é mesmo? Ele não parecia ser do tipo que a manteria em cárcere privado. Quando Naruto pegou sua mão, Hinata lhe sorriu.

O caminho até o apartamento de Naruto silencioso. Só que desta vez não era um silêncio confortável. Hinata estava cheia de expectativas e criando centenas cenários em sua mente. Enquanto dirigia, Naruto se viu apreensivo. Não esperava que Hinata fosse concordar em ir até seu apartamento. Seria a chance perfeita para ficar realmente a sós, mas seria necessário observar até onde poderia ir. Ele não queria ir rápido demais, mas, por um lado, tinha a curiosidade saber como era o corpo da morena por debaixo daquele tecido. Após estacionar o carro na sua vaga, Naruto desligou o carro e foi abrir a porta do passageiro para Hinata. A morena nem ao menos se deu conta de que Naruto não estava mais ao seu lado. Seus pensamentos estavam longe dali. Assustou-se com o som da porta sendo aberta, arrancando uma risada baixa do loiro.

*

Naruto lhe deu uma taça de vinho para relaxar.

Só que o vinho não a estava ajudando a relaxar. Pelo contrário, a estava deixando ainda mais tensa. Enquanto tomava mais um gole da bebida – marcando assim a borda da taça com seu batom -, se pôs a observar os transeuntes que passavam pela rua. Será que eu deveria mesmo estar aqui? Por mais que – ainda – não conhecesse Naruto como a palma de sua mão, Hinata tinha a consciência de que eles não poderiam apenas ficar apenas entre beijos e pegadas de mãos. O algo a mais deveria acontecer, como acontece com todo casal. Ela apenas ainda não tinha certeza se estava pronta para esse próximo passo. Tinha medo de pensar em Sasuke na medida em que Naruto descobrisse cada pedacinho de seu corpo. Nesses momentos, Hinata tinha a convicção de que odiava o Uchiha. Ele mesmo de longe estava conseguia interferir em sua vida. Você precisa se desvincular do Uchiha, Hinata. Desse jeito sua vida só vai andar para trás.

— No que está pensando? – escutou o loiro dizer aos seus ouvidos, ao mesmo tempo em que enlaçava sua cintura, abraçando-a por trás.

— Nada em particular. – respondeu a Hyuuga moldando seu corpo ao de Naruto. Ela sabia que mentiras nunca são boas, só fazem o nariz crescer. Contudo, essa era a melhor opção, pelo menos nesse momento. – Apenas estou feliz por estar com você.

E quanto a isso, ela não mentia.

— Eu também estou. Fiquei com medo de não aceitar vir aqui.

Xeque-mate, Hinata.

— Preciso jogar limpo com você. – Hinata passou a ponta dos dedos no antebraço do louro, que sentiu-se arrepiar. – Quase que eu não venho mesmo.

Naruto afastou-se de Hinata deixando ambas as taças sob a mesa de jantar. Hinata pensou que havia falado merda novamente e estava pronta para se desculpar. Naruto aproximou-se novamente, parando a um passo de distância da morena. Com uma das mãos, enlaçou sua cintura, colando os corpos. Já com a outra mão, a posicionou na nuca de Hinata. Sem esperar uma resposta, capturou os lábios da morena em um beijo sôfrego e necessitado. As línguas brigavam uma com a outra, mas Hinata permitiu um cessar-fogo. Permitiu que Naruto descobrisse cada pedaço de sua boca com a urgência que ele imponha naquele beijo. Ela se viu com a mão no cabelo de Naruto, o puxando para si. Os corpos de ambos estavam mais colados do que antes. Quando o ar se fez necessário, afastaram-se por milímetros, deixando testa com testa. Hinata estava com coração acelerado e a respiração entrecortada.

— Eu vou cuidar de você, Hina... – Naruto sussurrou — Mas você precisa deixar...

— Eu vou me esforçar, Naruto-kun...

E Hinata voltou a beijá-lo. Ela queria dizer com aquele beijo que iria fazer o máximo para esquecer você-sabe-quem. E Naruto com certeza faria tudo ser mais fácil. Separaram-se novamente por exigência do ar. Naruto levou Hinata até o sofá, onde ele a aninhou em seus braços. Ali eles compartilharam seus sonhos e seus gostos. Ele não se incomodou quando percebeu que a morena não falava mais nada. Ao olhar para a face tranquila da morena que dormia, ele se permitiu relaxar.